Os tempos mudam. Vejo isso desde criança, com os – na época – maravilhosos avanços da tecnologia dos anos 80, que faziam com que os pais das pessoas da minha geração fizessem longos discursos contra e a favor das inovações.
Mas nunca as coisas mudaram tão rapidamente quanto nos últimos 14, 15 anos, com a popularização da internet.
A partir dessa época, uma pessoa normal deixou de ser apenas Fulano da Silva. Tornou-se também fulano_silva@algo.com. Depois um número – o UIN do ICQ. Um usuário de MSN. Um perfil de Orkut – depois um suicida do Orkut, depois um ressuscitado no Orkut. Também um perfil do Facebook, uma @ no Twitter, e uma gama ilimitada de nomes de usuário por aí.
Mas tem gente levando isso a sério demais.
Já há quem use @Hotmail.com como sobrenome!!
Isso pode ser visto na lista dos aprovados na Universidade Federal de Goiás:
É o sinal dos tempos. Novos sobrenomes vindo por aí.
Mas essa moça não é de família chique. @Hotmail.com é o Silva dos tempos modernos.
De classe bem inferior, portanto, à família @Gmail.com.
Obs.: A lista completa dos aprovados em Educação Física na UFG, pode ser encontrada aqui.
Revendo velharias coisas antigas guardadas no computador, me deparei com fotos dos velhos tempos de cicloturismo. Em especial essa abaixo, na qual as pessoas sempre sofrem para me localizar – portanto denominada “Onde está o Gump?”

Foi tirada na belíssima São Francisco Xavier – SP, durante um Encontro Nacional de Cicloturismo e aventura.
E esse papo todo sobre cicloturismo me lembrou um fato ocorrido em minha cicloviagem de volta de Bombinhas-SC para Curitiba. Ao chegar à metade da subida da serra, creio que já no Paraná, parei para descansar e tomar uma água. Estava todo fantasiado de biker: bermuda de ciclista, camisa de ciclista amarela e o capacete vermelho e azul.
Não critique! A última coisa que roupa de ciclista que enfrenta estrada tem que ser é discreta!
Então, enquanto estava parado, uma menininha ficou me olhando por uns 10 minutos. Quando eu estava pronto pra continuar a subida da serra, ela tomou coragem, aproximou-se e veio perguntar algumas coisas pra mim. O básico: de onde eu era, para onde eu ia.
Por fim, perguntou, me olhando dos pés à cabeça, com cara de “que bizarro!!”:
- E pode ir vestido de qualquer jeito?
Inocência e sinceridade costumam andar juntas.
Auto-conhecimento é tudo!
Quando se é alguém como eu, auto-conhecimento é saber reconhecer gumpices em potencial.
Isso significa estar atento ao piso do restaurante quando estiver com o prato ou a bandeja na mão, em busca de itens tropeçáveis/escorregáveis; verificar o quão forte uma cadeira parece ser antes de sentar nela; procurar pensar 20 vezes antes de falar alguma coisa para não cometer uma gafe.
Assim, se eu chego a um quarto no último andar de um hotel, e existe um vão entre o chão e a grade que separa o quarto do abismo, a primeira coisa que eu penso não é “uau, que vista bonita!”.
Eu penso “PQP! Se eu chutar sem querer o tênis que está no chão, ele vai parar lá embaixo!”
Então, eu me previno.

Pronto! Posso sonambular à noite sem medo de ver um tênis voador!
Até um tempo atrás, em Curitiba, havia o seguinte anúncio em um muro de movimentada avenida:

“Aulas teóricas e práticas”?
Um amigo até chegou a ligar por curiosidade, e lhe foi informado que eles têm um método inovador para você aprender a andar de bicicleta.
Isso me pareceu bizarro, somente bizarro. Como é que alguém precisa de aula para andar de bicicleta?
Então eu parei para pensar.
“E eu que preciso de aula de dança de salão quando muitas pessoas simplesmente olham para a pista, imitam quem está lá e já saem dançando?”
Tentei ser mais tolerante, então.
Mas com relação à dança, algo me encheu de vergonha!
Fui flagrado e filmado em uma aula e o vídeo já caiu no Youtube!!
Veja:
Pô, que mico!
Lembra-se do Fulano Nakajima?
Pois é, o japonês psicopata que trabalha comigo vem conseguindo com sucesso esconder a irmã dele dos meus olhos. Todos já a viram, nem que por foto – e dizem que é linda! – menos eu. No entanto ele está percebendo que sua estratégia está lhe dando muito trabalho, já que mesmo eu estando quieto, querendo preservar minha própria vida, sempre vem alguém para fazer piada relacionada comigo e a irmã dele. Isso lhe deixa indignado, é claro. Mais indignado do que o que já é por natureza, quero dizer.
Então ele partiu para uma estratégia diferente.
No fim da sua hora do almoço, adentrou a sala esbaforido, variando seu estilo, ou seja, sem xingar ninguém nem falar que alguém merecia levar um tiro e sangrar até morrer lentamente, e veio direto me avisar:
- Ow, você que gosta de japonesinha, vá pro corredor agora!
Fui “escovar os dentes” pela segunda vez e confirmei: uma magnífica oriental estava largada em um dos bancos do corredor, esperando por alguma coisa.
Quando voltei para a sala, ele aguardava com um sorriso triunfal, de quem havia se livrado de um grande – e gordo – problema.
Agradeci o aviso, mas não resisti a tornar clara minha constatação:
- Tentando mudar meu foco, hein, Japa?
E ele ficou lá, resmungando alguma coisa não publicável entre os dentes…

Porra, como eu me livro desse cara?