Ontem foi o Dia do Orgulho Nerd .
Muito se falou sobre isso, saiu até matéria no Fantástico do último domingo.
Mas na real, não é só um dia que os nerds têm. Todo dia é dia do nerd.
Sabe o MSN que você está usando enquanto lê esse blog? Foi um nerd, como aquele que você sacaneou no colégio, que fez! Deu pau no sistema? Provavelmente é a vingança daquele nerd que você zoou na aula de educação fÃsica! Seu lindo computador novo deu pau? Você vai ter que dar o braço a torcer e chamar aquele nerd esquisito que você passou a vida inteira evitando.

“Pode deixar que eu arrumo!”
Não é exagero o que disseram no Fantástico. Os nerds vão dominar o mundo. Ou já estão.
Mas sinto uma certa desunião nos nerds.
Todos foram excluÃdos do cÃrculo social do colégio, na adolescência. Inaptos socialmente, só lhes restava conviver entre si, marcando de estudar, jogar ou assistir filmes no final de semana, enquanto os demais adolescentes faziam coisas tÃpicas de adolescente.
E nerd, a princÃpio, era isso: quem pertencia a essa tribo de desajustados, estranhos, inteligentes, estudiosos e cultos. Com grande aptidão para matérias cuja simples menção causava arrepios na grande massa estudantil: matemática, fÃsica, quÃmica. E com aptidão nula para educação fÃsica.
Era muito fácil saber quem era nerd e quem não era.
Reparando nos nerds, notou-se que havia caracterÃsticas muito presentes em muitos espécimes da tribo: ser fissurado em Star Wars, games, RPG, computadores, quadrinhos e dispositivos eletrônicos. As pessoas eram nerds e frequentemente gostavam dessas coisas.
Aà ocorreu a inversão que se disseminou de tal forma que até apareceu no Fantástico como sendo a realidade. Quem gosta dessas coisas é que passou a ser nerd. E só quem gosta dessas coisas é que é considerado nerd. É aà que reside a tal desunião que eu falei acima.
- Eu comprei um boneco do Darth Vader. Eu sim sou nerd. Você não é!
Eu trabalhei em uma empresa que, eu seus anos áureos, foi talvez a maior concentração de nerds por metro quadrado do Brasil. Era gente que ia para a empresa durante todos os dias das férias para ajudar os colegas fazendo testes em diversos equipamentos, sem pressão. Diversão pura! Outros, esqueciam de ir embora e ficavam até à meia noite programando. Vários participavam de olimpÃadas de matemática e informática. E a lista segue assustadora.
Um colega recusou, no auge dos 19 anos, a ir com os demais colegas de faculdade a uma casa noturna daquelas em que as mulheres presentes estão, hum, a trabalho. O motivo? Queria ficar em casa programando, pois estava no meio de um código muito interessante. O cúmulo da nerdice até para os demais nerds!
Esse mesmo fulano lamenta-se até hoje, em partes, de ter arrumado uma namorada no meio da faculdade. Isso roubou tempo que ele pretendia dedicar ao desenvolvimento de um projeto para uma disciplina. O projeto acabou ficando, segundo ele, muito meia-boca. Detalhe: ele ganhou nota 10 na disciplina.
O melhor amigo do Fulano acima - chamemos de Ciclano, já que eu sou criativo - era praticamente o cara do filme Uma Mente Brilhante. Na parte da genialidade, não da loucura. Não que fosse são, mas tinha distúrbios diferentes, que não vêm ao caso.

Taà uma boa ilustração, bem próxima da realidade, para representar meu colega Ciclano
Eu posso passar o dia inteiro descrevendo nerds e mais nerds que conheci em minha nerd vida. Mas vou finalmente ao motivo de citar esses exemplos.
Esses dois em especÃfico não são fanáticos por Star Wars - assistiram uma vez ou duas no máximo, e já tem muito tempo; não gostam de quadrinhos e não têm o menor interesse por RPG.
