Eu estava lendo esses dias o texto A culpa é de quem batiza, da coluna Fala Séries do Jovem Nerd. Nele, é feito um top 10 de nomes nacionais bizarros para séries. Eu não concordo com um ou outro, que acho que dentro da proposta até que não ficaram tão ruins, mas de maneira geral são nomes muito infelizes para as versões brasileiras. Assim também ocorre com os filmes, que sempre têm que ter um subtÃtulo ou um nome que pouco lembre o original.
Mas vou abordar o contrário aqui neste artigo. Não, não… Não vou falar de boas traduções, já que isso é complicado. Vou falar de tÃtulos originais que eu considero escrotos.
Para a nossa cultura, muitos dos nomes originais também são bem ruinzinhos e sem criatividade alguma. É muito comum um nome original não fazer referência alguma ao roteiro, gênero, nada.
Vejamos. Você trabalha em Hollywood, ou na produção de séries. Sua função é dar nome para os filmes/séries. O que você faz?
Simples, vê o nome do personagem principal e batiza a obra com o mesmo nome. Depois, talvez, se bater alguma inspiração, você pense em outra coisa. Se não, deixa assim mesmo.
Assim, temos Forrest Gump (um drama leve, com grande toque de comédia), Juno (uma comédia com assunto polêmico, com um grande toque de drama), Hitch (comédia), Dexter (série cujo personagem principal é um psicopata “do bem”), Joey (comédia), Veronica Mars (série sobre uma adolescente com habilidades de detetive), Punky Brewster (antiga série infantil).

Uma adolescente de 16 anos engravida de um colega de classe, desiste de fazer o aborto e procura pais adotivos para o seu filho. Qual o nome do filme? Juno, é claro!
Enfim, são inúmeros tÃtulos que não dizem absolutamente nada a respeito do que se trata o material em questão. Isso pra nós é estranho, e pouco comercial também.
Aà surge uma certa necessidade de se inventar um nome mais chamativo para o público brasileiro. É compreensÃvel. No entanto, isso abre margem para as traduções bizarras e sutÃtulos desnecessários: Forrest Gump – O contador de histórias, Verônica Mars – A Jovem espiã (sendo que ela é detetive, não espiã), Punky – A Levada da breca .
As exceções aÃ, para mim, nesse negócio de não ser interessante tÃtulo com nome de personagem, seriam: Joey, que faz um elo com o personagem de Friends, de onde se origina o protagonista; e Angel, série própria de um outrora personagem de Buffy (que é, aliás, mais uma série cujo nome é o mesmo da protagonista).
E neste momento eu acabo de reparar qual o nome do meu blog! Ouch!
Mas há um motivo técnico/histórico no meu caso, ao menos.
Mas voltemos a falar mal dos outros, e não de mim.
Se você quer variar e não colocar o nome do protagonista na sua série, sorria! Há uma opção!
Descubra onde se passa o filme ou série. Pronto!
Ou quase… Como quem escolhe um nome que não seja o do protagonista já é um pouquiiiiiiinho mais criativo, então não se contenta normalmente em usar apenas o nome do lugar. Gosta de dar uma lapidada no nome.
Assim, temos Beverly Hills 90210 (onde 90210 seria o equivalente ao CEP do lugar onde os personagens viviam, e que recebeu o nome de Barrados no Baile no Brasil); One Tree Hill, que se passa na fictÃcia Tree Hill; The O.C., que se passa no Condado de Orange (Orange County), na Califórnia.
Note que nenhum dos tÃtulos remete ao assunto/gênero da série.
Esta última, The O.C., recebeu o nome SBTzÃstico de Um Estranho no ParaÃso, no Brasil, e foi chamado de Na Terra dos Ricos em Portugal. Nomes indigestos para quem é antenado ao mundo das séries e conhece o nome original.
Mas se pararmos para pensar, são nomes que têm a ver com o enredo. Ou ao menos com a idéia original, que é de um rapaz pobre passando a viver entre os ricos. Num paraÃso.

