A menos que você more numa fazenda realmente isolada, com certeza você já teve algum tipo de problema com vizinho.
Não tem jeito. Vizinho é feito para encher o saco. Você, como vizinho de alguém, com certeza já perturbou a pessoa do lado. Não precisa fazer muito esforço: viver perturba .
Mas tem vizinhos que extrapolam. Tem alguns tipos clássicos que realmente não há como suportar.
O mais clássico dentre os clássicos é o vizinho que escuta música alta. Normalmente, ele tem péssimo gosto , mas parece achar que está a lhe fazer um favor, permitindo que você ouça a mesma música que ele. Quase sempre é um chato proposital: ele sabe que vai incomodar e faz exatamente por isso. Já notou que todo vizinho que ouve música alta abre bem a porta e as janelas? Ele quer que o barulho dele se espalhe. Ouvintes de sertanejo e funk normalmente fazem parte desta categoria.

Tem vizinho que realmente quer irritar
Além dele, seus vizinhos chatos podem ser classificados como:
Como eu sou meio cigano, já tive inúmeros vizinhos, desde síndicos com super-audição até estudantes de música. Comecei o ano com residência nova, e a melhor coisa de mudança é não ter mais que suportar os antigos vizinhos. Veja alguns dos vizinhos que já deixei para trás:
É o modo carinhoso como eu chamo uma dessas criaturas. É um senhor solitário, que parece um lagarto gigante, e que passa seus dias a ler a bíblia, ver TV, ler a bíblia, incomodar os outros e ler a bíblia. Acorda religiosamente (trocadilho involuntário) às 6h da manhã e às 20h sua casa já está às escuras. Já se envolveu em diversas brigas por bisbilhotar as conversas dos outros e ir criticar. Quando se exalta, seu bordão é: “eu sou cristão mas eu sou homem! “

E não é que vendo um filme, achei um sósia do meu ex-vizinho?? Tirando os dentes, o Lagartão era algo próximo a isso.
Qualquer um que não siga seu estilo de vida (vida?) é um pecador e vai direto para o inferno. Apesar de ele se recolher cedo, é comum estar à janela de madrugada, vendo a hora que os vizinhos chegam. No dia seguinte a uma festa em que cheguei em casa no inconcebível horário de 1h30 da manhã, ele me abordou e falou que Deus não gosta que flertem com o diabo.
O pior é que às sextas e sábados, no fim da tarde ele começa uma cantoria desafinada a plenos pulmões. Ele abre todas as suas portas e janelas (olha a minha teoria do chato proposital aí de novo) e começa a cantar sobre Jesus.
Como eu sou “aquele que flerta com o Diabo”, ele parecia escolher o horário da cantoria baseado no meu horário. Talvez seja mania de perseguição, mas sempre que eu começava a tomar banho, ele começava a cantar. Podia ser às 17 horas ou às 19. Depois das 19 nunca, porque “já é perto da hora de um cristão ir pra cama”. Não tinha para onde eu fugir: meu banheiro ficava exatamente para o rumo da casa dele. Ele cantava tão alto e desafinado que eu mal conseguia ouvir meu próprio pensamento. Aliás, nem com fone de ouvido, vendo filme em altíssimo volume, eu conseguia deixar de ouvir a cantoria.
Mas também não sou flor que se cheire: cada vez que ele iniciava seu desafinado ato de louvor, eu botava uma música que tivesse boas chances de ele considerar “coisa do diabo”. Por exemplo, Feuer Frei, do Rammstein (veja vídeo abaixo). Um alemão se esgoelando no mínimo é coisa de quem não vai pro céu.
Trata-se de outro senhor, extremamente barrigudo e mal-humorado que, dia sim, dia não, usava uma camisa rubro-negra de um tal de Atlético Goianiense – que por aqui juram que existe. Só isso já indica que trata-se de uma pessoa singular. É casado, tem carrão, mas passa a maior parte dos dias e noites sozinho num “barracão” (casa de fundos, em goianês) caindo aos pedaços.
Não parece ser muito adepto do chuveiro. Eu só o via quando ele estava numa pia, do lado de fora da casa dele, “tomando banho”. Ele parecia tarado por aquela pia. Qualquer hora do dia podia ser visto lá com seu grande amor.

