Depois de chafurdar no lixão e sofrer pra embarcar e sair de Porto Alegre, cheguei em Osório após uma rápida viagem. Comecei a procurar um dos hotéis que eu tinha no meu Guia 4 Rodas. A maioria estava lotado, mas encontrei um com vagas. Descobri como chegar lá, montei a bike e fui. Lá, conversei bastante com o povo do hotel, mas eles não levaram muita fé em mim. Um gordo, numa bicicleta marromenos, viajando com ela???
E foi depois disso que surgiu minha primeira dificuldade real. Ouvi umas piadinhas maldosas e muita chacota. E percebi o quanto eu não estava preparado para assimilá-las. Eu me sentia muito bem comigo mesmo e até aquele momento esse sentimento era suficiente para suportar todos os olhares desconfiados e de censura. Eu estava fazendo algo que me fazia muito bem, conhecendo muita gente, muitas culturas, vendo muita coisa que só de bicicleta eu poderia ver, e ninguém tinha nada com isso. Mas mesmo assim, fiquei pra baixo com comentários negativos naquele momento.
Mas tudo bem, fui ao meu quarto, tomei um belo banho, e saà pra conhecer a cidade. Conversei com uns turistas numa lanchonete lancheria, enquanto matava a minha fome, que estava feroz! Esses turistas, como eu, estavam de passagem pela cidade, rumo ao litoral de Santa Catarina. De qualquer forma, valeria a pena ficar um pouco mais de tempo em Osório. A cidade é bem bonitinha.
Lagoa do Marcelino em Osório-RS. Clique na imagem para ver mais atrações turÃsticas no site oficial
Fui dormir e, no dia seguinte, passeei a pé pelo centro da cidade, voltei pro hotel pra tomar café, e arrumei as coisas para pedalar de novo. Dei um passeio pra ver lagoas da cidade, que lhe dão o apelido de “Cidade das Lagoas” (”ah, tá, Gump, se você não explica eu não iria entender “), mas tudo muito rápido. No inÃcio da tarde eu já buscava informações de como seguir viagem para o litoral.
Fui sacaneado! disseram que pela Estrada do Mar era proibido andar de bike, como na Freeway. Peguei outra estrada rumo a TramandaÃ, cidade de praia. A bike já implorava por manutenção, mas eu ainda conseguia pedalar.
Mesmo que o melhor caminho para mim tivesse sido a Estrada do Mar, a estrada que eu peguei era totalmente diferente do trecho anterior de pedalada. Era maravilhosa ! Bem caminho de praia mesmo: várias barracas vendendo coisas, tipo milho, melancia (sou o único cicloturista que não come melancia nas paradas), caldo de cana… e água de côco, o melhor de todos os isotônicos!
No finzinho da tarde, cheguei a TramandaÃ, e na entrada da cidade ganhei a companhia de um menino que ficou todo orgulhoso de me mostrar o caminho até o centro. Achei um hotel baratinho (mas não muito bom) de frente para um lago. A vista era muito bonita. Consegui ainda a tempo descobrir uma oficina de bike para deixar a Lucy pra uma revisão geral. Iria levar 3 dias. Ganhei um descanso, uma espécie de prêmio.
TramandaÃ. Clique na foto para ver mais informações sobre a cidade
Foram dias muito bons, apesar das saudades da Lucy. Conheci muitos argentinos e uruguaios, e o espanhol virava praticamente o idioma oficial do local na época. Nessa época eu estava começando a estudar espanhol, então eu acabei tendo uma boa oportunidade de treinar.
E tive uma vida de rei. Ia em rodÃzios de pizza, fazia caminhadas por praias extensas, tomava banho de mar, fazia trilhas, comia churrasco, lia bastante. A única coisa que atrapalhava é que eu comecei a sentir saudades de todo mundo, como nunca havia sentido antes. Gastei muito em telefone: liguei até pro povo do trabalho, que na época eram meus melhores amigos.
Resolvido isso, foi tudo perfeito. Só não gostei tanto assim do mar, mas também tinha uns trechos bem interessantes e agradáveis.
Uma coisa legal é ver a força da tradição gaúcha: o povo toma chimarrão até na praia. Eu não posso falar nada porque sou viciado em café e tomo mesmo no calor aqui de Goiânia, mas é engraçado ver alguém, naquele calor, tomando algo que é tão bom pros dias de frio intenso.
Ao fim dos 3 dias, eu peguei a Lucy na oficina e parti na manhã seguinte. O dono do hotel me fez tirar fotos em tudo que é canto do hotel, provavelmente para eu mostrar pra todo mundo como lá é bonito! Apesar de que na hora das fotos, estava bem nublado e chuvoso, então não deu pra se ter a noção da beleza.
O objetivo do dia era percorrer os 100km até Torres, que na minha opinião é a cidade mais bonita do litoral gaúcho, ao menos dos lugares que eu conheci. Tal percurso é tema do próximo post!
A seguir: Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte VII - Saindo do Rio Grande.
4 Comentários em "Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte VI - De um momento triste para dias de rei"
‘Olhares desconfiados e de censura’??? Nãããooooo… não me diga que descobrimos a verdadeira identidade do Homem-Óleo de Curitiba!!!! HAhahahah
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Estou do lado de ká acompanhando tudim!
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[...] meu descanso em Tramandaà , comecei a pedalar novamente, passando por dentro das cidades do litoral norte [...]
[...] A seguir: Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte VI - De um momento triste para dias de rei. [...]
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