Adolescente problemático passa a viver em Newport Beach, em Orange County, lugar de gente rica, e tem que se adaptar à sua nova vida e conviver com pessoas que inicialmente o discriminam. Tenta resistir a socar alguém sempre que tem um desentendimento, sua antiga maneira de resolver as coisas. Qual o nome da série? Eu disse que se passa em Orange County, não disse? Então é The O.C., dãããã!
Claro que muitos nomes originais não se enquadram nos casos acima. Um exemplo é The Shawshank Redemption, que não se chama apenas Shawshank (a prisão onde se passa a história), nem Dufresne (nome do protagonista). Mas convenhamos: não é um nome muito feliz. Imagine traduzir como Redenção em Shawshank. Eu acho que as pessoas que criam os nomes nacionais acertaram nessa: Um Sonho de Liberdade é um nome muito melhor que o original.
(Pausa para dizer que se você ainda não viu Um Sonho de Liberdade, é um mané tem que parar tudo e ir assistir. É quase uninimade na lista dos melhores filmes)
Aliás, ouvi dizer que Tim Robbins acredita que o filme teria tido mais sucesso à época se tivesse outro nome mais fácil. [Carece de fontes](1) .

Morgan Freeman: – Ow, é bom esse filme, hein?
Tim Robbins: – É, mas o que é esse nome?
Eu sou favorável a se manter sempre que possÃvel o nome original, mas entendo a busca por um nome de mais apelo comercial, mais adequado à cultura do paÃs.
O que não suporto é quando descaradamente estragam o nome do filme, a ponto de estragar até mesmo o filme, por dar uma expectativa errada. É o caso de Unbreakable, que virou Corpo Fechado no Brasil, o que dá uma idéia diferente do filme.
E o pior de todos. Memento, que virou Amnésia. Amnésia! O personagem principal passa o filme inteiro falando que não tem amnésia, e sim outra doença que só afeta a memória recente. E mesmo assim vão lá, e dão o nome de Amnésia. ¬¬

- Já disse que eu não tenho amnésia, porra!
1. Curti o padrão da Wikipedia de se isentar de citar fontes. Ao menos acho que “minha amiga Tatilie” não é exatamente uma fonte tradicional.
8 Comentários em "A pouca criatividade dos tÃtulos originais de filmes e séries"
Aff, vou ter que te passar o transcript da entrevista?? Então vai: “How many people have come up to me on the screen and said ‘I really like that shinkshank thing (…) That was really good, the shaw shawly movie, the shoeshaw, the Shoeshine Redemption” ahahahahahaha. O melhor filme de todos os tempo!!
Ah, malditos italianos! Olha o que eles fizeram com a tradução de Gilmore Girls: ‘Uma mãe como amiga’ e House MD: ‘Dr House, Medical Division’ (sendo que MD significa ‘doutor em medicina’)
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nao sei pq veio na mente My So-Called Life (conhecido como Que Vida Esta! em Portugal e como Minha Vida de Cachorro no Brasil), é uma série televisiva norte-americana criada por Winnie Holzman,com Claire Danes e Jared Leto ……abafa o caso aii ……hehehe
ou Sr. e Sra. Smith ,John e Jane Smith hehehe
ou The Haunted A casa das almas perdidas! nao recomendo ,bom nao sei agora,mas qdo era nova morri ker dizer senti medo, pq se sabe neh gente ruim nao morre, oh eu viva upppppp kkkkkkkkkkkkkkk
mas do barrados no baile eu ficava imaginando akeles numeros lá kkkkkkkkkkkkkkkk
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lembrei outra coisa,este homem tatuado,uma vez apareceu axo q no fantastico um homem q tinha tatuado no corpo nomes de pessoas e ele afirmou qdo sair de lá iria matar todas essas pessoas….afff nesta hora todo mundo é anonimo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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Cara, gostei muito do seu texto e concordo com quase tudo.
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[...] Kristen em Verônica Mars (mais uma série cujo nome é o mesmo da protagonista) e, se por um lado eu normalmente não sou exatamente o maior fã do padrão da heroÃna loirinha [...]
Melhor ter escrito sobre os filmes atuais que estão uma porcaria. Seja qual for o gênero, são sempre os mesmos assuntos, o mesmo tipo de atuação. É tudo igual.
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Gente, Juno não tem relação com a deusa Juno, que tem duas caras?
é um deusa de proteção do lar, que e´usada para representar a dualidade.
se ela tem um lado jovem e um lado mais maduro no filme, isso representa a deusa romana. justifica o nome.
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Concordo com seu texto adoraria que as mentes brilhantes que sugerem os bizarros tÃtulos nacionais soubessem que não é sempre que se precisa reinventar o tÃtulo.
Cito um filme péssimo: Shutter Island
Com um trailer assustador meio na linha do terror…
vira: A ilha do medo…
Assisti convecido que seria um filme de terror…E foi…( )
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