Velho da Pia na infância. Ainda era “Piá da Pia”.
Apesar de ser fã de banhos de gato, ele odeia gatos. Um dia reclamou do miado do “meu” gato (um gato que apareceu em casa e para o qual eu dava comida e água às vezes), o Smellycat. Expliquei que o gato não era meu, e ele retrucou que então eu já deveria ter dado umas pauladas nele.
Alguns dias depois o Smellycat apareceu morto. Tento acreditar que ele foi atropelado, mas desconfio fortemente do Velho da Pia.
Se um dia tiver certeza, vou torcer para que tenha uma morte lenta e dolorosa. Um cara que torce pra um time chamado Atlético Goianiense e maltrata animais não merece viver. Aliás, um cara que maltrata animais não merece viver. Mesmo que torça para um time de verdade.
Há muitos anos, eu dividia uma casa com colegas nerds da faculdade. Quando nos mudamos para essa casa, fomos recebidos por uma vizinha incrivelmente linda, perfeita. E além de tudo, muito simpática e prestativa. Ajudou-nos em muita coisa.
Como ela se dirigia a nós com um largo sorriso, meu colega mais nerd, com sua capacidade de percepção das coisas inversamente proporcional à sua habilidade com computadores, chegou à bela conclusão:
- Tchê! Ela quer dar pra mim, tchê!
Sim, era gaúcho. Sei que parece ter algo de errado nessa história, mas foi assim.
Ele começou a inventar desculpas para bater na casa da vizinha, até, segundo ele, um dia conseguir “dar o bote”.
Na verdade, perecia mais que sua estratégia era esperar que ela não resistisse ao vislumbrar seu magnífico físico esquelético e “olhar 86 ” e o atacasse.
Até que isso ficou tão evidente que o marido dela resolveu aparecer. Tratava-se do maior brutamontes já visto por aquelas bandas. Era conhecido na região como Mister Universo . Que nos odiava, graças ao nerd. Nerd esse que ainda via sinais de que a vizinha gostosa estava cansada de músculos e queria um pouco de cérebro.

Foto genérica para representar a vizinha.
De certa forma o Mister Universo vivia uma situação desagradável. Volta e meia lotávamos a casa com os nerds da faculdade de Ciência da Computação e todos babavam indiscretamente olhando para a vizinha, até avistarem o monstro, e tentarem disfarçar.
Todos exceto um, o Astrobaldo (nome fictício) que não se pronunciou ao ver a vizinha, mas arregalou os olhos ao ver o marido dela:
- Ó o tamanho do cara!
Enfim, não sofremos nenhum espancamento do Mister Universo, e meu colega admirou-se com o quanto ela manteve-se fiel, apesar do desejo que sentia por ele.
A história só não terminou bem porque o Astrobaldo resolveu sair do armário e dar em cima de mim. Por que eles sempre dão em cima de mim? Acho que tenho que parar de torcer pro São Paulo. Estou sendo mal interpretado.
Nessa época, dividia um apartamento com colegas de trabalho, e descobrimos que nossa vizinha era uma Argentina que trabalhava na mesma empresa.
Tirando o fato de ela ser argentina, não tínhamos nenhum problema com ela. Mas como ela era conhecida, o marido dela se sentiu nosso conhecido também, achando-se no direito de opinar sobre como deveriam ficar nossos móveis (ele olhava pela janela) e falando absurdos como plantar grama na sala para substituir tapetes e umas coisas que eu nunca entendi. Aquele cara dava medo.
Mas nem tudo era ruim. A filha deles era muito bonita, e os visitava de vez em quando. Lembro da primeira vez que a vi. Eu esperava o elevador com um de meus colegas de apê, e a avistei no fim do corredor, andando graciosa em nossa direção. Nisso, percebi que meu amigo se afastou, como se fugisse para não ser visto por ela. Fiquei sem entender, até que ela já estava muito perto: meu amigo havia peidado, e me deixou ali para levar a culpa.

