ChristianGump.net

Monday
17/Mar/2008

Nota: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras. Se você procura informações sérias sobre as cidades, não é aqui que vai encontrar.

Descrição

RioMafra não é uma cidade, e sim duas, separadas pelo rio Negro: do lado paranaense, temos Rio Negro, e do lado Catarinense, Mafra.

São cidades irmãs, mas tratam a divisa entre elas pelo termo “fronteira” (termo que até dá nome a um dos jornais locais, a Tribuna da Fronteira), o que indica ferrenha rivalidade. Essa rivalidade só é esquecida quando se precisa ir para algum lugar que só existe “do outro lado da fronteira“. Assim, é realmente uma cidade só, pertencente a dois estados ao mesmo tempo.

Região famosa

A região é conhecidíssima pelo Brasil afora. É que sua característica mais importante é ser passagem pra quem vem de (ou passa por) Curitiba e vai mais pro sul. As pessoas, no meio da viagem, vêem a placa “Bem-vindo a Mafra - Volte sempre“.

Antigamente também aparecia muito no Jornal Nacional no inverno. RioMafra buscava bater o recorde mundial de enchentes. Tanto que todo riomafrense se orgulha do marco da maior enchente, de 1983, situado em Mafra, na baixada em frente ao correio.

Bairros e Turismo

O gosto por nomes estranhos dá o tom quando se trata de nomenclatura de bairros. Em Rio Negro, temos o Campo do Gado. O lugar não é um campo, e praticamente não tem gado. Exceção para uma vaca de estimação numa das casas.

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A sinalização de Rio Negro, sempre bem cuidada, combinada com o tamanho da cidade, faz com que você nunca se perca

Mas lendário mesmo é o Espigão do Bugre (ui!). É um bairro/distrito de Mafra fundado por imigrantes de Campinas, torcedores do Guarani. Eles são, dizem as más línguas, chegados num espigão, além de fãs do Bugre. O local recebe muitos turistas de Pelotas e até mesmo de São Francisco (EUA). Todos anseiam por conhecer o Espigão do Bugre.

Conservadorismo e tradição

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A prefeitura de Mafra e sua cor. Dizem que a pintura foi escolhida pela AAEB - Associação de Admiradores do Espigão do Bugre

RioMafra é a região ideal para uma pessoa conservadora e saudosista ser criada. Se o riomafrense for morar longe por 15, 20 anos, ao voltar encontrará a região exatamente igual. A prefeitura de Mafra pode estar pintada com uma cor mais “cheguei” (ou seria “cheGAY“?) e a de Rio Negro ter ido parar no alto de um morro, mas basicamente são as mesmas Rio Negro e Mafra de antes.

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Uma estradinha rural de RioMafra?? Não… é uma ruazinha ao lado da Rodoviária de Mafra, na região central. Continua igualzinha ao que era há 20 anos.

A tradição riomafrense é extremamente antiga. A vida na região já existia antes mesmo da passagem dos dinossauros, como é comprovado pelo mundialmente conhecido patrimônio paleontológico da região.

Desde quando o local ainda era mar, os peixes filhos de peixe-médico já estudavam no Colégio Marinho Mafrense ou no Colégio Aquático São José/Bom Jesus. Já naquela época havia um peixe que era considerado jornalista e tinha um programa na Rádio Difusora Oceânica. Falava como se estivesse se afogando.

A única coisa que mudou em milhões de anos foi o mar, que se afastou. Até o novo jornalista local manteve a tradição de falar se afogando.

Patrimônios

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O grande patrimônio RioMafrense, a Ponte Velha, fotografada a partir da sua vizinha, a (adivinhe!) Ponte Nova

O maior patrimônio riomafrense é uma ponte metálica, mais conhecida como Ponte Velha, que liga as duas cidades. Ela está envolvida em fatos pitorescos, a começar pelo seu tamanho. A parte metálica original é pequena demais - na verdade, tem o tamanho exato da largura do rio, em tempos de seca. Existem várias versões para isso. Cito duas aqui.

  • A versão oficial. É a versão que toda criança criada em RioMafra aprende na escola. A empresa européia que construiu a ponte teria recebido duas encomendas simultâneas: a da ponte do rio Negro e a da ponte de um rio com nome igual ou similar, na África. A empresa teria então trocado as pontes. Nessa versão, os engenheiros riomafrenses são heróis. Construiram a estrutura de concreto que dá sustentação à ponte, compensando seu diminuto comprimento.
  • A versão proibida. Os engenheiros riomafrenses, que nessa versão não são nada heróicos, mediram a distância de uma margem à outra e só na hora de “ponhar” (palavra local que significa “pôr”) a ponte sobre o rio é que perceberam que fizeram cagada algo estava errado.

