Quando estava na fronteira da Argentina com o Chile, todas as bagagens foram retiradas do ônibus, cheiradas por cães, e algumas chegaram a ser revistadas. Trâmites normais.
O que eu não havia entendido no momento era por que o cara que colocava as bagagens de volta estava passando com um copo, com cara de mau, falando alguma coisa enrolada que eu não entendia, e o povo ia colocando dinheiro dentro do copo. Foi de um em um mas acabou me esquecendo, e eu deixei pra lá, até porque dinheiro miúdo eu só tinha em reais.
Quando cheguei em Santiago e fui retirar a mochila no bagageiro, o carregador já exigiu: “¡Propina!“.
Tentei explicar que não tinha pesos, e ele começou a gritar, para todos os outros passageiros ouvirem, que aceitava dólar, euro, real, peso e mais outras tantas moedas. Seu jeitão era cômico mas seu olhar na hora de cobrar a gorjeta era severo. Deixei 2 reais, a grana mais miúda que eu tinha.
Era só o começo. Descobri que no Chile e na Argentina é tão comum dar gorjeta, que quem presta serviço já sente que é sua obrigação pagar.
Vai guardar as malas? “¡Dame una propina!” Experimente não dar e ter a surpresa de que sua bagagem “extraviou”.
Vai pegar as malas? “¡Una propina!”
Vai à padaria? Esperam que você deixe uma gorjeta.

“Pedir gorjeta dá trabalho demais, vamos deixar escrito.” (Sim, deixei gorjeta para tirar a foto)
O pior foi quando fiz Mountain Bike em Mendoza, na Argentina. O guia foi muito gente boa, além de um verdadeiro companheiro de pedalada. A bike era boa e local, de tirar o fôlego! Mas eu havia pago bem carinho para percorrer aquelas trilhas. E não tive os melhores equipamentos de segurança – só um capacete, e de rafting! -, o que seria importante para alguém sem muita técnica numa trilha daquelas.
Mas enfim, quando voltávamos para a base após a pedalada, o guia comentou as suas 4 regras para considerá-la um sucesso. Que o contratante:
Acho que o ato de cobrar gorjeta a torna uma verdadeira “propina” – usando o termo em português, tão desgastado pela corrupção. Tenho que dar gorjeta para receber o serviço, quando deveria ser um adicional por um bom serviço prestado.
Claro que eu deixei uma boa gorjeta pro cara – até porque todos os gringos estavam deixando também, e porque tinha sido uma pedalada fantástica. Mas realmente ficou a impressão que toda aquela aura de amizade, que o guia tanto fez questão de exaltar durante a cerveja após o passeio (“Agora, vocês têm um amigo na Argentina!”), era só para a gorjeta; recebida a propina, o guia sumiu e nem se despediu de ninguém.
Já nos restaurantes em Buenos Aires o atendimento era impecável. E não pediam “propina”.
Aà era eu quem fazia questão da gorjeta.
7 Comentários em "¡Dame una propina!"
Exigir que a gorjeta seja boa já é um pouco demais, não ??
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Gump Reply:
December 12th, 2008 at 14:40
Em Santiago pedi informações e em troca me pediram 10 mil pesos! Algo como 40 reais, sei lá!
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Mas que coisa, não?
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Quem mandou querer ter ‘um amigo na Argentina’??
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O que? Dinheiro por informação?!!! Se a moda pega por aqui estamos ferrados! Odeio dar gorjeta por um serviço o qual a pessoa já é remunerada, prestá-lo bem é uma obrigação e não um favor que a pessoa faz. Francamente, muito mal acostumados nossos irmãozinhos!
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[...] ¡Dame una propina! [...]
o povo sem educação estes hermanos . concordo com vc FabÃola Ariadne.
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