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Guia Gump de Cidades: Capinzal

Wednesday
5/Mar/2008


Nota
: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras.

Capinzal é uma cidade do velho oeste catarinense, conhecida como a Capital Nacional do Chester. Sua população conta com 23.000 humanos e 1 milhão de chesters.

vista_aerea

Capinzal vista do alto do “Día-mônde”

A minoria humana teme o dia da tomada da cidade pelos chesters; segundo os profetas locais, tal data é iminente. Quando isso acontecer, a principal fábrica local, que é uma das maiores produtoras de derivados de carne de aves do mundo, mudará seu foco. Administrada pelos chesters, a fábrica exportará carne humana para o planeta Omicron Persei 8.

Porém, os líderes dos chesters garantem que o processo beneficiará o “bem estar humano”, uma adaptação do “bem estar animal” adotado hoje em dia pela fábrica. Mas em vez de atordoar os humanos para que não sintam dor no momento da morte, usarão um revolucionário método de desligamento de cérebro, baseado em exibições coletivas do Domingão do Faustão e do Domingo Legal.

espermatozoide

Essa fantasia de espermatozóide de filme do Woody Allen é roupa obrigatória na visita à fábrica que, dizem os profetas, um dia será tomada pelos chesters e exportará carne humana para outros planetas

Enquanto isso não acontece, você ainda pode visitar a cidade. Mas o primeiro cuidado é ficar atento aos horários para comer. O principal hotel da cidade não tem cozinha para uso dos hóspedes (e ele próprio tem horários bem restritos para refeições), então você não pode nem pensar em perder o horário do almoço. Principalmente num domingo.

Os restaurantes já ficam sem comida às 12h30. Às 13h, você vai passar fome. Para jantar aos domingos, existe um bom lugar aberto. Não é difícil de achar, caminhando. Evite perguntar. Por algum motivo, os moradores riem da sua cara quando você pergunta de um lugar aberto. Deve ser algum tipo de piada interna local.

Se você, como eu, acha que final de semana é pra dormir tarde e acordar tarde, fique esperto. Se bem que, de qualquer forma você não vai ter muitos problemas, pois você também não tem muito motivo pra ficar acordado até tarde. Uma opção é, por 5 vezes mais que o valor justo, comer uma pizza de supermercado na única lanchonete mais-ou-menos que funciona na noite de sábado.

Na placa da lanchonete, lê-se, ironicamente: “Obrigado pela Preferência“.

e_eu_la_tive_escolha

E eu lá tive escolha?

Falando em pizza, também existe uma pizzaria que não serve pizza. É verdade! Na placa está escrito pizzaria. Tem o desenho de uma pizza. Mas não tem pizza, só outros lanches.

E tem uma coisa chamativa nas lanchonetes locais. Veja a foto abaixo:

tesourinha

É genial a tesourinha para abrir sachês de catchup e maionese! Todo mundo odeia esses sachês, que só servem pra acumular mais lixo e dar trabalho pra abrir. Eu até acho fácil de abrir sem tesoura – uma das minhas poucas habilidades – mas a grande maioria acha difícil e todos odeiam.

vanderlei_rodrigo

Festança na região de Capinzal-SC

Às vezes, há festas na região, como uma que eu vi anunciada com o tal Vanderlei Rodrigo. Parece-me que é um ícone local. Na rádio, o locutor anuncia:

- E agora, Vanderlei Rodrigo!

Mas em vez de começar a música, o locutor continua falando. Depois faz as propagandas:

- Loja tal, a mais barata, a mais bem localizada, e não fecha para almoço!

E o locutor continua:

- bla bla bla! E daqui a pouco, Vanderlei Rodrigo vai cantar aqui na rádio sei-la-o-que

Um amigo meu se irritou com o locutor:

- Deixa o tal do Vanderlei Rodrigo cantar!

Até que finalmente a música começou. Ao ouvir o verso “Até o cheiro dela me chama pra fazer amor“, eu cheguei à conclusão de que era melhor o locutor não ter deixado o Vanderlei Rodrigo cantar…

Eu acredito que Vanderlei Rodrigo seja um aliado dos chesters. De alguma forma sua música vai minimizar ainda mais a resistência humana no dia da grande batalha.

