Estive muito doente por esses dias. Na verdade, nunca estive tão mal desde que uma ex tentou me matar por envenenamento. Por meio de batata-doce!

Imagine um jantar romântico no apartamento dela composto apenas de batata-doce envenenada e leite, assistindo algum programa de qualidade duvidosa das noites da Rede Globo. Agora pense no dia seguinte. Dor, febre, calafrios, delírios. E eu completamente sozinho em casa. As pessoas mais próximas a mim no momento eram O Lagartão Cristão e O Velho da Pia, e digamos que elas gostavam tanto de mim quanto eu delas.

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Tubérculo do mal

Foi, em minha vida, um problema realmente sólido! E líquido. E gasoso – mas esse é o efeito normal de qualquer batata-doce.

Os planos diabólicos da ex foram perfeitos. Eu definharia, ardendo em febre, tremendo mais do que gelatina no Chile, e se não morresse do veneno inserido em tal raíz tuberculosa, pereceria sufocado na fumaça esverdeada com que meu próprio organismo se encarregaria de preencher todo o quarto.

Mas eu, que, quando criança, despenquei na calçada, de cabeça, do alto de um muro, e em outra ocasião fui atropelado por um fusca azul-calcinha, e saí inteiro em ambos os casos (não se pode dizer o mesmo da calçada, e possivelmente do fusca), sobrevivi a mais esse obstáculo que a vida me impôs.

Agora, diante de meu sumiço, vieram me dizer que temiam que eu tivesse sido pego pelo bicho-papão.

Ná. Como não acredito em bicho-papão, ele ficou magoadinho e nunca mais apareceu em meu armário. O grande problema é: eu acredito em bactérias!

Foi o suficiente para as malditas causarem uma amigdalite… Parece algo sem importância, mas ela foi tão arrasadora que além da dor na garganta trouxe muita febre e mal estar.

Mas, de novo, apesar de ter me sentido realmente muito adoentado, a narradora de “A Menina que Roubava Livros” nem cogitou vir me buscar.

Em parte é uma pena. Ia ser legal deixar minha coveira digital encher meu twitter com piadinhas a respeito da minha morte. Inclusive com a colaboração dos seguidores. Se eu tivesse posses, daria até para sortear algo do meu espólio para o autor da melhor frase.

Mas como eu vi que não ia morrer, não pensei em quase nada. Talvez algo como:

  • E Christian Gump está finalmente conseguindo emagrecer!
  • A família vegan do Gump está feliz. Agora ele só come mato. Pela raíz.

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Gump magrinho magrinho

De qualquer forma, agora dá tempo para tentar fazer algo decente.

E, espero, ainda terei muitos anos para bolar meus tweets e posts póstumos, bem como minha lápide.

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