Vi, há muito tempo, um mapa do Brasil segundo os gaúchos. Na hora eu quis fazer um mapa segundo a visão dos goianos, mas não estava bem familiarizado com a idéia que eles têm do Brasil (exceto a que fazem do único estado abaixo de São Paulo, o Rio Grande do Sul).
Agora, eu finalmente fiz o óbvio: perguntei para alguns goianos!
O resultado foi o mapa abaixo:
Concorda? Discorda? Comente. Mas antes de me xingar, lembre-se que eu mesmo levei na esportiva, pois fui triplamente xingado: feio (nasci em BrasÃlia), gay (fui criado na região de Curitiba-PR), e o pior: gaúcho!
E não deixe de ver outros mapas que fizeram por aÃ:
Parece que resolveram me crucificar. Tudo é culpa minha.
“Blá blá blá trânsito.”
“Blá blá blá poluição.”
“Blá blá blá lei seca.”
“Blá blá blá desrespeito ao pedestre.”
Tudo o que eu quero é andar por aÃ, tranquilo, na minha. Andar, é claro, é maneira de dizer. Eu não ando, não preciso mais disso. Andar é coisa de homem das cavernas. Pra que andar se hoje existe carro?
Eu tenho o último modelo. Com todos os acessórios. Não me interessa o tumulto lá fora. Dentro do meu veÃculo, tudo é paz e tranquilidade. Funciona para o Jack Bauer, por quê não funcionaria para mim?
Aliás, você não vê televisão? Está tudo lá, você não vê porque não quer. O carro é a maior expressão da liberdade. Isso está em todos os comerciais. É o carro que me chama para sair do trabalho mais cedo, que me lembra que eu tenho uma vida. É o carro que me faz ficar interessante. É o carro que me faz ser alguém. Ter é ser!
Trânsito? A culpa é dessas bicicletas no meio da rua. Desses caminhões andando em plena luz do dia - bem fez a prefeitura de São Paulo: botou os caminhões para transitar à noite. O que é um pouquinho de barulho, de funcionários fazendo extra noturno, de incômodos, diante do meu direito de ir à padaria sobre quatro rodas?
E dizem que a culpa é minha?? A culpa é do ônibus! Para que tanto ônibus na rua afinal?
A culpa é, também, desses prefeitos que não constroem mais elevados, mais viadutos. Que insistem em manter praças arborizadas no meio da cidade só porque são bonitinhas. Bonitinhas! Quem liga para isso se a real beleza está no design de um carro zero? E as calçadas? Para que servem calçadas tão largas? Elas não precisam ter mais do que a largura de um veÃculo, para o caso de eu precisar estacionar ali. E corredores exclusivos para ônibus? Estão tirando uma pista que eu poderia utilizar. Simplesmente absurdo!
Olha o tamanho dessas calçadas! Dá e sobra para os carros estacionarem e ainda colocar outra pista automotiva!
E me culpam pela poluição? Eu abasteço em um posto ecológico. Não sei bem o que isso quer dizer, mas é o que diz o cartaz do posto. E eu tenho um cartão que diz que neutraliza a emissão de carbono do meu carro. Estou isento de culpa!
E essa lei seca, hein? Um desrespeito aos meus direitos. Querem me proibir de beber. Como vou chegar ao bar sem dirigir? Deixar meu precioso carro nas mãos de minha esposa? Ir em grupos em que um não beba para levar os outros para casa? Pegar táxi? Eu?
Querem tirar minha personalidade. Deixar-me igualado a um qualquer que anda de ônibus. Ou no máximo tem um carrinho 1.0 e não sai da garagem porque não tem grana para a gasolina.
Que gracinha… os pés-rapados e os excêntricos também querem estacionar, e ao mesmo tempo reclamar que eu ocupo muito espaço! Eu é que tenho pouco espaço na cidade com todas essas calçadas e ciclovias!
Teve um desses hippies aÃ, desses que falam em baboseiras como “uso consciente do automóvel“, que bateu o recorde. Chegou ao ponto de dizer que como eu, minha esposa e meu vizinho vamos para o mesmo lado e no mesmo horário, deverÃamos ir todos no mesmo carro. E a minha privacidade, como fica? Passo 2 horas por dia dentro do carro cuidando de minha privacidade. Como seria minha vida sem esse momento de reflexão?
Meu carro tem um bom som, DVD, ar-condicionado. Meu carro é minha vida.
Agora, com sua licença, tenho que sair. Esse assunto me estressa. E também, você sabe, precisamos cuidar da nossa saúde. Vou à academia aqui do bairro.
De carro, é claro.
Todas as imagens são do blog Apocalipse Motorizado, o qual recomendo fortemente a leitura. Independente de ideologia, é bom ter contato com idéias diferentes daquelas que nos empurram diariamente.
Vivemos um perÃodo profissionalmente estressante. Metas, prazos e produtividade são palavras frequentes na vida de qualquer profissional. Muito mais frequentes que a palavra “qualidade”, por exemplo.
Mesmo empresas modelo como o Google têm suas cobranças e metas.
Mas você sabe dizer o que é produtividade nas diversas áreas?
Um vendedor tem que vender bastante, simples assim. Mas, e um coveiro? O que é um coveiro adequado ao modelo de trabalho do século XXI?
Para não deixar mais dúvidas, elaborei a listinha abaixo. Agora você pode saber se o seu amigo, que tem aquela profissão estranha, é um profissional produtivo ou não.
Basicamente tem que demitir 20% a mais que no mesmo perÃodo do ano passado.
De acordo com o novo Programa Estratégico do Cemitério, tem que enterrar mais pessoas, mantendo o mesmo Ãndice de resgate de pessoas enterradas vivas. Quando não houver mortes, deve abrir sepulturas e extrair caixões em bom estado, que serão repassados para abastecer o mercado de caixões seminovos.