Indo para Capinzal, como para qualquer outro lugar, também é preciso estar atento para as diferenças culturais, para conseguir entender e ser entendido. Por exemplo: Na segunda vez que fui para lá, pedi para um dos dois taxistas da cidade me deixar no Edifício Diamond, perto de tal e tal lugar. Dei as coordenadas direitinho.

- Não tem nenhum edifício com esse nome lá não!

diamonde

Olha o ed. Diamond aí! Como assim não existe?

Continuei descrevendo o edifício, que era meio que inconfundível numa cidade daquele tamanho. Mas ele continuou batendo o pé que não existia tal edifício. Até que eu me toquei e usei a pronúncia local:

- O Día-mônde!

- AAAhhhhhh, tá! O Diamônde! Eu te levo lá!

E agóra eu vou me dedicár a ponhar um parágrafo escríto da fórma cômo escrévem cartázes êm Capínzál. Ôs escrevedôr de cartáz paréce têr uma dificuldáde enórme de escrevêr. Principálmênte acêntuação. Quândo vôu ao súpermercádo, qualquér úm dêles, tênho quê procurár múito pára achár um cartáz que não tênha êrro de portuguêz, principálmênte acêntos ônde não precísa. Más ô quê máis dói é ouvír o vérbo quê êles úsam no lugár de “pôr”. O vérbo “ponhár”. Êu ponhêi. Tú ponháste. Êle ponhôu.

É bem difícil ser ‘escrevedor’ de cartaz por lá. Escrever essa quantidade de acentos dá trabalho!

Uma coisa que você tem que saber é apreciar as coisas em Capinzal. Olhar com atenção antes de ficar com uma impressão negativa de algo. Eu descobri isso da pior maneira, quando tirei a foto abaixo:

cachoeira

Comentei depois numa rodinha:

- Tirei uma foto da enxurrada ali no morro!

Ouvi ferozes protestos de amigas radicadas na cidade:

- Como você é chato! É cachoeira! Você só fala coisa ruim! Põe defeito em tudo!

Aliás, eu esqueci de comentar algo sobre a cidade. Ela é uma baixada (o centro) cercada de morros, como o da foto abaixo, por todos os lados. Isso permite a formação de muitas, ahn, cachoeiras quando chove forte.

subida_pra_mostrar_como_eh_capinzal

Em Capinzal existem pessoas muito antenadas com a moda. Criam as últimas tendências do mundo fashion. Dois exemplos de cidadãos à frente de seu tempo em termos de vestuário, desfilando pela ponte pênsil que liga Capinzal ao município vizinho de Ouro como se estivessem em Milão, lançando tendência:

cidadao_tipico1

Terno, boné e chinelo de dedo. A última moda local

cidadao_tipico2

Esse já tem um estilo mais conservador, usando o tradicional chapéu de palha, tão comum na região.

Bom, esse artigo, como você já reparou, não é sério. Se você levou a sério, você tem algum problema. As informações não correspondem necessariamente à verdade. Para informações reais e sérias sobre a cidade, visite o site oficial!

Apesar que o site oficial me deu medo: “Destaques: ANIMAIS PEÇONHENTOS – Saiba mais sobre eles“.

site_oficial_capinzal

Num próximo artigo, o assunto também será relacionado com Capinzal. O tema será a lenda do Chester, animal que quem nunca esteve em Capinzal jamais viu!

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13 Comentários em "Guia Gump de Cidades: Capinzal"

  1. Marília 5 de March de 2008 em 03:12

    Achei hilário pensar na invasão dos chesters!!!

    [Reply]

  2. TatiLie 5 de March de 2008 em 06:41

    Isso não se faz, Sr Gump!! Estou rindo alto aqui na aula… ainda bem que não começou direito (demora meia hora pra esquentar e a aula ‘pegar’).
    Aguardo ansiosamente uma foto de um chester vivo (e com penas, já que os que vi estavam mortos, depenados e assados, nhaaaaaam)!!

