Todo ano de eleição é a mesma frustração. Sabe-se que cada povo tem os representantes que merece, e não poderia ser mais verdade no caso do Brasil.
Brasileiro adora levar vantagem sobre os demais. Furar uma fila não o envergonha, pois “é um sinal de esperteza“. Arrumar “esquemas” para se dar bem é sua especialidade. “Dar um jeitinho” para burlar regras é motivo de orgulho.
Nada mais natural que seus representantes façam o mesmo.
Mas a frustração é que quem ao menos não quer contribuir com uma candidatura de um polÃtico de carreira - e cuja carreira deixou, no mÃnimo, respingos de sujeira - não tem opção, pois são sempre os mesmos candidatos,
Você acaba votando em Fulano porque não quer que Ciclano vença - mesmo que fulano também não seja exatamente um bom modelo de candidato para você.

É por isso que eu fiquei entusiasmado ao ver uma candidatura, em uma capital brasileira, de uma pessoa que rompe com essa imagem.
Essa pessoa tem coragem de propor coisas que muita gente - incluindo grande parte do eleitorado - não tem coragem sequer de pensar! Até porque a maioria das pessoas não pensam, realmente, nos problemas das cidades. Querem apenas soluções, mas não procuram saber que soluções poderiam ser essas. E acabam sendo iludidas por palavras bonitas e propostas vazias.
Simplesmente eu achei uma pessoa que se candidatou à prefeitura de uma cidade que, se eu votasse nessa cidade, receberia meu voto porque eu concordo com suas idéias e projetos, e não porque ache essa pessoa menos pior que os demais candidatos.
E, como tudo que considero bom, gostaria de divulgar para meus amigos. Gostaria de indicar, e dizer por quê.
Mas aà entram as regras da atual eleição. Nebulosas, dizem que a campanha na internet pode ser feita apenas por meio de um site oficial de cada candidato. Mas não deixam claro se indicação em blogs pode ser considerada campanha.
Um absurdo, que já deu margem a interpretações distintas. No Rio de Janeiro, candidatos têm links em seus sites para suas páginas no Orkut, Flickr, etc. Em São Paulo, qualquer link externo está proibido.
Eu, que não quero problema, por enquanto vou evitar, e não vou compartilhar minhas impressões sobre minha candidatura favorita.
E, infelizmente, tal candidatura é muito boa e bem fundamentada para que consiga competir com seus adversários mais, hum, tradicionais.
Mas não me venha com decoração de interiores e outras boiolagens! Estou falando de saber algo “de cor”, reter algo na memória.
Não sei qual a utilidade de se decorar algo, exceto na época do colégio, quando os professores dizem que você tem que entender a matéria, e não decorar, mas só cobram decoreba na prova. Mas vejo que quando as pessoas precisam, sofrem muito, e desnecessariamente, com isso.
Mas se você me conhece, com certeza vai perguntar:

- O Gump, o ser mais desmemoriado do planeta, querendo ensinar algum macete envolvendo memória?
Pois justamente. É um esquema tão bom que funciona até com alguém que, como eu, já esqueceu até do seu próprio aniversário. 3 vezes!
Tudo começou há 20 anos, quando eu precisei decorar um poema para uma atividade da aula de lÃngua portuguesa. Eu estava lá, sofrendo, como todos os outros estudantes, lendo o poema diversas vezes e tentando decorá-lo assim. A forma mais burra de tentar fazer isso. Foi quando minha sábia progenitora me ensinou o que venho aqui compartilhar. E o ensinamento funcionou tão bem que até hoje eu lembro de cor dos dois poemas que eu estudei, e também da lista de todas as proposições, que eu precisei decorar pra uma prova.

- Pára de enrolar, Gump! Fala logo como é o tal esquema!
É bem simples, e até óbvio. Se quiser decorar o poema “No meio do caminho”, por exemplo, em vez de ler o poema inteiro várias vezes, leia apenas o primeiro verso, até decorar:
No meio do caminho tinha uma pedra
Decorar um verso é tarefa fácil, né? Então, agora, acrescente mais um:
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
Depois, mais um:
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
E assim por diante. Dá pra decorar longos textos desse jeito, eu já tentei. Ajuda para decorar discursos, listas, fórmulas, qualquer coisa que você possa colocar numa sequência.
Obviamente, você pode dividir o texto tem blocos grandes, e aplicar o método acima em cada um dos blocos.
Tudo óbvio. Mas você sofria tentando decorar da forma errada.
Temos, aqui no Brasil, uma variedade de cozinhas do mundo para experimentarmos: chinesa, tailandesa, japonesa, árabe, alemã, italiana. Opções não faltam.
E agora uma nova: a cozinha canibal.

Panelinha com 2 pessoas. Acompanha costelinha, linguiça pura e Galinhada. Promoção!
Mas essa eu não pretendo experimentar.
Não aqui, pelo menos. Só se meu avião cair nos Andes em novembro.
Estava aqui, blogando, navegando, quando escutei um barulho insistente vindo do portão.
Olhei pela janela e vi, incrédulo, um cara usando uma vara para tentar puxar meu balde que estava no quintal.
Saà correndo do quarto, atravessei o corredor e o quintal, só para ter tempo de ver o mané pegar o balde e fugir em disparada.