Quem viveu em RioMafra nos anos 80 se lembra do medo de atravessar essa ponte, quando seu piso era de tábuas podres que caíam no rio depois de você pisar nelas. Ou do quanto ela tremia no 7 de setembro, quando 90% da população de uma das cidades passava por ela ao mesmo tempo, voltando do desfile na cidade vizinha.

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Os dois grandes patrimônios da Região: A ponte e o hotel.

Outro patrimônio da região é o famoso Rio Negro Hotel. Nos anos 80 tinha um aspecto meio peculiar. Hoje… bem… Veja você mesmo.

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O patrimônio seguindo a tradição de manter o aspecto assustador

Heróis

RioMafra tem seus heróis, pessoas que tornam a vida mais interessante. Na década de 90, houve um bandido conhecido como Peixe (descendente direto dos antigos habitantes hoje fossilizados) que frequentava todas as colunas policiais dos jornais. Mais pela fama que pelos seus atos.

Se uma casa era roubada, aparecia no jornal: “Peixe assalta casa na vila Ivete“. Se alguém tenta atacar uma mulher: “Peixe estupra mulher“. Criança chega chorando em casa: “Peixe rouba doce de criança“.

Depois houve a presença do famoso delegado de Rio Negro, que se autodenominava Braddock , e ficava em frente à delegacia com uma granada numa mão e uma faca na outra.

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Braddock, em versão rionegrense

Mas a lendária disputa BRADDOCK x PEIXE, cujos efeitos seriam piores do que tentar rasgar uma meia Vivarina com uma faca Ginsu , acabou nunca acontecendo.

Então, tudo perdeu a graça. Ultimamente o que se vê é esse tipo de notícia: “Carteiro de Rio Negro Participa do Faustão”. Estarão faltando heróis?

Claro que existiram outras figuras pitorescas, como um professor de física incapaz de sentir frio, mesmo em dias de temperaturas negativas. E nada tirava seu bom humor. Exceto quando alguém colocava o apagador em cima do quadro para que ele, com seu 1,11m, ficasse impedido de alcançá-lo.

Língua Oficial

A língua de RioMafra é uma variante interiorana da falada na capital mais próxima. Portanto, em RioMafra fala-se o curitibanês caipira, marcado pelo “LeitE QuennntE“, acrescido de “Porrrrrrrrrrrrrrta“. Também são usadas palavras típicas locais, como o já citado verbo “Ponhar“.

Relevo

As duas cidades foram pavimentadas sobre uma antiga e gigantesca pista de motocross, o que dá a marcante característica de sobe-e-desce de suas ruas. Bom, na verdade, nem toda a antiga pista de motocross foi pavimentada…

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Parte da pista de motocross que foi pavimentada, em Rio Negro. Essa descida inicia-se na prefeitura e termina nos arredores do Campo Que Não tem Gado do Gado

Diversão

As opções de diversão são as mesmas de todas as cidades pequenas. A principal é tirar sarro de cidades ainda menores, como Papanduva e Itaiópolis (SC), e Campo do Tenente (PR). Normalmente são usadas as mesmas piadas que são dirigidas para os riomafrenses pelos moradores de cidades maiores.

Outro esporte típico de cidade pequena, bastante praticado em RioMafra, é bisbilhotar e falar da vida dos outros. Uma historinha verídica:

Um senhor, comerciante, viajava a negócios para Curitiba toda sexta-feira, pegando o busão das 6h da manhã. Sua filha o levava de carro para a rodoviária por volta das 5h50.

Mas um vizinho dela acordava às 6h e não a via sair 10 minutos antes. Apenas via quando ela chegava pouco depois das 6h.

Um belo dia, esse vizinho adentrou o comércio do senhor e da filha e, com total indignação, dirigiu-se a esta:

- Eu sei muito bem o que você faz! Sua sem-verrrrrrrrgonha! Passa todas as noites de quinta na esbórrrrrrrrnia! Na sua idade! Chega às 6h da manhã toda sexta! Eu vejo! Pensou que me enganava? Você é uma verrrrrrrrgonha para a vizinhança! Sua imoral!

Portanto, lembre-se: não adianta enganar seu vizinho riomafrense: ele sabe muito bem o que você faz!

Arquitetura

A região é um berço de inovações arquitetônicas, para contrastar com seu conservadorismo, como se vê nas figuras abaixo:

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Banco de Praça em Mafra, que associa beleza e conforto

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Arquibancada do estádio da Universidade do Contestado

Comércio

O Comércio RioMafrense é marcado por publicidade extremamente sincera. Ao contrário de Capinzal, onde agradecem a sua preferência quando na verdade você não teve escolha, em RioMafra diz-se claramente que só existe aquela loja.

