Nota: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras.
Capinzal é uma cidade do velho oeste catarinense, conhecida como a Capital Nacional do Chester. Sua população conta com 23.000 humanos e 1 milhão de chesters.
Capinzal vista do alto do “DÃa-mônde”
A minoria humana teme o dia da tomada da cidade pelos chesters; segundo os profetas locais, tal data é iminente. Quando isso acontecer, a principal fábrica local, que é uma das maiores produtoras de derivados de carne de aves do mundo, mudará seu foco. Administrada pelos chesters, a fábrica exportará carne humana para o planeta Omicron Persei 8.
Porém, os lÃderes dos chesters garantem que o processo beneficiará o “bem estar humano”, uma adaptação do “bem estar animal” adotado hoje em dia pela fábrica. Mas em vez de atordoar os humanos para que não sintam dor no momento da morte, usarão um revolucionário método de desligamento de cérebro, baseado em exibições coletivas do Domingão do Faustão e do Domingo Legal.
Essa fantasia de espermatozóide de filme do Woody Allen é roupa obrigatória na visita à fábrica que, dizem os profetas, um dia será tomada pelos chesters e exportará carne humana para outros planetas
Enquanto isso não acontece, você ainda pode visitar a cidade. Mas o primeiro cuidado é ficar atento aos horários para comer. O principal hotel da cidade não tem cozinha para uso dos hóspedes (e ele próprio tem horários bem restritos para refeições), então você não pode nem pensar em perder o horário do almoço. Principalmente num domingo.
Os restaurantes já ficam sem comida à s 12h30. Às 13h, você vai passar fome. Para jantar aos domingos, existe um bom lugar aberto. Não é difÃcil de achar, caminhando. Evite perguntar. Por algum motivo, os moradores riem da sua cara quando você pergunta de um lugar aberto. Deve ser algum tipo de piada interna local.
Se você, como eu, acha que final de semana é pra dormir tarde e acordar tarde, fique esperto. Se bem que, de qualquer forma você não vai ter muitos problemas, pois você também não tem muito motivo pra ficar acordado até tarde. Uma opção é, por 5 vezes mais que o valor justo, comer uma pizza de supermercado na única lanchonete mais-ou-menos que funciona na noite de sábado.
Na placa da lanchonete, lê-se, ironicamente: “Obrigado pela Preferência“.
E eu lá tive escolha?
Falando em pizza, também existe uma pizzaria que não serve pizza. É verdade! Na placa está escrito pizzaria. Tem o desenho de uma pizza. Mas não tem pizza, só outros lanches.
E tem uma coisa chamativa nas lanchonetes locais. Veja a foto abaixo:
É genial a tesourinha para abrir sachês de catchup e maionese! Todo mundo odeia esses sachês, que só servem pra acumular mais lixo e dar trabalho pra abrir. Eu até acho fácil de abrir sem tesoura - uma das minhas poucas habilidades - mas a grande maioria acha difÃcil e todos odeiam.
Festança na região de Capinzal-SC
Às vezes, há festas na região, como uma que eu vi anunciada com o tal Vanderlei Rodrigo. Parece-me que é um Ãcone local. Na rádio, o locutor anuncia:
- E agora, Vanderlei Rodrigo!
Mas em vez de começar a música, o locutor continua falando. Depois faz as propagandas:
- Loja tal, a mais barata, a mais bem localizada, e não fecha para almoço!
E o locutor continua:
- bla bla bla! E daqui a pouco, Vanderlei Rodrigo vai cantar aqui na rádio sei-la-o-que
Um amigo meu se irritou com o locutor:
- Deixa o tal do Vanderlei Rodrigo cantar!
Até que finalmente a música começou. Ao ouvir o verso “Até o cheiro dela me chama pra fazer amor“, eu cheguei à conclusão de que era melhor o locutor não ter deixado o Vanderlei Rodrigo cantar…
Eu acredito que Vanderlei Rodrigo seja um aliado dos chesters. De alguma forma sua música vai minimizar ainda mais a resistência humana no dia da grande batalha.
Indo para Capinzal, como para qualquer outro lugar, também é preciso estar atento para as diferenças culturais, para conseguir entender e ser entendido. Por exemplo: Na segunda vez que fui para lá, pedi para um dos dois taxistas da cidade me deixar no EdifÃcio Diamond, perto de tal e tal lugar. Dei as coordenadas direitinho.
- Não tem nenhum edifÃcio com esse nome lá não!
Olha o ed. Diamond aÃ! Como assim não existe?
Continuei descrevendo o edifÃcio, que era meio que inconfundÃvel numa cidade daquele tamanho. Mas ele continuou batendo o pé que não existia tal edifÃcio. Até que eu me toquei e usei a pronúncia local:
- O DÃa-mônde!
- AAAhhhhhh, tá! O Diamônde! Eu te levo lá!
E agóra eu vou me dedicár a ponhar um parágrafo escrÃto da fórma cômo escrévem cartázes êm CapÃnzál. Ôs escrevedôr de cartáz paréce têr uma dificuldáde enórme de escrevêr. Principálmênte acêntuação. Quândo vôu ao súpermercádo, qualquér úm dêles, tênho quê procurár múito pára achár um cartáz que não tênha êrro de portuguêz, principálmênte acêntos ônde não precÃsa. Más ô quê máis dói é ouvÃr o vérbo quê êles úsam no lugár de “pôr”. O vérbo “ponhár”. Êu ponhêi. Tú ponháste. Êle ponhôu.
É bem difÃcil ser ‘escrevedor’ de cartaz por lá. Escrever essa quantidade de acentos dá trabalho!
Uma coisa que você tem que saber é apreciar as coisas em Capinzal. Olhar com atenção antes de ficar com uma impressão negativa de algo. Eu descobri isso da pior maneira, quando tirei a foto abaixo:
Comentei depois numa rodinha:
- Tirei uma foto da enxurrada ali no morro!
Ouvi ferozes protestos de amigas radicadas na cidade:
- Como você é chato! É cachoeira! Você só fala coisa ruim! Põe defeito em tudo!
Aliás, eu esqueci de comentar algo sobre a cidade. Ela é uma baixada (o centro) cercada de morros, como o da foto abaixo, por todos os lados. Isso permite a formação de muitas, ahn, cachoeiras quando chove forte.
Em Capinzal existem pessoas muito antenadas com a moda. Criam as últimas tendências do mundo fashion. Dois exemplos de cidadãos à frente de seu tempo em termos de vestuário, desfilando pela ponte pênsil que liga Capinzal ao municÃpio vizinho de Ouro como se estivessem em Milão, lançando tendência:
Terno, boné e chinelo de dedo. A última moda local
Esse já tem um estilo mais conservador, usando o tradicional chapéu de palha, tão comum na região.
Bom, esse artigo, como você já reparou, não é sério. Se você levou a sério, você tem algum problema. As informações não correspondem necessariamente à verdade. Para informações reais e sérias sobre a cidade, visite o site oficial!
Apesar que o site oficial me deu medo: “Destaques: ANIMAIS PEÇONHENTOS - Saiba mais sobre eles“.
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Num próximo artigo, o assunto também será relacionado com Capinzal. O tema será a lenda do Chester, animal que quem nunca esteve em Capinzal jamais viu!
Como sou especialista em mancadas, gafes, etc (a ponto de tais coisas serem conhecidas como gumpices), resolvi compartilhar um pouquinho do que minha vastÃssima experiência no assunto me ensinou.
Antes, deixe-me contar o porquê de me achar um entendido no assunto. Simplesmente, em um dado momento da minha vida, eu percebi que cometia tanta gafe, pagava tanto mico (sem querer… os por querer não contam), que decidi iniciar um painel semelhante à queles das fábricas (”Estamos trabalhando há XX dias sem acidentes de trabalho“).
Meu painel: O gump está há XX dias sem cometer gafes, pagar micos ou dar mancadas. Não chegava ao número 5. Sempre era uma cabeçada na janela fechada por não ter visto o vidro, um esbarrão durrubando ou quebrando algo, eu cantando ao ouvido da mulher errada, coisas assim.

