Estava “lendo” um dos meus blogs favoritos, o Fail Blog, quando me deparei com o seguinte “Fail”:
Imagine se tivessem me mandado uma pizza quando eu estava sem poder sair do prédio por causa das labaredas no corredor. Eu ficaria tranquilinho, degustando a obra-prima da culinária mundial, e quando o fogo se esgotasse sozinho, a vida seguiria normalmente.
E se o fogo não se extinguisse e, pelo contrário, tomasse conta do prédio inteiro, eu pelo menos teria comido uma pizza antes de morrer.
A pizza é que é a verdadeira heroÃna! Não, Flávia, a pizza não é uma droga!
E o gordo adentrou a farmácia.
Seu olhar era triste. A culpa não era da leve dor de cabeça que sentia. Ou não só dela.
No caminho, havia visto seu próprio reflexo em um vidro escuro, e seu bom humor nunca sobrevive a tal visão.
Suas formas arredondadas, a barriga implorando por liberdade e tentando a todo custo saltar para fora da camisa, a área gasta da calça jeans devido ao atrito de suas coxas roliças – tudo isso lhe é deprimente.
Seus passos eram pesados. Não pelos 118kg que seus pés carregavam, mas pelo arrastar do seu próprio desânimo.
Foi então que viu, em uma embalagem de um shake para emagrecimento, a foto de uma morena escultural.
Dois pensamentos lhe vieram à cabeça.
Primeiro pensamento:
- Gostooooooooosa!
Segundo pensamento:
- Eu vou fazer dieta! Eu vou emagrecer! E vou começar agora! Vou entrar na linha!
Seu corpo se endireitou. Ajeitou a camisa. Comprou seu remédio e rumou à saÃda em passos decididos e não mais tão pesados.
Foi quando a viu.
Sua maior inimiga. Aquela que sempre lhe torturava impiedosamente e ria de sua cara, zombeteira.
Vê-la de longe já lhe enchia de calafrios de pavor. Mas não dessa vez. Não senhor!
Decidido, adiantou-se em sua direção e, agressivamente, pisou nela.
- Balança maldita!
E, como que numa tentativa desesperada de um contra-ataque, que em qualquer momento anterior seria fulminante, a agredida começou a cuspir números, enquanto gemia baixinho sob ambos os pés do homem que lhe esmagava. Até que parou.
114 quilos…
114 quilos???
114 quilos!!!
- Eu perdi 4 quilos!!!
A euforia tomou conta de seu âmago. Quatro quilos! Quatro!
Teria sido a caminhada até a farmácia? Ah, não, é claro que deveria ser graças aos dias em que havia descido os dois andares de seu prédio sem esperar o elevador.
- Estou emagrecendo!!!
Era o que importava.
E sua mente começou a processar tudo. Matematicamente!
Acompanhemos. Ele achava que estava com 118 quando decidiu pela dieta. Isso dá três, não, quatro quilos de diferença, o que significa, portanto…
- Hoje eu posso comer até morrer!!!
Se nem está assim tão gordo, a dieta pode ficar para amanhã, não é mesmo? E já a começa com uns 3, não, 2 quilos a menos.
Não é perfeitamente lógico? São 118 quilos, menos os 4 heroicamente perdidos, mais os 2 adquiridos na merecida comemoração e despedida antes de se focar na dieta. Totaliza 116.
Tá no lucro!
E então, ele vai sozinho ao melhor rodÃzio de pizza da cidade. Quem precisa de companhia quando se tem pizza?
Após bater seu recorde pessoal de pedaços de pizza ingeridos, volta para casa. No dia seguinte, acordaria cedo para caminhar.
Dieta e fitness: esse era seu novo eu.
Quando o despertador tocou, achou que merecia um pouco mais de sono, para comemorar os 2 quilos a menos. Dormiria mais um pouco, trabalharia, e à noite sairia para se exercitar.
E assim o fez.
O dia foi feliz. Nada como estar magérrimo!
Ao fim do expediente, voltou pra casa, calçou seu tênis e saiu para caminhar.
Em seu percurso, lá estava a farmácia. E ela. A balança.
Entrou. Não tinha mais medo dela. Destemido, enfrentou-a novamente.
113,5 quilos, foi a resposta.
Sim!
- Estou emagrecendo!! Estou emagrecendo!!
Uma lágrima quase rolou por sua face.
Deu meia volta. Tinha que trocar de roupa, que esta noite seria especial. Comida japonesa!! Não poderia deixar passar em branco a primeira vez em muitos anos em que se via pesando tão pouco.
E, naquela noite, seu estômago foi um verdadeiro samurai!
Dormiu, e mais um dia glorioso nasceu!
Exatamente igual ao outro. Um dia feliz, e sendo finalizado com a tradicional caminhada.
- Estou quase magro!!!
Ele mal conseguia se conter. Caminhava eufórico, quando se viu novamente em frente à farmácia.
Sorriu.
Entrou.
Dirigiu-se à balança.
- Moço! Ei moço!
Ele virou-se para a atendente, que o chamava.
- Moço! A balança tá quebrada!
- Está?
- É! dá raiva! Ninguém vem arrumar, tá desregulada há mó tempão!
Autor: Christian Gump, que saiu correndo envergonhado por ser, ele próprio, a leve (errr…) inspiração para o presente texto fictÃcio. Onde ele se escondeu? Sugiro que tente a churrascaria mais próxima de sua residência.
Que essa minha vontade de ir ao restaurante
Se transforme na pança cheia que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja preenchida com comida
Porque metade de mim é uma pizza mas a outra metade é churrasco.
E que a minha gula seja perdoada
Porque metade de mim é fome
E a outra metade também.
(Christian Gump)

Porque voltar de um treino de 2 horas e meia e encontrar a geladeira vazia (deixada assim propositalmente por auto-conhecimento) é phodda…