    [Reply]

  3. Guia Gump de Cidades: Curitiba - ChristianGump.net 1 de July de 2008 em 12:11

    [...] Capinzal [...]

  4. murillo 27 de September de 2008 em 16:31

    ashuhusaashu
    muito bom
    abrç

    [Reply]

  5. Gioconda 28 de December de 2008 em 18:22

    Vocês me propiciaram boas risadas. Eu estava precisando. Valeu!!
    Estou aguardando ansiosa o dia que os Chesters vão dominar Capinzal. Espero que dominem Brasilia para que alguns “moradores especiais” sejam enviados ao planeta Omicron Persei 8. Amei a moda local: é bem despojada. Vou aderir: é prática, econômica e tem o maravilhoso poder de chamar atenção

    [Reply]

  6. ANDREZA 29 de December de 2008 em 19:12

    muito bom o artigo
    gostei bastante
    agora ta na hora de fazer um artigo contando as coisas positivas q capinzal tem
    bjao ate mais

    [Reply]

  7. Eloir 19 de January de 2009 em 16:45

    No início da leitura fiquei indignado, depois constatei que foi só perda de tempo.

    [Reply]

  8. eeu! 19 de April de 2009 em 21:15

    shuahasuasusahuas! nada a vê!

    [Reply]

  9. Diamond 15 de May de 2009 em 00:01

    Concordo com a Andreza. Vc detonou tanto Capinzal, seria legal se poderasse alguns pontos positivos sobre a “mini cidade” como indiretamente vc a denomina.

    Na real eu sou natural de Capinzal mas não me agrada muito a idéia de morar em um centro pequeno, gosto das comodidades da cidade grande, tal como mercado 24hs, shoppings e boates. É triste que um jovem não possa ter acesso à diversão.

    No entanto, convenhamos, o centro de Capinzal jamais comportaria uma sala que fosse de cinema, tampouco um shopping ou mercado 24hs. Esta é a realidade de qualquer pequena cidade, não tem nada a ver com Capinzal.

    No entanto meu caro, vc deveria também verificar, que Capinzal é uma das cidades de menor porte que mais oferece empregos em Santa Catarina. Nem na Capital vc encontrará uma demanda tão forte como a da economia de Capinzal (em sentido proporcional, claro!).

    A população de Capinzal descende de italianos e alemães, o que propicia à ela um sotaque diferente. No entanto, esse sotaque nada está relacionado com o supra citado. Aquelas palavras cheias de acentos são praticamente um jargão criado por vc, mas afinal, pra mostrar o que? Que assim como toda cidade (inclusive na sua) há um nível de analfabetismo baixo? Que assim como toda cidade (inclusive na sua) há um nível de pobreza considerável que permite a existência de “uma última moda local”, onde as pessoas usam chinelos havaianas? Bem, essa questão se tornaria mais complexa se vc visitasse locais realmente miseráveis, tais como as favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, etc.

    Realmente, graças aos “frangos” (a perdigão unidade de capinzal não produz mais chesters há mais de cinco anos), disponibilizamos hoje empregos para várias cidades de Santa Catarina, inclusive Lages, um centro relativamente grande.

    Não deixem se iludir leitores dessaslamentáveis colocações. Sou natural de Capinzal e garanto, há pobreza como em toda cidade, mas também há muita riqueza nesta cidade que pouco oferece em termos de diversão. Estamos falando de uma cidade onde há a unidade da Perdigão que mais exporta para outros países. Não teríamos chegado onde chegamos se o nível exposto pelo autor desse site fosse verdadeiro.

    Meu caro, quem critica tem que ter amplo conhecimento do objeto de sua crítica antes de formular reflexões. É o caso dos paranaenses que vivem falando mal do Estado de Santa Catarina, no entanto, pergunto: Onde é que os paranaenses passam suas férias e seus feriados? No nosso lindo litoral, considerado um dos mais belos no ranking mundial.

