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Arquivo da categoria ‘Guia Gump de Cidades

Wednesday
23/Apr/2008

Nota: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras. Se você procura informações sérias sobre a cidade, não é aqui que vai encontrar.

Pirenópolis é uma cidade do interior de Goiás, distante cerca de 120km de Goiânia, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Atrai muitos turistas por causa da falta de opções perto de Goiânia e Brasília do seu centro histórico e de seus atrativos naturais.

Igreja Famosa

Uma das famosas igrejas do centro histórico de Pirenópolis. O nome dela? Sei lá, não lembro mais e estou com pregui de pesquisar!

Nos feriados, a cidade fica lotada com brasilienses e goianienses em igual proporção. Há duas formas de constatar isso: olhando as placas dos carros, lógico, ou então ouvindo o som que sai do carro: se for sertanejo, é de Goiânia, e se for outro som de gosto igualmente duvidoso, é de Brasília. Não falha!

Além dos óbvios hotéis e pousadas, uma boa opção de hospedagem (bem mais barata) é ficar em algum camping. Há vários, todos estrategicamente localizados: ficam longe do centro, e longe das cachoeiras. Para dar única e incrível sensação de aventura, o chão da área reservada para a montagem de barracas (epa!) tem mais pedras do que grama, fazendo com que fixá-las no chão (e dormir nelas depois) seja uma tarefa de rara perícia.

Um dos campings mais conceituados é administrado por um hippie mutcho loco, porém muito gente boa. É totalmente vegetariano: fã de salada e de outros tipos de, hum, vegetais. Para incrementar a diversão da estadia, o administrador do camping oferece (em troca de uns 10 reais, é claro) uma pizza vegetariana com massa integral para o visitante, e diz o horário em que se pode ir lá comê-la. Mas desaparece na hora marcada! Diz a lenda que trata-se de uma famosa pegadinha em Pirenópolis.

Mas um parênteses a sério: se um dia você conseguir encurralar (epa!) o hippie e cobrar a tal pizza, você vai ver que é realmente saborosa.

Ah sim, não acredite em tudo que os campings dizem. Um deles diz que tem um museu ao ar livre, cujo tema é a mineração. Tal museu não é mais do que uma trilha na mata com duas ou três plaquinhas.

Museu a céu aberto

Museu a céu aberto em Pirenópolis

A cidade também é um lugar muito procurado pelo pessoal emaconhado, de roupas estranhas e não muito fã de banho alternativo e esotérico.

Apesar de os panfletos e guias turísticos locais darem a impressão de que você anda pela cidade e vê uma cachoeira à sua direita, outra à esquerda e mais uma no fim da rua, a localização correta é mais ou menos assim:

  • Cachoeira A: 25km do centro
  • Cachoeira B: 30km do centro
  • Cachoeira C: 45km do centro

A maioria delas é muito bonita. Mas, além da gasolina, reserve dinheiro para a entrada. Sim! Você, literalmente, paga pra ver. Quase todas as cachoeiras ficam em propriedades particulares. Há taxa de visitação.

Se houvesse praia em Pirenópolis, o acesso seria cobrado também.

Outra atração é o Parque Estadual dos Pirineus, onde há vários morros com vista para árvores retorcidas e feias o cerrado. É um local muito bom para pedalar, cheio de trilhas. Mas a vista, em tempos de seca, lembra muito um deserto de filme americano. Um casal passou de carro por mim quando eu pedalava por lá e perguntou onde afinal era o tal parque. Respondi a verdade: estávamos 10 km dentro do parque! É que ele é sem graça mesmo inserido no meio do cerrado característico do local.

E por fim, temos a gastronomia. Realmente, um ponto forte. A melhor comida goiana que já comi. E tem até cartazes em duas línguas ensinando os manés turistas a comer pequi.

Você só precisa ficar atento na hora de pagar a conta. Se eles entendem de boa comida, não entendem muito de atendimento. Voltei de uma pedalada na hora do almoço, morrendo de fome e de sede, e fui para um restaurante que parecia - e era - muito bom. Antes de me servir já pedi a bebida para a garçonete, perguntando se tinha refrigerante de um litro. A sede estava de matar! Ela disse que tinha sim: guaraná diet. Pedi para ela colocar na mesa onde eu ia ficar e fui me servir.

