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Saturday
4/Jul/2009

Cheguei ao trampo às 7h. Sim, da madrugada!! Como tenho feito todo dia nas duas últimas semanas.

E mesmo nesse horário já tive um serviço, que era o mesmo dia, sexta-feira, cobrado por um diretor logo na entrada:

- Hoje é sexta!

Se eu fosse inteligente, teria respondido.

- E amanhã é sábado!

Claro que se eu fosse inteligente saberia falar em um tom de brincadeira, o que era a intenção mesmo, e não pegaria mal. Mas se eu fosse inteligente o suficiente para bolar a resposta, também seria inteligente o suficiente para saber que não sou inteligente o suficiente para saber proferir brincadeiras em tom jovial e alegre.

Tinha que ser mais ou menos como um amigo lá do trampo, que passa as cantadas mais escabrosas em todas as meninas do prédio (e do restaurante, da academia, da rua, etc), e sempre arranca sorrisos delas. Se eu, na minha inaptidão social, proferisse alguma daquelas barbáries, receberia em troca alguma coisa entre um tapa e um processo.

Minha única praia para respostas imediatas é o tradicional sarcasmo. Coisa que de uma maneira ou de outra sempre pega mal para quem profere. Ou não vão entender e o achar um idiota, ou vão entender e o achar um FDP.

Certa vez, foi anunciada, em uma empresa, a terceira demissão em massa consecutiva, através do comunicado:

Informamos que haverá readequação de quadro de pessoal.

Eu não resisti e respondi, no mesmo canal interno:

- Ufa, ainda bem. Eu estava preocupado! Achava que haveria demissões.

Claro que muita gente se ofendeu, e nesse caso foi meio que um protesto de quem não gosta de eufemismos e de demissões quando o que está errado na empresa não é o número de funcionários.

Mas eu teria sido mais inteligente se tivesse pensado mais. Não se ganha nada atingindo as pessoas de graça assim.

Assim, hoje, num raro lampejo de inteligência, saquei que tenho que aproveitar muito esse final de semana, pois depois do que andei ralando, estou merecendo!

Mas se eu fosse inteligente mesmo, saberia trabalhar menos, para assim terminar uma semana menos estressado.

E saberia, principalmente, escrever textos melhores.

Obs: Texto mal-humorado editado e publicado num momento de extrema alegria e euforia. Não combinou nada, mas tudo em nome de manter o blog vivo!

 

Textos relacionados:

Gump, o ladrão

Friday
12/Jun/2009

Essa já tem alguns anos. Saí do trabalho e tinha que comprar suprimentos para um programa de índio uma viagem. Sem tempo de ir ao supermercado, passei na loja de conveniência pertinho de casa.

Porém, estava distraído (isso era para ser alguma novidade?). Aliás, distraído não! Eu estava extremamente concentrado! Na coisa errada! Esse é, aliás, o meu conceito de distração.

Vinha pensando no depoimento que iria escrever para uma grande amiga. Ela havia deixado um tão bonito e bem escrito, tão do jeito que nossa amizade merecia, que eu na hora soube que seria muito difícil retribuir à altura. Já tinha algum tempo que eu vinha pensando no que escrever e naquele dia resolvi levar a sério.

Enquanto pensava, ia escolhendo mecanicamente os suprimentos.

Quando voltei para a Terra, vi que estava guardando tudo na minha mochila! No meio da loja!

Minha inexperiente mente criminosa não sabia o que fazer. Instintivamente olhei para o atendente. Ele olhava para mim fixamente, com um misto de raiva e incredulidade. “Que cara-de-pau!!“, deve ter pensado.

Cheguei até ele, pedi desculpas e expliquei que estava distraído. Ele visivelmente não acreditou mas não queria encrenca. Deixou-me ir embora.

E quando não é a distração, é a força do hábito. Apenas dois dias antes, eu saí de uma padaria sem pagar. Só percebi quando cheguei em casa e vi o papelzinho com o valor que eu deveria ter pago.

É que a rotina na padaria era “pedir->pagar->pegar os produtos“. Naquele dia, eu pedi e a balconista me deu os produtos antes de eu ir pagar. Meu cérebro pouco privilegiado fez a seguinte sequência de processamento:

  1. Já estou com os produtos. O que vem a seguir?
  2. Humm… que cheirinho bom!
  3. Hmmm… mas eu queria mesmo uma pizza!
  4. Onde estou?
  5. Hum, produtos na mão. Isso significa… o que mesmo?
  6. Uau, que japonesa linda!
  7. Ah sim, produtos na mão significa ir embora.

cerebro

Após descobrir meu furto involuntário, voltei correndo. Afinal, eu ia lá todo dia e não queria que pensassem que eu estava tentando ser malandrão.

Pior. Um malandrão burro.

Eles nem tinham percebido, ficaram felizes com a minha honestidade, mas inevitavelmente riram da minha cara. Polidamente.

Mas por que eu lembrei do primeiro roubo hoje?

- Hummmm! Pizza!

Quieto, cérebro!

