Eu gosto de humor negro. Adoro. Sei separar o que é uma simples piada “errada” do que é realidade. Não me afeta.
Mas quando é pra valer é outra história. Passa a ser de verdade, e isso sim não me agrada.
Para exemplificar, segue uma piadinha extremamente cruel, mas engraçada, e um vÃdeo que, por sua vez, não tem a menor graça.
A piadinha:
Um dia o pai chega pro filho, cego de nascença, e diz:
- Filho, você vai enxergar! Mandei vir dos Estados Unidos um colÃrio milagroso! Um remédio revolucionário! Apenas uma gotinha em cada olho e você vai poder enxergar!
O menino ficou todo feliz:
- Jura, pai? Que bom! Que alegria! Agora eu vou poder saber como é você, como é a mamãe, meus amigos, o azul, o feio, as meninas, Nossa Senhora, as flores, tudo. Que dia o remédio chega?
- Eu te aviso - disse o pai.
E todo dia o pai chega do trabalho e o menino corria pra ele, aflito, batendo nos móveis, gritando:
- Chegou, papai? Chegou?
Isso durou duas semanas. Até que finalmente um dia o pai chegou em casa, aproximou-se do filho ceguinho e balançou um vidrinho no ouvido dele.
- Sabe o que é isso filhinho?
- Sei, sei - gritou o menino - É o colÃrio! É o colÃrio!
- Exatamente, meu filho. É o colÃrio.
- Que bom - disse o menino - Agora eu vou poder ver as coisas, saber se eu pareço com você, saber a cor dos olhos da mamãe, usar meus lápis de cores, ver os pássaros, o céu, as borboletas. Vamos, papai, pinga logo este colÃrio nos meus olhos.
- Não. Hoje, não. - disse o pai - Mandei chamar sus avós, todos os nossos parentes; eles chegam no dia de seu aniversário, quero pingar o colÃrio com todo mundo aqui a sua volta.
AÃ o menino disse todo conformado:
- É. O senhor tem razão. Quem já esperou dez anos, espera mais uns dias. Vai ser bom. Aà eu vou ficar conhecendo todos os meus parentes de uma vez.
E deitou-se, mas não conseguiu. Passou a noite toda sofrendo, rolando na cama, pra lá, pra cá. E assim foram todas as noites, até que finalmente faltavam poucos minutos para o seu aniversário.
À meia noite, toda a famÃlia do garoto se reuniu no centro da sala e aguardou o final das doze badaladas. O menino ouviu uma por uma, sôfrego.
Bateram as dez, as onze, as doze!
- Agora papai, agora! O colÃrio.
O pai pegou o vidrinho, pingou uma gota num olho. Outra no outro.
- Posso abrir os olhos? - perguntou o menino.
- Não - disse o pai. - Tem que esperar um minuto, certinho. Senão estraga tudo! Vamos lá: 59, 58, 57 - e foi contando, e o menino de cabecinha erguida esperando - 16, 15, 14 - e toda a famÃlia em volta esperando - 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, e já!
O menino abriu os olhos e exclamou:
- Ué. Eu não estou enxergando nada!
E a famÃlia toda, batendo palma, cantarolou no ritmo:
- Primeiro de Abril, Primeiro de Abril!
E o vÃdeo. Em teoria, não tão cruel quanto a piadinha, obviamente; Mas…
Poxa… isso não se faz. A cara de tristeza do menino é de cortar o coração. Fiquei mal.
O que atenuou um pouco foi ler a descrição do vÃdeo no Youtube. Segundo ela, foi apenas um castigo por ele ter olhado o presente antes do natal, e o menino ganhou o game depois. Menos mal. Mas isso não se faz.
Achei o vÃdeo no UmTudo.com.
2 Comentários em "Humor negro real não tem graça"
Que horror!
Negra mesmo!
Ele tinha que ter ganhado uma progressiva no cabelo!
Deixe um comentário