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A única da cidade…

Mas apesar da sinceridade, o comércio também se equivoca. De que cor você espera que seja uma oficina de bicicletas chamada “Cicle Verde“? Se você respondeu amarelo, acertou!

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Cicle Verde. Peraí… Verde????


Bom, esse artigo, como você já reparou, não é sério. Se você levou a sério, você tem algum problema. As informações não correspondem necessariamente à verdade. Para informações reais e sérias sobre as cidades, visite os sites:

Seu comentário é bem-vindo. Porém, se você é de RioMafra ou foi criado lá, como eu, e se sentiu ofendido, primeiro tente lembrar se você nunca riu de piada de gaúcho, português, baiano, carioca, etc. Não vá ficar brabinho porque uma vez na vida alguém brincou com a sua cidade em vez de contar a última do portuga.


Veja também, no Guia Gump de Cidades:

Thursday
13/Mar/2008

Quando eu falo que, apesar de ser programador e ter que usar a lógica na profissão, eu tenho um QI bem característico de meus cabelos loiros, muita gente vem dizer que eu tenho baixo-estima (e pra quem não entender que eu estou fazendo um trocadilho idiota, eu digo que eu sei que é baixa auto-estima!)

Mas a imagem abaixo, de quando montei o micro da minha irmã, não deixa dúvidas.

Gumpice!

O problema é, depois de todo o malabarismo pra tirar o gabinete por cima, ler a frase milagrosa “abra na parte inferior”.

Dói na alma.

Veja também:

Wednesday
12/Mar/2008

Qualquer pessoa normal veria apenas troncos de árvores na foto abaixo:

Cenas Bizarras da Natureza

(bosque da Barreirinha, Curitiba-PR)

Por quê é que eu vejo outras coisas??

Tuesday
11/Mar/2008

Você não conhece Goiânia, e chega aqui para algum evento. Você é uma pessoa independente e curiosa. Decide ler num folheto de aeroporto ou em algum guia na Internet e sair seguindo as dicas que leu, para conhecer a cidade.

Afinal, você não precisa mais do que um endereço e um mapa, certo?

Então você acha uma referência à Feira do Sol, que acontece aos domingos. Vê o endereço: Praça do Sol, Setor Oeste.

Legal!

Você, então, procura a Praça do Sol no Google Maps ou naquele mapinha comprado na banca e… Cadê????

A Praça do Sol não existe! Não no mapa…

Depois, você vem morar de vez aqui. Aluga uma casa no Setor Coimbra. E, indo para casa de táxi um dia, o taxista fica lhe perguntando se você mora perto da Praça do Racha. Você, um cara que consulta os mapas da região do seu novo lar, responde:

- Não, nem conheço essa praça! Eu moro perto de uma praça chamada Godofredo Alguma-Coisa.

E o taxista:

- Uai! Conheço não!

Depois de algumas voltas a mais de táxi, por você não ter conseguido informar a altura da rua em que mora, descobre que sim, mora perto da Praça do Racha. No mapa, é Praça Godofredo Alguma-Coisa. Na plaquinha, é Praça Godofredo Alguma-Coisa. Mas nenhum goianiense conhece a praça Godofredo Alguma-Coisa.

Você, meu caro leitor independente, também não vai achar facilmente, no mapa, muitas praças conhecidas de Goiânia: Praça do Violeiro, Praça do Avião, Praça do Ratinho, e até mesmo a praça mais importante: a Praça Cívica. Todas têm um nome oficial e nem sempre esse nome vem acompanhado do apelido no mapa.

Praça do Avião…

Praça do Avião… Mas não é esse o nome oficial não…

É que Goiânia na verdade é uma grande sociedade secreta. Você não pode simplesmente chegar e encontrar os lugares sozinho. Você primeiro precisa conquistar a amizade de um goiano. Aí sim ele vai lhe ensinar a chegar nos lugares.

E largue mão de querer ser independente, seu… curitibano!

Tuesday
11/Mar/2008

Apesar de o Micro-Dicionário Goianês-Português estar fazendo um enorme sucesso por e-mail e causando polêmica por gente que não entendeu o tom de brincadeira ou mesmo não entende português direito pra sacar as brincadeiras, eu tive que alterar o texto.

Cometi deslizes imperdoáveis como esquecer de citar o “trem”, “ou quá?” e outros!

Para ver a versão completa, que você não vê por e-mail, acesse http://www.christiangump.net/guia-gump-de-cidades/dicionrio-goians/