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Wednesday
27/Aug/2008
  • Tô com sono. Vou dormir.
  • Comi arroz com pequi hoje.

Ops! Confundi. Esse post é para ser um momento blog pessoal, não momento “Twitter”. Seguem algumas informações ou opiniões pessoais não-relevantes que eu quero compartilhar, para depois você poder soltar um sonoro…

E o Kiko tenho com isso???

Se eu quisesse aparecer, não conseguiria

Eu sou um cara discreto. Bom, eu gostaria de ser, já que sou tímido e não gosto de aparecer.

Mas me parece que quanto mais você quer ficar na sua, passar despercebido, mais Murphy se encarrega para que todos saibam da sua presença.

Aconteceu na academia ontem. Halteres de 25kg na mão, eu acabei pisando na perna do banco. Torci o pé, o que me fez perder o equilíbrio, devido aos 50kg adicionais. Numa tentativa desesperada de não me estatelar, joguei os pesos no chão (mentira, não consegui segurá-los mesmo).

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Não adiantou. Bati um dos joelhos e as mãos no chão, mas levantei rapidamente, para tentar dar aquela fingida de que nada aconteceu básica. Mas ninguém colabora. Todo mundo olhando, e uma vez a cada 5 segundos alguém vinha me perguntar: “Machucou?

Sorte que a torcida do pé não foi tão grave (e a vergonha foi muito maior que a dor). Se eu tivesse saído de lá para o hospital, eu nunca mais pisava lá. Seria uma pena, a hora da academia é a melhor do dia!

Seminerd

Como sou analista de sistemas, convivo desde sempre com gente nerd. Mas nunca soube dizer se eu sou um nerd ou não.

Eu tenho muitas características nerds: desajustado, tímido, estranho, analítico, “mexo com computador“, sei programar em várias linguagens, etc.

Porém, eu caí de pára-quedas na área. Sempre quis ser jornalista, mas uma vez na faculdade vi o sonho se transformar numa cruel realidade de baixos salários e resolvi trabalhar com esse tal negócio de informática, que se por um lado não deixa ninguém rico, por outro dá pra se alimentar. Mas não tenho paixão, como é o caso do meu amigo Fred, entre outros, que tiram férias para poderem ficar em casa programando ou estudando. Ainda vou fazer algum concurso em alguma área nada a ver.

No mais, não tenho lá muito interesse por tecnologia, odeio conversar sobre isso, não jogo vídeo-game e odeio Star Wars!

Então, resolvi a questão: sou um seminerd.

A língua dominante

Você tem certeza de que o inglês é a língua dominante quando, num filme com legendas em português, você vê que traduziram uma palavra em inglês com outra palavra em inglês.

Vi 3 casos recentemente: bartender foi traduzido como barman; geek sempre é traduzido como nerd; e mall é shopping center.

É de Sumpaulo, então é bom

São Paulo provoca reações antagônicas por parte dos habitantes de outros estados, como é o caso aqui de Goiás. Se por um lado morar numa bagunça violenta como a capital paulista soa algo inimaginável, por outro ela exerce um enorme fascínio.

Assim, é comum, quando se quer dizer que um produto é de qualidade, a pessoa falar que é de São Paulo. É só ir ao camelódromo:

- Chegou de Sumpaulo ainda hoje!

- Vai chegar um novo carregamento ainda hoje, direto de Sumpaulo!

Em lojas de informática, tudo “vem direto de Sumpaulo“. Mesmo que na real venha de Miami ou Ciudad del Este.

E esses dias até dois desses tipos de camelôs que vendem frutas na Av. Anhanguera tinham placas avisando que os morangos e uvas vinham de São Paulo.

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Diretamente de Sumpaulo

Daqui a pouco, só o pequi não vai ser de Sumpaulo. Aí seria demais!

Já começaram a soltar o verbo!

Eu já havia informado que eu fui gentilmente coagido a escrever em outro blog, onde a cada semana um tema seria debatido, de forma ácida, polêmica. Alguém levanta a bola no primeiro post, e depois os demais colaboradores postam sobre o mesmo tema, se possível humilhando o autor do primeiro texto.

Pois a pancadaria começou com um post provocativo, polêmico e não necessariamente justo: Aos paquidermes de plantão: chega de desculpas esfarrapadas! Como os 3 colaboradores do blog odeiam a balança, boa coisa não vai sair. Ainda mais que a famosa e assustadora Lina já está com a réplica pronta.

