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Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte I: Os preparativos

  • Arquivado em: Bike
Wednesday
20/Feb/2008

Pedalar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Conhecer novos lugares, “na velocidade do tempo”. Minha praia não são as competições nem as trilhas. O que eu gosto mesmo é de longas pedaladas, viagens, novidades.

Anos depois... Pedalando no interior de São Paulo

Em São Francisco Xavier-SP. Nessa época eu já não era um biker tão ‘fat’. E não, os cocôs na rua não foram obra minha!

Sempre fui apaixonado por bike e desde criança queria viajar usando-a como meio de transporte. Mas achava que era loucura, uma excentricidade minha. Até descobrir que é uma prática muito comum, principalmente na Europa, e que até no Brasil tem muita gente que é adepto também. Tal prática tem até nome: Cicloturismo.

Apesar de muitas pedaladas intensas, até o ano 2000 eu nunca havia feito nenhuma viagem de bicicleta. Só estradinhas rurais e pedal urbano mesmo. No máximo passeios mais longos nos arredores das cidades em que eu havia morado até então. E nessa época (2000) eu estava bem gordinho (mesmo! 115kg…), e fui junto com dois amigos comprar uma bike melhor. A gente comprou o mesmo modelo e cor. Ficou engraçado! Mas nunca chegamos a andar juntos! Não batiam os horários e também porque a preguiça deles, na época, foi vencido apenas pra ir comprar a bike! Hoje eles estão bem magros (bem mais do que eu, que engordei um pouco de novo) e fazem exercícios regularmente. E não escondem que um dos estímulos foi me ver magro.

E eu continuei as pedaladas pela cidade, na maioria das vezes sozinho, até que por acaso descobri uma lista de discussão na internet sobre bicicletas, ciclismo e afins. Havia muitos cicloturistas nessa lista. Comecei a me empolgar. E por fim, achei um site do projeto de uma cicloviagem pela Rio-Santos, e o relato é maravilhoso! Algo que eu sempre quis fazer! Isso me fez decidir que eu faria uma cicloviagem logo que tivesse uma chance!

Enquanto isso, na tal lista de discussão, alguém indicou um livro de um cara de Curitiba que deu a volta ao mundo de bike. O livro chama-se “No Guidão da Liberdade“, e o cara chama-se Antônio Olinto. Procurei em diversas livrarias até que achei, e devorei! Fiquei fascinado! E já no dia seguinte comecei a traçar planos para a minha viagem.

Marquei férias para janeiro/2001, e comecei a comprar equipamento de camping e a tralharada pra viagem, e o principal: organizar o percurso! Como eu tinha um amigo que estaria em Bagé-RS, que é região de fronteira com o Uruguai, e eu já tinha ido pra lá e queria rever os amigos que fiz, resolvi fazer um caminho que passasse por aquela cidade. Decidi então os pontos extremos da cicloviagem. Sairia do Uruguai e iria pedalando até Curitiba, passando por Bagé.

Passei noites acordado olhando o mapa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, procurando os melhores caminhos, lendo os roteiros do guia 4 rodas, descobrindo sobre o relevo de cada lugar. Em suma, virei profundo conhecedor dos dois estados mais ao sul do país, ao menos na teoria.

Até batizei a minha viagem: Projeto Fat Biker - Um Gordo na Estrada.

Bom, claro que eu gostaria de fazer uma cicloviagem com mais alguém. Fazer isso sozinho sempre tem os riscos que todo mundo sabe. Mas não ia ser possível coincidir datas com as poucas pessoas que eu conhecia que topariam um desafio desses. E eu não estava disposto a perder a oportunidade.

Também tinha a questão de ser minha primeira cicloviagem. Eu era totalmente inexperiente, então fiz muita bobagem! Levei muito peso desnecessário, coisas que acabei não utilizando. Mas foi bom ter feito sozinho, não me arrependo. Aprendi muito!

Então no dia 29/12/2000 eu peguei a bike, as malas, coloquei tudo num ônibus e parti para Santana do Livramento-RS. Não sem stress. Haviam me garantido que não havia problema em levar a bike, inteira, sem precisar embalar nem nada, no bagageiro do busão. Mas quando eu cheguei lá, não queriam me deixar embarcar. Fiquei um tempão brigando com os caras da empresa de ônibus, até que o ele já estava atrasado por causa dessa indefinição e me deixaram guardar a bike. Mas SEM me dar comprovante de bagagem.

