Em poucos lugares provei tanta coisa diferente em tão pouco tempo quanto em Berlim. E devo dizer que foi uma experiência muito bem sucedida. Exceto em um momento, mas a culpa também foi minha. Inventei de fazer graça, como contarei mais para frente neste post, e me dei mal.
A aventura gastronômica começou logo no tardio almoço do dia da chegada. Pousamos no meio da tarde, achamos nosso hostel e fomos procurar algo pra comer nas redondezas mesmo.
Havia muitos e muitos restaurantes turcos na região. Na verdade, parece haver muitos restaurantes turcos em toda a Alemanha, mas no “nosso” bairro era algo acima da média.
Um deles usou uma técnica muito importante naqueles cardápios que ficam do lado de fora: era todo ilustrado! Por mais que não entendêssemos nada do que estava escrito, as fotos eram muito chamativas! Entramos.
Lá, a dificuldade com a língua foi diluída pela boa vontade da garçonete e pelas já citadas figuras. Nada mais fácil do que apontar uma figura para pedir algo no cardápio!
O resultado foi que viramos fãs de kebab!

Nossos kebabs: Dürüm Döner e Döner im Brot
Realmente é muito bom! Virou uma refeição barata tranquilamente!
Enquanto comíamos, o lugar começou a encher e éramos visivelmente os únicos não-turcos ali. Parecia mesmo um lugar de encontro da comunidade e já estavamos achando que virávamos atração no local. Mas foi muito divertido, acima de tudo!
Da culinária turca no almoço, passamos para a Indiana no jantar. E eu não tive dificuldades para escolher um cordeiro com curry! E dessa vez minha decisão de provar pratos desconhecidos não me puniu: estava muito bom!

Cordeiro com curry. E uma cervejinha pra acompanhar, afinal estávamos na Alemanha!
O nosso tempo em Berlim foi passando rapidamente e estávamos sentindo falta de uma coisa importante: salsichão (epa!). É que não dá pra ir pra Alemanha sem provar ao menos um dos famosos salsichões.
Por acaso, numa pedalada, encontramos uma espécie de “feirinha”, onde numa barraquinha lotada conseguimos comer um salsichão no brot (pão).

Salsichão no brot
Mas, na mesma barraquinha, algo me chamou a atenção. Não por ser visualmente apetitoso. Aliás, foi justamente pelo contrário: vi o povo comendo algo que parecia cocô de cavalo, acompanhado, obviamente, de um salsichão. Pensando unicamente na foto bizarra que isso ia dar, decidi pedir tal iguaria, já que esse “pãozinho com salsicha” aí não ia dar nem pra tapar o buraco do dente.
Isso foi pedir para me dar mal. Entrei na fila e vi, na minha frente, várias pessoas pedindo o estrume com salsichão e saindo com um prato grande, com o salsichão de um lado e o cocô de cavalo de outro. Não fosse parecido com cocô de cavalo, seria uma refeição bonita.
Quando chegou a minha vez, eu estava até empolgado por “explorar o desconhecido”, gastronomicamente falando, e apontei confiante para o panelão de estrume. Achei que todo prato de cocô vinha acompanhado de salsichão. A eficiente-porém-não-simpática atendente, no entanto, pegou um potinho de plástico, uma concha e encheu o potinho apenas com cocô de cavalo. Nada de salsichão, e eu não soube pedir. Ela já estava com pressa de atender o próximo, então nem prestou atenção nos meus gestos! O máximo que consegui foi um brot para acompanhar.

Um pratinho de cocô de cavalo...
Então, mesmo pedindo conscientemente por algo que tinha aspecto de cocô de cavalo, eu consegui sair frustrado do lugar.
Até hoje não sei exatamente o que é esse negócio, só sei que não é assim ruim não — o que não quer dizer que é bom. Eu acho que é espinafre. O problema é comer um pratinho inteiro desse negócio.
Fiz então algo que poucas vezes na vida havia feito antes: joguei fora tendo comido apenas a metade…
Veja também:
- A arriscada arte de provar comidas diferentes (1) – Rã com ervas e sardinha com cebola
- A arriscada arte de provar comidas diferentes (2) – Decepção em Praga

6 comentários
Fred says:
Dec 16, 2011
Na hora que ví seu prato pensei:
“Esse cara é macho viu! É o macho dos machos!”
hauhauhuahuauhauhu
Putz! Vai atrair coisa ruim pra lá… puta merda!
JAPA says:
Dec 16, 2011
Aquela pança é monstra !!! Caiu na rede é peixe !!! ahahahaha
Fred says:
Dec 16, 2011
hauhauhauhuauhauha
Jessy says:
Dec 23, 2011
Eu acho que depois da minha “saga Madalosso” eu não duvido de mais nada… Aliás, merecia um post também, entitulado “A arriscada arte de provar comidas iguais, em lugares diferentes”… hehehehehe
A arriscada arte de provar comidas diferentes (2) | ChristianGump.net says:
Oct 30, 2012
[...] A arriscada arte de provar comidas diferentes (3) Post anteriorA arriscada arte de provar comidas diferentes (1) Próximo postA arriscada arte de provar comidas diferentes (3) [...]
Robs says:
Feb 1, 2013
Eu respeito!