Tuesday
19/Aug/2008

Há pouco mais de um ano, minha amiga Lina ordenou que eu começasse um blog conjunto, em que nós, entre outros colaboradores, iríamos dar vazão à loucura de nossas mentes. O projeto foi batizado de Mentes Psicodélicas. Durou pouco tempo, mas teve alguns textos bons. A gente acabou se perdendo pela falta de um tema em específico.

Agora, vamos retomar o projeto.

Mas dessa vez, estabelecemos um foco: vai ser nosso blog para realmente soltar o verbo. Falar tudo aquilo que não falamos em nossos blogs principais, para evitar linchamentos mantermos uma linha pessoal mais serena.

Serão 3 colaboradores: Eu, Lina e Dani. A cada semana, um assunto, e cada colaborador fará um post sobre esse tema. Como nem sempre concordamos em muita coisa, e como é um blog-vale-tudo, naturalmente nos xingaremos com gosto por lá.

Mas, por que estou assumindo escrever em mais um blog, ainda que tendo que escrever apenas um post por semana?

Essa resposta é simples.

Porque a Lina disse: ESCREVA!

Submisso, eu? Longe disso. Eu tenho tanta aversão a ordens que se eu tiver uma parada respiratória e alguém, durante o processo de me reanimar, gritar “RESPIRE!”, eu vou morrer só pra não ter que obedecer! Mas deixe-me contar um pouco sobre a Lina pra esclarecer essa questão.

Dizem que o final de outubro é uma época associada com terror, halloween. É, também, relacionada com aqueles que são os melhores nas suas áreas. Pelé e Maradona nasceram no final de outubro, por exemplo.

Mas o que dizem mesmo é que no final de outubro de 1975 as duas características acima se fundiram. Alguma conjunção astrológica, talvez. A energia esteve carregada e nos últimos dias daquele mês, a Lina nasceu. Não nascia uma mulher, simplesmente. Tratava-se de um ente malévolo! Mais: a perfeição na arte de ser má!

Conheci a Lina na Internet, num chat entre amigos. Não foi uma conversa comum, com certeza. Lembro que de cara ela achou uma alma gêmea por lá, que era outra amiga minha. Chamarei essa outra amiga de “Fulana“, pois sou um cara criativo. Pois bem, Fulana uma vez passou algumas horas ao telefone comigo falando empolgadíssima sobre um livro que descrevia técnicas de tortura. A sua favorita era um caixão com pregos dispostos de forma a furar a vítima em partes não vitais, para que a morte fosse bem lenta e dolorosa. Fulana também assistiu um filme comigo no cinema e não conseguiu esconder a sua satisfação na cena em que uma personagem arrancou o olho da outra!

Pois, no tal chat, ela e Lina se uniram pra me torturar virtualmente. Era tamanha a criatividade malévola da Lina que Fulana virou quase uma santa. E eu sentia quase dor real!

Aquilo era tudo uma brincadeirinha, é claro! Mas a partir daí viramos amigos e, passados alguns anos, eu sei que não sou páreo para o caso de ela declarar guerra comigo! Veja como eu tenho razão.

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Soldados e crianças apavorados após testemunhar uma reação da Lina

Houve uma vez em que soldados estavam marchando na frente de sua casa, atrapalhando sua concentração. Lina chegou até a janela e educadamente pediu para eles marcharem sem bater os pés. Eles, ignorando os riscos, debocharam dela. O sangue subiu, e sua reação foi tão intensa que todos os soldados sobreviventes correram por suas vidas, junto com as crianças que testemunharam o massacre, totalmente apavoradas!

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“A Lina vai te pegar!!!” Maldade que fizeram com a garotinha.

Sua fama se espalhou. Não houve quem a desafiasse que não lamentasse ao sentir os efeitos de seu poder maligno! Em algumas culturas, os pais não ameaçavam as crianças más com estórias do bicho-papão ou do velho-do-saco. Inventavam estórias com a Lina. Mas tais estórias foram proibidas depois que uma geração inteira foi acometida de pânico e pesadelos!

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Alguém que não pagou uma dívida para com a Lina, implorando por sua vida.

Então, creio que agora você há de concordar que, se a Lina disse pra escrever, é melhor escrever…

Segunda-feira, dia 25 de agosto, os resultados começarão a aparecer, e até lá faço mais propaganda divulgando o link. :)

Thursday
14/Aug/2008

Tem muitas coisas que eu faço que assustam as pessoas normais: tomar chá com leite; ignorar, às vezes, feijão e arroz num buffet por quilo para pegar outras fontes de carboidrato mais gostosas; assistir filmes tailandeses, chineses e iranianos; sentir arrepio ao morder uma maçã; e por aí vai.

