No último sábado tive uma experiência única, algo por que todo mundo deveria passar uma vez na vida: assisti a uma apresentação do Stomp ao vivo!

Assistir a algum vídeoclip do famoso grupo de percussão/dança já é algo de deixar qualquer um de boca aberta. Fica a sensação de “um dia eu tenho que ver um show desses caras!”
Mas assistir ao vivo é ainda mais fantástico! Você fica de boca aberta, como esperado, mas inesperadamente você ri e se diverte pra valer!
Além da habilidade, os desgraçados conseguem ser hilários sem falar uma única palavra no show. Muito, muito, muito bom.
Mas ao final da apresentação, presenciei algo que eu não entendi: minha amiga Patchu virou para o nosso grupo e soltou:
— Imaginem o Gump ali no meio deles!
Mas como assim? Qual o problema de eu estar ali no meio da apresentação?
Sério, veja um trecho de um DVD do Stomp, e depois me responda.
Por acaso você viu alguma coisa que eu não seria capaz de fazer?
João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
Carlos Drummond de Andrade
6 possíveis versões modernas:
1. Punk fala mal de mauricinho que fala mal de nerd que fala mal de emo que não fala mal de ninguém porque está chorando.
2. Engenheiro odeia arquiteto que odeia designer que odeia analista de sistemas que odeia todo mundo porque lhe chamam de “cara que mexe com computador”.
3. Chileno se acha melhor que brasileiro que se acha melhor que argentino que se acha melhor que todo mundo.
4. Mulher feia gosta de homem banana que gosta de mulher gostosa que gosta de cafajeste que gosta de si mesmo.
5. Tricolor carioca ri de flamenguista e chama de favelado, que ri de vascaíno porque é sempre vice, que ri de são paulinho e chama de bambi, que ri de corintiano e diz que é tudo bandido, que ri de palmeirense porque o Felipão não ganha uma, que ri do Atlético-MG pela fase do Luxemburgo, que não ri de ninguém porque não tem parado de chorar.
6. Gente que posta “I’m at PQP” via Foursquare no Twitter reclama de quem posta “Eu gostei de um vídeo no youtube” que reclama de quem posta atualizações do Orangotag que reclama de quem posta as respostas do Formspring que reclama de quem posta testes bobos que reclama de todo mundo porque o Twitter serve pra reclamar dos outros mesmo.
O inverno parece ter chegado com tudo em nosso país tropical. Notícias de água congelando nos canos, mortes por causa do frio, imagens de geadas e muita gente agasalhada fazem parte dos noticiários há alguns dias.
E no Twitter obtive informação de haver supostamente gente passando frio em Cuiabá. CUIABÁ!! A cidade que os goianienses sempre citam quando eu falo que aqui em Goiânia é muito quente.
— Calor? É porque você não conhece Cuiabá!
Pior que eu acabei de olhar no site do canal do tempo é tá 11 graus lá em Cuiabá no momento em que eu escrevo esse post. Já dá pra ser considerado frio. Pra Cuiabá é geada!
Aqui em Goiânia, ao mesmo tempo, às 2h25 da manhã, está fazendo 22 graus.
Baseado no Twitter, no noticiário e na minha própria percepção, elaborei um tosco mapa:
É o “mapa do frio aparente no Brasil segundo as reclamações no Twitter e os notíciários”.
Não conteste. Ele é preciso e totalmente correto.
[Update] Acabei de ter a informação no MSN de que está frio em Rondônia!!!!! 13 graus! (Isso é geada por lá também) É só o eixo Tocoiás que está quente mesmo! ¬¬
O ano era o longínquio 1996. Um grupo de amigos, todos calouros de computação na UFPR, foram ao Centro Politécnico numa tarde de sábado, usufruir de um campo de Futebol e ratificar a amizade que surgira nas primeiras semanas de faculdade.
Como se pode imaginar pelo curso, quase todos eram nerds. Não tinham lá muita intimidade com a redonda, mas estavam ali só para brincar.
Nosso aquecimento
Mas, pouco tempo após o início do castigo da bola da pelada dos nerds, tal qual um filme de sessão da tarde, surgiram no pedaço os garotões sarados, bons de bola, populares e cheios de si. Os estudantes de medicina.
Sim, também existem muitos nerds no curso de medicina, mas esses provavelmente não se interessariam em jogar bola num sábado à tarde. Aliás, sabe-se lá por quê os nerds da computação estavam ali.
Os futuros médicos chegaram tentando botar o terror, invadindo o campo, avacalhando nosso jogo, mas por fim, após alguma conversa, decidiram que mais divertido que tentar nos expulsar, seria nos humilhar em uma partida. A nós, restava encarar o desafio e sair num fracasso futebolístico, ou ir embora num fracasso total de covardes, ou brigar. Um tanto mordidos, optamos pelo confronto pacífico na bola.