Nesse aspecto a viagem foi realmente estressante, porque o ônibus parava em tudo que é lugar, e em cada parada eu descia para inspecionar se ninguém tirava a Lucy (nome daquela minha bike). Principalmente nas paradas mais demoradas: Florianópolis, Porto Alegre e Bagé (onde desce quase todo mundo).

Depois de 20 horas de viagem, cheguei a Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, e fui para o meu hotel. Deixei as coisas e fui conhecer a cidade. Era a primeira vez em que eu ia pra lá com tempo, pois já tinha ido uma vez a Rivera, cidade uruguaia que faz fronteira com Santana do Livramento, mas só para fazer compras. Passeei bastante e foi engraçado o contato com as diferenças culturais. Por exemplo, existe gaúcho que gosta de Punk-Rock e Música Gauchesca, outros gostam de MPB e Música Gauchesca, outros de Pop-Rock e Música Gauchesca, ou ainda Heavy Metal e Música Gauchesca… Vi o povo numa rodinha conversando sobre o absurdo de um cara que era gaúcho e não gostava de música gauchesca.

Mais ou menos como o goiano com a música sertaneja!

Outra coisa que eu vi na viagem toda é que lá não existe lanchonete, só lancheria. Nos restaurantes, tem um prato que é basicamente arroz, feijão, ovo, um bife estilo t-bone e batatas fritas chamado À La Minuta. Qualquer restaurante, que se preze ou não, tem uma placa com o preço d’À La Minuta na porta.

E não existe pão francês. No Rio Grande (ao menos na região da fronteira) só existe “cacetinho“. É sério! Eu me recusava a pedir isso, então pedia:

- 5 pães franceses, por favor!

E a atendente:

- Ahhh, cacetinho??

Eu concordava com um leve movimento de cabeça.

cacetinhos

Cacetinhos… montes de cacetinhos!
E o baguete, como é chamado por lá?

Outra coisa que tem no Rio Grande do Sul de ponta a ponta é a forma de falar de dinheiro. Você vai ao supermercado, e o caixa diz:

- Deu 10 com 15.

Mas hein?????

Só fazendo as contas você entende que ele está dizendo R$ 10,15.

1 com 50

1 com 50.

Mas claro que na região da fronteira, há as coisas que são típicas mais do local, e não de todo o estado. Por lá (Livramento, Bagé, Dom Pedrito), eles usam Tchê o tempo todo. Praticamente não Falam “Bah” igual o resto dos gaúchos, não porque não faça parte do seu vocabulário, mas porque usam tanto o Tchê que não sobra espaço na frase pra falar Bah!

- Tchê, tu viste que cusco chinelo tchê? Tchêêêê!

O primeiro tchê é a forma de tratamento, cusco é cachorro, chinelo é uma palavra pra expressar algo ruim, de mal gosto, de pobre, ou qualquer coisa feia, tosca, palha… O segundo tchê é como se fosse o “meu” que os paulistas falam, e o último tchê é uma interjeição, tipo noooooooossa!

Outra que eu ouvi em um supermercado: um rapaz dando uma dura em outro:

- Tchê, tu não te fresqueia, tchê!

E por fim um adesivo num caro:

“SENTIRÁS O SEGUNDO COICE”.

Eu, hein?

Após essa introdução (ops!), no próximo post a pedalada finalmente começa.

A seguir: Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte II - Pedalando, afinal!

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3 Comentários em "Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte I: Os preparativos"

  1. Marília Marília 20 de February de 2008 em 4:34 pm

    Eu fico só no ensaio… digo que vou andar, mas não ando nunca!
    Tô no aguardo do próximo capítulo!

    [Responder ao comentário]

  2. Quando a ingratidão estraga uma simbiose perfeita! - ChristianGump.net Quando a ingratidão estraga uma simbiose perfeita! - ChristianGump.net 26 de February de 2008 em 1:11 am

    [...] de um mês depois de voltar do Projeto Fat Biker - Um Gordo na estrada, eu percebi que eu ainda estava emagrecendo bastante, apesar de não ter feito muitos exercícios [...]

  3. Só para deixar bem claro: eu não sou assim não! - ChristianGump.net Só para deixar bem claro: eu não sou assim não! - ChristianGump.net 19 de August de 2008 em 1:18 am

    [...] Tudo bem. Eu amo pedalar. Eu já fiz uma viagem de bicicleta, batizada de “Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada“. [...]


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