Eu não sou exatamente um fã de doces. Eles ocupam um lugar que poderia ser de mais uma fatia de pizza. Mas, claro, não recuso uma sobremesinha ou um chocolate de vez em quando.

Principalmente quando o doce é diferente e é algo que pra mim só existia em filmes.

Nos jardins em frente ao Louvre, em Paris, vi uma barraquinha de waffles! Nunca tinha visto isso no Brasil (mas foi só eu voltar da Europa pra ver alguns lugares que vendem o waffle pronto ou a massa pra fazer em casa), então fui correndo igual criança e pedi um pra mim. Meus amigos pensaram um pouco e me acompanharam.

E, desta vez, ninguém se arrependeu!

Waffles

Waffles (na verdade, gaufres, já que estávamos na França) com chocolate e banana. O gordo, claro, pegou dois e não aguentou esperar a foto para dar a primeira mordida. Ok, mentira, um deles era do cara que tirou a foto.

Realmente, é engraçado que com doce eu costumo dar mais sorte. Isso é a Lei de Murphy, só porque de doce eu gosto menos.

Mas houve uma vez, em Amsterdã, que eu paguei o preço por experimentar um chocolate diferente. E não digo isso porque o chocolate era ruim.

Estava no hostel e meu amigo voltou com um chocolate que pegou numa máquina. Claro que vê-lo comendo atiçou minhas lombrigas e fui lá ver o que tinha na tal máquina. Tinha Twix e outros chocolates igualmente conhecidos por aqui. E também tinha três marcas totalmente bizarras. Claro, eu ia tinha que pegar uma dessas! Twix eu como no Brasil, pô!

Botei 80 centavos de Euro na máquina, que os reconheceu, e apertei o código. Nada aconteceu! Mas a máquina indicava que a operação estava finalizada e não devolveu meu dinheiro. Voltei pro sofá do hostel e fiz essa cara:

"Pô, não caiu chocolate! :( "

Então decidi perguntar pro meu amigo se ele tinha feito algum procedimento especial para pegar o chocolate, e ele se ofereceu para me ajudar. Fomos até a máquina, botei mais 80 centavos, aí meu amigo fez o exato procedimento que eu havia feito, e a $%#@$# do chocolate caiu!

Ok, dei azar na primeira“, pensei.

Num outro dia, bateu aquela fominha, a máquina olhou pra mim, eu olhei pra máquina, e fui lá ao encontro dela, disposto a esquecer que havíamos começado com o pé esquerdo.

Botei uma moeda de 1 euro, ela me devolveu 20 centavos e pediu o código do produto. Estávamos nos entendendo. Digitei o mesmo código (o chocolate bizarro cujo nome não me recordo era muito bom!), e ela deu o procedimento por finalizado sem me liberar o chocolate!!!%#$@%@#$%#@$  

Como assim, cacete??? Do meu amigo você gosta, mas de mim você não quer saber?“, indaguei em pensamento. Eu aceito isso (ser preterido por um amigo) de mulheres, mas não de máquinas de comida! Fiquei tão puto — e não tinha com quem reclamar! — que tive vontade de chutá-la! Mas fui civilizado e resolvi tentar de novo. 1 euro pra dentro, 20 centavos pra fora, nada de chocolate. De novo!

Parei, respirei, e pensei numa possibilidade: o “trequinho de empurrar” do chocolate bizarro poderia estar com defeito. Resolvi testar. Peguei mais uma moeda e desta vez digitei o código do chocolate que meu amigo sempre pegava. E não é que aí funcionou? No dia seguinte, tentei de novo com outro chocolate comum, e mais uma vez funcionou!

Ou seja, “quem não arrisca não petisca, mas quem arrisca se trupisca” (horrível, eu sei, mas não achei outra rima). Não fosse minha vontade de provar doces diferentes eu nunca teria me estressado com a máquina.

Mas num momento de pura gula, ainda em Amsterdã, tive uma compensação. Pedi outro waffle, pequenininho, numa loja. O vendedor perguntou se eu queria um creme extra, sem custo adicional. “Claro!“, foi a resposta da criança! Não sabia quanto seria o creme extra.

Waffle com creme extra. Ficou até difícil de comer! E desta vez foi de verdade: eu não aguentei esperar pra tirar a foto, já cheguei mordendo.

Com os waffles, sempre dei sorte; com os chocolates diferentes, nem tanto; mas houve um doce que eu sabia que não ia curtir tanto, mas mesmo assim pedi. Burrice? Talvez. Mas acima de tudo, vontade de provar sabores típicos e inusitados.

Foi assim com o famoso Doce de Rosas de Holambra-SP. Entramos na lojinha e havia uma infinidade de doces realmente apetitosos, chamativos. E havia um doce com aspecto afrescalhado, não tão atraente. Mas esse é que era o famoso, o inusitado, então é claro que eu tinha que pedi-lo!

Rozen Gebak, ou Doce de Rosas

Ele nada mais é que um grande bombom cor-de-rosa, enfeitadinho, afrescalhadinho, cujo sabor lembra o aroma das rosas — não muito saboroso, portanto.

Exatamente o que se espera de um doce de rosas!

Ok, eu deixei de provar doces aparentemente muito mais gostosos apenas para provar o típico do local. Mas uma coisa que eu deveria saber era que, mesmo que o doce tivesse esse aspecto não muito másculo, eu não precisaria fazer uma cara combinando com ele ao comê-lo!

Que cara é essa?

Porra, Gump!