Uma pessoa para poder considerar que teve uma vida completa precisa ter feito algumas coisas. E não se trata de ter um filho, escrever um livro, nada disso.
Eu falo de acontecimentos grandiosos! Sobreviver a uma queda de avião, ou a um tsunami, terremoto, incêndio.
Pois hoje minha vida tornou-se um pouco mais plena. Pode-se dizer que eu sobrevivi a um incêndio!
Era uma hora da manhã e eu ainda tentava dormir, lutando contra minha habitual insônia, e contra o barulho feito pelo vizinho que, sem noção, dava uma de Latino no apê contíguo ao meu. Resisti à tentação de ir comprar briga com o povo ao lado, que jogava garrafas de cerveja na rua e ouvia música alta. Pode ter sido uma das minhas melhores decisões na vida.
Pois pouco depois de cair no sono, acordei com gritos e barulhos estranhos. A luz não acendia e comecei a sentir um cheirinho de queimado. Sonado, não achei que era algo mais grave até ir para a janela e olhar para a direita.
Fumaça! Muita fumaça sobre o prédio!
Saí para o corredor. Um sujeito desesperado olhava a labareda no corredor e gritava:
— Cara! Como a gente vai passar??
Decidimos que ainda dava pra atravessar, e eu voltei para salvar as coisas mais importantes antes de sair. Então peguei os documentos e o iPod (a Ingrith vai adorar saber isso), e voltei pro corredor. Já não dava pra ver nada, a fumaça tomara conta de tudo, e a chama aumentara.
Entrei de novo e fui pra janela, pra fugir da fumaça que entrava por todas as frestas, enquanto já ia pensando em todas as possibilidades de descer pela janela. Arranquei os lençóis dos colchões, só pra garantir, caso precisasse de uma corda! Nisso, um carinha aterrorizado apareceu, só de bermuda e chinelo, segurando um notebook, na marquise embaixo da minha janela. Tentava freneticamente achar um lugar pra pular para a rua e não conseguia. Ele tinha justamente descido do segundo andar (o meu andar) por meio de lençóis até a marquise, mas não tinha como passar.
Depois de um bom tempo, quando eu já ficava desesperado vendo as pessoas na rua olhando para o prédio com cara de assustadas, sem poder ver nada a não ser muita fumaça, finalmente os bombeiros chegaram. Mas a fumaceira que saía do prédio ainda se manteve imensa de onde eu podia ver. Só depois de um bom tempo um bombeiro passou no corredor dando pancadonas nas portas e gritando:
— Quem quer sair a hora é agora, a hora é agora! Bora, bora!
Não pensei duas vezes, corri atrás dos bombeiros que nos escoltavam e iluminavam nosso caminho já um pouco menos fumacento. Eles nos tranquilizavam falando que o fogo estava controlado e não tinha mais perigo. Bati a cabeça em vários fios e cabos que pendiam do teto, me enchi de fuligem – e só fui ver depois – mas consegui descer numa boa e fiquei na portaria, onde estava todo mundo assustado, debatendo ou prestando depoimento. Uma equipe de reportagem, que chegara ainda antes dos bombeiros, já estava indo embora.
Foi nessa hora que eu descobri que tinha sido uma ótima decisão não ter caçado encrenca com aquele vizinho que dava a festa. A polícia estava trabalhando com a hipótese de ter sido ele o causador do incêndio, criminoso. O motivo, seria um triângulo amoroso envolvendo meu vizinho, o morador do apê incendiado e a namorada deste. Só não me ficou claro se meu vizinho teria atacado o apartamento da vítima porque era a fim da namorada do cara, ou era a fim do cara.
Cara esse que tinha ido dormir na namorada e chegou de madrugada, após saber da notícia. Perdeu tudo! Todos compreendiam seu desespero.
Lá pelas 5 da manhã já pudemos subir de novo. A energia se reestabeleceu em quase todo o prédio, menos na ala onde foi o incêndio. Nessa ala, ainda vai demorar para voltar ao normal, vão ter que refazer todos os cabeamentos.
Não preciso dizer que meu apartamento fica nessa ala, preciso?
A visão do apartamento atingido era aterradora, não sobrou NADA!