Isso se repetia dentro da empresa anterioriormente citada. Nerds clássicos, com cara de nerds clássicos, sem o menor interesse obsessivo por Star Wars. Alguns nem são lá muito fãs de cinema.
Aliás, muitos não têm blogs, pois não gostam de escrever nada que não seja código.
Acho absurdo não serem considerados nerds.
E ainda por gente que não tem o menor perfil nerd clássico. Popular na escola, bom em esportes, com boa sociabilidade em diversos grupos - e não só de nerds. Uma pessoa com todas essas caracterÃsticas, mas que seja cinéfilo e colecionador de bonecos de seus filmes/séries favoritos, bate no peito e diz que só ele é nerd.
É a desunião. Um cara com as caracterÃsticas acima é nerd sim - só sendo nerd para, já adulto, comprar um brinquedo para si próprio e ficar puto se disserem que é um brinquedo. Mas daà a querer negar que um cara como meus colegas Fulano e Ciclano, que não fazem isso, são nerds?
Na real, há uma discussão quanto a nomenclaturas. Nerd, Geek, CDF, Cult. Há quem afirme que o nerd é aquele cara como o Fulano e o Ciclano, enquanto o geek é esse neo-nerd, um nerd com aptidões sociais. Há quem diga que isso é balela e todos são nerds. Esse texto sobre o Dia do Orgulho Nerd tenta esclarecer. As definições encontradas lá não seriam as minhas, mas é uma das correntes.
Faz diferença?
Baseado na nomenclatura atual, há um teste no site do Fantástico , para você ver se é nerd ou não.
Eu fiz e ele disse que eu não sou nerd. Tudo bem. Já me considerava apenas “seminerd”. Estou longe de fanatismo por Star Wars e afins, e não sou muito chegado em vÃdeo-games e essas coisas que definem um nerd atualmente.
Então não é por mim que digo que esse teste é furado.
Mas definitivamente não dá para levar a sério um teste que diz que o Gobr não é nerd.
Má-fé, esperteza ou simplesmente estratégia comercial? Existem muitas “promoções” por aÃ. Você até pode se beneficiar de algumas delas, desde que fique atento e lembre-se do básico: ninguém dá nada de graça, como nos exemplos abaixo:
Uau! As revendas das operadoras de celular são tão boazinhas, né? Elas querem te dar a chance de ter um magnÃfico aparelho cheio de funções, sem que você tenha que pagar nada por ele! Tudo que elas pedem em troca é que você contrate um plano com elas.
Nada com que você tenha que se preocupar. Uns 300 a 700 reais por mês já está bom.
A grande jogada dessa promoção é que, de 10.000 livros, 9.980 já custam perto dos 10 reais . Então você tem que fuçar muito para conseguir encontrar algum que realmente esteja barato. Com isso, a livraria acaba vendendo muitos outros tÃtulos de pouco valor, que normalmente passariam batidos.

Promoção! De R$ 9,80 por R$ 10,00!
Outra vantagem para a loja é a enorme publicidade. Muita gente passa a visitar o site e aproveita que está comprando algo na promoção e compra outra coisa junto.
E ainda há mais uma, que eu só percebi depois de efetuar uma compra. Misteriosamente, depois que o pagamento é efetuado, ao menos um dos livros deixa de existir em estoque. Pode-se pedir um estorno ou trocar por um vale-compras. Estorno de 10 reais quase não vale a pena, e vale-compra de 10 reais não compra nada. Na prática, você vai acabar comprando outro produto usando o vale e completando o valor.
Mesmo assim, com paciência para garimpar, dá para encontrar algumas obras que valham a pena.
Dependendo da sorte de cada um, dá pra aproveitar, realmente, para viajar pagando bem pouco.
PeraÃ, eu disse que precisa de sorte? Então está explicado por que eu nunca consigo aproveitar quando o preço está baixo!
Mas enfim, as empresas aéreas não fazem isso porque querem dar chance para que todos possam viajar. Essas promoções servem para vender lugares que estariam desocupados nos vôos, além de serem uma bela publicidade.