Ao voltar, depois de muito tempo me servindo (um buffet maravilhoso!), vi que ela tinha acabado de colocar um guaraná de 2 litros, e não de 1. Deixei pra lá, pois se eu fosse pedir para trocar ela só traria depois de mais uns 15 minutos.

Quando pedi a conta, foi outro garçon quem me trouxe. E o valor foi de mais de 30 reais! O buffet livre, segundo uma plaquinha, era R$ 14,90. Seguiu-se o seguinte diálogo:

Gump: Peraí! quanto é o buffet hoje?
Garçon: Uai! Sei não. Você tem que pagar isso que tá aí na conta.
Gump: Mas lá na placa está falando que é 14,90. Por que a conta deu mais de 30?
Garçon: Uai! Sei não. Mas o que você tem que pagar é isso aí que tá na conta.
Gump: Mas você não concorda que se o valor é o que está na placa, isso aqui está errado?
Garçon: Uai! Tá não. Só sei que é esse valor aí que tá na conta que você tem que pagar.

Ok, o garçon venceu. Desisti de argumentar com ele, mas obviamente fui atrás de outra pessoa. Fui pagar direto no caixa e no caminho perguntei para outra garçonete o valor do buffet.

- Uai! É 14,90! Ó ali na placa!

Beleza, meu maior medo era de que aos domingos o valor dobrasse, apesar de nenhum lugar no restaurante avisar disso. Reclamei para a gerente, e ela chamou a garçonete que primeiro me atendeu (a do refri de 2 litros) e pediu para ela explicar o porquê do valor. Mais um diálogo:

Garçonete: Uai! São duas pessoas, mais o refri. Dá isso! (apontando para a conta).
Gump
: Mas eu estou sozinho!
Garçonete: Uai! Tá não!
Gump: Como não?
Garçonete: Uai! São duas pessoas!

Pô! Não sou tão gordo assim!

Para minha sorte, meu vizinho de mesa apareceu e confirmou que eu estava sozinho. A garçonete, então, se explicou:

- Uai! Você pediu refri “de litro”, então achei que eram 2 pessoas!

Resumindo: Pirenópolis é um lugar muito bom para ir em turma ou para pedalar. Basta saber lidar com os hippies, com as pedras (se for acampar), guardar dinheiro para a gasolina e para ver as cachoeiras, e ter paciência nos restaurantes. Usar um “dicionário de goianês” (língua oficial de Pirenópolis), se você não for goiano, também ajuda bastante.

Para informações mais sérias e mais reais, veja os sites:

Veja também, no Guia Gump de Cidades:

Wednesday
9/Apr/2008

Nota: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras. Se você procura informações sérias sobre a cidade, não é aqui que vai encontrar.

Porangatu é uma cidade localizada, oficialmente, no norte de Goiás. No entanto, o Google Maps dá um roteiro mais exato, a partir de Goiânia:

1. Siga na GO-080
2. Vire à esquerda na BR-153
3. Continue na estrada até o mundo acabar
4. Percorra mais 300km após o fim do mundo.

Siga os passos acima que você estará em Porangatu. Estará, também, completamente exausto de viajar.

Tá bom, tá bom… não é tão longe assim.

É uma cidade muito conhecida (dizem) pelo seu carnaval e… mais alguma coisa que eu não lembro.

A origem do nome

Diz que havia uma índia, da tribo que habitava aquelas bandas, chamada Angatu. Angatu era esposa de um dos futuros chefes da tribo. Porém, um bandeirante chamado Antônio se apaixonou por essa índia e, por causa desse romance proibido, foi condenado a morrer por meio de flechadas. Depois que as flechas rasgaram sua carne, suas últimas palavras foram:

- Morro por Angatu!

Nota do Gump: na wikipédia há outra versão para o nome. Mas é muito chata. Junção de palavras em tupi, para variar. Boring! Prefiro a minha.

Língua Oficial

A língua de Porangatu é uma variante interiorana do Goianês. Uma curiosidade é a pronúncia do nome da sorveteria da foto abaixo.

Cassata D\'oro

Como você pronunciaria Cassata D’oro?

a) Cassata Dôro
b) Cossoto Dôro
c) Cossoto Dóro
d) Cassato Dóro
e) Cassota Dôro

Se você respondeu a letra a, você não é porangatuense. Se você respondeu b, c ou e, você não só não é de Porangatu como é um ser muito bizarro! Quem é que fala uma coisa dessas?