A diferença era gritante. Todos eles pareciam ter alguma intimidade com o jogo, enquanto a gente tinha apenas um cara muito bom, outro que jogava regularmente mas não necessariamente bem, e de resto alguns magrelos (eu incluso, acredite se quiser) que pelo menos conseguiam correr.
Eu, especificamente, só tinha duas grandes habilidades futebolísticas: a auto-marcação e um chute razoável — mas apenas em bolas paradas. Como o jogo era sério, eu não poderia fazer uso da primeira característica.
Outro problema. Tínhamos um jogador a menos. Num lampejo de bondade, o líder da turminha deles ofereceu seu priminho, um piazinho de uns 12 anos no máximo, para jogar no nosso time. Assim teríamos o mesmo número de jogadores.
Então a partida começou, tal qual a briga em “Te Pego Lá Fora”, clássico da Sessão da Tarde (ou da Tela Quente, para os anciãos quem tem a minha idade), com a galera do jaleco massacrando. Driblinhos pra cá, chapeuzinhos pra lá. Mas não é que eles não conseguiam converter aquela superioridade toda em gols com tanta facilidade?
Jogador do nosso time dominando a bola
Primeiro, apareceu a figura de um japa que era o nosso goleiro. Ele parecia estar achando que era ping-pong e pegava tudo com reflexos inimagináveis. Alguns dos nossos viram conseguiam pelo menos atrapalhar os adversários. Outros corriam o campo todo e davam chutões para o ataque. E lá o craque do time sabia o que fazer.
Mesmo assim, os prováveis futuros médicos aproveitaram a melhor técnica para abrir o placar. Com o tempo, porém, os nerds começaram a se achar em campo, e os desnecessários lances humilhantes dos adversários nos davam gana de lutar. O fato de o priminho do líder dos adversários estar deliberadamente nos atrapalhando em vez de jogar do nosso lado, e todos eles rindo disso, fez o jogo se tornar mais sério para nós.
Tivemos uma falta no ataque e eu fui cobrar. O líder dos adversários estava xingando na barreira, exigindo que eu não chutasse nele para não acertar seu piercing sobre o olho. Obedeci, achando a cabeça do nosso craque, que empatou a peleja! Apesar dos deboches, comemoramos muito.
E eles vieram pra cima. Todos! Ótimo para nosso contra-ataque, que sempre encontrava um dos nossos, o que realmente sabia jogar. Assim foi o jogo até perto do fim, eles fazendo um gol e a gente empatando em contra-ataques; eles fazendo firulas, nós chutando pro mato; a gente brigando por cada bola, eles reclamando; nós nos motivando uns aos outros e cada um jogando do jeito que suas limitações permitiam, eles brigando porque todos iam para o ataque e ninguém ficava na defesa.
Num dado momento, eles pararam de rir. Vieram com raiva, dividindo, atacando com tudo. Nosso goleiro salvava todas as boas e, não bastasse isso, ainda descolou uma ligação direta, um lançamento maravilhoso para o nosso desmarcado atacante, que virou a partida.
Adversário tentando entender o que acontecia
— O problema do nosso time é que somos todos bons atacantes, aí ninguém quer defender — justificava-se o líder dos adversários. Seu ar era superior. Mas os risos já eram mais amarelados.
E eles vinham todos para o ataque. Nós ficávamos na defesa chutando furiosa e estabanadamente a bola para qualquer lado longe do nosso gol. Um desses chutes achou, meio que sem querer, nosso atacante, que mais uma vez não teve dificuldades para deixar o goleiro adversário sentado e abrir 2 gols de vantagem para os nerds.
O sol sumia no horizonte, o cansaço de jogar num campo grande caía sobre todos os presentes, e nossos adversários começaram a se retirar, deixando claro que era por causa da hora, e que nossa vitória se devia ao rabo do nosso goleiro.
Para nós, a glória! Que ficou gravada em nossos corpos na forma de dores musculares que duraram mais de uma semana, e em nossas memórias por muito tempo.
Por que eu estou escrevendo como um louco contando isso? Por nada, só deu vontade de contar a saga e glória dos Davis nerds!
Mas já que contei isso, aproveito para fazer um paralelo com a Copa do Mundo e a Seleção Brasileira e parecer que a história teve um motivo.
Talvez daqui a pouco (estréia da Seleção Brasileira na Copa de 2010) eu me arrependa do que eu vou dizer agora, mas… ao contrário da maioria, eu até entendo um pouco o técnico Dunga.