Então você precisa ficar atento à s regrinhas: a promoção fica vinculada à disponibilidade de assentos, e você tem que ficar ao menos duas noites no destino. Isso praticamente exclui os feriados e os finais de semana. Serve só para viajar nas férias, ou se você tem horários flexÃveis de trabalho.
Exceções apenas para pessoas muito filhas da puta, nojentas, desprezÃveis e das quais morro de inveja sortudas. Só sei de um caso, o de uma amiga que conseguiu Goiânia-Rio-Goiânia em pleno feriadão por uns 200 e poucos reais.
Eu tive a idéia desse post quando estava num hipermercado tentando comprar um eletrodoméstico. Ia pagar à vista, mas só encontrava o valor da prestação. Isso se dá porque a loja vai ganhar mais se você comprar à prazo.
O objetivo é lhe seduzir com um valor mensal que parece caber tranquilamente no seu orçamento. Acontece também de, sem olhar o valor real, você ser levado a comprar um produto muito mais caro que outro, apenas porque a prestação é de “só” uns 30 reais a mais.
Sempre que o valor da parcela for destacado demais, procure atentar para o valor à vista, e comparar bastante. No meu caso, comprei meu eletrodoméstico em outra loja. No hipermercado, estava muito caro - apesar das supostamente baixas prestações.
Você é convidado para um jantar num restaurante chique, para coroar a campanha de um candidato ou o lançamento de um produto. É a sua oportunidade para comer bem, bastante, e não pagar nada por isso, certo?
Mais ou menos… Você paga um preço sim.

Fonte: Desopilando
Fui convidado para vários eventos assim e, em um deles, a vinheta da campanha ficou tocando como música ambiente. Ininterruptamente! Isso depois de duas horas de discurso do candidato. Esse foi o preço.
Em todos os eventos de graça, alguma coisa querem de você. Quando eu dava suporte a um sistema, a empresa que o desenvolvia me chamava com muita frequência para eventos e até mesmo festas de lançamento de novos produtos ou versões do sistema. Não faziam isso por causa do meu sorriso contagiante, da minha incontestável simpatia, da minha infinita sociabilidade ou da beleza dos meus músculos bem trabalhados. Os planos malignos da empresa eram de me seduzir, de me deixar convencido de que seria muito melhor trabalhar com os novos sistemas. Assim, eu iria tentar convencer a minha empresa a adquirÃ-los.
E quase funcionava. Ao menos eu ficava realmente seduzido. Dê-me comida e bebida que eu fico facinho! Mas a minha empresa era pão-dura. Não comprava nada.
Enfim, normalmente é a chance de ir a um lugar onde você jamais iria se tivesse que pagar o valor. Pode não ser totalmente de graça, mas costuma valer a pena!
Letras miúdas, meu caro. Esse é o segredo desses combos milagrosos. Essas letrinhas quase escondidas nos outdoors, propagandas de TV e contratos normalmente se referem ao perÃodo em que você pagará o valor promocional. Geralmente de 1 a 3 meses. E também citam o perÃodo de fidelidade. Querendo cancelar antes do fim do perÃodo, você paga uma pequena multa. Que em alguns casos é de um valor mais alto do que simplesmente ficar pagando mensalidade mesmo sem usar o serviço.
A maioria das promoções acima é legÃtima. A empresa dá alguma coisa, e recebe outra coisa em troca. Não há nada de errado nisso.
Ok, às vezes tentam lográ-lo um pouquinho, mas sem fazer nada ilegal.
No entanto, há casos que flertam com a desonestidade.
Um exemplo é uma loja de calçados no centro de Goiânia que, em sua vitrine, tem produtos com preços assustadoramente baixos. Por exemplo, um tênis que você sabe que custa R$ 199,00 ali custa menos de R$ 100,00!
