A vida seguia normalmente, dia após dia, no enésimo andar de um prédio qualquer. As pessoas chegavam, tomavam cafezinho, trabalhavam – apesar de serem funcionários públicos – e, claro, eventualmente faziam suas necessidades.
Alguns, não todos, lavavam as mãos após a última atividade citada.
Até que um dia uma coisa aconteceu.
Mudaram as torneiras do banheiro do enésimo andar!
Todas elas!

A misteriosa torneira
Foi um desespero!
- E agora?? Como vamos lavar as mãos???? – questionava-se um desesperado funcionário.
- Eu giro, giro, giro e não sai água!!! – impressionou-se outro.
Deve ter sido um desespero. E um festival de mãos sujas.
Onde já se viu instalarem torneiras complicadas assim, sem nem um manualzinho de instrução?
Então, resolveram o problema:
Agora sim! (clique na imagem para ver todo o ambiente)
Tão simples. Basta imprimir um aviso num papel A4 normal e agora todos podem operar a misteriosa torneira – ou pelo menos todos os que faziam isso anteriormente.
Isso me lembra como o outrora (bota outrora nisso!!) adolescente gumpesco chegou ao Rio de Janeiro vindo do interiorrrr de Santa Catarina e conheceu os mictórios com descarga automática dos shoppings da cidade grande.
Não, eu não procurava onde tinha que apertar pra sair água! Eu era caipira mas tinha cérebro! Mas a diversão do anormal aqui era burlar o sensor. Sempre tinha um esquema: Colocar e tirar a mão da frente, coisas assim. E sem eu me afastar, a descarga acionava. E o caipirinha comemorava!
Como imagino que o povo do enésimo andar do prédio tenha feito a festa, maravilhado, apertando e vendo maravilhado que a torneira soltava água. E parava sozinha, olha só!
E a vida deles mudou!
É inegável que um local que tem no turismo um de seus grandes pontos fortes precisa de cuidados constantes, não pode ficar largadão. Principalmente durante a alta temporada.
Assim, o primeiro ponto a se cuidar é com a limpeza. Lixeiras bem cuidadas, bem posicionadas.
E deixar bem clara essa preocupação com a limpeza. Com um slogan, talvez.
Exatamente!
Depois, o importante é dar conforto e boas condições para o turista apreciar as belezas do local.
Uma boa idéia talvez fosse a construção de bancos onde o visitante poderá sentar e apreciar uma bela paisagem com todo o conforto e sabendo que está em uma cidade que se preocupa com ele, recebendo-o de braços abertos.
Nada como um banco confortável e bem cuidado para sentar e apreciar o mar!
Dito e feito. No litoral norte da Santa e Bela Catarina, podemos encontrar toda essa estrutura e cuidados visando o bem estar da população e dos turistas, conforme podemos ver nos flagrantes acima.
Fotos: Maciel Paludo. Vale a pena conferir suas fotos, o cara tem uma ótima percepção das coisas.
Flagrantes realizados na belÃssima Itapoá, que infelizmente encontrava-se bem descuidada em plena alta temporada.
Na semana passada uma sala do trabalho virou campo de batalha verbal. O debate sobre as soluções de um problema descambou para discussão ideológica que beirava a agressão.
Parecia que nada poderia salvar o clima do local, que estava péssimo.
Um ex-militar gritava enfezado:
- Tá faltando seriedade! Precisamos ter seriedade, sem seriedade não saÃmos do lugar!
E, nesse instante, toca seu celular. Com o toque abaixo:
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
(clique no player ou então clique aqui)
E assim, pelo menos, o clima se desanuviou.
Centro de Goiânia, umas 7h50 da madrugada. Aguardo para atravessar uma rua. Um senhor ao meu lado me encara. Olho para ele. Existe uma lei na capital goiana que obriga que duas pessoas entabulem uma conversa se tiverem estabelecido contato visual. Como bom cidadão respeitador das leis, ele iniciou o papo.
- Você é paranaense?
- Ahnn… Sou!
Daria muito trabalho explicar de onde veio meu sotaque estrambótico se dissesse que nasci em BrasÃlia. E o melhor, alguém sabe que existe algo abaixo de São Paulo além do Rio Grande do Sul, não achei ruim.
- Paranaense?
- Ahnran.
- Paranaense mesmo?
Balanço a cabeça.
- Lá tem muita gente bem branca, né? – Aponta para meu braço.
- Ahnran.

