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Monday
18/Jan/2010

Eu adoro ver um filme sem saber nada sobre ele. No máximo a que gênero pertence, e só. É muito bom deixar que ele me surpreenda.

Um dos meus favoritos é o alemão Corra Lola Corra. Não sei se ele teria me marcado tanto se eu já soubesse a característica principal do filme na primeira vez que eu vi. Lembro que ao pegá-lo na locadora, a sinopse felizmente não revelava essa característica, e quando eu a percebi, fiquei totalmente com cara de “O que???”. Lembro até hoje da minha sensação ao vê-lo pela primeira vez.

corra-lola-corra

Corra dos spoilers, Lola, Corra!

Em alguns casos não tem como fugir de saber alguma coisa. Se você está no cinema, acaba vendo alguns trailers. O que é bom, para você conhecer os próximos filmes que vai assistir. O problema é que às vezes os trailers mostram mais do que deveriam. Você consegue deduzir muita coisa pelas cenas que viu no trailer e ainda não passaram no filme. Caso de uma cena tensa em que há a possibilidade da morte de um dos personagens, mas em que você sabe que ele vai continuar vivo porque o viu numa cena do trailer que ainda não passou no filme.

Em outros casos, os trailers contam menos do que deveriam. Caso de Bastardos Inglórios, por exemplo. Tanto a sinopse quanto o trailer dão a entender que o filme todo mostrará os Bastardos escrotizando geral com os nazistas. Na real os Bastardos são apenas uma peça num grande enredo. O filme é fantástico e gostei dele em todas as vezes que assisti, mas aproveitei ainda mais a partir da segunda, porque na primeira fiquei esperando uma coisa e veio outra. Fiquei sentindo falta de algo. Mais ou menos como ir ver um filme achando que é um terror horripilante e o filme ser… A Vila. Ou A Bruxa de Blair.

E as sinopses? Eu li uma de Coração Satânico que conseguia contar a grande revelação do filme! Seria exatamente como a sinopse de Sexto Sentido ser algo como… (será que precisa avisar que vou contar spoiler de Sexto Sentido?)

Psicólogo infantil abraça o caso de criança que afirma ver pessoas mortas e acaba descobrindo que ele próprio é uma dessas pessoas.

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“I see bad synopsis”

Felizmente eu assisti Coração Satânico apenas sabendo que era altamente recomendado, e mais nada.

No caso de Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet não tive a mesma sorte. Tive que ler a sinopse para escolher que filme iria assistir com uns amigos, e ela simplesmente não conta o que deveria contar, e vice-versa! O filme é um musical, e a sinopse diz que é suspense. Sério, eu tenho que estar com o espírito muito preparado para encarar um musical. Assim, consigo ver e até gostar. Passada a decepção por estar vendo um filme cantado em vez de um suspense de tirar o fôlego, vem outra: pra lá dos dois terços (ou talvez até três quartos) do filme, uma cena faz o cinema inteiro soltar um “oooohhh”. Melhor dizendo, quase o cinema inteiro. Eu não participei do coro, porque tinha lido a sinopse e sabia que aquilo iria acontecer.

A sinopse estragou o que poderia ter sido meu único prazer neste filme.

Assim, realmente evito saber qualquer coisa sobre o que quer que eu esteja assistindo, para poder saborear todas as surpresas e detalhes na hora certa. Mas até nisso às vezes cometo gumpices.

Estava eu assistindo de uma só vez uma temporada de uma série que talvez possa ser definida como de “suspense”, quando uma personagem totalmente secundária me chamou a atenção pela bunda peitos gostosura boa atuação. Achei que procurar saber mais sobre a atriz (e, claro, ver umas boas fotos dela!) seria uma boa forma de fazer um intervalo. Pesquisei no Google e, na descrição do primeiro link, conseguiram me contar algo que aconteceria bem mais para frente na série: uma grande reviravolta envolvendo a personagem!

Merda! Agora sim vou passar a evitar tudo que remeta ao que eu pretendo assistir.