Você fica seduzido e entra na loja. Não consegue esconder a satisfação de fazer tamanha economia. Em meio a tanta emoção, balbucia para o vendedor qual o produto que você quer. Ele responde:
- Você pode procurar ali na prateleira. Tudo que temos está ali.
Ele aponta para várias prateleiras, estilo de supermercado, cheias de calçados, ordenados por número.
Mesmo achando meio estranho, você vai lá procurar o modelo lá na sua numeração. Não tem.
- Poxa, que pena, logo o meu número não tem - você pensa, ingenuamente.
Pois experimente procurar nas outras numerações. Não existe tal modelo! Eu já comprovei!
E fiz mais: procurei todos os modelos que estavam incrivelmente baratos na vitrine. Eles simplesmente não existiam dentro da loja. Na verdade, só havia modelos feios e de marcas desconhecidas. De baixo custo, mas de nÃvel equivalente ao preço.
Ainda tentei conversar com um vendedor e pedir o tênis que estava na vitrine, já que ele parecia ser o meu número. Ele retrucou que os que estavam na vitrine não poderiam ser vendidos.
Resumindo: pura enganação. A vitrine é um mero chamariz para que o consumidor desatento entre e acabe levando alguma coisa.
Tem loja que vive em promoção. Todos os seus produtos custam dezenas de reais a menos que custariam normalmente. É comum ver pessoas dando gritinhos de euforia em lojas dessas:
- Geeenntiiii! De 500 reais por 199,99!! Tenho que aproveitar!
Será que normalmente o produto custaria 500 reais mesmo? Não raro o preço normal é exatamente o preço anunciado como sendo promocional. Ou às vezes estão vendendo o produto por mais do que ele efetivamente vale.
Uma simples comparação com outra loja que tenha o mesmo produto já confirma ou desmascara a “promoção”.
Essa acontece comigo o tempo todo. Mas me causa o efeito contrário. Se o vendedor tem jeitão de malandrão eu já desconfio. Se pergunto o preço e ele diz “pra você é 100,00“, eu já emendo: “e se não fosse pra mim, seria quanto? 50,00?“.
Desconfie de “promoções” criadas na hora, especificamente para você. Melhor: desconfie sempre que um produto não tiver um preço escrito em algum lugar. Provavelmente esse preço será estabelecido de acordo com a cara do cliente. Inclusive já testei isso numa barraquinha de frutas: para mim, o preço era 2 reais mais caro que para uma amiga que perguntara 2 minutos antes.
Seguramente, dentre as que eu considero com grandes invenções da humanidade citadas aqui no blog, a minha favorita é o ar-condicionado .
Se analgésicos com cafeÃna e cortina de blackout são coisas que apenas eu cito como grandes invenções, o ar-condicionado é apreciado por muitos. Basta uma pequena busca na internet para comprovar. Diz o marido da MarÃlia que Deus tem de seu lado direito o inventor de tal maravilha.
Afinal, sem ele seria impossÃvel trabalhar na maioria dos lugares. Ao menos trabalhar bem. Cinemas e Shoppings seriam ambientes inóspitos, não ambientes de lazer. Viagens de ônibus seriam extremamente desagradáveis, com pessoas abrindo janelas para se refrescar, e deixando o vento ir todo na cara do passageiro de trás.

Assim me sinto sem ar-condicionado
Mais do que saber de tudo isso na teoria, eu vivenciei na prática. Já trabalhei em muito ambiente abafado, quente mesmo. A ponto de ver gente desmaiar de calor. A ponto de passar o dia sentado e mesmo assim terminar com roupas molhadas, ansiando por um banho.
Também já estive em cinema em que o ar-condicionado pifou, e o “calor humano” tomou conta do ambiente.
E já fiz inúmeras viagens em busões convencionais, sem ar-condicionado. Saindo do Rio ou chegando lá, com seus constantes 40 graus.
Infelizmente, essa grande invenção não é uma unanimidade. Ela tem um grande problema: não combina com a maior invenção divina. Mulheres, em geral, odeiam ar-condicionado.