O povo da cidade, apesar de chamar geralmente o local apenas de “Cassata“, quando fala o nome completo usa uma curiosa regra da gramática local. O último “a” vira “o”, e o apóstrofo é usado como acento agudo. O nome vira Cassato Dóro.

Logradouros secretos

Se a capital do estado é a cidade das praças secretas, Porangatu também tem seus logradouros com nomes falsos. O melhor exemplo é a avenida Federal, a principal da cidade. Se você perguntar para um porangatuense por que chamam a avenida de Federal, ele vai responder:

- Uai! Porque é o nome dela!

Mas o nome da avenida não é Federal. Não me perguntem qual é o nome de verdade! Eu não lembro. E se nem quem mora lá sabe, como eu vou saber?

Diversão

A grande diversão dos moradores mais jovens durante o dia e primeiras horas da noite é ir para a pracinha em frente à lagoa e ficar sentado em lugares como a Cassata, ou então ficar dando inúmeras voltas nessa mesma pracinha de carro. O tradicional bobódromo de toda cidade pequena. O objetivo em ambos os casos é o mesmo: ver e ser visto. Tanto que não se senta em volta de uma mesa, e sim lado a lado, de frente para a rua. A cada carro que passa, quem está nas lanchonetes estica o pescoço para ver se conhece quem está passando. Mas, claro, como a cidade tem 40 mil habitantes, é óbvio que conhece.

Mais tarde, nos finais de semana, é hora de balada, claro! Não há na cidade uma boate ou coisa do gênero, mas quem precisa disso quando se tem um restaurante de beira de estrada?

Local da grande balada de Porangatu

Um lugar que, durante o dia é parada de caminhoneiros buscando uma refeição, à noite recebe a juventude, que faz a terra vermelha levantar ao som de muitos ritmos diferentes! Aliás, mesmo à noite é possível ver alguns caminhoneiros perdidos, babando hipnotizados pelas pernas das menininhas.

Esse negócio de ter que ouvir o som que o DJ do local decidir tocar é coisa dos manés das cidades grandes. Em Porangatu, cada um ouve e dança o que quer. Basta chegar, colocar o carro num cantinho e ligar o som! Você tem a experiência única de ouvir axé, forró, hip-hop, funk, dance e até mesmo sertanejo (Porangatu fica em Goiás, lembra?). Tudo ao mesmo tempo.

E tudo ao ar livre, sem pagar nada.

Outra coisa pitoresca é ver o povo chegando e indo embora. São muitas e muitas motos, com as mocinhas de saia sentadinhas de ladinho na garupa. Bom, pitoresco pra quem não é de Porangatu. Eles acham pitoresco alguém achar isso pitoresco.

A lagoa, principal atrativo da cidade, também é fonte de diversão. Os pedalinhos poderiam ser divertidos, mas uma proibição muito chata faz perder a graça.

Ahhhh! Não pode?? :-(

Aliás, tudo gira em torno da lagoa. É onde os bêbados caem no carnaval, onde jogam os calouros durante os trotes, onde se joga comida para as tartarugas, onde tartarugas viram comida de jacaré. É o ponto de encontro maior.

Muitos vão para a lagoa com a desculpa de caminhar ou correr, mas sabem que não vão fazer isso. Sempre vão acabar encontrando aquele amigo que não vêem há, humm, 2 dias, e passar horas batendo papo!

Quem quer correr de verdade, o faz na extensão da av. “Federal”, a partir do fórum, num trecho que é praticamente uma auto-estrada. Há risco de atropelamento e muita fumaça de veículos, mas isso só torna o exercício mais prazeroso. Nada como um pouco de aventura na vida.

Patrimônio

Porangatu é uma cidade muito religiosa. Tanto que tem duas igrejas matriz. Nos arredores da antiga igreja matriz fica a parte antiga da cidade, tombada pelo patrimônio municipal.

Não precisavam levar o tombamento tão a sério. Não poder derrubar as casas não significa que não se pode reformá-las!

Também na região conhecida como Porangatu Velho temos até um buraco no chão poço dos desejos.

Curiosidades

Entre outras tantas características, a simplicidade na hora de resolver os problemas do cotidiano é marcante em Porangatu. Se houver algum erro de ortografia em alguma placa, por exemplo, não há necessidade de se refazer a placa, né? Basta pintar a letra errada de uma cor parecida com a do fundo que ninguém repara!

Em Porangatu, têm-se essa visão!

