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Divagação gumpesca sobre nomenclaturas, eufemismos e afins

Tuesday
3/Feb/2009

Os campeonatos de futebol historicamente eram divididos em “divisões”. Os melhores times do momento disputavam a primeira divisão. Quem não conseguia uma campanha minimamente razoável, caía para a segunda divisão. E sempre funcionou bem assim.

Mas nem isso escapou da intervenção da horda de certinhos, politicamente corretos e outros seres desses, que consideram que palavras bonitas mudam um conteúdo ruim.

- Segunda divisão??? É ofensivo!! – dizem.

E a segunda divisão virou série B.

Os anos passaram, e os manés de plantão voltaram ao ataque.

- Série B? É depreciativo!!

E assim, em São Paulo já não existe série B. Todo mundo joga na série A. Série A-1, Série A-2

Agora está na moda a manada que frequenta academia, bate no peito bombado e grita:

- Eu não malho! Eu treino! E odeio quem diz que malha.

Bom, eu não treino. Eu malho, faço exercícios. Talvez o spinning até seja um treino, já que me ajudou muito no mountain bike na Argentina, mas de resto eu apenas me exercito. Quem treina treina para alguma coisa, e eu não sou halterofilista.

Na real, que diferença faz a palavra que eu uso?

Pertencem a esse clube os certinhos que se recusam a chamar o Campeonato Carioca de Campeonato Carioca. Para eles, é Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

Está certo? Claro que está corretíssimo. Há times de todo o estado. E não dá pra chamar pelo nome mais óbvio. Você consegue imaginar um flamenguista com uma faixa: “Campeão Fluminense 2009“?

Mas na real, o campeonato é e sempre foi carioca. Com agregados do interior. Salvo engano gumpesco, nunca houve um campeão do interior. Todo mundo sabe que a regra do Campeonato Carioca Estadual do Rio é simples: ganha o time grande que mais tirar pontos dos outros grandes, e menos perder pontos para os pequenos.

Recentemente um agregado – o Voltaço – não entendeu bem a regra e foi vice-campeão. Mas parou por aí.

E falando em nomenclaturas, chamam muita atenção os termos do mundo corporativo. Você sabe, não há demissões em empresa alguma. Você nunca foi demitido, com certeza. Talvez tenha sentido o efeito colateral da readequação de quadro de pessoal, ou algo similar. Mas demitido, não foi.

E o mundo corporativo nos brinda ainda com seus cargos magníficos. Todo mundo é diretor, gerente ou coordenador de alguma coisa.

Inclusive eu mesmo. Quando estagiário, em início de carreira (sim, faz tempo!), fui mandado para atender um cliente em Brasília. Para não dizerem que mandaram um reles comprador de lanche para os funcionários estagiário, me deram um cartão em que se lia o meu nome e a função: Coordenador de Projetos em Eletrônica*.

Achei lindo!

Até cair na conta meu salário de estagiário.


* Isso é similar ao que o José Simão chama de Tucanês. Existe até um antigo dicionário de tucanês compilado por ele. Vale a pena (re-)ler.

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2 Comentários em "Divagação gumpesca sobre nomenclaturas, eufemismos e afins"

  1. Fabíola Ariadne 3 de February de 2009 em 16:22

    Eufemismo rulez. adoro o tucanês, risadas orgásticas garantidas, e “mais fácil que o tucanês, só o lulês”. ;)

    [Reply]

  2. Fernando Quirino 4 de February de 2009 em 23:52

    Aí tem duas questões sendo tratadas e a mais interessante é a do “Politicamente Correto”. Por isso a única coisa q posso falar pra Fabíola quando cruzar com ela no trânsito é “Vá organizar gastronomicamente uma unidade de preparamento para produtos alimentícios” ou quando alguém faz besteira se fala “Que servicinho suíno hein?”. Tem também o fato de que hoje em dia não se manda a merda, se “Direcione-se ao subproduto da defecação!!!!”.

    Quer saber?

    Isso é uma viadagem… ops, uma “homossexualidade exacerbada”. ;]

    [Reply]


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