Assim, se num escritório quente e abafado, onde todos trabalhavam resmungando por conta do calor infernal, for instalado um aparelho de ar-condicionado, ainda assim a paz não vai reinar. A briga pela temperatura será eterna.

“Que calor! Mas tomara que não liguem o ar-condicionado!”
Seria uma briga simples de resolver. Frio se resolve com agasalho. Calor se resolve com… cerveja? Piscina? Nada que combine com o ambiente de trabalho.
Como eu moro sozinho, posso sonhar ainda com meu arzinho gelado. Não terei esse problema aqui em casa.
Só sei que nunca mais passo um mês de setembro em Goiânia sem ar-condicionado!
Todo mundo diz que ler é importante, ler é maravilhoso. Mas quantas pessoas você conhece que realmente lêem?
Vamos ser sinceros: ler é algo de que pouca gente gosta. Ainda que poucos tenham coragem de admitir.

Um bom sebo… quem é que gosta tanto a ponto de tirar uma foto?
No momento em que eu comecei a escrever o presente texto, ainda era o Dia Mundial do Livro. Esse amigão de poucos, e tão incompreendido por muitos.
- Ai, ler é tão chato! - Diz uma amiga.
- Livro é coisa de CDF! - é a opinião de um colega
- Pra que ler? Os bons livros viram filme depois! - Indaga outro conhecido.
Todas as frases acima são reais.
Mas essas pessoas que odeiam ler têm razão. A razão delas, é claro!
Mas há uma razão.
Como alguém pode gostar de algo associado a uma obrigação ruim?
Ainda estou para conhecer alguém que, após uma infância inteira sem encostar em um livro, tenha dado de cara com José de Alencar e virado fã.
Um adolescente, descobrindo a vida - e outras coisas - se tiver que ficar sentado por horas, lendo Senhora, vai precisar de muita sorte para gostar de ler.

- O que??? Gump, você é um idiota, está falando mal de clássicos da nossa literatura!
Começar a ler, já adolescente, pelos “clássicos”, só vai associar mais o ato de ler com um momento chato.
Arrepie-se, e prepare-se para me xingar! Eu vou falar o inaceitável!
Bom para começar a ler é gibizinho! Depois, um Harry Potter da vida já tá de ótimo tamanho.
- Gump, Harry Potter? Isso é uma merda! Não tem valor literário algum!
Harry Potter foi a primeira leitura de muitos jovens de hoje. E eles gostaram! Viram que ler é bom!
Quer valor literário maior que isso?
Nem todo leitor de Harry Potter vai descobrir Machado de Assis e gostar. Nem todo leitor de Harry Potter vai deixar de ser um mero leitor de Harry Potter. Mas é um caminho melhor para o prazer da leitura que ler A Moreninha no colégio porque o professor mandou.
Não havia Harry Potter na minha época, mas existia a maravilhosa Coleção Vaga-Lume. E ela está aà até hoje. Além dela, perdi a noção de quantos livros li da quarta à oitava série - e nunca por obrigação. Muito mistério, espionagem, suspense, aventura. Temas interessantes para alguém da minha idade.
E Sherlock Holmes? Meu amigão! Era pra quem eu recorria quando estava triste depois de ter feito alguma enorme gumpice juvenil. É, eu já fazia muitas (e acredite, elas ganhavam das atuais gumpices senis!)
Na hora certa, e ainda antes da “obrigação”, abri por acaso um exemplar de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Meus olhos leram: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes de meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas“.
Eu, um menino caipira à época, puro, incapaz de falar um palavrão, não tive outra coisa a dizer para mim mesmo que não um sonoro…
- Puta que o pariu! Eu tenho que ler isso!
Não consegui desgrudar do livro até terminar!

Humm… Humor negro. Ironia. Massa!
Machado virara meu amigo inseparável. Porque ele apareceu na hora certa. Talvez eu não estivesse preparado para ele se lá nos tempos da alfabetização eu não ficasse lendo gibi, ou não tivesse me divertido tanto com livros juvenis na sequência.