O queeee?

“O que??? Arrepio ao morder maçã???? Chá com leite???”

Mas nada causa mais espanto que minha relação com os sonhos.

Sabe quando você está tendo aquele sonho maravilhoso e acorda na melhor parte? Aquele sonho que você sente vontade de voltar a dormir para voltar para o mesmo sonho?

Pois bem, eu não fico na vontade! Eu acordo, fico indignado por ter interrompido o sonho, e decido voltar a dormir e sonhar. E volto para o mesmo sonho!

Chego até a levantar, ir ao banheiro, e ao voltar pra cama, volto pro mesmo sonho. Se eu assim quiser. Com pesadelos isso não acontece. Eu acordo de um pesadelo e não volto para ele ao pegar no sono novamente

Infelizmente, eu normalmente vou para outro pesadelo!

Outra coisa que eu tenho é consciência de que estou sonhando.

- Ah, isso é só um sonho, então tudo bem.

Já me salvei de muita agonia em pesadelo ao ter essa noção.

Mas esses dias eu me surpreendi com uma nova habilidade sonhística. Eu estava num mega-pesadelo com tortura psicológica (esses são os piores) mas, no meio do sofrimento, eu tive a noção de que era um sonho. Mas isso não bastava para eu me livrar do tormento. Eu precisava sair dali. Tentei, então, gritar para alguém me acordar. Mas não tinha controle sobre minha voz. Era uma agonia adicional: não conseguia pedir socorro.

Socorro!

“Alguém me tira desse pesadeeeelo!”

Mas eu não desisti. Perseverança nota 10! E inteligência nota zero, já que eu moro sozinho e não tem ninguém pra me acordar.

Continuei insistindo:

- Mmmm orrr!
- Mmmm rrrd!

- Me orrrrda!

Até que saiu:

- ME ACORDA!

Enchi os pulmões e continuei a gritar:

- ME ACORDA!
- ME ACORDA!
- ME ACORDA!
- ME ACORDA!
- ME ACORDA!

Até que acordei com o meu próprio grito.

De alguma forma funcionou. Mas, por algum motivo, uns 3 vizinhos ligaram a luz…

E eu fui dormir cheio de vergonha.

E fui direto para outro pesadelo, é claro. Tem noite que é reservada para eles.


Veja também:

Monday
4/Aug/2008

Mas não me venha com decoração de interiores e outras boiolagens! Estou falando de saber algo “de cor”, reter algo na memória.

Não sei qual a utilidade de se decorar algo, exceto na época do colégio, quando os professores dizem que você tem que entender a matéria, e não decorar, mas só cobram decoreba na prova. Mas vejo que quando as pessoas precisam, sofrem muito, e desnecessariamente, com isso.

Mas se você me conhece, com certeza vai perguntar:

- O Gump, o ser mais desmemoriado do planeta, querendo ensinar algum macete envolvendo memória?

Pois justamente. É um esquema tão bom que funciona até com alguém que, como eu, já esqueceu até do seu próprio aniversário. 3 vezes!

Tudo começou há 20 anos, quando eu precisei decorar um poema para uma atividade da aula de língua portuguesa. Eu estava lá, sofrendo, como todos os outros estudantes, lendo o poema diversas vezes e tentando decorá-lo assim. A forma mais burra de tentar fazer isso. Foi quando minha sábia progenitora me ensinou o que venho aqui compartilhar. E o ensinamento funcionou tão bem que até hoje eu lembro de cor dos dois poemas que eu estudei, e também da lista de todas as proposições, que eu precisei decorar pra uma prova.

- Pára de enrolar, Gump! Fala logo como é o tal esquema!

É bem simples, e até óbvio. Se quiser decorar o poema “No meio do caminho”, por exemplo, em vez de ler o poema inteiro várias vezes, leia apenas o primeiro verso, até decorar:

No meio do caminho tinha uma pedra

Decorar um verso é tarefa fácil, né? Então, agora, acrescente mais um:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho

Depois, mais um:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra

E assim por diante. Dá pra decorar longos textos desse jeito, eu já tentei. Ajuda para decorar discursos, listas, fórmulas, qualquer coisa que você possa colocar numa sequência.

Obviamente, você pode dividir o texto tem blocos grandes, e aplicar o método acima em cada um dos blocos.