A menina passou a visitar a mãe assim
Assim, nem iniciei nenhum dos clássicos papos de elevador, porque a única frase que me vinha à cabeça era:
- Que fedor, hein?
17 Comentários em "Vizinho – você ainda vai odiar um"
Um cara que nem você, que não sabe nem respeita os outros é quem não merece viver!!!
Respeito deve começar em casa e, um animal como você, nunca poderia tentar ser um “formador de opiniões”, deixando suas crônicas idiotas para que outros pudessem ver!
Vê se cresce, mané!!!!
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Robson Karolino Reply:
February 22nd, 2009 at 22:56
Ué, vc deve ter sido vizinha do Gump, ou estou enganado?
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Nossa, a esposa do “velho da pia” achou o seu blog. =P
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Como tem gente nervosa nesse mundo…
Mas, mudando de assunto, falar sobre papos de elevador parece algo muito interessante, principalmente recentemente quando começaram a vender esses “iogurtes pra prisão de ventre”. Uma vez aconteceu comigo o mesmo que passou num comercial d’um desses produtos. Vi uma mulher subindo o elevador com a sacola de compras e um pacote desses iogures dentro. Só consegui pensar em perguntar pra ela:
“ta difícil cagar ultimamente?”
Dureza… Literalmente.
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Angela Reply:
January 10th, 2009 at 00:07
miguxo ainda bem q nao sou sua vizinha kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
nossa educada a pessoa lá em cima,axo q é a vizinha q o teu amigo deixou na mao…aff mas culpa do marido dela….owww tipo direito de livre pensamentos todos tem,principalmente se a gente nao colocar nomes e sobrenomes… sabe tenhu uma vizinha q é idosa, muy vezes ela é mais avó q minha propria avó,existem vizinhos largos, mas existem vizinhos legais,no japao, eu,mae e tia ficamos numa kit net sem agua kkkkkk e o vizinho com todo respeito deixou a gente pegar agua lá….hehehehehe mas se eu fosse tua vizinha e tu falasse mal d mim buaaaaaaaaaaaaa kkkkkkkkkkkkkkkk bjao miguxo
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Eu estou feliz por ter saído do Parque Atheneu e me livrado de uns vizinhos sem noção que só ouviam “pseudo-música” (leia-se: funk e breganejo) e no volume máximo.
Os mesmos vizinhos tinham parentes que gostavam de se exibir com aquela parada de som automotivo “treme-treme”.
Para quem não conhece a cultura goianiense, som automotivo no “úrtimo” volume e tremendo todas as paredes da rua foi a forma que os goianos sexualmente frustrados encontraram para “compensar” sua incompetência genital e amorosa. A quem jure que tem mulher que se sente atraída por isso. =P
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Gump Reply:
January 12th, 2009 at 09:39
Isso não é “privilégio” goiano. O sujeito do som automotivo é bastante comum. Muitas cidades pequenas ou de médio porte – bem como algumas grandes como Curitiba – têm o famoso ‘bobódromo’, onde eles ficam dando voltas exibindo seus sons – que chegam apenas em forma de barulho e vibrações de paredes aos nossos ouvidos.
Mas deve ter gente atraída por isso. Se não pelo barulho, pela suposta grana de se ter um carro com som caro :-p
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Helen Fernanda Reply:
January 12th, 2009 at 12:26
Você disse bem, “suposta grana”. Tem broxa que rifa a própria mãe para pagar o som do carro.
Deu vontade até de fazer uma pesquisa para comprovar isso, mas dos amantes de poluição sonora automotiva que conheço, nenhum tem casa própria, a maioria mora com papi e mami e alguns dividem aluguel com namorada/esposa ou amigos.
Não escolho homem pela grana, mas se eu tivesse que optar entre um que anda de Fiat Uno com toca-fitas (ainda existe?) mas está juntando uma grana para dar entrada no financiamento da casa própria e outro que anda num Fiat Strada que é uma boate ambulante, gasta todo seu dinheiro na manutenção da mesma, e por isso quer morar com mamãe até depois de casado, escolheria o primeiro.
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Vizinha sua te encontrou, hein Gump? Cara, você não é azarado, é cosmicamente cagado mesmo. Os astros convergeram em uma posição astrológica especial no segundo que você nasceu, só pode. huahauhau
E quanto a pessoas não serem atraentes por serem bregas. Eu não duvidaria com tanta veemência, já que toda panela tem sua tampa. Até os bregas se encontram. Vai saber né?
Cuidado com o que escreve, o velho da pia pode tá espreitando com um porrete nas interwebs da vida ;]
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hahaha! Adoro o jeito que você narra suas gumpices!
Muito bom!
Agora me conta, a dona do primeiro comentário, já foi sua vizinha? uahsuahsuhuahsa
Beijos
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Você acredita que só agora eu entendi o olhar 86 ? rs
E eu estou curiosa pra saber o que ofendeu a tal da Nelma ? Será esposa do velho da pia, uma pessoa que bisbilhota a vida dos outros e se identificou com o lagartão, ou ela mesma toma banho na pia e maltrata animais ?
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Cara,
Vc esqueceu o vizinho de cachorrinho. Daqueles que latem por baixo da porta sempre que vc esta na area comum esperando para pegar o elevador.
Normalmente ele escuta o sol alto e tem um gosto musical duvidoso tb.
A velha da Pia ta la em cima né?
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kkkkk muito bom! gostei muito do seu post! parabens ri muito
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[...] semana uma vizinha resolveu ouvir “I’ve got a feeling” em todas as versões disponíveis: em Rock, [...]
[...] delírios. E eu completamente sozinho em casa. As pessoas mais próximas a mim no momento eram O Lagartão Cristão e O Velho da Pia, e digamos que elas gostavam tanto de mim quanto eu [...]
[...] esses motivos são perfeitamente racionais. Então, digo: odeio o Atlético-GO, pois é o time do velho da pia, o cara que assassinou o Smellycat, o “meu” [...]
Cara… muito bom…realmente todo mundo tem um vizinho pra odiar…
Muito bom….valeu, pois dei muitas risadas hoje com seu post…
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