Se a leitura começar como um prazer, nunca deixará de ser um prazer! É por isso que eu não falo mal de Harry Potter. Quero mais é que leiam e gostem, para gostarem de ler mais coisas no futuro. Quem sabe?
E que leiam muito Dan Brown, Sidney Sheldon, qualquer coisa que lhes dê prazer. Porque leitura é isso. É prazer. Não tem leitura errada se der prazer.
E quer saber? Eu li Harry Potter. Sabe como é, né? Estava num lugar isolado, sem ter o que fazer. O volume 3 de Harry Potter era a única coisa “lÃvel” por lá, e olhava pra mim, a implorar:
- Me leia! Me leia!*
Li.
Sabe que até que é leitura gostosinha?
Quando vi um texto explicando para as crianças o que era a tal da fita K7, além de me sentir muito velho, parei para lembrar como era a vida antes das coisas sem as quais não vivo hoje. Internet, principalmente.
Eu tenho uma vaaaaga lembrança de épocas remotas em que sempre que eu queria pesquisar algo, tinha que ir para a biblioteca consultar a Enciclopédia Barsa ou o Almanaque Abril. Dessas lembranças constam também dias inteiros sofrendo tentando lembrar o nome do ator de algum filme, ou então longas ligações para empresas para saber horários de vôos ou ônibus.

Enciclopédia Barsa??? Isso existiu?
Mas são lembranças tão vagas que acho que são apenas um sonho. Afinal, nunca houve vida sem a internet! Como pode ter havido??? ImpossÃvel viver sem sites de busca! DelÃrio da minha cabeça! Já falei aqui que a pior coisa que poderia acontecer seria o fim do Google.
Veja o exemplo de Marco Polo. Ele usou o Google Earth e o Google Maps para descobrir como percorrer a Rota da Seda. De que outra maneira ele teria feito isso? E as conversas com Kublai Khan se deram graças à s ferramentas de idiomas disponÃveis na internet. Seus relatos, ricos em detalhes, povoaram o imaginário de muitos povos que leram seu blog.
Nos tempos retratados em filmes de faroeste, as pessoas já compravam passagens para as diligências ou trens nos sites das viações equestres/férreas. Cada escritório de xerife mantinha um site com a lista dos procurados e o valor de cada recompensa. Existia um fórum de pistoleiros profissionais, onde era possÃvel trocar informações sobre como sacar e atirar mais rápido, marcar duelos, avaliar saloons, etc.
E como você acha que os gregos antigos sabiam para qual anfiteatro ir? Consultando a programação na internet, é claro! Além disso, podiam saber mais sobre os atores e os espetáculos através do ITDB, que infelizmente perdeu a relevância com o tempo, até o cinema ser inventado e surgir o IMDB em seu lugar.
Outro forte uso da Internet na Grécia antiga se dava nos perÃodos de Jogos OlÃmpicos. O único problema era que como naquela época os competidores disputavam as provas totalmente nus, todos os sites que falavam sobre os jogos eram censurados para menores de 18 anos.
Isso já não acontecia com os principais eventos de Roma antiga. Todo mundo podia visitar os sites das arenas de gladiadores, já que não existia censura por idade relacionada à violência. Inclusive houve época em que vÃdeos de cristãos sendo jogados aos leões foram sucesso absoluto no Youtube!
Ainda na antiguidade, houve grande destaque para os fenÃcios e assÃrios, que usavam o Mercado Livre e o EBay para fechar negócios em todos os cantos do planeta, e então faziam as entregas de navio. O maior problema que esse modelo de negócio enfrentava eram os hackers gregos, que obtinham informações sobre rotas e mercadorias e as repassavam para os piratas da época, que então pilhavam esses navios.