Uma solução para um problema nem sempre demanda muito esforço!

Também há outras características que “encabulam” (no sentido goiano da palavra) quem está conhecendo a cidade. Apesar do seu tamanho, não tão pequena, e de sua relativa importância regional, a cidade:

- não tem bueiros (só vi um, próximo ao bosque ao lado da lagoa)
- não tem semáforos (nenhumzinho!)
- não tem linhas de ônibus urbanos.

Diz que o próximo slogan da cidade será: “Porangatu: não tem pra ninguém!”

Uma coisa que a classe média da cidade reclama muito é do excesso de bicicletas “atrapalhando a passagem”. Mas não há muita opção para o povão se não há transporte coletivo. Fico imaginando se cada bicicleta daquelas fosse transformada num carro, fazendo as mesmas barbeiragens que se faz de bicicleta por lá. Com certeza poucos sairiam vivos para escrever um Guia de Cidades. :-)


Pronto, a zoação chegou ao fim. Esse artigo, como você reparou, não é sério. Se você levou a sério, você tem algum problema. Para informações mais reais sobre a cidade, visite os sites:


Veja também, no Guia Gump de Cidades:

Friday
28/Mar/2008

Nota: Este é um artigo que contém zoação e não é totalmente informativo. Não leve muito a sério.

Belo Horizonte, ou Belzonti, na língua local, é a capital de Pãodequeijolândia. Fica logali. More você em Contagem ou em Manaus.

É uma linda cidade, muito bem sinalizada, e seus habitantes, de ambos os sexos, têm seus motivos para gostar de morar lá.

Para as mulheres, há academias que também são salão de beleza e, de quebra, ainda têm Lan House integrada, para os namorados esperarem sem reclamar

Isso para as que têm namorado, já que há um grande desequilíbrio entre homens e mulheres. Esse é o grande motivo pelo qual os belorizontinos homens gostam tanto da cidade.

Na Av. Brasil, já há um local que segue a tendência causada pelos números. Nele, são as mulheres que tiram os homens para dançar. É só o primeiro passo. Em breve, os homens terão entrada livre nas baladas e, mesmo assim, haverá muito mais mulheres do que homens nesses ambientes. Exatamente o oposto de cidades como Curitiba.

Noite da Maria Cebola

São as mulheres que tiram os homens para dançar

Falando em Av. Brasil, no final dela temos a Praça da Liberdade. É um local muito usado para queimar as calorias dos pães de queijo ingeridos durante o dia. Um belo lugar para um cooper! De lá, desci a Cristóvão Colombo, onde há uma sorveteria que foi recomendada por uma amiga. Na verdade, ela me disse que apesar de o sorvete ser bom, o lugar estava muito decadente. Decadente? Isso deixou o lugar irresistível para mim!

Realmente, o local tem um bom sorvete, mas precisa de uma boa reforma. E tem-se a experiência única de saborear um sorvete apreciando uma fragrância de urina. Mas não é culpa da sorveteria, e sim da sua localização. Ela fica bem no Mijódromo Xixizódromo da Cristóvão Colombo.

Mas estou me atropelando aqui! Já estou chegando na Savassi e se você, da mesma forma que eu, for pobre chegar pela rodoviária, tem outro percurso melhor pra fazer primeiro. Depois de se assustar com o calabouço que é a área de desembarque, suba até o piso principal e compre um mapa da cidade numa livraria.

Sim, faça isso.

Depois descubra que existe um balcão de informações turísticas muito bom. Morra de raiva por ter gasto dinheiro com o mapa, porque vai ganhar um de graça ali. E ainda ganha um pequeno guia para o turista, sempre atualizado com os eventos específicos do mês atual. Muito bom!

A moça do guichê turístico é muito atenciosa e simpática, mas já vai lhe deixar frustrado: ela responde as coisas sem falar Uai. Aliás, eu tive essa frustração a viagem toda: aqui em Goiânia fala-se mais mineirês que em BH. Na verdade, fala-se o Goianês, que é quase um mineirês. Até porque goiano nada mais é que um mineiro que gosta mais de música sertaneja.

Além de prestativa, a moça do guichê ainda faz com que você interaja com o belorizontino e conheça um pouquinho mais da Av. Afonso Pena, a principal da cidade. Ela lhe indica o ponto errado para você pegar o ônibus 2004 para o Mineirão, mas tudo inteligentemente planejado. Nada que você não possa descobrir perguntando. Ou sozinho, pra quem é tímido/orgulhoso/anti-social.