    É realmente lamentável para um jovem morar em Capinzal, falo isso porque tenho 22 anos e durante a minha adolescência sempre priorizei férias em Florianópolis, onde minha família possui casa de veraneio. Ademais, parece que nada ligado à diversão sobrevive em Capinzal, pois há sempre um “recalcado” reclamando do barulho, principal causa do fechamento de casas de festas. A situação é deprimente pois ao chegar o final de semana, um jovem não tem outra opção senão locar uns dez filmes e comprar uma pipoca de microondas. Por isso a preferência dos jovem em viajar em feriados.

    No entanto como um capinzalense nato devo discordar das suas exageradas colocações, como a citação onde uma palavra leva mais acentos que o número de consoantes. A cidade de Capinzal é rica, exportando inclusive um grande número de pessoas para trabalhar no exterior. Quissá todas as cidades brasileiras com pobreza e analfabetismo se assemelhassem, o mínimo que fosse, à Capinzal, seria incrível um Brasil assim, vc não concorda Sr. Christian?

    E viva a moda criada pelo nosso agricultor que na foto de nosso colega “desfila” na ponte pênsil (aliás vc sabia que como essa ponte só existem quatro no mundo inteiro? Aposto que não sabe…), graças aos nossos colonos somos hoje um grande mercado do gênero alimentício. A mistura de uma calça social com um chinelo havaiana não chega nem perto da ignorância de um texto como esse.

    Como todos podem ver, nem todo capinzalense escreve errado, mas talvez “ponhar” não seja pior que o verbo “naiscer” do carioca e tantas outras criações do português pelo nosso Brasil afora, país que amo do fundo do meu coração!!!

    Ah, eu moro no Diamond rapaz, e sempre que pronuncio o nome do residencial (corretamente) não encontro qualquer dificuldade com compreensão.

    [Reply]

    Gump Reply:

    Relaxe, é tudo uma grande brincadeira. Não sejamos tão sensíveis. Aliás, conheço tanta cidade nesse Brasil e posso dizer: quem dera todas fossem igual Capinzal.

    Eu fui criado sabe aonde? Em Mafra, aí em Santa Catarina, onde aliás o verbo ponhar é bem característico também :)

    A propósito, tem um texto sobre Mafra aqui também.

    [Reply]

  10. Augusto 9 de August de 2009 em 16:56

    Nossa, muito bom o artigo! Ri em vááários momentos, parabéns!

    Realmente, quem leva um artigo desse a sério tem que rever os conceitos.

    abraços e paz

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  11. Marcela 14 de August de 2009 em 15:14

    Olha!!!!Dei trela em frente ao computador ao ler seu artigo, porque me identifiquei com diversas das coisas que voce falou, principalmente a da tesourinha, que aliás, vinha amarrada com um barbante junto à cestinha.kkkkkkkkkk. hoje que não é mais assim. e a pizzaria que não vende pizza, fui la com a familia para comemorar aniversario do meu namorado e pedimos pizza, mas como não tinha, ficamos com as porções mesmo.
    sou de goiânia, mas a familia do meu pai é toda de SC, principalmente Ouro(em frente capinzal).

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  12. André Sousa Dambrós 14 de August de 2009 em 15:24

    kkkkkkkk, meus parentes são de Capinzal e eu de Goiânia e me diverti com a matéria.

    A tesourinha para cortar os saquêzinhos são uma sensação. Me lembro que há uns 5 anos atrás na pizzaria Expresso (na área de lazer da cidade) tinha a tesourinha presa a uma linha para ninguém roubar a tesoura, como se ninguém tivesse a capacidade de cortar a linha.

    Acho bem bacana a cidade. A área de lazer é boa, tem o Rio do Peixe que em certos pontos da para pescar e tomar banho (ou dava), tem o clube da Colina, e quem vai visitar a cidade tem que passar pela ponte Pênsil.
    Outra coisa que acho muito bom é que tem-se o costume de reunir aos fins de semana e ir para sítios fazer um churrasco, jogar um futebol, jogar um baralho…
    Porém a cidade precisa melhorar muito nas atividades para lazer da “piazada”. “Percebemo” que muitos reclamam da falta de um cinema, por exemplo.

    [Reply]


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