Aliás, os gregos eram especialistas em fraudes virtuais. Um exemplo é o famoso Cavalo de Tróia, um tipo de vÃrus enviado por meio de um cartão virtual falso (com a foto de um cavalo, daà o nome) ao comando troiano. Tal vÃrus deu aos gregos acesso ao software que controlava os portões da cidade, podendo assim invadÃ-la.
Em solo brasileiro, a internet foi inaugurada no famoso E-mail de Pero Vaz de Caminha enviado ao rei Dom Manuel, mas só passou a ser utilizada com força a partir de 1836. Naquele ano, o blog Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves Magalhães, começou a fazer sucesso e a faturar com AdSense. Logo, muitos outros probloggers românticos, como José de Alencar, publicaram seus romances em sites monetizados com AdSense, Submarino e afins.
E a internet funcionou bem no Brasil deste então. Até chegar a ditadura. Você lembra? Eram tempos terrÃveis! Somente textos oficiais falando sobre as maravilhas do Brasil e sobre a seleção de 70 apareciam na versão brasileira do Google, que estava mancomunado com o governo militar. Censores ficavam monitorando os grandes portais e redes sociais, e o que você escrevia em seu blog, no Orkut ou no Twitter poderia lhe dar cadeia. Você simplesmente desaparecia: do dia para a noite pesquisas com o seu nome deixavam de retornar resultados. Muitas pessoas eram mandadas para o exÃlio: tinham que apagar seus perfis no Orkut e pedir asilo no MySpace.
No entanto, no inÃcio dos anos 80 houve uma maciça participação em uma comunidade do Orkut chamada “Diretas Já“. Se por um lado toda a pressão feita na comunidade não deu imediatamente o resultado esperado, um de seus moderadores, Tancredo Neves, foi eleito presidente do Brasil pelo colégio eleitoral.
Depois, a população acompanhou, trocando informações ao vivo pelo Twitter, o problema de saúde do presidente eleito - isso é, quando era possÃvel. O excesso de conexões fazia o serviço “baleiar” o tempo todo. Depois de morto, o tópico de Tancredo na comunidade Profiles de Gente Morta do Orkut bateu todos os recordes de visitação e homenagens - e os mantém até hoje.
Quanto ao Twitter, é um serviço que sempre foi muito forte. Fala-se muito, atualmente, do feito do Ashton Kutcher, que atingiu a marca de um milhão de seguidores. Mas isso é fichinha! Não se compara aos 2,1 bilhões de pessoas que seguem Jesus Cristo, por exemplo. Todos esperando o dia em que ele finalmente voltará… a “twittar”.
E lembrando de todos esses momentos históricos, fiquei aqui pensando sobre os trabalhos escolares. De onde minha mente doentia tirou essa tal de Barsa? Eles, na verdade, sempre foram feitos na base do ctrl+c/ctrl+v dos textos da Wikipedia.
Os namoros virtuais, tidos como fenômeno do século XXI, também sempre existiram. No entanto, até um século atrás eles eram bem diferentes do que são hoje. Um rapaz só podia conversar com uma moça no MSN se chamasse os pais dela para participar do chat. Mudar o status para “namorando” no Orkut, só depois de mandar um scrap para o pai da menina pedindo autorização. Sites como o ParPerfeito são bem antigos, mas nos primórdios eram usados pelos pais. Era uma ferramenta para possibilitar casamentos arranjados, que surgiu quando o costume dos pais de anunciar as filhas no Mercado Livre foi considerado anti-ético.
E uma curiosidade. Sabe qual o site mais antigo do mundo? É o GPGuia! Nada mais natural que o site mais antigo ser ligado à profissão mais antiga!
Mas apesar de a internet existir desde sempre, não é de hoje que existem aqueles que insistem em viver uma vida offline. Por exemplo, o cara que cunhou a frase “Todos os caminhos levam a Roma“. Se essa pessoa usasse o Google Maps, veria que isso não é verdade:

Pô! Nem todos os caminhos levam a Roma!!
Realmente, não consigo imaginar um mundo sem internet. Você consegue?