Fruto do trabalho de um coveiro eficiente
É uma profissão estressante, pois exige muitas tarefas simultâneas para atingir o que está no Plano de Metas da empresa. Entre essas tarefas, temos:
A meta é solucionar 20% mais problemas, gerando 40% a mais de novos problemas e 50% a mais de bugs. Um bom profissional da área é aquele que resolve todos os problemas dos usuários e eles sentem que tudo está muito pior assim.

Dunga recebendo o Plano Estratégico da CBF
Para atingir o Plano Estratégico da CBF, o jogador deve aumentar a quantidade de passes inúteis no meio de campo; reduzir o número de divididas; buscar Ãndices de garra próximos a zero; aumentar a criação de desculpas esfarrapadas para os vexames; e reduzir a quantidade de jogadas brilhantes para nÃveis ainda mais baixos que os de garra.
Nota do Gump: Como vemos, todos os jogadores do atual selecionado são excelentes profissionais.
Causar 35% mais dores musculares nos atuais alunos que nos anteriores; aumentar o Ãndice de descobrimento de músculos (aqueles que a gente só sabe que existem quando doem) em 20%.
Reduzir o número de ouros; aumentar o número de bronzes; triplicar o número de fiascos dos favoritos; envolver-se em casos cada vez mais bizarros ou inusitados (sumiço de varas, tombos, etc).
Arrumar mais clientes famosos e extorquÃ-los por valores maiores; arrumar mais brigas para se manter em evidência; assinar contratos com produtoras de filmes pornôs ou com funkeiros.
Reduzir a criatividade; reciclar mais fórmulas antigas; repetir papéis para os mesmos atores; baixar ainda mais a qualidade; e ainda aumentar a audiência.
Tal qual um blogueiro português de um vÃdeo famoso, muitas vezes vemos algo e pensamos: “isso dava um post“. Acaba de acontecer comigo.
Um amigo, após recente aumento de salário, começou a pensar em comprar um carro. Fez pesquisas de preços de carro na internet, fazendo buscas por modelos de 2000 pra cá.
Começou olhando uma Pajero. Procurou também EcoSport e C3.

“Não go$tei muito não…”
Com cara de desagrado, baixou para um Fiesta, tirando a limitação do modelo: agora podia ser carro de qualquer ano.
Passou então a olhar preços de Gol.
Enfim, a busca terminou:
- Até que esse Uno Mille é bonitinho, né?
Flagrante feito por um amigo.

Carro na calçada!! Chama a polÃcia!
Flagrante desrespeito ao estatuto do pedestre de Goiânia.
Aliás, estava lendo sobre o estatuto e vi que eu, pedestre, também o desrespeito. É que de casa até o trabalho só há 3 faixas de pedestre no meu percurso (e muitas rotatórias e cruzamentos sem semáforo nem faixas de pedestre). E é proibido atravessar fora da faixa.
Dúvida cruel: ser um fora-da-lei, dobrar a distância do meu trajeto, ou contribuir para o trânsito já caótico?
Estou perdido.