Não! Não é um post sobre O Albergue, aquele filme sangrento produzido pelo Tarantino. Trata-se de uma “homenagem” ao primeiro hostel em que eu me hospedei na viagem ao Chile.

O Hostel não tinha cortina, mas nem precisava: uma bandeira do Chile serve direitinho.
Um grande problema de uma viagem sem grandes preocupações com tempos de permanência em cada cidade é fazer reserva nos hotéis ou albergues mais concorridos. Quando você decide uma data para estar em um local, costuma ser tarde.
E descobri que os hostels têm uma forma peculiar de lhe informar que não há vagas: eles lhe ignoram!
Para confirmar isso, usam outra forma peculiar: riem da sua cara!
Descobri isso num hostel de São Paulo. Fiz a reserva no site e depois de alguns dias não obtive resposta. Liguei e o atendente riu:
- Para sábado? hahaha! Por isso que ninguém respondeu. Não tem vaga.

“Para sábado????”
Mas isso funcionou também em Viña del Mar, Mendoza, Cordoba e Buenos Aires. Sem resposta, sem vaga.
Como eu não sabia com tanta antecedência quando estaria em cada cidade – e a graça da viagem era justamente não ter uma programação fixa – acabava tendo que procurar um plano B em cada local.
Depois de não conseguir vaga em nenhum dos hostels que me foram indicados em ValparaÃso, por acaso descobri um que era beeeem baratinho, o que me deixou empolgado. E de quebra era no alto de um morro. Eu teria que usar um dos famosos funiculares de ValparaÃso. São uma mistura de trenzinho com elevador, e estão por toda a cidade.

Isso é um funicular.
Para começar, o ascensor (funicular) já me decepcionou. Fiquei esperando – tal qual criança esperando presente no natal – a chegada do meio de transporte mais tÃpico de ValparaÃso, e no fim ele era apenas um caixote com rodas, que sobe só um pouquinho e pára. Achei que era algo imprescindÃvel, que não havia ruazinhas para chegar lá em cima. Mas na verdade é só um atalho, para as pessoas não terem que subir o morro a pé. Há, claro, outros ascensores bem maiores e mais úteis (como o da foto abaixo), e com lindas vistas para o porto, mas o que eu peguei era bem simples e subia pouco.

Uma foto mais descritiva do que são os tais ascensores (funiculares). Foto: Hiru.com
Depois, o Hostel. A atendente só falava espanhol, e não era lá muito simpática. Fiquei num dos quartos coletivos, e não havia armário com tranca, para guardar a mochila com tranquilidade. Vi que havia várias outras mochilas sobre as camas. Tomei coragem e deixei a Dani lá também, e fui passear pela cidade.
À noite, usei o melhor do hostel: um computador extremamente velho, mas de uso gratuito, com acesso à internet. E resolvi pesquisar sobre o local onde eu me hospedara.
Foi aà que eu achei um site em havia um review do hostel feito por um inglês que se hospedara lá. O TÃtulo do artigo era: The Hostel from Hell. Poxa, eu nem estava achando tão ruim (ainda não tinha conhecido os maravilhosos hostels de Cordoba e Buenos Aires). Mas realmente procedia: cozinha de hóspedes caindo aos pedaços e com pratos sujos, e um único banheiro para todo o hostel. Na verdade, havia dois, mas um estava todo quebrado. Com avisos em inglês do que não se devia usar.

Aviso em “bom” inglês
Aliás, os avisos eram as únicas palavras em inglês vindas do staff. Apesar de divulgarem atendimento bilÃngue, a atendente só falava espanhol. Quando uma alemã chegou para o café da manhã, a moça do hostel indicou o caminho e pediu para ela sentar-se. Tudo em espanhol. Antes que ela repetisse pela terceira vez, eu (que na verdade não falo nem espanhol nem inglês direito) resolvi bancar o tradutor. Um jovem casal californiano pegou o embalo e me usou para perguntar coisas sobre a cidade.
Por fim, o pessoal do hostel omite informações. Depois que eu já havia ido embora de ValparaÃso, descobri que eles ofereciam translado do terminal rodoviário para o hostel e vice-versa. Nem na hora da reserva, nem no checkout me avisaram disso. Além de pagar táxi na ida, tive que pagar o mico de tentar pronunciar o nome do lugar onde eu ia descer: “Reloj Turri“. O motorista só entendeu na terceira vez.

Reloj Turri. Meu ponto de referência em Valpo. E um nomezinho difÃcil de pronunciar.
Mas uma coisa eu digo: eu posso ter estado no Hostel dos infernos, mas eu gostei! Foi bem interessante o convÃvio com alemães, franceses e californianos, principalmente na segunda noite. Intrigante como o acompanhamento de muita vodka faz parecer que todos falam a mesma lÃngua!

Da janela do Hostel, vê-se uma solução chilena para a falta de espaço para guardar uma bicicleta dentro do apartamento.
A convivência tornou a experiência inesquecÃvel. Rendeu lembranças boas, e uma nem tanto: acordei com roncos tratorescos de um cara que eu não sei de onde é. Chegou quando eu dormia e dormia quando eu fui embora, então não deu pra perguntar.
Ele dormia espalhado em sua cama, de roupa e meia. E algo se mexia num cantinho ao lado dele. Olhei melhor, e tinha uma moça lá! Também de roupa e meias.
5 Comentários em "The Hostel From Hell!"
Hell Hostel foi divertido então? huahauhau O inglês deles é impecável, não é a toa que não usam tanto hehehe Por isso só viajo até capitais, alguém lá vai saber falar algum idioma que a gente fala kkkkkkk ;]
Show as aventuras gumpescas.
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[...] vários pela cidade. Já falei deles em outro post. Também foi em Valpo que eu conheci a maravilhosa e maldita Chorrillana (veja receita gumpesca). [...]
Uma vez fui parar em um hostel em Madri que era nesse esquema from hell. O hostel ficava no terceiro andar, mas não tinha elevador! O quarto era sem aquecimento (ou um aquecimento muito do fajuto) e o povo era supar mal educado…
enfim, uma situação boa pra virar piada depois; mas não na hora!!
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(eu acho que o teclado não tem a letra “i”, só pode, nunca sai!) Então, não tinha lido isso, o que me fez ter medo do Hostel rosa… ahahahah
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Gump Reply:
March 11th, 2010 at 01:37
Em compensação o Hostel em que eu fiquei em Buenos Aires era maravilhoso, melhor que os hotéis em que eu fiquei na mesma viagem!
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