No Mineirão, você paga uma taxa de 2,00 e isso lhe dá o direito de ser acompanhado por um guia turístico. Talvez seja mais uma obrigação que um direito, já que você não tem opção. Ele mostra, entre outras coisas, uma placa na qual o Pelé, distraído, pisou descalço sem querer e acabou amassando. Acabaram usando como se fosse uma homenagem pelo milésimo gol. Assim, um monte de manés, como eu, acreditam na história da homenagem e vão lá tirar foto da placa.

Placa com o pé do Pelé

Placa amassada pelo pé do Pelé

Eu não sabia, mas estava tendo jogo na hora em que fui visitar o estádio. Conforme o placar eletrônico, a partida era entre Testando1 e Testando2.

Testanto1 x testando2.jpg

Nunca ouvi falar desses times. Vai ver era por isso que o estádio estava tão vazio

O estádio é realmente muito bonito e a visibilidade é fantástica. Tenho que voltar pra Belzonti em dia de jogo!

Do Mineirão à Lagoa da Pampulha é pertinho. Não é logali, é pertinho mesmo. Pra ir à pé.

Lá chegando, nota-se um enfeite curioso no asfalto. São linhas brancas paralelas. Para um turista mais desavisado, parece até faixa de pedestre. Mas não há semáforo e os carros atropelam sem dó qualquer pedestre que pise ali.

Espere pacientemente uns 10 minutos e você já poderá atravessar.

Correndo, é claro!

Lagoa, Mineirinho e Mineirão

Mineirinho e Mineirão vistos da Lagoa da Pampulha

Vale a pena! A região da Lagoa da Pampulha é linda, apesar de um pouco de lixo às suas margens. Também é uma região famosa pela densa concentração de mosquitos, a maior de Pãodequeijolândia. Se estiver lá no fim de tarde, vá preparado com seu melhor espírito para dar alimento a essas lindas criaturinhas de Deus.

Há várias paradas interessantes na lagoa da Pampulha, todas muito bonitas, como a igrejinha da Pampulha. Mas como tudo é muito bonitinho e não muito bizarrinho, não tem a ver com o Guia Gump. De qualquer forma, há um circular no local para você poder conhecer todos os pontos turísticos da Pampulha.

Depois do passeio na lagoa, é hora de voltar pra região central. Dizem que os fundadores de Belzonti, a primeira cidade planejada do Brasil, eram turistas frequentes do distrito campineiro de Mafra-SC, o Espigão do Bugre. Portanto, o marco zero da cidade é um símbolo fálico na praça Sete.

Praça Sete

Praça Sete

Na frente da prefeitura, temos as estátuas de Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava. Diz a lenda que Pedro Nava, no momento eternizado na escultura, tentava pegar na mão de Drummond, que se esquivava. Nava teria dito: “vem Carlos, ser Gaúcho na vida!“.

Drummond se esquivando de Pedro Nava

Veja bem a cara de “Sai fora, sou espada!” do Drummond.

A frase serviu de inspiração e foi adaptada com uma palavra francesa com escrita semelhante. Virou: “Vai, Carlos, ser gauche na vida” no Poema de Sete Faces de Drummond.

O Parque Municipal é um antigo símbolo da cidade. É do tempo de sua fundação e, apesar de ter frequentadores um tanto mal-encarados, é bastante agradável. E tem até quadra pública de tênis.

Parque Municipal

Parque Municipal

Ali do ladinho, na Afonso Pena, tem a feira hippie, aos domingos, onde pode-se comprar roupas de estilo inconfundível, e muito espetinho com farofa.

Um lugar semelhante, mas fechado, é o Mercado Central, onde é possível comprar de tudo. Incluindo diversos animais vivos. Seu interior foi inspirado no labirinto do Minotauro, da mitologia grega. Portanto, memorize o caminho para conseguir sair.

Não sei se foi a vontade extrema de tomar sorvete na hora, mas eu simplesmente adorei um sorvete de lá. Só não me pergunte onde. Foi logo antes de eu rodar 3 vezes procurando a saída que eu queria.

Você pode então incorporar um espírito mineiro e caminhar por toda a Afonso Pena, que depois vira Agulhas Negras, para chegar até um ponto em que se tem uma maravilhosa vista da cidade. Depois de subir uma bela ladeira!

