Após acordar no motel com a Lucy, tomar o café da manhã e enrolar bastante, saà finalmente pra pedalar. Na verdade, estava é louco pra passar mais um dia no motel-pousada, só dormindo.
E esse dia foi punk! Muito sol, muitas subidas, pouca sombra. A única sombra foi uma lojinha de beira de estrada, a única de todo o percurso até Bagé. Mas foi muito legal: descobri que a dona já tinha morado em Curitiba e fiquei conversando um tempo, na sombra, tomando água gelada!
Mas depois, só calor. Era tão intenso que eu não conseguia comer, só bebia a minha água quente. Até que uma hora eu tive tonturas e achei que ia desmaiar. Já era final da tarde, mas ainda tinha muito sol. Eu me forcei a comer uma maçã, mole como uma manga. A refeição mais difÃcil da minha vida. Mas quase que instantaneamente eu melhorei e pude terminar a missão do dia: chegar em Bagé!
Na entrada de bagé, liguei pro meu amigo que me ensinou a chegar ao bairro dele. Consegui chegar à casa dele com facilidade, até porque 3 anos depois eu ainda me lembrava bem da cidade. Cidades do interior não mudam muito.
Passei 3 dias em bagé e continuei a aventura. Seria um dos dias mais marcantes! Foi mais um dia de calor intenso, mas com uma estrada mais arborizada. Eu pretendia pernoitar nas proximidades de um posto de gasolina, a única coisa que existia em 200km de estrada!!! Mas descobri que o posto ficava muito perto de Bagé, uns 30km, nem valia a pena pernoitar lá. Cheguei bem cedo ao posto, cheguei a almoçar lá. Tomei coragem e botei o pé na estrada, sem saber o que seria de mim ao final do dia.
Mas já não havia sol. O tempo estava fechado, e o vento quase me derrubava da bike. Bateu até um certo medo de pedalar na tempestade, apesar de eu estar louco pra pegar chuva e me sentir um cicloturista de verdade!
Mas a tempestade desviou e não teve chuva alguma. No fim do dia, a paisagem mudou, foi muito bom ver morros de novo, formações rochosas, vegetação. Chega de vaca e plantação de arroz, né?
Eu ainda precisava achar um lugar pra acampar e, quando eu cheguei ao rio em cujas margens eu pretendia pernoitar, descobri que até o rio é propriedade particular!!
Eu não queria invadir nenhuma fazenda pra montar a barraca, e não sabia mais o que fazer, enquanto o pôr-do-sol se aproximava. Acabei perguntando para um peão que eu vi na estrada, todo vestido de gaúcho tÃpico, se ele sabia algum lugar onde eu podia acampar. Ele me indicou uma fazenda, apontando uma casa branca ao longe, numa estradinha de terra, dizendo que o pessoal era super gente boa e me deixariam montar a barraca perto da estrada, na propriedade deles.
Fui até lá. Vi um gaúcho todo caracterizado também, de idade, na varanda da casa. Chamei-o e ele todo desconfiado veio falar comigo. Disse que não podia me dar permissão porque as terras eram do filho dele, mas que esse filho logo chegaria. Começou a contar histórias e mais histórias que diziam o porquê de ele ser tão desconfiado.

Um gaúcho caracterizado da mesma forma que o que me recebeu
E falava, falava, falava. Depois de algum tempo de “conversa” (eu falei muito sim, um monte de “humrum” e “sei”), ele me chamou pra entrar na propriedade e guardar a bike. Mais um pouco de “conversa” sobre a polÃtica do Rio Grande do Sul, a economia do RS, a história do RS, as belezas do RS, a bravura do gaúcho, etc, e ele me chamou pra conhecer a famÃlia e tomar um chimarrão. Nisso chegou o filho dele e este gostava de “conversar” tanto quanto o pai. Os dois blablablavam sem parar e num dado momento até falaram que eu era muito bom de papo, que estavam adorando a conversa!
O que não se ganha com o silêncio, hein?
Começaram então a preparar carne pra fazer um jantar especial pra mim. Chamaram os vizinhos pra conhecer o cara de Curitiba que estava viajando de bicicleta, e começou a juntar gaúcho de tudo que é lado, todos falando das tradições locais.
Uma hora eu tive que interromper, pois já era perto das 21h e iria escurecer, pra perguntar se eu podia montar minha barraca na propriedade. O filho falou:
- Não, não pode.
E prosseguiu:
- Tu vais é dormir aqui em casa, tchê!
E arrumou um quarto pra mim.
No dia seguinte, queriam que eu ficasse pro almoço, mas eu não pude, então capricharam no café da manhã. Foi muito legal lá. A água vinha de nascentes (o que me rendeu os vermes que eu tive que tratar depois - ou talvez tenha sido a carne), não tinha luz elétrica, mas o povo foi muito atencioso.
A viagem estava sendo perfeita!
E no post seguinte, o relato continua.
A seguir: Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte IV - O Hotel Lotado
2 Comentários em "Projeto Fat Biker - Um gordo na estrada - Parte III - Gump, a atração do interior!"
Mas barbaridade! Fiscaste com vermes? Ô dó!
[Responder ao comentário]
[...] do café da manhã na fazenda no municÃpio de Caçapava do Sul, de acordo com o que foi contado no post anterior, botei o pé na estrada de novo, e tinha muuuuito chão para [...]
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