Viña del Mar é uma famosa cidade do litoral chileno, localizada na região de Valparaíso, cerca de 1 hora de Santiago.

Viña del Mar

Viña del Mar

Foi incluída em meu roteiro de férias pela facilidade de chegar, pela proximidade com a capital e, principalmente, por ser meu primeiro contato com o Oceano Pacífico.

É marcada pela presença de um relógio de flores, castelos, cassino e praias de água gelada.

castelowulf

Castillo Wulff

Castillo Ross

Castillo Ross

Cheguei lá via metrô de Valparaíso. Na verdade, é um mini-metrô. Demora muito para passar. Sua vantagem para os moradores de Valparaíso, Viña del Mar e outras  cidades por onde o metrô passa é basicamente a capacidade de levar muitas pessoas. Caso contrário, valeria mais a pena pegar um dos inúmeros microônibus que fazem diversos percursos e passam o tempo todo.

Mas, para mim, o metrô era mesmo a melhor opção. É muito mais fácil ver no mapa qual a estação fica mais perto de onde se quer ir que pedir informações de qual ônibus pegar e onde descer. Eu ainda não estava nada confortável com meu portuñol.

Desci perto do famoso “Reloj de flores“. Tirei algumas fotos, mas já vi vários outros relógios mais interessantes. Inclusive aqui em Goiânia há um muito bonito. No entanto, Viña del Mar tem muito mais vocação turística. Enquanto a cidade chilena divulga o relógio como uma magnífica e imperdível atração da cidade, e assim tornou-o mundialmente conhecido, o da capital goiana é pouquíssimo citado e fica num complicado para pedestres, difícil de parar e tirar foto.

reloj

Reloj de flores

Depois, tive minha primeira visão do pacífico! Enfim, estava do outro lado do continente!

Adoro esses marcos inúteis.

A orla é muito organizadinha, cheia de painéis com informações turísticas detalhadas sobre tudo. Desde a história do lugar, até os nomes dos pássaros que podem ser encontrados naquele trecho.

Descrição de pássaros encontrados em Viña

Placas que existem em toda a orla

Cheguei empolgado ao Castelo Wulff! Muito bonito! Li sua história no painel, e fui visitá-lo.

Mas é óbvio que se tiver que haver alguma manutenção, será exatamente na época em que eu posso visitá-lo. E foi o que aconteceu.

fechado

Continuei andando, passei pelo cassino (mas só olhei), fui confundido com gringo endinheirado várias vezes, até que cheguei realmente à praia. Hora de um dos grandes prazeres simples da vida: andar descalço com os pés banhados suavemente pelo mar.

Eu disse suavemente?? Aquela água gelidamente cortante não era lá muito suave.

Com os pés congelados, eu observava as crianças brincando na praia. Corriam na areia e se jogavam na água! Extremamente corajosas as crianças de Viña del Mar! De uma bravura fenomenal!

Já achei corajosas as moças chilenas feinhas que se bronzeavam ao sol, já que a temperatura estava na casa dos 23 graus, mas com o vento parecia muito menos. Mas tirei o chapéu mesmo para as crianças!

De qualquer forma, água gelada ou não, eu tinha que documentar tal feito: pés gumpescos no oceano pacífico.

Interpelei dois senhores chilenos e pedi para tirarem uma foto. A idéia era apenas estar com o pé dentro da água, mas o mar tinha outros planos, como se pode ver na imagem abaixo.

aguagelada

Morrendo de frio, continuei conversando com os chilenos. Fiquei surpreso por um deles saber onde fica Goiânia. Descobri que ele morou no Brasil e tem parentes no país. Mas a maior surpresa foi quando ele descreveu as cidades onde os parentes moraram. Entre elas, estavam Mafra-SC, onde cresci, e São Bento do Sul, onde moram alguns familiares meus! Qual a chance?

A partir daí, a conversa ficou animada, e em português mesmo, o que facilitou a minha vida. Na verdade, quando o chileno disse para conversarmos em português, eu senti uma entonação de “pare de tentar falar ridiculamente o espanhol!

Mas a animação maior se deu na hora de falar mal da Argentina. Descobri que os chilenos têm uma rivalidade ainda maior com os “ches”.

Por fim, eles me deram diversas dicas turísticas para minha próxima viagem ao Chile. Em especial da região da Patagônia. Mas com um detalhe:

- A Patagônia Chilena!! A argentina não!

E ficavam fazendo sinal com o polegar para baixo, resmungando: “Argentina…

Segui minha caminhada, notando cenas interessantes, como muitos chilenos malhando, alguns com personal trainer e tudo, em diversos aparelhos para ginástica instalados na praia.