Você passará pela Praça da Bandeira e chegará até a Praça do Papa. É assim chamada porque (adivinhe!! Adivinhe!!) o Papa João Puxa-Saco II esteve lá e disse “Mas que Belo Horizonte!“.

Vista da Praça do Papa

Puxa-saquismo? Nada, a vista realmente é bonita!

Uma amiga criada em BH me disse que, à noite, se acumulam por lá muitos carros de vidros embaçados e jovens seminus dentro. Ela jura que soube disso porque lhe contaram.

Ali pertinho tem a famosa Rua do Amendoim, onde teoricamente os carros desligados sobem a ladeira em vez de descer. O guia dá diversas versões para alimentar o mistério. Deixei pra ver na volta e acabei não podendo ir. Mas a pé não ia ter muita graça.

Placa indicando a rua do Amendoim

Placa indicando a Rua do Amendoim e sua característica peculiar

Subindo mais um pouco até o final da Agulhas Negras e virando à esquerda, chega-se ao parque Mangabeiras. Muito bom! Bem cuidado e cheio de trilhas e caminhos, e até uma linha interna de ônibus. Só é triste constatar que o mau gosto musical já chegou ao reino animal. Há muitos pássaros que ficam gritando “Créééu! Créééu!“.

Parque Mangabeiras

Parque das Mangabeiras e a Serra do Curral ao fundo

No parque há um restaurante muito aconchegante, onde você pode comer um PF enquanto eles vão tirando todas as mesas ao seu redor e fazendo a limpeza. Eles, durante o processo, olham para você com um sorriso e dizem:

- Fique à vontade!

Só não aproveitei mais lá no parque porque começou a gotejar. Resolvi voltar. E dessa vez Murphy não estava comigo em BH. Logo que entrei num busão, o céu desabou. O toró só passou um minuto antes de eu ter que descer!

E depois de driblar cambistas de passagens, ou vendedores de lugares em ônibus clandestinos, consegui voltar pra rodoviária.

Agora, preciso ir novamente para BH para conhecer os barzinhos. Estar na Capital dos Bares sem ir a um bar é como, sei lá, ir para Fortaleza e não ver o mar.

Para informações mais sérias e corretas sobre a cidade, visite o site oficial.

Monday
17/Mar/2008

Nota: Este é um artigo de zoação, não informativo. Não leve a sério. Nem as (des-)informações (bom, nem todas) e nem as brincadeiras. Se você procura informações sérias sobre as cidades, não é aqui que vai encontrar.

Descrição

RioMafra não é uma cidade, e sim duas, separadas pelo rio Negro: do lado paranaense, temos Rio Negro, e do lado Catarinense, Mafra.

São cidades irmãs, mas tratam a divisa entre elas pelo termo “fronteira” (termo que até dá nome a um dos jornais locais, a Tribuna da Fronteira), o que indica ferrenha rivalidade. Essa rivalidade só é esquecida quando se precisa ir para algum lugar que só existe “do outro lado da fronteira“. Assim, é realmente uma cidade só, pertencente a dois estados ao mesmo tempo.

Região famosa

A região é conhecidíssima pelo Brasil afora. É que sua característica mais importante é ser passagem pra quem vem de (ou passa por) Curitiba e vai mais pro sul. As pessoas, no meio da viagem, vêem a placa “Bem-vindo a Mafra - Volte sempre“.

Antigamente também aparecia muito no Jornal Nacional no inverno. RioMafra buscava bater o recorde mundial de enchentes. Tanto que todo riomafrense se orgulha do marco da maior enchente, de 1983, situado em Mafra, na baixada em frente ao correio.

Bairros e Turismo

O gosto por nomes estranhos dá o tom quando se trata de nomenclatura de bairros. Em Rio Negro, temos o Campo do Gado. O lugar não é um campo, e praticamente não tem gado. Exceção para uma vaca de estimação numa das casas.

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A sinalização de Rio Negro, sempre bem cuidada, combinada com o tamanho da cidade, faz com que você nunca se perca

Mas lendário mesmo é o Espigão do Bugre (ui!). É um bairro/distrito de Mafra fundado por imigrantes de Campinas, torcedores do Guarani. Eles são, dizem as más línguas, chegados num espigão, além de fãs do Bugre. O local recebe muitos turistas de Pelotas e até mesmo de São Francisco (EUA). Todos anseiam por conhecer o Espigão do Bugre.

