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Tuesday
29/Jan/2008

Continuando o artigo anterior, se a fama nacional que Goiânia tem, de respirar música sertaneja, reflete totalmente a verdade, tem outra fama que eu me abstenho de comentar. Apenas cito que todo goianiense odeia.

Quando querem zoar goianos, as pessoas de qualquer lugar do Brasil pensam em música sertaneja e num suposto jeito caipira de ser. Cara, não faça isso! Se você chegar prum goianiense e gritar:

- Seu f* da p*t*, corno, viado, p*u no c*, bichona louca e caipira!

ele retruca:

- Caipira é a mãe, fdp!

Xingue a mãe e a mãe da mãe, mas não chame de caipira!

Nunca, em hipótese alguma, tire uma foto na frente da porteira de uma fazenda no meio do nada (longe de Goiânia, inclusive) e publique na internet com a legenda “Êêêêê Goiânia!” Já vi uma amizade ficar seriamente abalada por conta de uma brincadeira dessas.

E não, não fui eu quem fez isso. Sim, é a minha cara, mas dessa vez o sacana não fui eu. Juro!

êêê Goiânia! Opss!! Não falei nada!

Nunca, jamais, de jeito algum, diga que tirou essa foto em Goiânia! A menos que você seja suicida.

E já que o assunto é fama nacional, tem outra que é bem representativa da verdade: as goianas realmente são lindas! Se você, leitor do sexo masculino, gosta de loira, provavelmente vai preferir Porto Alegre ou Floripa. Mas se a sua praia são as moreninhas, compre uma passagem pra cá e prepare-se pra suspirar… Às vezes você está andando numa suja rua do centrão e não acredita no que vê ali. Contraste total! A mais linda morena, tal qual uma flor em meio ao concreto!

Aliás, “que moça linda!” e “essa deve ser a moreninha mais linda que eu já vi na vida!” são duas coisas que passam pela minha cabeça todo santo dia!

goianas2

O que goiânia tem de melhor

E as meninas são gente boa. Aliás, goiano de maneira geral é muito simpático e conversador. Pra quem vem de Curitiba e já é meio curitibano no seu jeito de ser, chega a assustar às vezes. Alguém que você nunca viu antes conversa com você como se você fosse amigo de décadas! Basta um contato visual ou estar numa fila de supermercado, já é motivo para conversarem animadamente.

Se você vir dois goianos conversando sobre algo que você gostaria de conversar, é só chegar e conversar também. De verdade (tem alguém que mora em Curitiba e não está acreditando??). Não vão achar ruim nem nada. Até porque eles também fazem isso nas conversas dos outros.

Mas apesar de simpáticos, são um tanto carentes. Perdi a conta das vezes que eu estava na minha, andando na rua, ou almoçando, ou fazendo compras, e um goiano aparecer do nada pra contar sua vida! É, a vida mesmo… uma senhora me contou há quantos anos morava no bairro e qual a sua trajetória por lá, até eu “ter que sair”. O que motivou a conversa foi eu ter levantado os olhos ao ver que ela estava me encarando.

E, por fim, tem o sotaque, caracterizado pela união de palavras e um jeitão característico de falar. Mas o mais marcante são as expressões. Mas isso fica pro próximo artigo, o dicionário goianês.

Tuesday
29/Jan/2008

Apesar de ser brasiliense, ter passado a infância em Santa Catarina, parte da adolescência no Rio e quase toda a vida adulta em Curitiba, hoje vivo em Goiânia. Portanto, essa cidade vai ser a primeira vítima de minhas análises gumpescas, no Guia Gump de Cidades.

Nota: Este é mais um artigo de zoação que informativo. Não leve a sério. Nem as informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras.

Goiânia é a maior cidade de Goiás e tem uma população até que significativa. Mais de 1 milhão de habitantes. No entanto seus habitantes vivem na capital como viveriam em Hidrolândia, Mara Rosa, Goianira e outras cidades de que você também nunca ouviu falar. Assim, Goiânia pode ser considerada a maior cidade pequena do mundo1.

Sua população pode ser dividida em dois grandes grupos: os que gostam de música sertaneja e os que gostam muito de música sertaneja. Diz a velha piadinha que se um goiano pega a mulher na cama com outro, procura outro corno para formar uma dupla sertaneja.

Ídolos goianienses

Não faço idéia de quem sejam, mas devem ser ídolos por aqui

Segundo o último censo do instituto Datagump, a cidade possui exatos 1,7 botecos para cada habitante. Aqui, leva-se a sério a expressão “Não tem mar, vamos pro bar!” Tão a sério que um dos barzinhos mais conhecidos chama-se Praia Bar. Localizado a mais de 1000km da praia mais próxima.

Todo bar e boteco que se preza respeita a sagrada tradição goianiense: toca-se, repetidamente, 6 músicas de uns tais de Victor e Leo (não conhece? É, eu também não conhecia. Bons tempos!), mais alguns “clássicos” do gênero, como “As Andorinhas” e aquela que fala “Viola está chorando/ chorando está meu coração“.

Não, não vou procurar o nome da música no Google.

Bom, só sai desse repertório quando chega o tradicional “chato com um violão”. É a diversão suprema goiana se reunir em volta de uma mesa e cantar “sucessos” sertanejos. Por horas! Beberica-se a cerveja, e canta-se. Não tem bate-papo. Não tem risadas. É o povo cantando a plenos pulmões, feliz da vida.