Quem é que rouba um BALDE?
Mas não, eu não ia deixar barato!
Abri o portão e saà correndo atrás do larápio!
Ele entrou num estacionamento cercado por várias casas. Tentei identificá-lo entre os vários curiosos em volta do estacionamento e crianças jogando bola.
Não consegui localizá-lo. Mas um vento bateu, e eu senti um friozinho estranho, e também algo balançando.
Olhei para baixo.
Eu estava pelado!
Puto e pelado!
Numa tentativa de manter a decência, mas ainda sem desistir da perseguição, tentei tapar as partes com apenas uma das mãos. E consegui!
Foi quando eu percebi que o que acontecia era impossÃvel: tenho mão pequena, não proporcional ao… resto do corpo!
Abri os olhos!
Sonho bizarro da porra! Uma hora eu estava ao computador, outra eu estava acordando sem lembrar de ter deitado.
Realmente, eu preciso dar um jeito de dormir melhor…
Esse texto é o terceiro da série A vida em 4 linhas de ônibus.
Apesar de longe do ideal, o transporte público de Curitiba é exemplo para muitas - se não todas - cidades grandes do paÃs.
Mesmo assim, pegar um “alimentador”, trocar de ônibus no terminal, pegar um biarticulado lotado e trocar de ônibus mais uma vez em uma estação-tubo qualquer, é uma grande aventura.
Há muitas linhas famosas na cidade. O Inter 2 é uma dos mais marcantes. É um “ligeirinho” (ônibus que tem menos paradas que os convencionais) que contorna a cidade. Quem não conhece bem e pega no sentido contrário também chega ao seu destino, mas com algumas horas de atraso. Já até escreveram o Guia de Sobrevivência no Inter 2.
Mas o ônibus que mais me marcou em Curitiba foi o Estudantes. Trata-se de uma linha convencional que sai do Centro, passa na Casa do Estudante e tem ponto final no Centro Politécnico da UFPR.
Primeiro, porque tinha o motorista mais louco de toda a cidade. Na Avenida das Torres, ele saÃa costurando no meio dos carros, deixando-os para trás com seu busão velho. Dentro, os passageiros se seguravam como podiam. Alguns rezavam.
E enquanto isso, o motorista ia contando suas frustrações para quem quisesse ouvir. A maior delas foi não terem-no deixado dirigir um biarticulado (ônibus que, como o nome diz, tem duas articulações), sob a justificativa de que ele iria dar um nó no bicho.
Totalmente injusto, ele dizia. A gente fingia que concordava, enquanto torcia para chegar vivo.
Outros motoristas gostavam de xingar os estudantes.
Um dia eu saà de casa e vi o ônibus chegando. Como qualquer um que tem horário a cumprir, saà correndo para o ponto. Cheguei a tempo, mas ouvi a bronca, pesada, do motorista, que erradamente supôs que eu ficava esperando longe do ponto e corria quando o ônibus chegava. Fomos discutindo até que ele quase bateu num caminhão. Decidi que chegar vivo era melhor que ter razão e fiquei quieto.
Nesse itinerário deu-se, também, uma de minhas grandes frustrações. Indo para o Centro Politécnico uma noite, simplesmente parei de prestar atenção na conversa dos meus amigos ao avistar, no fundo do ônibus, a menina mais bonita que eu já havia visto. E, para minha surpresa, a japonesinha correspondeu o olhar. Trocamos olhares e sorrisos, à distância, a viagem toda. Quando chegou o ponto dela, pouco antes do meu, ela atravessou o ônibus para descer na porta mais próxima de mim. A porta abriu, e ela não desceu de imediato. Olhou-me firmemente por intermináveis dois segundos, sorrindo, e por fim disse “tchau“, acenando. E eu tive o impulso de descer, de agir, de fazer alguma coisa finalmente.
Mas fiquei ali parado, com minha cara normal cara de bobo.
Depois, não consegui me conformar!
Por mais de duas semanas, peguei o ônibus toda noite naquele horário, mesmo estando de férias na faculdade. Apenas para tentar encontrá-la de novo.
Nunca mais a vi.

O que vi, numa dessas noites, foi o motorista, o doido, bater em outro ônibus e botar a culpa no colega de profissão.
O Estudantes, aliás, foi o meu busão das desilusões.
Bem no começo da facul, eu gostava de uma menina (que conheci no Estudantes!), que gostava de um amigo meu, que só gostava de computador. Nós 3 éramos vizinhos e voltávamos juntos no Estudantes. Quando eu aceitei que estava fora da parada, cansado de ter que aguentar vê-la dando em cima do meu amigo, inventei uma desculpa para descer do ônibus antes deles; enquanto isso, como bom perdedor, resignado, eu desejava felicidades para os dois em pensamento: “vão os dois pro inferno, seus fdp!”
Disse que desceria antes para passar num supermercado. Estaria, ao menos, livre.
- Eu vou com você, Gump! - disse o meu amigo nerd.
- Ah, então eu vou com vocês! - disse, saltitante, a menina.
PQP! Eu devia ter ficado na segurança do Estudantes, que a tortura acabava logo. Mas ela acabou durando ainda mais uns 40 minutos…