Conservadorismo e tradição

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A prefeitura de Mafra e sua cor. Dizem que a pintura foi escolhida pela AAEB - Associação de Admiradores do Espigão do Bugre

RioMafra é a região ideal para uma pessoa conservadora e saudosista ser criada. Se o riomafrense for morar longe por 15, 20 anos, ao voltar encontrará a região exatamente igual. A prefeitura de Mafra pode estar pintada com uma cor mais “cheguei” (ou seria “cheGAY“?) e a de Rio Negro ter ido parar no alto de um morro, mas basicamente são as mesmas Rio Negro e Mafra de antes.

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Uma estradinha rural de RioMafra?? Não… é uma ruazinha ao lado da Rodoviária de Mafra, na região central. Continua igualzinha ao que era há 20 anos.

A tradição riomafrense é extremamente antiga. A vida na região já existia antes mesmo da passagem dos dinossauros, como é comprovado pelo mundialmente conhecido patrimônio paleontológico da região.

Desde quando o local ainda era mar, os peixes filhos de peixe-médico já estudavam no Colégio Marinho Mafrense ou no Colégio Aquático São José/Bom Jesus. Já naquela época havia um peixe que era considerado jornalista e tinha um programa na Rádio Difusora Oceânica. Falava como se estivesse se afogando.

A única coisa que mudou em milhões de anos foi o mar, que se afastou. Até o novo jornalista local manteve a tradição de falar se afogando.

Patrimônios

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O grande patrimônio RioMafrense, a Ponte Velha, fotografada a partir da sua vizinha, a (adivinhe!) Ponte Nova

O maior patrimônio riomafrense é uma ponte metálica, mais conhecida como Ponte Velha, que liga as duas cidades. Ela está envolvida em fatos pitorescos, a começar pelo seu tamanho. A parte metálica original é pequena demais - na verdade, tem o tamanho exato da largura do rio, em tempos de seca. Existem várias versões para isso. Cito duas aqui.

  • A versão oficial. É a versão que toda criança criada em RioMafra aprende na escola. A empresa européia que construiu a ponte teria recebido duas encomendas simultâneas: a da ponte do rio Negro e a da ponte de um rio com nome igual ou similar, na África. A empresa teria então trocado as pontes. Nessa versão, os engenheiros riomafrenses são heróis. Construiram a estrutura de concreto que dá sustentação à ponte, compensando seu diminuto comprimento.
  • A versão proibida. Os engenheiros riomafrenses, que nessa versão não são nada heróicos, mediram a distância de uma margem à outra e só na hora de “ponhar” (palavra local que significa “pôr”) a ponte sobre o rio é que perceberam que fizeram cagada algo estava errado.

Quem viveu em RioMafra nos anos 80 se lembra do medo de atravessar essa ponte, quando seu piso era de tábuas podres que caíam no rio depois de você pisar nelas. Ou do quanto ela tremia no 7 de setembro, quando 90% da população de uma das cidades passava por ela ao mesmo tempo, voltando do desfile na cidade vizinha.

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Os dois grandes patrimônios da Região: A ponte e o hotel.

Outro patrimônio da região é o famoso Rio Negro Hotel. Nos anos 80 tinha um aspecto meio peculiar. Hoje… bem… Veja você mesmo.

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O patrimônio seguindo a tradição de manter o aspecto assustador

Heróis

RioMafra tem seus heróis, pessoas que tornam a vida mais interessante. Na década de 90, houve um bandido conhecido como Peixe (descendente direto dos antigos habitantes hoje fossilizados) que frequentava todas as colunas policiais dos jornais. Mais pela fama que pelos seus atos.

Se uma casa era roubada, aparecia no jornal: “Peixe assalta casa na vila Ivete“. Se alguém tenta atacar uma mulher: “Peixe estupra mulher“. Criança chega chorando em casa: “Peixe rouba doce de criança“.

Depois houve a presença do famoso delegado de Rio Negro, que se autodenominava Braddock , e ficava em frente à delegacia com uma granada numa mão e uma faca na outra.

braddock

Braddock, em versão rionegrense

Mas a lendária disputa BRADDOCK x PEIXE, cujos efeitos seriam piores do que tentar rasgar uma meia Vivarina com uma faca Ginsu , acabou nunca acontecendo.

Então, tudo perdeu a graça. Ultimamente o que se vê é esse tipo de notícia: “Carteiro de Rio Negro Participa do Faustão”. Estarão faltando heróis?