Cometeu uma gafe e está com vergonha? Há formas de minimizá-la!
Agora, vamos às lições:
Essa lição preventiva cai muito bem quando se trata de datas de aniversário.
Por exemplo, se você sabe que o aniversário de um ente querido é na semana que vem, mas não está 100% certo de que é na quarta, fale com ele apenas “Está chegando, hein? Semana que vem tem festa!!“. Ele vai ficar emocionado:
- Ele lembrou a data do meu aniversário! Oh!
Outro exemplo foi o meu post inicial no Mentes Psicodélicas. Eu não lembrava se a Lina tinha nascido no dia 30 ou no dia 31 de outubro. Portanto falei da data como sendo “final de outubro”.
E Ela nasceu no dia 29!!! Veja como meus conselhos são úteis!
Eu havia passado, certa vez, um final de semana inteiro com o meu grupo na faculdade, tentando fazer um programa de computador que valia a maior parte da nota de uma matéria. Faltando um minuto para a aula, ainda estava dando um bug grave em nosso software.
Estávamos eu e meus colegas no laboratório da faculdade, eu sentado ao computador e eles ao meu lado, queimando neurônios pra fazer aquilo funcionar para termos a nossa nota. Estava começando uma aula de outro curso ali no laboratório, e Ãamos ser expulsos. Imploramos mais 2 minutinhos para a professora daquela turma, e ela cedeu. Fez piadinhas nos chamando de aliens e tal, mas permitiu que ficássemos ali um pouquinho.
Então eu tentei uma última modificação no programa, já aceitando o destino de reprovar na matéria. Era minha última e totalmente desesperançosa cartada.
Salvei, rodei o programa, e…
Funcionou!!
Minha alma se encheu de tamanha alegria que eu esqueci de tudo, exceto da minha felicidade, e gritei, com expressão de jogador de futebol ao comemorar o gol:
- TESÃÃÃÃÃOOO!!
Todas as alunas do outro curso (sim, pra piorar o outro curso era composto só de meninas. Aumenta a vergonha) se viraram pra ver quem era o mané que estava gritando aquilo. Todas tentando imaginar que tipo de site eu estava vendo para gritar tal coisa.
Enquanto isso, meus colegas foram instintivamente saindo de perto de mim, fingindo que não me conheciam.
Mas que não me conheciam o que! Comecei a falar animadamente com eles, pra todas verem que eram meus amigos. A vergonha deles por me conhecerem me consolava!
Tente você também! Funciona!