E sabe o que é pior? Nas fotos que achei no Google, a atriz nem é tão bonita assim! :p

Friday
30/Oct/2009

Hoy es el día internacional de hablarse portuñol. ¡Tengo que conmemorarlo!

Me gustaría hacerlo bebendo una bebida típica del Peru, el pisco, hasta quedarme de puerre! Ok, esa fue solamente para provocar mis amigos chilenos. Llamar pisco de bebida peruana es lo mismo que decir que cachaza es una bebida típica de la Argentina.

Como en esta huera no se puede beber alcohol, voy a conmemorar con la bebida más tipicamiente possible: cueca-cuela com hielo y limón! Para acompañar, me gustaria unas empanadas chilenas o argentinas, pero no sé donde hay tales cosas acá, entonces yo comeré salgaditos goianos: enroladito de queso e disco.

Enroladito de queso es un salgadito melequiento y adocicado por fuera, cobierto con cueco ralado, y relleno con – ¿adivina? – queso. Disco es un salgadito frito en fuerma de – ¿adivina de nuevo? – disco!

enroladito

Enroladito de queso

Pero no solamiente de hacer salgaditos diferientes viven los goianos. Su atividad favorita es hablar. Con conocidos, desconocidos, no impuerta. Basta establecerse contacto visuale para se empiezar una conversación. A los goianos les gusta tanto hablar con los otros que hasta las plaquetas que dicen una cosa no necesariamiente quieren decir lo que está escrito. Son apenas un pretexto para hacer una pregunta y así comenzar una conversación.

Ejemplo: en un mini-supermiercado yo fue en una fila de caja con una plaquita que decía: “En este caja solamente tarjeta”, porque en las otras habían también plaquitas, pero que decían “En este caja solamente dinero”.  La fila estaba muy demorada, ¿pero que hacer? Yo tenía que pagar con tarjeta! Entonces comencé a reparar que habian personas pagando con tarjeta en los cajas “solamente dinero”. Se yo hubiese preguntado, no necesitaria tener esperado tanto, pero yo tengo la curitibana tendencia de no hablar con extraños – y también la curiosa tendencia de piensar que se está escrito que es solamente dinero, entonces es solamente dinero.

Pero hoy es dia en que hasta yo quiero hablar mucho! Hablar portuñol!

Me gusta mucho portuñol! Me hace recordar de las classes de español.

Pero yo sofreía en las classes! Desde el primero día era obrigado a hablar solamente en español. Hasta la huera em que hablé “equipamiento”.

- ¡Puerra Gump! ¡Equipo! ¡Equipo! – bierró la professuera.

Ok, ella no habló “puerra”, era una mujer muy educada. Pero yo solté una pérola del portuñol, que ahora vengo le mostrar acá en mi blueg, y yo fue puedado por eso! Pero yo sabia que un dia mi portuñol sería útil.

Además de los bierros de la professuera, yo tenía que ralar mucho, e no tenía tiempo para más nada. Solo estudaba, estudaba, estudaba! Entonces, un dia, buotei la bueca em lo trombuene – ¡UEPA! No es lo que está a pensar – e desabafé:

- ¡Mierda! ¡El español está me comiendo el tiempo todo!

Si, yo me toqué de la mierda que hablé, pero ya era tarde. Las personas que estaban conmigo oíran, y este episuedio quedose conocido como “El español insaciable del Gump”.

Triste gumpice.

Otra triste cosa es cuando acaba el huerario del almuerzo, y tengo que parar de bluegar en portuñol y volver a pruegramar. :(

¡Un feliz dia internacional de hablarse portunhol para usted!

Ah, si… ¡Mi portuñol es fueda!

Mire tambiém:

Wednesday
16/Sep/2009

Levei bronca de uma Pessoa por conta de explicar algo que supostamente estava subentendido.

E já passei por altos desencontros por coisas que foram altamente discutidas e combinadas, mas cada um entendeu algo diferente.

Tem coisas que não se explicam.

Com algumas pessoas, você simplesmente conversa até com as palavras erradas. Você se engana e diz para a pessoa virar à direita, faz sinal para ela virar à direita, e ela vira à esquerda, porque sabe que é isso que você está querendo dizer.

Com elas, você conversa até por telepatia. Já tive muitas dessas conversas, assim como os personagens da maravilhosa série How I Met Your Mother.

É maravilhoso encontrar e conviver com pessoas assim.

Com outras, no entanto, nem com as frases mais simples e claras você se consegue fazer entender. A pessoa não acredita em você, ou não presta atenção, ou já supõe que você quer dizer uma coisa e ignora todos os sons que saem da sua boca, ou ainda é uma pessoa de 3 palavras. Ou, por fim, realmente não tem jeito: vocês não têm sintonia.

gorda

A propósito, pessoas de 3 palavras são aquelas com quem você com certeza teria o diálogo abaixo:

- Sabia que existem pessoas que são incapazes de entender qualquer frase que tenha mais de 3 palavras?

- Hã? Não entendi.

E você? Já teve sua conversa telepática hoje? Ou já desistiu de explicar algo pra alguém?

 

Veja também:

Wednesday
9/Sep/2009

Fui ao Mato Grosso nesse feriadão. E fui de busão. De bermuda e camiseta, porque quase sempre o ar-condicionado dos ônibus atuais é regulado no “quente” e o resto fica por conta do psicológico das pessoas, que acham que está frio e, portanto, sentem frio. Infelizmente sou imune a esse fator, e sofro com a sensação de abafado e com o calor.

Mas para meu azar, o ônibus estava frio mesmo! E o motorista nem deu bola para os passageiros que, um por um, iam pedir por uma temperatura menos congelante.

Minha resistência ao frio não foi suficiente, e eu sonhava com algo para me cobrir.

Tive a idéia: na volta, usaria uma toalha como cobertor.

toalha

Lembrei-me na hora d’O Guia do Mochileiro das Galáxias e sua descrição de tal objeto:

“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoalvemente limpa.”

Quando li, achei graça. Mas na viagem de volta, vi que não era zoação. A toalha é um dos objetos mais úteis para um viajante, seja interestelar ou interestadual.

toalha cachecol

Ela sabe a importância de uma toalha. Nota-se pela sua alegria enquanto demonstra como utilizá-la como cachecol.

O busão de volta já não estava tão frio, mas se a toalha não me serviu como cobertor, percebi o quanto ela pode ser importante:

  • Quando seu braço está machucando no duro apoio lateral das poltronas de ônibus, ela pode suavizar o ponto de contato.
  • Se as luzes da estrada estão a lhe incomodar, a toalha pode ser usada para cobrir seus olhos.
  • Se quiser relaxar o abdômen sem revelar a barriguinha para sua vizinha de viagem gatinha, a toalha pode ser posicionada de forma a disfarçar o volume;
  • Quem precisa de travesseiro quando se tem uma toalha? E o melhor, a toalha é funciona como um travesseiro regulável!
  • Se o passageiro da frente estiver roncando tal qual uma motosserra, dê uma toalhada nele! Ele não vai saber o que aconteceu, mas vai acordar e mudar de posição, o que geralmente basta para parar de roncar! Talvez não por muito tempo, mas até lá talvez você já esteja roncando. Senão, repita o procedimento.
  • E se for um passageiro distante que estiver roncando, use a toalha como abafador de ruídos.
  • Se quiser tomar algo no ônibus em movimento, principalmente líquidos com alto índice de atração às roupas (quanto mais manchas o líquido pode proporcionar, mais ele será atraído pelas suas roupas), a toalha será seu babador. Ela não perde a maioria das funcionalidades por estar manchada, ao contrário daquela sua camisa cara.
  • Se o ônibus estiver quente e o motorista não quiser aumentar o ar-condicionado porque uma mocinha toda coberta treme como se estivesse nua na Antártida, você tem com o que enxugar o suor.
  • E se por acaso você lavar as mãos e não tiver com o que secá-las, você pode usar a toalha como… toalha!