Claro que existiram outras figuras pitorescas, como um professor de física incapaz de sentir frio, mesmo em dias de temperaturas negativas. E nada tirava seu bom humor. Exceto quando alguém colocava o apagador em cima do quadro para que ele, com seu 1,11m, ficasse impedido de alcançá-lo.

Língua Oficial

A língua de RioMafra é uma variante interiorana da falada na capital mais próxima. Portanto, em RioMafra fala-se o curitibanês caipira, marcado pelo “LeitE QuennntE“, acrescido de “Porrrrrrrrrrrrrrta“. Também são usadas palavras típicas locais, como o já citado verbo “Ponhar“.

Relevo

As duas cidades foram pavimentadas sobre uma antiga e gigantesca pista de motocross, o que dá a marcante característica de sobe-e-desce de suas ruas. Bom, na verdade, nem toda a antiga pista de motocross foi pavimentada…

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Parte da pista de motocross que foi pavimentada, em Rio Negro. Essa descida inicia-se na prefeitura e termina nos arredores do Campo Que Não tem Gado do Gado

Diversão

As opções de diversão são as mesmas de todas as cidades pequenas. A principal é tirar sarro de cidades ainda menores, como Papanduva e Itaiópolis (SC), e Campo do Tenente (PR). Normalmente são usadas as mesmas piadas que são dirigidas para os riomafrenses pelos moradores de cidades maiores.

Outro esporte típico de cidade pequena, bastante praticado em RioMafra, é bisbilhotar e falar da vida dos outros. Uma historinha verídica:

Um senhor, comerciante, viajava a negócios para Curitiba toda sexta-feira, pegando o busão das 6h da manhã. Sua filha o levava de carro para a rodoviária por volta das 5h50.

Mas um vizinho dela acordava às 6h e não a via sair 10 minutos antes. Apenas via quando ela chegava pouco depois das 6h.

Um belo dia, esse vizinho adentrou o comércio do senhor e da filha e, com total indignação, dirigiu-se a esta:

- Eu sei muito bem o que você faz! Sua sem-verrrrrrrrgonha! Passa todas as noites de quinta na esbórrrrrrrrnia! Na sua idade! Chega às 6h da manhã toda sexta! Eu vejo! Pensou que me enganava? Você é uma verrrrrrrrgonha para a vizinhança! Sua imoral!

Portanto, lembre-se: não adianta enganar seu vizinho riomafrense: ele sabe muito bem o que você faz!

Arquitetura

A região é um berço de inovações arquitetônicas, para contrastar com seu conservadorismo, como se vê nas figuras abaixo:

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Banco de Praça em Mafra, que associa beleza e conforto

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Arquibancada do estádio da Universidade do Contestado

Comércio

O Comércio RioMafrense é marcado por publicidade extremamente sincera. Ao contrário de Capinzal, onde agradecem a sua preferência quando na verdade você não teve escolha, em RioMafra diz-se claramente que só existe aquela loja.

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A única da cidade…

Mas apesar da sinceridade, o comércio também se equivoca. De que cor você espera que seja uma oficina de bicicletas chamada “Cicle Verde“? Se você respondeu amarelo, acertou!

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Cicle Verde. Peraí… Verde????


Bom, esse artigo, como você já reparou, não é sério. Se você levou a sério, você tem algum problema. As informações não correspondem necessariamente à verdade. Para informações reais e sérias sobre as cidades, visite os sites:

Seu comentário é bem-vindo. Porém, se você é de RioMafra ou foi criado lá, como eu, e se sentiu ofendido, primeiro tente lembrar se você nunca riu de piada de gaúcho, português, baiano, carioca, etc. Não vá ficar brabinho porque uma vez na vida alguém brincou com a sua cidade em vez de contar a última do portuga.


Veja também, no Guia Gump de Cidades:

Tuesday
11/Mar/2008

Apesar de o Micro-Dicionário Goianês-Português estar fazendo um enorme sucesso por e-mail e causando polêmica por gente que não entendeu o tom de brincadeira ou mesmo não entende português direito pra sacar as brincadeiras, eu tive que alterar o texto.

Cometi deslizes imperdoáveis como esquecer de citar o “trem”, “ou quá?” e outros!

Para ver a versão completa, que você não vê por e-mail, acesse http://www.christiangump.net/guia-gump-de-cidades/dicionrio-goians/