Durante todo o ocorrido, e depois dele, com a constatação de que os cabeamentos da Net e da antena coletiva já eram, eu mantive sempre um senso de prioridades fantástico, que é aquilo que separa os seres que vão sobreviver às catástrofes do resto.
Não parei de pensar um minuto:
— Puta que o pariu! Onde eu vou ver o jogo do Brasil??
A Argentina passou, neste domingo, pelo México, com bastante tranquilidade. Teve certa ajudinha do bandeirinha em um gol e do zagueiro mexicano em outro, mas foi realmente superior ao adversário.
O que não impediu que uma gumpice clássica tivesse vez durante a partida! E logo na comemoração de um dos gols.
O protagonista da cena, Gabriel Gump Heinze, juntou-se a seus colegas que comemoravam o gol de Higuaín na lateral do campo, como pode-se ver na foto acima, e… Ah, nem digo mais nada, veja você:
O melhor foi a cara de raiva dele depois!
Eu, como um grande especialista em bater, literalmente, a cabeça por aí, até entendo a reação dele. Pancada na cabeça é muito irritante! O câmera também parece estar mais perto do que deveria.
Mas, defesas ao colega à parte, foi a cena que valeu o jogo.
Troféu Gump do domingo pra ele!
O ano era o longínquio 1996. Um grupo de amigos, todos calouros de computação na UFPR, foram ao Centro Politécnico numa tarde de sábado, usufruir de um campo de Futebol e ratificar a amizade que surgira nas primeiras semanas de faculdade.
Como se pode imaginar pelo curso, quase todos eram nerds. Não tinham lá muita intimidade com a redonda, mas estavam ali só para brincar.
Nosso aquecimento
Mas, pouco tempo após o início do castigo da bola da pelada dos nerds, tal qual um filme de sessão da tarde, surgiram no pedaço os garotões sarados, bons de bola, populares e cheios de si. Os estudantes de medicina.
Sim, também existem muitos nerds no curso de medicina, mas esses provavelmente não se interessariam em jogar bola num sábado à tarde. Aliás, sabe-se lá por quê os nerds da computação estavam ali.
Os futuros médicos chegaram tentando botar o terror, invadindo o campo, avacalhando nosso jogo, mas por fim, após alguma conversa, decidiram que mais divertido que tentar nos expulsar, seria nos humilhar em uma partida. A nós, restava encarar o desafio e sair num fracasso futebolístico, ou ir embora num fracasso total de covardes, ou brigar. Um tanto mordidos, optamos pelo confronto pacífico na bola.
A diferença era gritante. Todos eles pareciam ter alguma intimidade com o jogo, enquanto a gente tinha apenas um cara muito bom, outro que jogava regularmente mas não necessariamente bem, e de resto alguns magrelos (eu incluso, acredite se quiser) que pelo menos conseguiam correr.
Eu, especificamente, só tinha duas grandes habilidades futebolísticas: a auto-marcação e um chute razoável — mas apenas em bolas paradas. Como o jogo era sério, eu não poderia fazer uso da primeira característica.
Outro problema. Tínhamos um jogador a menos. Num lampejo de bondade, o líder da turminha deles ofereceu seu priminho, um piazinho de uns 12 anos no máximo, para jogar no nosso time. Assim teríamos o mesmo número de jogadores.
Então a partida começou, tal qual a briga em “Te Pego Lá Fora”, clássico da Sessão da Tarde (ou da Tela Quente, para os anciãos quem tem a minha idade), com a galera do jaleco massacrando. Driblinhos pra cá, chapeuzinhos pra lá. Mas não é que eles não conseguiam converter aquela superioridade toda em gols com tanta facilidade?
Jogador do nosso time dominando a bola
Primeiro, apareceu a figura de um japa que era o nosso goleiro. Ele parecia estar achando que era ping-pong e pegava tudo com reflexos inimagináveis. Alguns dos nossos viram conseguiam pelo menos atrapalhar os adversários. Outros corriam o campo todo e davam chutões para o ataque. E lá o craque do time sabia o que fazer.
Mesmo assim, os prováveis futuros médicos aproveitaram a melhor técnica para abrir o placar. Com o tempo, porém, os nerds começaram a se achar em campo, e os desnecessários lances humilhantes dos adversários nos davam gana de lutar. O fato de o priminho do líder dos adversários estar deliberadamente nos atrapalhando em vez de jogar do nosso lado, e todos eles rindo disso, fez o jogo se tornar mais sério para nós.