Essa seleção, em termos de nomes, é fraquinha, se comparada às outras que eu já vi jogar em copas. Já a de 2006 era até covardia, de tão forte. Ronaldo, que havia sido eleito por 3 vezes o melhor do mundo, Ronaldinho, que era o atual craque mundial, Kaká, que viria a ser o melhor do mundo, Roberto Carlos, de tantas atuações fantásticas pelo Real Madrid…
Mas o super-timaço-nerd (hahaha!) da UFPR/1996 provou que uma equipe ruim, mas motivada e que funcione como equipe, pode ir bem mais longe que um time de craques onde todo mundo quer jogar para si ou simplesmente não tem gana de vencer.
Então espero que as escolhas do Dunga funcionem para montar um time, e que eles se inspirem na nossa épica vitória de 1996 (ok, ok, parei com a megalomania) para compensar no coletivo a falta dos craques que a torcida está acostumada a ver com a camisa amarela!
E está rolando a Copa de 2010 na África do Sul! O mais popular torneio do mais popular esporte do mundo! É algo fantástico, com diversas culturas se encontrando, travando verdadeiras batalhas que não ferem ninguém e nos brindam com fatos inesquecíveis.
Eu, pelo menos, amo Copa do Mundo. Poucas coisas me fariam acordar às 8h15 de uma madrugada de sábado, mesmo tendo ido dormir lá pelas 3h. Fiz isso hoje, mesmo o jogo sendo entre Coréia do Sul e Grécia, que não são exatamente potências mundiais no futebol.
Mas isso é apenas porque eu não sou um cara esclarecido e tampouco inteligente!
Você se engana se acha que a maioria dos que não curtem a competição são assim simplesmente porque não gostam de futebol, ou apenas não se sentem atraídos por essa disputa. Isso até a minha frágil mente entenderia. Ninguém é obrigado a gostar de nada só porque a maioria gosta.
Ao contrário do que eu inicialmente pensaria, a maioria dos que odeiam Copa o fazem por pensar mais que nós, que gostamos. Por fazerem uma análise social da parada. São tantos os argumentos para provar que a Copa do Mundo é altamente prejudicial à humanidade, e principalmente ao Brasil, que me sinto na obrigação de repassar alguns deles, mesmo eu não entendendo muito bem.
O craque Messi em campo pela Argentina na Copa 2010. Se você viu a cena na TV, você é uma pessoa alienada e jogou seu tempo fora.
Veja um argumento: se o brasileiro desse tanta importância para a política e questões nacionais quanto dá para a grande disputa futebolística que ocorre a cada 4 anos, a situação do país não seria como é. Isso é verdade. Mas eu ingenuamente achava que o problema era a passividade e desinteresse do brasileiro com as questões importantes. Mas não, a culpa é da Copa, como fiquei sabendo.
Outro argumento: “Futebol é o ópio do povo”. A copa é usada para tirar a atenção de coisas importantes que afetam nossas vidas. Foi assim no tempo da ditadura, continua sendo assim hoje. De novo, eu achava que a culpa era do conformismo e alienação geral do brasileiro, mas descobri que é da Copa. Note que todos os países com problemas similares aos do Brasil, ou bem piores (Coréia do Norte, por exemplo) têm grandes participações no Mundial no currículo.
Mais um: tudo pára em dia de jogo do Brasil, causando inúmeros prejuízos. Eu achava que havendo organização para compensar o tempo perdido, não haveria problema, e seria muito melhor do que ter milhões de trabalhadores pouco focados no seu trabalho, procurando formas de acompanhar os jogos do país durante o expediente. Fato que aliás eu achei ter visto na Internet ontem: o que tinha de uruguaio e mexicano ontem procurando formas de ver as partidas de suas seleções enquanto trabalhavam não tava no gibi! Creio que inocentemente eu não percebi que enquanto eles se focavam nos jogos, estavam ralando e produzindo bastante!
Eu também achava que nem tudo na vida gira em torno de produzir e trabalhar, e que é bom ter paixão por algo, como é o caso do brasileiro com o futebol. Mas estava errado, pois sou meio limitado das idéias.
Na verdade isso tudo entra na lista das coisas que eu não entendo: se você se mobiliza para fazer algo em prol dos animais, as pessoas (geralmente as que não fazem nada) criticam porque você deveria estar ajudando as criancinhas carentes, não bichos; se você gasta muito para fazer algo de que você gosta, como viajar, comprar um celular ou carro de alto valor, será criticado porque poderia fazer algo mais útil com seu dinheiro; se curte ir a shows, bons restaurantes, baladas ou gosta de games, dirão que você poderia fazer algo melhor com o seu tempo.
Então, pelo que eu posso entender, ser uma pessoa esclarecida implica ser alguém que só trabalha e faz coisas úteis, sem diversão.
Ah, como é bom ser burrinho!
E a Argentina, hein? É um timaço, mas sofreu pra ganhar da Nigéria!