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Eu lhe perturbo e você vira meu cliente, fechado?

Wednesday
25/Nov/2009

A pergunta do título parece ser a que alguns profissionais aqui do Centro-Oeste me fazem, indiretamente.

Lembrei disso ao chegar de volta das férias ao aeroporto aqui de Goiânia. Como só trabalharia à tarde, dispensei táxi e decidi ir de citybus. Tal microônibus passou totalmente vazio, como sempre, mas a motorista nem fez questão de mudar isso: sequer olhou para o ponto, passando direto.

Sobrou-me rumar para fora do aeroporto, ao ponto do busão normal, que pelo menos também vem vazio e igualmente me deixa quase em casa.

A espera foi pequena, de uns 10 minutos, mas irritante. Quase uma vez a cada minuto passava um táxi buzinando, parando e perguntando se eu queria táxi. Ao ouvir minha negativa, insistia, e depois insistia de novo. Um chegou a oferecer taxímetro desligado para o centro, me cobrando apenas a bagatela de 25 reais. Considerando-se que o valor normal até a minha casa é de 20 reais, foi uma bela promoção…

pedindo_carona

Assim eu até entenderia o motorista parar, buzinar e oferecer táxi… mas para um branquelo gordo?

E havia mais pessoas no ponto, mas era só para mim que ofereciam táxi. Talvez um preconceito invertido, igual ao dia em que um pedinte olhou pelo vidro de um restaurante, adentrou-o e o percorreu inteiro, parando somente na minha mesa para pedir dinheiro. Ocasião na qual eu cometi uma meia-gumpice, exclamando:

- Pô, por quê você tá pedindo pra mim? Por quê não pede pra ele? – e apontei para um cara numa mesa vizinha. Estava indignado porque estava vestido até de forma bem esculachada e mesmo assim fui escolhido como a “fonte de dinheiro fácil”.

É claro que o cara foi lá pedir dinheiro (e insistir e insistir) para meu vizinho de mesa só para voltar e pedir de novo pra mim.

- Viu? Eu pedi pra ele também!

Pelo menos, se o vizinho ficou puto comigo, não demonstrou…

Voltando à historinha, o que eu acho mesmo é que os taxistas pensam que com a cor do meu cabelo, eu não saberia pegar um táxi no lugar certo e estaria perdido. Mas isso eu ainda consigo, creio eu.

Quando veio o último taxista, eu estava conversando com uma senhora, e ele ficou buzinando, buzinando, buzinando. Vi que ele não ia perceber que eu o estava ignorando propositalmente (ou tentaria vencer pela chatice mesmo), e olhei. Mas dessa vez respondi o óbvio:

- Se eu quisesse um táxi, não andaria até aqui, pegaria um lá! – e apontei para os táxis bem na saída do aeroporto.

Pior é fazer uma caminhada nas ruas de Rondonópolis-MT num final de semana. Cada mototaxista buzina, encosta e pergunta se você quer mototáxi. Se eu quisesse um, com certeza eu estaria atento e à procura. Ele não precisaria parar e perguntar.

Uma coisa também irritante mas creio que menos grave, já que é mais falta de noção do que chatice intencional, é o que acontece quase sempre que alguém pára para olhar uma vitrine nas ruas ou shoppings aqui de Goiânia: o vendedor sai da loja para perguntar o que você quer. Ao ouvir o clássico “estou só olhando”, insiste, fala de produtos, até você desistir de olhar a vitrine e ir embora.

so_olhando

Duvido que seja isso que ensinem nesse livro…

Às vezes você está só olhando mesmo; em outras, quer realmente comprar algo, mas ainda não decidiu se aquela loja é interessante. Pela vitrine já dá para saber isso.

Um dia ainda vou responder, mas de forma educada e sendo o mais simpático possível (em se tratando de mim, deveria dizer “o menos antipático possível”), dizendo que quando quiser ser atendido, eu entrarei na loja e procurarei o vendedor.

Pelo menos existe uma forma simples de evitar tudo isso: fone de ouvido! ;)

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1 Comentário em "Eu lhe perturbo e você vira meu cliente, fechado?"

  1. Ingrith 7 de December de 2009 em 23:10

    “…o que eu acho mesmo é que os taxistas pensam que com a cor do meu cabelo, eu não saberia pegar um táxi no lugar certo e estaria perdido. Mas isso eu ainda consigo, creio eu.”

    Ri alto!

    [Reply]


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