Estava aqui procurando uma foto antiga — que obviamente não encontrei — quando me deparei com a melhor foto que já tiraram de mim em toda a minha vida.
Eu estava no Alice Bar, em Curitiba, há alguns bons anos, quando o Carlos Moraes, brilhante fotógrafo amador, obteve o flagrante.
Simplesmente o retrato ficou tão bom que é impossível alguém dizer que minha cara é feia!
Sem mais delongas, siga as setas e veja a imagem.
Viu como eu tenho razão?
Na hora, foi todo aquele pânico. Não saber por onde sair, fumaça densa e assustadoras labaredas no corredor, preocupação com os meus pertences, medo. O incêndio em um apartamento do meu prédio, na semana passada, me lembrou um clássico das noites do SBT nos anos 80: Inferno na Torre. Filmaço, pelo que me lembro…
Mas no mesmo dia, voltando para casa para finalmente dormir, depois de assistir outra tragédia (Brasil x Holanda), já não parecia ter sido assim nada de mais. Nem havia tanta fuligem dentro do meu apê (no corredor do prédio, sim). Quando acordei, o cabeamento de energia e o da NET já tinham sido restaurados.
Dá para dizer que era tudo uma questão de decoração.

É a nova tendência dos edifícios antigos, dar um ar sinistro pós-sinistro (dãã!).
As paredes em frente ao apê que pegou fogo foram preenchidas com a mais pura arte abstrata, como se vê na foto abaixo:

Mais para a frente, a parede tornou-se bicolor. Em baixo, meio bege (você, visitante do sexo feminino, pode me esclarecer melhor que cor deve ser essa, na foto abaixo) — a cor original da parede, restaurada após exaustiva limpeza; em cima, preto-fuligem.

O incêndio também foi o responsável pelo surgimento de uma nova espécie: o Abominável Monstro de Fuligem. Veja:

Ele habita as aterrorizantes teias negras:

Mas tudo isso já é passado. A administração do prédio não entende nada de arte a já colocou um forro inteiramente novo, branquinho, pintou as paredes, retirou os monstros e seus ninhos.
O trabalho de uma semana foi tão intenso que esses dias, ao subir para o meu andar, achei que, distraído, havia entrado no prédio errado!
Então dá pra dizer que o incêndio mudou duas coisas:
A primeira é que se antes era tudo meio largado e velho aqui no prédio, agora tá tudo pintadinho e bonitinho. Então, se você morar em um lugar meio descuidado e quiser que dêem uma reformada, é só torcer pra um foguinho meia boca que tudo se resolve.
A segunda é que agora conheço todos os meus vizinhos. Digamos que tentar descobrir meios de sair de um prédio em chamas, atravessando as labaredas e um corredor totalmente esfumaçado é uma ótima forma de unir as pessoas.
Recomendo!
Gumpice não é só um ato de uma pessoa desastrada. Momentos em que se está muito cosmicamente cagado constituem também uma grande gumpice. A frase “tem coisas que só acontecem com você, Gump” é uma das mais recorrentes da minha vida.
Já que azar também conta, temos que lembrar de um dos jogadores mais azarados da história das copas, o goleiro Carlos, titular da seleção brasileira na copa de 1986. Naquela copa eu aprendia a gostar de futebol, mas também sofria uma decepção tão grande quanto a do Salomão agora em 2010. Foi a tristeza esportiva da minha infância!
E o pobre Carlos teve participação na desclassificação para a França, totalmente sem culpa, mas com muito, muito azar!
Carlos, o azarado
O jogo havia empatado em 1×1, e o Brasil tinha jogado bem — ao menos até onde eu me lembro — mas teve uma grande chance desperdiçada por Zico, que voltava de uma grave contusão. O galinho entrou no jogo e logo na sequência teve um pênalti para cobrar. Ele, justo um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, perdeu a cobrança. Era sinal do que estava por vir.
Então o jogo foi para os pênaltis. A França ia ganhando quando chegou a vez de Bellone cobrar. Ele chutou forte, no canto esquerdo do goleiro brasileiro, que acertou o canto e se esticou todo tentando pegar a bola. Não conseguiu, mas a pelota não entrou: bateu na trave. Sorte do goleiro, né? Não! Era um goleiro gumpesco, azarado até o dedão do pé. A bola voltou, bateu nas suas costas e entrou. Se ele tivesse ido no canto errado, a história do jogo seria outra.
Triste, muito triste.
Veja o lance no vídeo abaixo. Se quiser ver apenas a inusitada situação em questão, adiante para a posição 1:38.
Com muito azar, mais falhas dos craques Zico e Sócrates em cobranças de pênalti, e o momento gumpesco do Carlos, o Brasil iniciava a tradição de cair diante da França em copas (repetiria em 1998 e 2006).
Carlos era tão gumpesco, mas tão gumpesco, que não era a primeira vez que era traído por seu próprio azar bizarro. O mesmo aconteceu na decisão do Paulistão de 1977, quando ele defendia a Ponte Preta contra o Corinthians. Na ocasião, ele defendeu chute de Palhinha, mas a bola retornou, atingiu o rosto do corinthiano e entrou. Gol involuntário de nariz, e lance bizarríssimo! Só comigo poderia acontecer isso. Ou com o Carlos!
Esse segundo lance eu vi nesse belo post do blog Copawriters. Lá também é citado o azar do goleiro em 1986.
É, Carlos, pra seu azar eu não fui goleiro profissional, para lhe superar em lances azarados!
Estão chegando as eleições no Brasil! A época favorita de duas grandes classes:
Ver candidato fazendo promessas que não pretende cumprir ou mesmo mentindo na cara dura é mais fácil que derrotar o time para o qual o Mick Jagger está torcendo.
Mas ver eleitores conscientes e antenados fazendo isso me impressiona.
Foi o que aconteceu hoje, e o autor da proeza foi o Tomazetti. O teor de seu blog lhe dá um aspecto de cidadão respeitável e ligado no que acontece no mundo.
Mas, mesmo assim, foi flagrado mentindo descaradamente em seu twitter. Fiquei estarrecido! De verdade!
Veja a prova:
Poxa, cara, não tente nos enganar… É feio! E ainda usando o nome dO Criador em vão!
Todo mundo sabe que entrevistados por pesquisas do Ibope e afins não existem!
Estou indignado!!
Alguém andou acompanhando a minha vida para pegar meu jeito de ser. Então, jogaram esse meu jeitão particular em um personagem e fizeram uma peça publicitária.
E eu não ganhei um centavo com isso!
Incorporo o vídeo da peça neste post para servir como prova:
Bem no estilo de coisas que eu costumo fazer, como já escrevi em outro post.
Cadê a minha parte??? E em dinheiro, por favor…