Paranaense
Não é que eu seja antipático – bom, eu sou… – mas realmente não sei o que deveria falar nessas conversas surgidas do nada.
E ele encara. E encara. E encara. Parece perturbado, a pensar o que falar. Olha para trás. Vê uma concessionária da Renault. O sinal abre para os pedestres e eu me despeço enquanto começo a atravessar. Ele corre atrás.
- A fábrica da Renault fica lá no Paraná, né?
- É, fica lá sim.
- Em Londrina?
- Não, em São José dos Pinhais.
- Hã? Onde?
- Região Metropolitana de Curitiba.
- Ahhh.
Silêncio. Ele anda ao lado e um pouco atrás de mim, encarando sem parar. Antes que ele desse com a cara em algum poste ou dissesse que me ama, eu me despedi e comecei a andar mais rápido, sem olhar para trás…
—–
No mesmo dia, um cara me aborda no restaurante.
- Errr… Desculpe, mas só por desencargo de consciência… Qual o seu nome?
Sorri. Às vezes, bem de vez em quando, eu chego perto de ser simpático. Respondi:
- Meu nome é Christian, mas eu tenho muitos sósias mesmo!
- Ah. Desculpe. É que você é igualzinho a um antigo conhecido meu. Idêntico.
Eu queria saber o que aquele povo que sempre diz “todo mundo é único!” teria a dizer sobre isso.
—–

Conheço pessoas que se dizem impressionadas com o quanto o Michel do BBB10 é igualzinho a mim…¬¬ Já outros querem jurar que sou o próprio Daniel Craig. Serão os loiros todos burros iguais? :p

Pra mim, ser tudo igual é isso!
Como muitos sabem, eu sou um grande apreciador de japonesas comida japonesa. Mas quando cheguei aqui em Goiânia não conhecia ninguém que gostasse, então era raro eu poder ir.

Ahhh, sushi…
É o tipo do prazer gastronômico que não tem tanta graça sozinho, mesmo para um gordo glutão ogro obeso monstro apreciador da comida pela comida como eu. Afinal, um restaurante japa é meio caro, e gastar tanto só pra comer sem companhia é meio chato.
Até que descobri que um amigo lá do trampo também gosta. Vive indo com a esposa (ele chama de namorada, mas é daqueles que já está casado e nem sabe) e me chamou para ir junto.
Ok, eu estou acostumado a brincar de castiçal. Todo mundo no trabalho é casado, a ponto de ao fim de um churrasco com o povo, o organizador fazer as contas e dizer:
- Deu 35 reais por casal!
Casal? E eu? Pago por dois? Também não sou tããããão gordo assim!
Só que uma coisa é ir a um churrasco com vários casais, outra é sair só com um casal de amigos, por mais legais que eles sejam.

Eu quero!
Mas esse amigo, conhecido como Piá (por gostar dessa gÃria curitibana), insistiu.
- Pô, Gump, não tem nada a ver, não é como se a gente fosse ficar se agarrando e beijando e te deixando de lado. Não vai ser nada mais que 3 amigos comendo sushis.
Eu ia negar, mas as lombrigas protestaram, exigiram um pouco de sofisticação alimentar! Como são elas que mandam, aceitei.
Então eu, o Piá e a Guria (ela recebeu o apelido por tabela) fomos ao restaurante japa e ficamos lá, numa boa, degustando e conversando animadamente.
Até que uma hora em que eu estava falando, o Piá virou para a Guria e começou com uns barulhos de chamar cavalo. Ao fim da barulheira, eles deram uma bitoquinha.
Mas hein?
Tudo bem, continuamos lá conversando, e dessa vez a Guria estava falando. O Piá virou para ela e recomeçou a chamar cavalo. Ao fim da bizarra sonoplastia, outra carinhosa bitoquinha.

Este cachorro imitou o Piá e deu nisso!
Foi uma chamação de cavalo a noite inteira! Sempre seguida da bitoquinha
- PeraÃ, Gump, o que diabos é um barulho de chamar cavalo?
Bom, eu não manjo nada de coisas relacionadas a esses seres de haras, fazendas, etc. De fazenda o urbano aqui só sabe que cheiram a cocô de vaca e geralmente não são atendidas pelos entregadores de pizza.
Mas das poucas vezes em que estive em fazendas onde havia cavalos, os peões faziam uns barulhinhos escrotos para os garbosos quadrúpedes, para chamá-los ou acalmá-los ou whatever!
Som esse bem parecido com o escrotÃssimo pedido de bitoquinha do Piá.
Pô, que burrice a minha, ficar descrevendo o som, quando é mais fácil imitá-lo. Já dizia o sábio sueco Chrjstjan Gumpsson que um som vale por mil palavras.
Compartilho com você, amigo leitor que sobreviveu a todo este texto, minha maravilhosa imitação da obra O Chamador de Cavalos, de autoria do Piá. Clique abaixo para ouvir.
Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.
Sério, o que eu fiz para merecer isso?
Não preciso dizer que faz um tempão que não como sushi, preciso?