A culinária segue uma regra inversa à adotada em tantos lugares do mundo: nada de pratos coloridos. Tudo tem que ser amarelado-amarronzado. Joga-se açafrão no peito de frango, pra não ficar tão sem graça. “Aquela coisa branca, eca!“. O mesmo pro arroz. Verduras não fazem parte da refeição.

Outro detalhe é que em Goiânia só há um restaurante. Todos são, na verdade, um franquia do outro, já que a comida é basicamente igual. Eu até estava morrendo de curiosidade pra provar um sushi com açafrão acompanhado de feijão tropeiro, num restaurante japonês. Mas descobri que o restaurante japonês não faz parte da franquia. Lá não tem açafrão nem feijão. E arroz, só no sushi. Um restaurante japa normal.

Aliás, o restaurante japonês que eu conheço é muito bom, mas chama-se Sushi Praia. Olha a praia aí de novo!

Já que o assunto é comida, e eu sou um especialista na arte de comer, não posso deixar de citar os Pit Dogs.

“Hein? Pit o que?”

A mesma cara de espanto que todo mundo que é de fora de Goiânia faz quando ouve esse termo pela primeira vez, os goianos fazem quando você diz que não sabe o que é um Pit Dog. “Como assim Gump? Onde é que você comia X-tudo então?“.

Basicamente, Pit Dog é um cruzamento de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro quente. Uma sanduicheria ao ar livre. Se estiver em goiânia e quiser fast food, por favor, esqueça o McDonald’s! Sério. Vá ao Pit Dog! Eu juro que apesar desse nome bizarro, os sanduíches são incrívelmente gostosos, com um tamanho descomunal. E custam no máximo a metade de um Big-Mac.

Se, porém, você estiver a fim de pedir uma pizza, mude de idéia e vá comer sanduba no Pit Dog. A pizza aqui é muito cara e muito ruim.

Mas se a vontade de comer uma pizza for realmente muuuito grande, incontrolável, insuportável, absurda, tô-com-desejo-se-eu-não-comer-vai-nascer-com-cara-de-pizza, você tem 2 opções:

1. Compre uma pizza da Sadia/Perdigão/Etc e faça em casa. Opção mais barata e mais gostosa que as pizzas Goianas.
2. Junte seu dinheiro e vá à pizzaria “A Scarolla”. Essa sim é boa. Uma das melhores pizzas que eu já comi. E meu pânceps trabalhado veio de muita degustação de pizza, então disso eu posso falar. Mas A Scarolla é cara; prepare-se para gastar no mínimo uns 30 reais só com a pizza.

Ou, ainda, nas opções caras, você pode ir à Pizza-Hut. Não sou fã assim da Pizza-Hut, mas como não há muitas outras opções, acaba sendo interessante.

Mas como eu sou teimoso glutão honesto, ainda vou provar mais pizzas para satisfazer minhas lombrigas poder falar com mais autoridade.

Outra coisa muito boa da culinária goiana (droga, eu só penso em comida!) são as pamonhas. Eu não gostava de pamonha em Curitiba, achava sem graça. Mas as daqui são maravilhosas, e vêm com queijo. Tudo bem que uma amiga minha prefere as pamonhas curitibanas, sem queijo, já que quando mordeu o queijo achou que era um bicho!

Pamonha com queijo
Kinder Pamonha - Com surpresa dentro!

No mais, a comida goiana não é ruim. Pelo contrário, é até boa. Mas eu me sinto como se, em Curitiba, eu fosse almoçar e jantar todo dia num restaurante mineiro. Enjoa.

E por que restaurante mineiro? Qual a relação?

É que a comida é muito parecida. Na verdade, tem muita coisa parecida entre mineiros e goianos, pelo que tenho comparado com uma amiga criada em Belo Horizonte. Inclusive as expressões são parecidas, e ambos falam “trem”, “uai”, etc… Eu diria que goiano é um mineiro que gosta mais de música sertaneja.

Música sertaneja, aliás, é responsável não só pela poluição sonora pelo som dos bares. Dá também uma pitada de mistério e teorias da conspiração. É que onde você vai, vê outdoors, placas e até mesmo caminhões anunciando uma dupla sertaneja chamada Nerildo & Nerivan. Com o slogan: Sucesso no Brasil! Mas ninguém jamais ouviu falar em Nerildo & Nerivan! Não tem shows, não tem DVD pirata nos camelôs, nada! Então surgem as teorias:

  • Os outdoors são mensagens em código de facções criminosas;
  • Eles são donos dos espaços dos outdoors, cheios da grana, e a “música” sertaneja é seu hobby, que aproveitam pra divulgar quando um outdoor está vazio.
  • São futuros candidatos à presidência
  • Trata-se de uma marca de roupa
  • São uma força maligna e/ou alienígena
  • É uma mensagem satânica disfarçada

Só sei que se eles forem uma dupla sertaneja de verdade, sou um cara feliz por nunca ter ouvido, assim como era antes de saber da existência de Vítor & Leo. Argh!

E não, ainda não acabou! A seguir: Guia Gump de Cidades: Goiânia - Parte II.


Notas:1. Dizem as más linguas que esse título (de maior cidade pequena do mundo) pertence a Belo Horizonte. Como não conheço BH, voto em Goiânia. ;-)