Se a vergonha é inevitável, traga mais gente pra passar vergonha com você!
Um dia eu estava numa loja de CDs com um amigo, e passamos o tempo todo conversando enquanto escolhÃamos nossas compras. No fim, eu fui até o caixa primeiro e, quando ele chegou, eu virei para ver os CDs que estavam na mão dele.
Não reconheci nenhuma banda, nem tinha ouvido falar delas, e nem sabia se eram boas ou ruins. Só sabia que não tinham nada a ver com o tipo de música que ele gostava. Então, eu disse para ele:
- Você vai levar isso???
Com tom pejorativo no “isso“, claro.
Só então olhei pra quem eu estava falando e vi que não era meu amigo! Ele tinha voltado pra trocar um CD e eu fiquei falando com a pessoa errada, que por sinal era parecido com meu amigo.
Não tive a menor intenção de criticar o gosto musical do carinha lá. Afinal, sequer tinha ouvido o som que ele curtia. Mas tentar corrigir só ia piorar. Mantive-me, então, ali, com a cara de “esse mundo está perdido mesmo, olha só o tipo de música que as pessoas estão ouvindo hoje em dia!“
No mesmo dia, eu e meu amigo saÃmos da loja de CDs e fomos pra uma loja de calçados. Ficamos olhando as vitrines, até que eu achei um modelo muito bonito e entrei pra provar. Ele entrou também. Enquanto eu esperava a vendedora que me atendeu voltar com o tênis do meu número, olhei-me no espelho e vi o quanto de banha eu estava acumulando em meu corpo e comecei a falar com meu amigo o quanto eu estava uma baleia, que isso não podia ser, que merda, bla bla bla.
Como você já previu, não era meu amigo que estava ali. Obviamente o sacana havia saÃdo da loja pra ver outra coisa na vitrine. Em seu lugar estava a outra vendedora da loja, assustada. Afinal, o que era aquele carinha chorando suas mágoas adiposas para com ela? Ainda mais naqueles termos.
Fiz a cara mais normal possÃvel (tá bom, tá bom. Já sei o que você vai dizer… Gump e normal não combinam. Eu sei. Mas fiz a cara gumpesca menos anormal), e saà rapidinho.
Sem provar os sapatos!
Há, claro, outros tipos de mancadas que eu já cometi, mas para elas ainda não tenho um tutorial para não passar vergonha. Simplesmente porque elas ainda me envergonham até hoje!

