Durante minha mochilada de férias, peguei muitos ônibus argentinos, e posso dizer que nessa área os hermanos têm características bem peculiares.

Os ônibus costumam ser todos muito bons. E uma coisa muito famosa neles é o “serviço de bordo”. Em território argentino, eles servem café, almoço e janta no próprio ônibus. Mas não é uma simples conveniência para você ter que gastar menos e tal. É mais um plano maligno deles para que você não possa sair do ônibus.

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Parte de uma refeição na Crucero do Norte, também conhecida como ônibus-prisão-leito

A viagem de São Paulo para Santiago pela argentina Crucero del Norte é extremamente rápida, levando-se em conta a distância. Mas assim que o busão sai do território Brasileiro, só há uma parada para café da manhã bancado pela empresa, como visto no post anterior. E isso depois de muitas horas ininterruptas após a fronteira. Depois, são mais de 8 horas sem parar.

E, por sem parar eu quero dizer sem parar mesmo! Só pára na rodoviária de Santa Fé para pegar mais passageiros – e se você quiser esticar as pernas, é bom ser rápido! Depois, só pára pra abastecer.

Outra coisa característica é que sempre há uma dupla: um motorista e um “rodomoço”. Às vezes eles se revezam nas funções. De Santa Fé até Santiago o rodomoço foi o mesmo. O cara trabalhou por 24 horas seguidas!

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Sempre há pratos quentes, mas alguns são meios difíceis de identificar…

No ônibus que peguei de Santiago até Mendoza havia um painel eletrônico avisando que era ilegal o Motorista dirigir por mais de 5 horas consecutivas, e mostrando quanto tempo fazia que o mesmo motorista estava dirigindo sem parar. Mas convenientemente – para os donos da empresa – o painel desligou quando chegou a 4 horas.

Esse jeito argentino de transportar passageiros acaba influênciando empresas chilenas e brasileiras que atuam por lá. A pluma até fazia paradas na estrada entre Buenos Aires e a fronteira, mas por isso acabava sendo ultrapassada pela FlechaBus e perdia a vez nos trâmites da fronteira. Tiveram que se adequar: longas e cansativas viagens servindo lanchinhos. Mas ao contrário dos ônibus argentinos, esse não tinha lá muito conforto.

Se você é daqueles que acham as paradas “perda de tempo”, vai gostar de viajar de ônibus na Argentina. Caso contrário, não coma muito, não tome muita água, não faça nada que lhe dê vontade de ir ao banheiro – por melhor que o ônibus seja, banheiro de ônibus não é uma coisa muito agradável.

Eu gostaria mesmo é de uma viagem no Brasil com ônibus argentino.

Mas ao menos posso dizer que fiz um desayuno em plena Cordilheira dos Andes. Nunca tomei café com uma vista tão bonita!

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Até que tomar café da manhã com essa vista não é nada mau. Mesmo na prisão-leito.