Tudo óbvio. Mas você sofria tentando decorar da forma errada.

Tuesday
29/Jul/2008

Esse texto é o terceiro da série A vida em 4 linhas de ônibus.

Linha 3: Estudantes - O busão das desilusões amorosas

Apesar de longe do ideal, o transporte público de Curitiba é exemplo para muitas - se não todas - cidades grandes do país.

Mesmo assim, pegar um “alimentador”, trocar de ônibus no terminal, pegar um biarticulado lotado e trocar de ônibus mais uma vez em uma estação-tubo qualquer, é uma grande aventura.

Há muitas linhas famosas na cidade. O Inter 2 é uma dos mais marcantes. É um “ligeirinho” (ônibus que tem menos paradas que os convencionais) que contorna a cidade. Quem não conhece bem e pega no sentido contrário também chega ao seu destino, mas com algumas horas de atraso. Já até escreveram o Guia de Sobrevivência no Inter 2.

Mas o ônibus que mais me marcou em Curitiba foi o Estudantes. Trata-se de uma linha convencional que sai do Centro, passa na Casa do Estudante e tem ponto final no Centro Politécnico da UFPR.

Primeiro, porque tinha o motorista mais louco de toda a cidade. Na Avenida das Torres, ele saía costurando no meio dos carros, deixando-os para trás com seu busão velho. Dentro, os passageiros se seguravam como podiam. Alguns rezavam.

E enquanto isso, o motorista ia contando suas frustrações para quem quisesse ouvir. A maior delas foi não terem-no deixado dirigir um biarticulado (ônibus que, como o nome diz, tem duas articulações), sob a justificativa de que ele iria dar um nó no bicho.

Totalmente injusto, ele dizia. A gente fingia que concordava, enquanto torcia para chegar vivo.

Outros motoristas gostavam de xingar os estudantes.

Um dia eu saí de casa e vi o ônibus chegando. Como qualquer um que tem horário a cumprir, saí correndo para o ponto. Cheguei a tempo, mas ouvi a bronca, pesada, do motorista, que erradamente supôs que eu ficava esperando longe do ponto e corria quando o ônibus chegava. Fomos discutindo até que ele quase bateu num caminhão. Decidi que chegar vivo era melhor que ter razão e fiquei quieto.

Nesse itinerário deu-se, também, uma de minhas grandes frustrações. Indo para o Centro Politécnico uma noite, simplesmente parei de prestar atenção na conversa dos meus amigos ao avistar, no fundo do ônibus, a menina mais bonita que eu já havia visto. E, para minha surpresa, a japonesinha correspondeu o olhar. Trocamos olhares e sorrisos, à distância, a viagem toda. Quando chegou o ponto dela, pouco antes do meu, ela atravessou o ônibus para descer na porta mais próxima de mim. A porta abriu, e ela não desceu de imediato. Olhou-me firmemente por intermináveis dois segundos, sorrindo, e por fim disse “tchau“, acenando. E eu tive o impulso de descer, de agir, de fazer alguma coisa finalmente.

Mas fiquei ali parado, com minha cara normal cara de bobo.

Depois, não consegui me conformar!

Por mais de duas semanas, peguei o ônibus toda noite naquele horário, mesmo estando de férias na faculdade. Apenas para tentar encontrá-la de novo.

Nunca mais a vi.

O que vi, numa dessas noites, foi o motorista, o doido, bater em outro ônibus e botar a culpa no colega de profissão.

O Estudantes, aliás, foi o meu busão das desilusões.

Bem no começo da facul, eu gostava de uma menina (que conheci no Estudantes!), que gostava de um amigo meu, que só gostava de computador. Nós 3 éramos vizinhos e voltávamos juntos no Estudantes. Quando eu aceitei que estava fora da parada, cansado de ter que aguentar vê-la dando em cima do meu amigo, inventei uma desculpa para descer do ônibus antes deles; enquanto isso, como bom perdedor, resignado, eu desejava felicidades para os dois em pensamento: “vão os dois pro inferno, seus fdp!

Disse que desceria antes para passar num supermercado. Estaria, ao menos, livre.

- Eu vou com você, Gump! - disse o meu amigo nerd.

- Ah, então eu vou com vocês! - disse, saltitante, a menina.

PQP! Eu devia ter ficado na segurança do Estudantes, que a tortura acabava logo. Mas ela acabou durando ainda mais uns 40 minutos…


A vida em 4 linhas de ônibus: