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Sunday
9/May/2010

Duas universidades do sul da espanha estão convocando mulheres feias para um tratamento psicológico.

Trata-se de um projeto experimental que visa curar “os transtornos provocados pela obsessão com o ideal de beleza inalcançável”.

É um projeto interessante. O mundo é cruel e por mais que se diga que não, no caso das mulheres é difícil deixar a aparência em segundo plano. Uma fulana qualquer pode ser a maior referência mundial em alguma área do conhecimento, mas se for feia inevitavelmente alguém dirá “nossa, que baranga!” ao vê-la. Aliás, muitos dirão que ela só se tornou o que é porque é tão feia que não restava outra solução a não ser dar um duro danado!

baranga

Provável beneficiada pelo projeto

E nem se pode falar em machismo, já que as mulheres são muito mais cruéis com a aparência de outras mulheres.

Dizem que essas universidades iriam adotar também também um tratamento psicológico específico para os alunos homens pobres (o equivalente masculino de ‘baranga’), mas concluíram que o caso deles é bem mais simples: era só mandá-los batalhar por grana mesmo. Comprar um iPhone já embeleza bastante, adquirir um carro melhor já é meio caminho rodado até o motel.

Mas voltando aos jaburus. As mocréias lá têm de se inscrever, e seu grau de dragãozice será avaliado, sendo as mais tribufus selecionadas para efetivamente participar.

Pela quantidade de adjetivo pejorativo que usam por aí para se referir a elas que eu consegui juntar no pequeno parágrafo anterior, dá pra ter uma idéia do tamanho do trauma.

Mas eu fico pensando: como eles vão comunicar o resultado da seleção?

— Prezada Lambisgóia da Silva, você foi selecionada como uma das mais feias de toda a universidade! Parabéns!

Taí. Um trauma a mais.

Será que levam isso em conta na tal terapia?

Friday
7/May/2010

Hoje, no almoço, um funcionário do restaurante, como bom goiano, começou a puxar conversa, contando quanto estava cansado, o quanto dormira mal, que não se aguentava de sono, etc.

Então me disse que tudo isso era por causa dos jogos desta última noite de quarta-feira: Atlético-GO x Palmeiras e Corinthians x Flamengo.

Perguntei pra que time ele torcia.

Sou Goiás, mas simpatizo pelo Corinthians também.

Achei ter entendido o porquê de ele ter perdido o sono.

torcedor

Torcedor perdendo o sono…

Ish, você se deu mal duas vezes ontem então! — falei.

Ele fez cara de ofendido.

— Pô, você é muito cruel! E o Atlético passou pelo Palmeiras, tá na semi-final!!!

— Péra, mas você não torce pro Goiás?

— Uai, torço! Mas o Goiás tá fora, então eu quero é que ganhe um time de Goiás!

Ele ficou horrorizado quando eu contei como é a rivalidade dos times do Paraná (e do Rio, do Rio Grande do sul, Minas Gerais, etc), que quando um perde, seus torcedores ficam é secando o outro do mesmo estado, mesmo que joguem contra times argentinos.

— Vocês são muito cruéis!

Mais tarde eu ouvi vários comentários de esmeraldinos, ao vivo e no Twitter, todos orgulhosos com a campanha que outro time está fazendo.

— Esse título vai ser muito bom pra Goiás!

atl_tico_goianiense

O estado de Goiás, unido, na Copa do Brasil

Então, por um minuto, parei para pensar. O título brasileiro do Atlético-PR foi muito importante pro futebol do Paraná, mas como simpatizante do Coxa, torci contra com todas as minhas forças. Títulos do Cruzeiro e do Internacional elevam a importância do futebol de Minas e do Rio Grande do Sul, respectivamente. Mas ninguém nesses estados tem essa identificação regional acima da rivalidade.

Será que os goianos estão a ensinar ao resto do país uma nova e mais bonita forma de torcer? A de colocar sua terra acima das disputas estaduais? Será que todos os brasileiros não deveriam torcer para um time brasileiro contra o Boca Juniors em uma final da Libertadores, em vez de secá-lo?

Então eu mesmo pensei mais um pouco, e posso responder:

Não!!!

Que graça tem futebol sem rivalidade??? ;)


Obs. 1: Sim, eu sei que, como o Atlético Goianiense praticamente acabou e só recentemente ressurgiu das cinzas, não há tanta rivalidade com ele. Se fosse o Vila Nova, seriam bem menos os que torceriam a seu favor! ;) Mas se eu levasse isso em conta, não haveria texto.

Obs. 2: Futebol é paixão, e como tal, todo mundo tem os motivos mais bizarros para gostar de um time e odiar o outro, e acha que esses motivos são perfeitamente racionais. Então, digo: odeio o Atlético-GO, pois é o time do velho da pia, o cara que assassinou o Smellycat, o “meu” gato.

Monday
26/Apr/2010

Hoje, dia 26 de abril, comemora-se o dia da mais sofrida personalidade dos gramados.

É o dia do goleiro.

Sim, aquele mesmo. O papel que na infância e/ou na várzea costuma ser ocupado pelo último a ser escolhido. Aquele com menos habilidade. Afinal, usar apenas os pés é demais para ele, então o perna-de-pau joga na função onde pode igualmente fazer lambança com as mãos.

Mas no futebol profissional a coisa muda de figura. Ser goleiro é atuar numa função que exige muito treino, dedicação, reflexo, elasticidade e atenção. E ainda um pouco de habilidade, para não bater desespero na hora em que a coisa aperta e tem que sair jogando com os pés.

goleira elástica

Tem que ter elasticidade!

Não é para qualquer um!

E é uma função inglória: precisa ter uma participação impecável para aparecer com destaque, e precisa de muitos jogos para se tornar um herói. Mas basta uma falha para manchar tudo o que construiu, e tornar-se a segunda pessoa mais odiada do mundo do ludopédio, só perdendo para o juiz.

Não é todo mundo que sabe reconhecer a importância desses gigantes protetores das redes. Mas eu sei! E, dessa forma, deixo aqui belas cenas de participações marcantes de tão importante profissional da bola!

Parabéns, goleiros!

Veja também:

Tuesday
20/Apr/2010

Eu tenho uma teoria. Posso até não acreditar em anjo da guarda individual, aquele serzinho vestido com cortina branca e com grandes asas nas costas que teria a dura missão de proteger cada pessoa.

Mas em um anjo eu acredito: o Anjo da Praça Cívica.

Praça Cívica é o marco zero de Goiânia, primeira praça a ser construída. Também é um local em que todos os motoristas encarnam o “Pateta Motorista”, como o clássico desenho que todo mundo deveria ter assistido.

Na verdade a bagunça é completa. É algum fenômeno que acontece no local. Passar por uma das pistas que circunda a praça torna os pedestres cegos e tontos, os motoristas furiosos, os motoqueiros suicidas (bom, o caso dos motoqueiros geralmente não é culpa da praça, a maioria é assim mesmo) e, pra completar, há pelo menos um sinal de trânsito bem confuso.

Há 3 anos, eu a cruzo ou a contorno à pé, e não há um dia em que eu não veja uma quase batida, um quase atropelamento, um quase suicídio sobre duas rodas. O material para dar merda por lá é imenso. Mas eu nunca vi acontecer nada.

Eu disse: é o Anjo da Praça Cívica.

Ele fica lá, com seu vestidinho branco, usando da indefinição de sexo para soltar a franga, trabalhando igual louco protegendo qualquer um que entre em seus domínios. E a maioria nem merece!

Claro que às vezes ele precisa de uma pausa. Não sei se anjos sentem cansaço, precisam ir ao banheiro ou podem comer – tomara que possam, uma existência sem pizza, celestial ou não, é muito triste! E é nessas horas que acontece uma batidinha aqui, uma infraçãozinha menor ali… Muito pouco perante o real potencial para o mal que existe naquele local, construído sobre um antigo cemitério de duplas sertanejas.

Anjo - ou anja - da Praça CívicaAnjo da Praça Cívica – prefiro imaginar que é assim, uma anja, apesar de anjo supostamente não ter sexo – dando uma descansadinha. É quando acontecem os pequenos acidentes, e não mais que isso.

Mas eu nunca havia comentado com ninguém sobre essa teoria.

Até que um dia eu falei sobre ela com a Renata Checha. Pouco depois, nos dirigimos para a praça e… tava lá! Um capotamento sinistro! Acidente feio, uma pista inteira interditada, polícia, ambulância.

Eu falei que o Anjo protege a Praça Cívica e alguém se feriu gravemente!

Não, minha teoria não está errada! O anjo existe!

Eu sei porque também sei que a culpa do acidente foi toda minha!

Pois, afinal, não era a primeira vez!

Muitos anos antes, eu estava com uma câmera digital novinha em mãos, louco para sair fotografando as bizarrices que eu via diariamente ao redor da empresa em que eu trabalhava. Sério, todo dia acontecia algo bizarro naquela região de Curitiba.

Empolgado, tirei a hora do almoço para caçar fotos. Sempre havia imagens que mereciam ser eternizadas, das mais singelas às mais grotescas, e daquele momento em diante eu poderia fazer isso.

Perambulei, perambulei, ia esquecendo até de comer – acredite, eu nunca esqueço de comer! E não encontrei nada! Nem um único flagrante, nem uma fotinho mais-ou-menos.

Voltei para o trabalho frustrado.

E, naquele dia, para piorar, trabalhei até tarde. As ruas ficaram desertas e escuras e não mais haveria possibilidade de flagrar nada.

Ao me despedir antes de ir embora, comentei com alguém sobre minha frustração.

- Só porque hoje estou com câmera, não acontece nada para eu fotografar!

Saí e caminhei tranquilamente até perto da esquina, quando ouvi uma buzina, depois outra. Depois, avistei um motoqueiro na contramão.

E, depois de mais alguns instantes, eu o vi voando.

Ele havia sido colhido por um carro que não conseguiu desviar dele. O motorista estava em pânico, não sabia nem o que fazer. O motoqueiro sangrava e era atendido por uma moça que dizia ser enfermeira. Eu ligava para sei lá que número para comunicar o ocorrido.

Fato é que eu reclamei que nada acontecia, e logo depois eu tinha a minha foto.

Não tive coragem – achei desrespeitoso – de tirar foto da vítima. Mas a chance eu tive.

moto quebrada

Pra quê eu queria tanto tirar foto se eu não sabia fazer isso?

Então tudo que eu quero agora é saber como – como???? – eu posso usar esses poderes malignos para causar um mal decente?

Sunday
18/Apr/2010

Sim, eu sei que você estranhou bastante ao ler o título. O Gump falando sobre moda?

Não é para menos. Eu não entendo nada do assunto e sou daquele tipo de nerd clássico para quem roupa é pano de cobrir o corpo. Pega-se a primeira que estiver limpa e passada (ou não tão amassada) e veste-se.

Mas a questão aqui é uma divagação: quem dita a moda? Como é que, de repente, está todo mundo se vestindo igualzinho?

Imagino que haja uma entidade maligna que decida: “agora todas as mulheres vão usar sandálias de plataforma feitas de cortiça e os homens sapatos de cores bizarras combinando com o cinto”. E é só isso que eles vão conseguir encontrar na loja. E vão achar lindo e sair de lá se achando exclusivos.

Seguem então algumas “ondas” que eu reparei ao longo dos anos.

Sandálias de salto cortiça

Foi a primeira vez que eu reparei em algo muito estranho. Como todo homem hétero (gaúcho é a mãe, lembra?) da minha geração (não ponho a mão no fogo pelos pós-adolescentes de hoje), não sou exatamente um cara que repara em roupas e/ou sapatos, mas dessa vez estava muito na cara e foi impossível não ver.

Eu estava em pleno marco zero de Curitiba, praça Tiradentes, e uma jovem mulher perdeu o equilíbrio e caiu para trás. Além de achar a cena hilária, é claro, reparei que a causa da queda havia sido sua gigantesca sandália de plataforma. Segui-a com o olhar, porque era bem bonitinha, e vi que suas amiguinhas também estavam com sandálias semelhantes: plataforma enorme, parecendo ter sido feita de rolha, e com tiras enrolando todas as suas pernocas torneadas até o joelho.

Quando as perdi de vista na multidão, vi inúmeras mulheres com calçados exatamente do mesmo estilo. Sério, pelo menos metade da mulheres presentes no local estava usando tais sandálias “de rolha”.

Sandália feita de rolha

Era mais ou menos como na foto acima, mas bem mais alta e com tiras até os joelhos. Praticamente toda jovem mulher em Curitiba saía para passear com sandálias assim, e era divertido vê-las andando desajeitadas, sofridas, mas na moda. Além de admirar as bonitinhas, sempre existia a possibilidade de presenciar uma queda, então valia a pena ficar de olho.

Isso foi em meados dos anos 90, provavelmente em 1996 ou 1997.

Bota e saia pretas

No inverno, provavelmente do ano 2000, um novo uniforme informal se instaurou automagicamente entre as mulheres que trabalhavam na mesma empresa que eu. Tal qual tosse no Encontro Anual dos Hipocondríacos, uma vestimenta se alastrou, e praticamente todas as mulheres da empresa passaram a usá-la.

Tratava-se de uma saia preta até o joelho, acompanhada de uma bota de salto alto, também até o joelho, cobrindo toda a perna.

Cheguei a achar que havia sido marcada uma reunião com todas as mulheres da empresa e estabelecido que todas eram obrigadas a trabalhar dessa maneira. Porém, caminhando nas geladas ruas do inverno curitibano, via-se que era extremamente comum encontrar mulheres vestidas assim.

Minha teoria passou, então, a ser: todas as mulheres da cidade foram convocadas pela prefeitura a usarem tais vestes, sob pena de prisão para as desobedientes. Só pode.

Sapato e cinto combinando

“Mas como assim, Gump? Sapato e cinto combinando é a coisa mais normal do mundo!”

Provavelmente a pergunta acima passou por sua cabeça. Mas eu me refiro a sapato e cintos combinando e ambos em cores bizarras!

sapato_vermelho

Dessa vez eu sofri, porque foi a primeira onda masculina de “todo mundo igual” que eu reparei, e eu senti na pele a pressão para ser mais um na multidão: todas as lojas só vendiam sapatos verdes, de vários tons de bege, vermelhos, alaranjados, amarelos… o mais normal era um marrom-diarréia. Em alguns momentos era difícil até achar um bom sapato preto.

Eram sapatos grandes, de bicão quadrado, e cintos da mesma cor vinham de brinde. Isso foi por volta de 2002.

Aí eu perambulava pela cidade e me sentia um ET. Todo ser portador de bilau em Curitiba com camisa pra dentro da calça, para mostrar o cinto colorido combinando com o sapato da mesma cor. Menos eu. Provavelmente por não ser curitibano de nascença, não recebi o comunicado da prefeitura com a cartilha de como eu deveria me vestir.

Camiseta “duas cores”

Essa foi a primeira – e por enquanto única – moda de adesão maciça que vi aqui em Goiânia.

Foi logo no meu primeiro ano aqui. O nome “camiseta duas cores” foi cunhado por uma amiga, pois eu não sabia como me referir a elas. Eram camisetas feitas para magrelos, curtas, apertadas, meio elásticas para apertar mais, e com estampas geralmente em alto relevo. E tinham a gola e a ponta da manga de cor diversa do resto da camiseta.

Camiseta duas cores Era mais ou menos isso…

Simplesmente andando pelas ruas da capital goiana parecia que todo homem entre 18 e 40 anos havia aderido a algum tipo de uniforme.

Era uma coisa bem ingrata com quem tinha qualquer tipo de protuberância abdominal, mas mesmo quem a tinha usava normalmente. Afinal, era um uniforme, né?

O fato é que se pra gordo nada fica bom, isso era ainda pior. Eu cheguei a ganhar uma, muito bonita, no final dessa moda,  mas me pareceu mais uma indireta do tipo “você precisa emagrecer”, de tão apertada que era. Mesmo muito tempo e muitos quilos a menos depois, essa camiseta tamanho G ficava colada ao corpo, motivo pelo qual nunca usei.

Felizmente isso passou. Hoje há camisetas parecidas, mas são compridas o suficiente para se poder levantar o braço sem mostrar a barriga peluda, e folgadas o suficiente para não contornar cada músculo ou protuberância do seu tronco e braços. E não são moda obrigatória. Então, tenho algumas assim agora.

Calças cagadas

Sabe aquele texto que fala das supostas vantagens de se ser mulher, e que diz “nós somos o belo sexo”? (Se não sabe, você pode lê-lo aqui). Pois então, a autora se equivocou nessa parte. O fato de a mulher ser o belo sexo é a principal vantagem de ser homem. Mulheres têm curvas, formas, são algo visualmente lindo. E, tirando as lésbicas, que são mulheres mais sábias, somos nós homens que fazemos proveito disso.

Mas voltando, as mulheres normalmente realçam seus encantos corpóreos com decotes, roupas curtas e coladas, etc.

Dizem que mulher se veste para as outras mulheres, então se usa um decote generoso provavelmente está dizendo, com roupas, “olha como meus peitos são mais bonitos que os seus, sua vadia!

Qual a importância desse suposto fato para nós, homens? Nenhuma. Somos privilegiados em existirem essas vestes que nos permitem apreciar tamanha beleza, mesmo que não sejamos o alvo principal delas.

No entanto, às vezes surgem coisas que não dá pra entender. E na minha última passagem por Curitiba e São Paulo, vi bastante um exemplo: as calças cagadas (que depois descobri que se chamam saruel). Essa praga estava em todo lugar nessas cidades!

saruel

Fazendo cocô nas calças… que feio!

São calças que parecem um saco com pernas, ou que a pessoa está carregando algum volume ali dentro, como se tivesse “feito cocô nas calças”.

Taí um negócio que definitivamente não é sexy. Fala-se em conforto, mas tem algumas que são tão “cagadas” que parece que prendem os movimentos no joelho.

Fico feliz que sejam raras as goianienses, sempre tão lindas, que usem essa tralha.

E agora, qual será o próximo uniforme obrigatório que as entidades malignas que enviam as roupas para as lojas estão planejando?