Tem horas que não tem jeito! Dá vontade de ser igual avestruz e se esconder!
Aviso encontrado numa lanchonete perto do Parque Areião, em Goiânia:

Parei lá, durante uma caminhada, pra passar mais protetor solar (afinal, sou no estilo “omo faz, omo mostra“). Espero que minha demora no banheiro não tenha estimulado pensamentos de “demorô! fez cocô!” nos funcionários.
E essa placa me lembrou essa outra, que eu recebi por e-mail:

Eu estava almoçando um dia e vi uma figura (não, caro amigo Figura, não estou falando de você!) extremamente chamativa entrando no restaurante.
Um cara enorme, gordo, todo vestido como que saÃdo de um filme com gangues de motoqueiros.
Jaqueta e calça de couro. Coturno.
Algemas e mini-caveiras pediam de sua jaqueta.
Muitas tatuagens. A mão toda preenchida.
Cara de “Eu sou mau. Muito mau!“.

Tá olhando o que?
E o restaurante tremia a cada passo do brutamontes.
PAM! PAM!
Pessoas olhavam assustadas, e se apertavam contra as mesas para dar espaço para o monstro passar.
Chegando à mesa, o Godzilla tirou a jaqueta.
Revelou braços e pescoço totalmente tatuados. Caveiras. Gente destroçada.
E uma camiseta.
Preta.
E na estampa… Caveiras? Nome de banda de rock pesado?
Não…
“Gino & Geno - Turnê 2006″
E eu perdi a chance de tirar uma foto de um autêntico bad boy goiano.
Aqui em Goiânia, no trabalho, as pessoas têm o bizarro costume de me chamar de Christian. Eu tento convencê-las a me chamar de Gump, mas ninguém entende por quê. E muitas ficam fazendo as mesmas perguntas.
- Por que Gump?
- Christian é um nome tão bonito! E você prefere Gump?
- Onde é que vai o agá mesmo? (Nota do Gump: pergunta perigosa)
Mas afinal, qual é o problema com meu primeiro nome???
Nenhum, na verdade.
O fato é que nunca fui chamado pelo nome antes. Desde criança sempre tive apelidos que viravam codinomes. Quase todos relacionados com a cor do cabelo ou da pele: alemão, russo, polaco, gringo, soviético, suÃço, Jordy (quem lembra??), Taffarel, Richard Clayderman, Boris Becker… e até mesmo cambaxirra, um pássaro que, diziam meus amigos cariocas, tinha a penugem igualzinha (note a ênfase que davam ao ‘igualzinha’) ao meu cabelo.

Múltiplas faces gumpescas. E quem vier com o papo de que “cambaxirra gosta de pôr minhoca na boca” vai ganhar o Prêmio Gump de Originalidade :-p
Nem em casa eu era chamado de Christian, sempre havia os apelidos familiares. Buti, Crô… e outros que eu não lembro.
“Christian” só servia pra coisas ruins.
- Christian!! Vem aqui agora!
Pronto, era bronca na certa.
- Christian! Vai limpar o quarto!
Ou então:
- Gostaria de falar com o senhor Christian.
Isso é telemarketing, com certeza! Ou cobrador! O que será que eu esqueci de pagar?
E, lá no trampo, é um tal de “Alô, Christian? Deixa eu te falar…”, e eu já sei que lá vem pepino.
Já “Gump” não. Meu primeiro apelido que não tem nada a ver com a minha cor também é o mais duradouro, e usado para coisas boas. Há 12 anos que até eu me chamo de Gump.
Portanto, se você não quiser que eu te olhe com cara de “putz, o que foi que eu fiz agora?“, me chame de Gump.
Como sempre, é o Gump facilitando a vida de seus leitores!