Tivemos uma falta no ataque e eu fui cobrar. O líder dos adversários estava xingando na barreira, exigindo que eu não chutasse nele para não acertar seu piercing sobre o olho. Obedeci, achando a cabeça do nosso craque, que empatou a peleja! Apesar dos deboches, comemoramos muito.
E eles vieram pra cima. Todos! Ótimo para nosso contra-ataque, que sempre encontrava um dos nossos, o que realmente sabia jogar. Assim foi o jogo até perto do fim, eles fazendo um gol e a gente empatando em contra-ataques; eles fazendo firulas, nós chutando pro mato; a gente brigando por cada bola, eles reclamando; nós nos motivando uns aos outros e cada um jogando do jeito que suas limitações permitiam, eles brigando porque todos iam para o ataque e ninguém ficava na defesa.
Num dado momento, eles pararam de rir. Vieram com raiva, dividindo, atacando com tudo. Nosso goleiro salvava todas as boas e, não bastasse isso, ainda descolou uma ligação direta, um lançamento maravilhoso para o nosso desmarcado atacante, que virou a partida.
Adversário tentando entender o que acontecia
— O problema do nosso time é que somos todos bons atacantes, aí ninguém quer defender — justificava-se o líder dos adversários. Seu ar era superior. Mas os risos já eram mais amarelados.
E eles vinham todos para o ataque. Nós ficávamos na defesa chutando furiosa e estabanadamente a bola para qualquer lado longe do nosso gol. Um desses chutes achou, meio que sem querer, nosso atacante, que mais uma vez não teve dificuldades para deixar o goleiro adversário sentado e abrir 2 gols de vantagem para os nerds.
O sol sumia no horizonte, o cansaço de jogar num campo grande caía sobre todos os presentes, e nossos adversários começaram a se retirar, deixando claro que era por causa da hora, e que nossa vitória se devia ao rabo do nosso goleiro.
Para nós, a glória! Que ficou gravada em nossos corpos na forma de dores musculares que duraram mais de uma semana, e em nossas memórias por muito tempo.
Por que eu estou escrevendo como um louco contando isso? Por nada, só deu vontade de contar a saga e glória dos Davis nerds!
Mas já que contei isso, aproveito para fazer um paralelo com a Copa do Mundo e a Seleção Brasileira e parecer que a história teve um motivo.
Talvez daqui a pouco (estréia da Seleção Brasileira na Copa de 2010) eu me arrependa do que eu vou dizer agora, mas… ao contrário da maioria, eu até entendo um pouco o técnico Dunga.
Essa seleção, em termos de nomes, é fraquinha, se comparada às outras que eu já vi jogar em copas. Já a de 2006 era até covardia, de tão forte. Ronaldo, que havia sido eleito por 3 vezes o melhor do mundo, Ronaldinho, que era o atual craque mundial, Kaká, que viria a ser o melhor do mundo, Roberto Carlos, de tantas atuações fantásticas pelo Real Madrid…
Mas o super-timaço-nerd (hahaha!) da UFPR/1996 provou que uma equipe ruim, mas motivada e que funcione como equipe, pode ir bem mais longe que um time de craques onde todo mundo quer jogar para si ou simplesmente não tem gana de vencer.
Então espero que as escolhas do Dunga funcionem para montar um time, e que eles se inspirem na nossa épica vitória de 1996 (ok, ok, parei com a megalomania) para compensar no coletivo a falta dos craques que a torcida está acostumada a ver com a camisa amarela!
Que tal você se dirigir para casa cansado após um dia estressante de trabalho e se deparar com uma apresentação de Pole Dance dentro do metrô? Interessante, não?
A bailarina chilena Monserrat Morellis ficou conhecida justamente por isso. Suas apresentações de strip tease e pole dance dentro deste meio de transporte lhe renderam o codinome de “Diosa del Metro”. Eu guardo mágoa dela porque eu virei profundo conhecedor de todas as linhas do metrô de Santiago de tanto que o usei para me locomover pela capital chilena e ela nunca se dignou a fazer uma apresentação enquanto eu estava lá, como eu já disse neste outro post.

“A Deusa do Metrô”
Pois do outro lado do mundo, na China, sua idéia foi copiada. Uma chinesinha começou a fazer o mesmo em seu país.