Pessoas se exercitando na praia

Aparelhos de ginástica na praia

Mais para frente, a praia fica deserta e a cidade parece acabar. Há apenas uma estrada por uma encosta. A vista é linda, mas o vento é gelado.

Andei sem parar e cheguei em um lugar novamente bem urbanizado: Reñaca. Não entendi na hora se Reñaca era um bairro de Viña del Mar ou uma cidade vizinha.

Na verdade, trata-se de um balneário de Viña del Mar. Tem muitos quilômetros de extensão, e uma ótima estrutura.

E restaurantes e mais restaurantes. E eu estava morrendo de fome.

Mas era um mais chique que o outro, e um mais cheio de opções que o outro. Todos com comidas chilenas diferentes.

E enquanto eu não conseguia decidir, a fome apertava.

Resolvi o problema: fui ao Burger King!

Que vergonha!

Mas que se dane! Ao menos sabia que ia comer algo gostoso, sem ter que escolher muito, nem descobrir do que se trata.

A atendente, mecânica como toda atendente desse tipo de lanchonete, começou a despejar sugestões de acréscimos ao lanche. Do tipo: “com mais 500 pesos você leva batata grande e refrigerante grande!” Mas no espanhol chileno dela, soou assim pra mim, falado bem rápido:

- aycarambacuecacuela muchomuypoquito hablasspañolmariachiquitita juanmartinpalermo!

Respondi com um “Despacio, por favor!“, e ela deu um sorriso e deixou de ser mecânica, tornando-se bem simpática! Até bateu um papo, coisa difícil nesse tipo de rede.

Estômago reabastecido e protetor solar retocado, continuei o tour.

A praia em Reñaca é muito bonita, mas igualmente gelada. Quer saber o que mais gostei de lá? Os prédios. Veja:

prediosemescadinha

Todos acompanham a encosta, formando “escadinhas”.

E como se usa um elevador num lugar assim? Simples. Usam funiculares, como em Valparaíso!

Continuei andando até acabar a parte urbanizada da cidade e chegar em dunas. Bonitinhas, mas nem se comparam com as que existem em Florianópolis, por exemplo.

Peguei então um micro-ônibus para voltar. Não, nem perguntei para onde ele ia! Simplesmente vi que ia para a região central de Viña e peguei. O bom é que me deixou pertinho do Shopping. Resolvi dar uma volta, quem sabe até ver um filme. Mas o shopping estava tão lotado que desisti.

E esse shopping foi o primeiro lugar em que vi chilenos arrumadinhos. Normalmente eles usam um estilo mais informal, quase largado, mas lá não. Já eu, estava melecado de uma mistura de protetor solar e gumpesco e gorduroso (redundância?) suor, com tênis sujo, camiseta e bermuda. Mas pelo menos ainda tinha a cara de gringo endinheirado para me ajudar. Assim eu só parecia mais um alemão excêntrico. E funcionava com as vendedoras, que me chamavam de dentro das lojas para anunciar tudo que é tipo de produto – até lingerie! – e com os seguranças, que me davam informações na maior educação, ao invés de pedir para eu me retirar.

SavoryDesisti do cinema (fila infernal), e de tomar sorvete. Nesse caso, nem fila tinha, só um mundaréu de gente amontoada em volta dos quiosques da Savory.

Esses quiosques existem aos montes nos shoppings chilenos. Savory é o nome que se dá aos sorvetes Nestlé por lá, mas com sabores incrivelmente deliciosos.

Saí do Shopping e decidi continuar o turismo pela região menos falada da cidade. As entranhas centrais, fora da orla.

E sabe que eu gostei muito? É uma cidade muito limpinha, organizadinha e arborizada. E altamente civilizada, como o Chile de uma maneira geral.

Vi o final de uma feirinha de rua, sem lixo no chão e com muitos produtos interessantes de artesãos locais. E barraquinhas de empanadas! Nham nham!

Teatro Municipal de Viña del Mar

Teatro Municipal

Mais para frente, o destaque fica para a igreja matriz e o Teatro Municipal, bem como os passeios de charrete – que eu dispensei, claro.

Para mim, o destaque mesmo é para a cidade como um todo, com sua calmaria na porção litorânea, a variedade  dos restaurantes, o requinte do cassino e a vida pulsante do centro, tal qual uma metrópole.

Quase lamentei ter que pegar o metrô de volta para meu hostel infernal em Valparaíso. Gostaria de ter conseguido um hostel em Viña.

Só não lamentei tanto porque tinha Colo-colo x Cobresal aquela noite para assistir em meu bar favorito de Valparaíso, saboreando uma deliciosa chorrillana!