Era o primeiro dia da fantástica viagem ao Uruguai, aquela em que fui agraciado por ser preguiçoso. Então ainda não sabia bem como as coisas funcionavam por lá.
Estávamos, eu e minha amiga que fala por telepatia, caminhando pelas ruas da Ciudad Vieja de Montevidéu, quando um senhor sentado em algum canto se virou para mim e disse algo que me soou como:
— Peroquesíperoquenocuecacuelaabuelamañana!
Pego de surpresa eu não entendi nada, mas desconfiado e escaldado FDP que sou já supuz que ele estava me pedindo grana.
Respondi algo que eu não me lembro, mas acho que foi em espanhol também (talvez “no tengo“) e segui meu caminho, enquanto minha amiga me olhava com sua tradicional cara misteriosa e indecifrável, mas desta vez com um levíssimo toque de algo que eu interpretei como espanto.
Não deu um segundo e o senhor uruguaio começou a xingar:
— Tinha que ser argentino mesmo!
E continuou soltando impropérios destacando a falta de educação não só minha como de todos os meus “conterrâneos argentinos”.

Eu, argentino???
Fiquei sem entender direito o que estava acontecendo, quando minha amiga deve ter desistido de estabelecer contato telepático e começou a usar sons para falar comigo. Segundo ela, o senhor estava apenas pedindo ajuda para se levantar…
Eu havia levado a Montevidéu toda minha brasileira desconfiança, ampliada pelo meu costume em ser abordado na maioria dos lugares ao ser confundido com um gringo cheio da grana. Logo eu, tão sociável e simpático, que adoro parar minha caminhada para conversar com estranhos!
Senti-me muito mal por isso, envergonhado mesmo, mas não havia mais o que fazer.
Pelo menos tenho certeza que muitos brasileiros me considerarão um herói: queimei o filme da Argentina!

8 comentários
Fred says:
Sep 4, 2011
hahuauhauhuahuauhauh
Argentino é assim mesmo, Deus!
G2 says:
Sep 6, 2011
“Peroquesíperoquenocuecacuelaabuelamañana”
???
HAUhauhauahuahua
OBS: Que desenho bonito! Parabéns! kkkkk
Roberto Teixeira says:
Sep 7, 2011
Ok, deixe-me ver se entendi. Você está em um outro país e alguém lhe pede ajuda na língua local. Você não entende e decide ser mal educado — e auto-intitulado FDP — e acha que deve ser considerado um herói por muitos brasileiros? Tem brasileiro muito babaca mesmo.
Gump says:
Sep 7, 2011
Definitivamente vc NÃO entendeu. Tente ler de novo. Eu NÃO decidi ser mal-educado, eu simplesmente não entendi o que ele estava falando e supuz que ele estava pedindo dinheiro (daí o “desconfiado FDP”, pois isso sempre me acontece — e ele estava com a mão estendida e balançando). Como disse no próprio texto, eu saí de lá morrendo de vergonha pelo equívoco (vc leu essa parte?).
Outra coisa equivocada: que EU acho que devo ser considerado um herói. Eu disse que muitos brasileiros vão me considerar como um herói. Em nenhum momento falei que EU concordo com isso, até porque ia estragar a brincadeira da conclusão do texto, mas já que você acabou de fazer isso vamos lá: eu adoro a Argentina e os argentinos (não é a primeira vez que falo isso por aqui) e não concordo com esse tanto de brasileiro que nunca sequer viu um argentino na frente falando mal.
Pô, eu te conheci na CNC, não que você lembre, então por eu saber o quão inteligente você é estou surpreso que não tenha entendido que a única pessoa que eu estou realmente querendo sacanear e falar mal neste texto SOU EU MESMO, por conta de um fato lamentável do qual não me orgulho!
Mariana says:
Sep 20, 2011
O cara nem lê seu texto direito, já chega te chamando de babaca e é você que ainda tenta contemporizar, Gump ? Para com isso e manda à merda !
O dia em que eu virei um turista tarado sedento por sexo | ChristianGump.net says:
Dec 9, 2011
[...] O dia em que eu virei argentino Post anteriorO vagão das cabeças honestas [...]
Lemes says:
Feb 23, 2012
O típico preconceito de brasileiros contra argentinos, morei na Argentina e me sentia bem melhor lá, longe desse preconceito todo, contra tudo e todos.
Aliás, a educação dos argentinos está acima da dos brasileiros, sendo brasileiro fico envergonhado!
Gump says:
Feb 23, 2012
Mas cara, eu concordo com você! Minha viagem pela Argentina foi uma das melhores, fiquei triste ao sair de Mendoza e, logo ao chegar em Buenos Aires, eu já estava querendo morar lá, como você fez.
Mas acho triste que basta contar uma história de forma bem humorada para alguém que não leu o texto com atenção (te desafio a dizer onde EU falei mal de argentino, já expliquei inclusive num comentário acima) vir atacar, seja o motivo que for.