É que eu acabei de lembrar que, passados uns 4 ou 5 anos, eu não escrevi o depoimento sobre minha grande amiga até hoje…

Friday
22/May/2009

Temos, no trabalho, uma rotina nas manhãs de sexta-feira: comer pão-de-queijo azedo recheado.

- O quêêêêê??? Pão-de-queijo Azeeeeedo?

Você sabe: quanto mais fresca é a pessoa, maior a chance de ela encontrar algo na comida, como um fio de cabelo - ou outro pelo de qualquer outra parte do corpo. Isso acontece porque as nojeiras são atraídas por pessoas frescas. Ou então é porque os frescos reparam nessas coisas, enquanto todas as outras pessoas são vítimas da máxima “o que os olhos não vêem, o coração não sente“.

Então. Um colega meu é uma dessas pessoas agraciadas com todas as nojeiras em todos os restaurantes. E um dia ele (e só ele) foi brindado com um pão-de-queijo supostamente azedo naquela lanchonete - junto com um suco de laranja com gosto de sabão em pó, segundo ele.

Isso bastou para ele nunca mais comer pão-de-queijo quando vai lá (nem tomar suco de laranja). Mas serviu principalmente para o lugar ser chamado carinhosamente por nós de “Azedo”.

- Vamos lá no Azedo amanhã?

- Vamos! E eu vou comer dois azedos!

Mas, claro, lá nós não pedimos “azedos recheados”. A não ser que alguém faça Gumpice. E é aí que eu entro na história, é claro.

Eu e um dos colegas fomos primeiro ao Azedo, e eu liguei para avisar aos demais que já estávamos lá. Dei aquela levantada de voz característica de quem fala ao telefone e soltei:

- Cara, já estamos aqui no Azedo!

Só com o constrangimento do meu amigo olhando a cara dos funcionários do local é que percebi a gumpice.

Bem característica, por sinal. Existe um restaurante cujo dono eu chamava mentalmente de seu Noé. Mas é claro que eu não poderia chamá-lo assim na vida real. Então eu precisava ficar mais atento que de costume - não é difícil, em teoria, já que eu não sou um cara nada atento, naturalmente.

Seu Noé

Seu Noé, o dono do restaurante

Eu resisti por muitos meses! Mas um dia a gumpice, inevitavelmente, saiu.

- E aí, Seu Noé?

Por sorte, poucos goianos entendem o que eu falo. Um pouco por causa do sotaque, e o resto por culpa da minha má dicção mesmo. Seu Noé parece não ter entendido bem o que eu falei. Ao menos espero que tenha sido assim.

E essa questão das gumpices me fez ressuscitar um antigo contador que eu tinha, semelhante àqueles das fábricas. Ele dizia: “O Gump está há x dias sem sem dar mancada, cometer gafe ou pagar mico“. Agora faço esse contador no Twitter.

O problema é que parece que ando fazendo ainda mais gumpice que o natural.

Melhor esquecer o contador. Ele só oscila entre 0 e 1.

Wednesday
15/Apr/2009

Hoje, 15 de abril,  é o dia do desenhista!

Para mostrar quão importante é essa data, deixo aqui, como homenagem, meu desenho de auto-retrato:

Homenagem Gumpesca ao Dia do Desenhista

Viu como os desenhistas são importantes? Não é qualquer mané que consegue desenhar bem.

Parabéns então, desenhista, pelo seu dia.

Wednesday
18/Mar/2009

Pelo menos uma vez por mês, blogueiros ávidos por interação offline (sim, isso existe) se reúnem em Goiânia para o tradicional “Nerds on Beer”.

Mas além dessa certeza, há uma maior: se o Gump estiver presente, comida estará envolvida.

- Grande novidade, Gump! Você só fala de comida!

Aí é que está a questão. Lá eu não falo nem sugiro. Tudo bem que quando a Fabíola sugere pedir algum petisco, eu sou o primeiro a apoiar, mas nunca sou eu a dar a idéia.

Já quando eu não vou, o povo fica apenas trocando de bar, sem envolver comida.

O Mestre Zen mais uma vez elucidou a questão com sua perspicácia. Ele já havia dito que eu não sou um cara azarado, sou apenas Cosmicamente cagado. Agora, trouxe mais uma teoria de grande possibilidade:

- O Gump tem aura de comida!

Assim, o simples fato de as pessoas me verem já as incita a comer. No último NoB que contou com a minha participação, eu até protestei e não concordei com a idéia de sair do bar e ir comer pizza num rodízio (mas claro que acabei não recusando). Mas o simples fato de eu estar presente tornou a idéia de sair pra comer totalmente irresistível!

É isso que o subconsciente das pessoas vê quando olham para mim

Já no último final de semana, quando eu não estava em Goiânia, houve um NoB extra. O pessoal saiu de um bar para ir para… outro bar!

Agora me explique: como eu vou emagrecer de vez, se eu sou obrigado a me ver todo dia ao fazer a barba???


A minha aura de comida também trouxe a inspiração para alguns dos posts de que mais gosto aqui no blog: