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A injustiçada Santiago – Parte I

Tuesday
14/Apr/2009

Quando se fala em Chile, pensa-se logo no Deserto do Atacama ou nas belíssimas paisagens do sul deste país alto e magro. A capital Santiago acaba ficando em segundo plano, tornando-se apenas uma porta de entrada. Não mais que o local onde fica o aeroporto em que o avião pousa.

Eu, tão turista urbano quanto amante de belas paisagens, considero isso uma grande injustiça. Santiago é a alma do Chile. Se quer conhecer o chileno, é pra lá que você tem que ir. Além de tudo, é uma cidade fantástica, com enorme vocação turística.

Cheguei de busão, e logo ao pegar a Dani (minha mochila) no bagageiro, fui apresentado à já citada “propina “. Tudo bem, não foi uma boa primeira impressão, já que a cara dos encarregados do bagageiro deixava claro que, sem gorjeta, ficaria difícil tirar a mala. Quando outro brasileiro argumentou que só tinha reais, um dos carregadores berrou que aceitava dólares, euros, reais e qualquer moeda da América do Sul. Deixei 2 reais, quantia que visivelmente não foi vista com bons olhos.

Mas tudo bem, pouco depois fiquei rico! Para não ficar totalmente sem grana chilena, troquei alguns reais por pesos chilenos ali na casa de câmbio do terminal mesmo. Sério, não faça isso! A cotação é bizarramente ruim!

Mas mesmo assim eu estava com milhares e milhares de pesos!

rico

Milhares de pesos!! Eu estava rico!!

Saindo dali, depois de algumas estações de metrô, minha amiga chilena me apresentou um meio de transporte bem interessante: táxi coletivo . Há vários carros que fazem suas rotas básicas (com pequenas mudanças de itinerário de acordo com as necessidades dos passageiros), e saem cada vez que há 3 ou 4 passageiros. Muito mais barato que táxi convencional, e muito mais confortável que outros meios de transporte. Bom, nem sempre é tão confortável. Minha amiga sofreu esmagada. Ao nosso lado, no banco de trás, sentou uma senhora com mais de uma centena de quilos. E eu não sou pequenininho também.

Chegando à casa dela (da minha amiga, não da grandiosa senhora), tomei meu merecido banho e liguei a TV, louco para ver alguma programação chilena bizarra. O que estava passando era realmente bizarro, mas não era chileno: Reginaldo Faria dublado em espanhol! Estava passando novela brasileira.

Mudei de canal e fiquei assistindo futebol.

- Bem se vê que é brasileiro, foi o comentário da mãe da minha amiga.

Estava ávido por um passeio, apesar da preocupação da dona da casa de que eu me perdesse e tal. Minha amiga me deu o celular do filho, para eu ligar caso encontrasse algum problema. Depois ela iria se arrepender de ter feito isso, pois fiz uma gumpice que quase a matou de susto – causo que será devidamente narrado num próximo post.

Enfim, saí. Fui conhecer os pontos turísticos centrais, como o prédio do correio, Palácio de la Moneda, etc.

Prédio do correio

Prédio do Correio

Fui abordado, na Plaza de Armas, por estudantes que davam informações turísticas. Bom, na verdade, eles estavam pedindo dinheiro, pois no Chile “não se tem a sorte de ter uma USP ou Unicamp. As universidades são particulares e caras e bla bla bla“. Assim, por um preço módico, indicaram o lugar onde eu poderia conseguir informações turísticas. Mas foram tão prestativos e simpáticos que eu dei uma boa contribuição.

Na verdade, eu errei um pouco na conversão e dei a mais do que gostaria. Muito a mais! Mesmo assim, eles ainda pediram mais .

Foi aí que comecei a aprimorar meu discurso de mochileiro, de turista brasileiro com pouca grana e tal.

Depois de obter informações turísticas gratuitas e muito bem detalhadas no local indicado pelos estudantes, tive que resolver uma emergência: estava sem pilhas para novas fotos. Fui comprar, e enquanto pagava as pilhas e um refrigerante bizarro no caixa do supermercado, uns caras na fila começaram a gritar nomes de lugares de onde achavam que eu era, talvez esperando que eu confirmasse quando eles acertassem:

- New York! San Diego! Los Angeles!

Com a fome começando a dar o ar da graça, fui ao local onde eu pretendia passar despercebido e almoçar: o Mercado Central , recheado de turistas.

Há no local um exército de pessoas cuja profissão é tentar levar gringos para seus restaurantes. O mais simpático deles foi um dominicano que me indicou o Galeón como sendo o melhor restaurante do local – não por acaso, o restaurante que paga o salário dele. E também o de um baiano, também muito simpático, responsável por convencer os turistas brasileiros.

Francis, o dominicano mais simpatico do Chile

Eu e Francis, o dominicano mais gente boa do Chile

Dentro do mercado, eu era abordado em inglês o tempo todo, com o pessoal perguntando de onde eu era. Quando respondia que era do Brasil, diziam duas palavras em português:

- Obrigado! Paulista?

Quando dizia que não, vinha a inevitável dificuldade de explicar onde fica Curitiba. Até eu lembrar mais uma vez que moro em Goiânia agora! O que também não resolvia o problema de explicar a localização. Ainda pouco a vontade com o portunhol, passei a responder:

- Sí, Paulista!

Isso poupava muito trabalho.

Acabei almoçando no Galeón, que realmente aparentava ser o melhor e ter o melhor atendimento. O único defeito eram os turistas brasileiros reclamando. Aliás, em toda minha viagem por Chile e Argentina, fiquei me perguntando onde estavam os brasileiros bem humorados e simpáticos. Sempre que ouvia conversas em português, eram reclamações e resmungos.

Já eu estava de ótimo humor, e até incorporei o gringo chato, tirando foto com tudo e todos.

Cantante do Galeón

Eu e o cantante, que estava feliz da vida por tirar uma foto com um turista, como dá pra perceber em sua cara.

Eu estava com medo da conta, já que é consenso que o Chile é muito caro. Mas quando ela chegou – com “tradução” para euros, dólares e reais – vi que não foi lá tudo isso. Se eu fosse paulista de verdade, até acharia barata. Em São Paulo eu teria gasto mais, com certeza.

Já disse que adorei Santiago? Pois é, tanto que tive que dividir esse post em vários, para não ficar tão cansativo, porque ainda vem a melhor parte, onde falo se o Chile tem mulher bonita, a maneira como as chilenas se vestem, o que elas fazem quando estão em bandos, e outras coisas menos interessantes que não tem a ver com as mulheres chilenas.

Então, aguarde!


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1 Comentário em "A injustiçada Santiago – Parte I"

  1. Luciana Luciana 11 de September de 2009 em 1:35 pm

    Olá,

    Adorei sobre o Chile, estou com viagem marcada de férias para lá, e foram ótimas as dicas.

    Lu

    Responder ao comentário


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