Continuando a aventura, no dia 31/12/2000, eu comecei a minha viagem de bike, propriamente dita, mas não saà cedo como queria. Resolvi aproveitar o café da manhã do hotel, que aquele dia começaria tarde. Acabei saindo só perto do meio-dia. Loucura! 38 graus na cachola!
Ganhei o primeiro patrocÃnio da minha vida: o dono do hotel me deu uma garrafa de água!
Mas eu disse que eu comecei a pedalar no Uruguai, não disse? Se você prestou atenção no post anterior, até o momento eu continuava no Brasil.
Pois então, eu saà do hotel, fui até a praça internacional, passei para o lado uruguaio da praça (na cidade de Rivera), tirei uma foto, e dei uma pedalada. Após essa pedalada, estava no Brasil novamente. Mas não interessa, comecei no Uruguai!

A Praça Internacional.
O primeiro trecho da viagem, apesar do calor intenso, foi muito bom, pois havia eucaliptos nas margens da estrada, fazendo sombra. E de vez em quando eu via algumas pessoas, alguns carros, e algo diferente de vacas ou plantações de arroz. Eu já tinha passado por aquele estrada antes, mas realmente não me lembrava que era só isso, gado e arroz.
Mas esse trecho terminou quando eu tinha que pegar uma estrada que ligava aquele trecho próximo a Livramento e ia até Bagé. A idéia era acampar próximo à cidade de Dom Pedrito, que era a única “civilização” que havia no meio do caminho.
Mas que inferno!!
Todo esse calor na cabeça, em pleno verão, e nenhuma sombra! Acostumado com as arborizadas estradas do PR e de SC, não me liguei que lá só havia fazendas às margens das estradas. Tudo cercado. Nenhuma arvorezinha pra fazer sombra.
A minha água virou chá, de tão quente! Minhas barras de cereal amoleceram. Eu as comia obrigado, pra não desmaiar. Até que (alÃvio!) achei uma sombra! Uma rara área não cercada na beira da estrada! Tinha que sair um pouco do asfalto, entrar num mato e pronto: uma deliciosa sombra de eucaliptos pra dar uma folga pra cabeça.
Tomei minha água quente, comi uma barra de cereal derretida e, quando voltei pra bike, vi que um ser que jamais conseguiria pedalar havia tomado conta dela! Uma cobra! Pânico. Ela estava ali, toda feliz, enrolada na Lucy. Depois de controlado o medo, principalmente de haver outras ali no mato, eu peguei um galho no chão, e consegui tirar a cobra de cima da Lucy, mas não joguei-a tão longe quanto eu queria. Caiu bem perto da bike!

“Eu também quero pedalar, só não sei como!”
A cena seguinte seria linda de ver! Peguei a bike todo borrado em pânico e corri pro meio do asfalto batendo todos os recordes de velocidade. E não saà mais do asfalto. Ele estava tão quente que cobra alguma passaria ali.
Depois, outra tragédia! Acabou a água! Não tinha um único lugar pra comprar e nenhuma casa à vista. Quando encontrei uma que não ficava assim tão longe da estrada (ao menos dava pra ver a casa da estrada), acabei entrando na fazenda… O caseiro quase me botou pra correr, com arma e tudo, e depois ameaçou soltar os cachorros! Mas por fim seu humor mudou do nada e acabou vindo ver o que eu queria. Depois perguntou se eu podia ajudá-lo com o celular (celular, naquela época naquele lugar me surpreendeu) e eu ajudei. Aà ele foi o cara mais simpático do mundo, me deu muita água do poço, convidou-me pra entrar e tal… mas eu recusei antes que o bom humor dele passasse…
Lá pelas 18h eu avistei Dom Pedrito. Parecia perto. Mas a vista enganava muito por lá, e eu só cheguei à cidade perto das 20h, quando o sol estava a se por, mas ainda haveria 1h de claridade (lá escurece bem tarde com o horário de verão). Claro que a idéia de acampar foi pro espaço, pois ao contrário dos lugares que eu conhecia, as margens de estrada por lá são todas propriedades particulares.
Agora o desafio era encontrar um hotel. Dispensei a entrada secundária da cidade, porque me pareceu muito feia, com gente mal encarada. Puro preconceito de quem mora em capital e vive com medo de ser assaltado em lugar assim, creio eu. Continuei na estrada e próximo à entrada principal avistei uma placa dessas de trânsito que tem uma caminha, indicando hotel.
Já estava anoitecendo mas reparei na placa que dizia “pousada”. Do outro lado a placa dizia outra coisa mas não tive curiosidade de ver, na hora. Fui lá e me registrei, me deram uma casa na tal pousada, enorme, muito legal. Mas era meio, ahn, diferente… Só que a cama aliás era maravilhosa, e era isso que me interessava! Deixei pra lá as estranhezas, tomei um banho e deitei.
Comecei a zapear a TV. Globo, SBT, Canal Pornô, Bandeirantes, outro canal pornô, mais outro e… HEIN??? Canais pornôs? Tinha pelo menos 4. Mais tarde descobri, como contei aqui, que o lugar na verdade era um MOTEL que também servia de pousada pra viajantes perdidos no meio do nada tipo eu!
Eu gostava tanto de bike que já fui até pro motel com a minha!!!
Assisti o fantástico e apaguei. Fui acordado à s 23h45 pelos caras da “pousada” me chamando pra uma festa de reveillon na cidade, mas eu tava pregado demais pra ir. Agradeci mas recusei. E passei a virada do ano dormindo um sono merecido!
Amanheceu o dia 01/01/2001 e eu acordei tarde. O único cicloturista preguiçoso do mundo! Eram 10h quando pedi o café pelo interfone. O cara colocou num suporte na porta e bateu, discretamente. Eu só tive que girar o suporte pro lado de dentro e pegar meu café. Tudo muito discreto, sem contato com os funcionários. Afinal, eu estava num motel…
E já estava pronto pro segundo dia de pedalada, assunto do próximo post!
A seguir: Projeto Fat Biker – Um gordo na estrada – Parte III – Gump, a atração do interior!
6 Comentários em "Projeto Fat Biker – Um gordo na estrada – Parte II – Pedalando, afinal!"
Ui!
Tô imaginando a cobra na bike!
Que medo!
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[...] acordar no motel com a Lucy, tomar o café da manhã e enrolar bastante, saà finalmente pra pedalar. Na verdade, estava é [...]
Pra te dar a chance de me acusar de ser sempre do contra… fiquei imaginando o blog da cobra.. ela fazendo a viagem ‘a pé’, no calor danado, sem lugar pra descansar, queimando a barriga… até que encontrar uma bici na estrada!! E pensa “estou salva!!” vou poder pedalar até a civilização!!!”. Daà chega vc!!! Tadinha!!! Hahahahaha
Beijos
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[...] essa introdução (ops!), no próximo post a pedalada finalmente começa. Veja [...]
Naum consigo ler a parte III!
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Gump Reply:
May 20th, 2009 at 17:21
Eita… tinha um erro no link mesmo. Acabei de corrigir! Valeu o aviso!!
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