Já tá bom de exemplo, não? E olha que eu me dediquei apenas a detalhas as utilidades da toalha dentro de um busão. Não há limites para o que se pode fazer que tal pedaço de pano!

Assim, acredite sempre no que diz O Guia: não esqueça a sua toalha, e não entre em pânico!

towel panic

Veja também:

Wednesday
9/Sep/2009

Imagine que você é o responsável pela editoria de economia de um jornal do Centro-Oeste, e está precisando preencher o espaço dedicado às noticias locais. O lançamento nacional do iPhone 3GS é uma boa oportunidade para isso. Algum fanático pela Maçã com certeza chegou de madrugada para garantir em primeiríssima mão seu aparelho. Isso depois de ter economizado durante meses, arduamente, para poder trocar seu iPhone antigo pelo novo.

Assim, a matéria está pronta! Basta obter o nome e a profissão do primeiro applemaníaco local a comprar o aparelho1 para preencher as lacunas restantes.

Tal pessoa, um amigo meu, foi encontrada, e o resultado num dos jornais aqui da capital goiana foi o seguinte:

malandrao iphone

O madrugador fã da maçã

Muito interessante a história desse cara de 35 anos.

Uma pena que na verdade o cara não tem 35 anos, nem acordou cedo só por causa do iPhone, nem chegou antes de a loja se abrir, e nem sequer juntou dinheiro só para trocar de aparelho. Aliás, também não estava lá trocando um modelo antigo pelo novo.

A história real não serviria para o caderno de economia. Não é importante. O importante é a manutenção da notícia previamente escrita, no máximo preenchendo as lacunas.

Eu já tive uma demonstração disso há alguns anos, quando dei entrevista para o mesmo jornal. Eu morava em Curitiba e estava em Goiânia, com passagem de volta comprada pela Varig, no exato dia em que a empresa, em crise, deixava de operar na capital goiana. Apesar da situação desagradável, os funcionários do guichê da companhia aérea foram extremamente solícitos e me encaixaram prontamente num vôo da Gol.

Com tudo arranjado, fui abordado pela equipe de reportagem do jornal, que tentava me induzir a dar respostas exagerando meu drama, pois minha história não era interessante. Afinal, não havia dormido no aeroporto, nem esperado horas por uma informação que nunca viria, não fora mal atendido, nada disso. Eu sabia que a situação da Varig era caótica e tinha sofrido com ela no vôo de ida, mas no dia em questão tudo estava muito tranquilo, e foi o que informei ao repórter.

A matéria foi publicada dando ênfase na situação caótica da empresa e me citando para exemplificar. Os dados que não lembraram de colher na entrevista, como o motivo da viagem, eles simplesmente tentaram adivinhar e publicaram também. E por acaso acertaram. O imperdoável foi terem dito que eu era designer (chamar um programador de designer é quase ofensa!) e terem escolhido a foto abaixo para ilustrar a reportagem! ;)

gump-varig

O designer com cara de bobo

E mais um amigo vivenciou isso neste final de semana ao dar entrevista para uma emissora de TV. A repórter ficou induzindo-o o tempo todo a demonstrar uma indignação que ele não tinha, sobre fatos que ele nem tinha como falar com propriedade, apenas para encaixar na matéria já previamente editada. Quando alguém do povo disse algo que tinha a ver com essa matéria, a repórter imediatamente chamou a pessoa para repetir a mesma coisa em frente às câmeras.

O negócio é fazer o mesmo ao assistir/ler seu jornal favorito: não dar muita importância ao entrevistado!


E quando eu finalizava o texto, vi uma twittada da Cler, que bem se encaixa nessa idéia de matérias feitas com antecedência:

“Quando o Pearl Jam esteve em Porto Alegre em 2005 Vedder não cantou ‘Black’ e o ClicRBS, com a materia pronta antes do show disse que sim.”

Observações:

1. Ok… O primeiro applemaníaco a comprar oficialmente o novo iPhone. Correção feita para um blogueiro aqui de Goiânia não brigar comigo! ;)