Dançarina apresenta-se em um vagão do metrô de Nanjing
De início vários sites noticiaram e publicaram fotos e vídeos feitos com os celulares de cada uma das apresentações de dançarinas no Metrô de Nanjing. Assim, compararam e descobriram tratar-se da mesma pessoa em todas elas.


Outra apresentação subterrânea em Nanjing
Identificaram-na como uma dançarina que se apresentou no Automobile Exhibition, em Nanjing, mas não citaram o nome dela. Em uma reportagem no TerraTV, aí sim o nome é proferido, mas eu não me arrisco a tentar escrevê-lo. Assista lá para ouvir.

A Dançarina apresentando-se em local menos inusitado
Ao fim de pelo menos uma das apresentações, ela foi retirada após um chinês que não gosta de mulher passageiro chamar a polícia.
O objetivo da moça era interessante: mostrar que a pole dance não é pornografia e sim uma forma de arte. O da sua colega sul-americana era um pouco mais agressivo: denunciar o conservadorismo chileno.
Mas essas moças não estão sozinhas. Na Romênia, elas têm uma coleguinha, também procurada pela polícia (sério, o que esse povo tem contra mulher???). Essa tinha um motivo muito mais nobre: dinheiro! “Passava o chapéu” após as suas apresentações.

Dançarina ganhando seu suado dinheirinho na Romênia
Isso tudo é muito legal: dançarinas no metrô pelo mundo. Mas eu só quero saber de uma coisa: quando é que teremos isso aqui no Brasil? Poxa, o país tem a Miss Pole Dance América do Sul de 2009, Rafaela Montanaro, e nenhuma dançarina de metrô?
Rafaela Montanaro, Miss Pole Dance América do Sul
Agora, moçoilas goianienses, por mais lindas que vocês sejam, estão todas dispensadas dessa tarefa. Por favor, não façam isso dentro do Eixo Anhenguera (vulgo Monster Bus)!
Para fechar dois vídeos filmados com celulares da apresentação da chinesinha em seu inusitado “palco” em Nanjing:
Fonte: People’s Daily
Há alguns anos, fui a um barzinho numa calçada de São Bento do Sul-SC com umas amigas. Chegando lá, um senhor gringo que estava na cidade juntou-se a nós. O papo não estava lá muito interessante, e girava muito sobre a dificuldade dele com o português.
— É ‘A rua’ ou ‘O rua’?
Mas ele parecia estar se divertindo, e fazia diversos convites estilo Tio Sukita Gordo para as meninas.
Então o sol começava a ir embora e o dia, prestes a virar noite, esfriava. O senhor ficou olhando o braço de uma das meninas e começou a rir sozinho. Quando olhares indagadores lhe fuzilaram, passou o dedo no braço da moça e soltou:
— Pele de frangow!
E morreu de rir, novamente sozinho, alheio ao olhar raivoso da são bentense, nada satisfeita ao ser comparada com uma galinha depenada.
É por causa de casos assim que americanos, alemães, ingleses e outros branquelos afins adquiriram, no Brasil, uma fama de não terem lá muita sensibilidade.
E muita gente, em locais com grande circulação de estrangeiros, como Manaus, acha que, pela aparência, eu sou gringo. Mas se tivessem a chance de reparar nesse aspecto, da sensibilidade, veriam que não sou estrangeiro coisa nenhuma.
Um exemplo. Imagine que um cara está voltando de uma aventura em plena Floresta Amazônica, envolvendo jacarés, piranhas, botos e monstros aterrorizantes (aranhas), e sua companheira de viagem decide tirar uma foto para eternizar o momento. Se o cara fosse eu, de pronto acataria o pedido, sorriria, a abraçaria e tiraríamos a foto, para eternizar o momento.
Por mais que a paisagem fosse maravilhosa, eu tenho toda a minha sensibilidade para perceber as pessoas ao meu redor, e lhes dar a devida importância. Na foto abaixo isso fica evidenciado. Toda a minha atenção, todo o meu foco está voltado para minha amiga Ingrith e seu pedido para um sorriso para uma foto jamais seria esnobado, ignorado, e sim prontamente atendido!
Como pode-se notar, sou um poço de sensibilidade e atenção às pessoas à minha volta!