As pessoas não levam os maus cheiros corpóreos a sério. Tem gente que sai de um intenso treino noturno e corre ao supermercado com a mesma roupa, todo suado, por exemplo. Um crime! Ok, eu fiz isso ontem, mas fui ao Tatico. Lá o fedor não só é permitido como obrigatório.
Já dividi uma casa com gente que passava uma semana sem banho. Trancar alguém no quarto usado por essas pessoas foi uma das maiores sacanagens que eu já fiz na vida.
- Me tira daqui! Tá fedendo muito!
Um dia eu e outro dono de sofridas narinas convocamos uma reunião na república. É claro que tocamos no assunto com muita sensibilidade, muito tato.
- Seguinte… Vocês fedem!
Tem alguns casos em que o fedor é incentivado. Existe uma lei informal que determina o odor dos veÃculos que fazem a linha Monster Bus Eixo Anhanguera, aqui de Goiânia. Segundo essa lei, o veÃculo só se move se o IF (Ãndice de fedor) em seu interior estiver no patamar mÃnimo de 9 graus (ou “altamente nauseante“) na escala Jean Pierre, que vai até 10.
Assim, depois de tanta banalização, é bom ver que há locais em que o assunto é tratado com a devida seriedade.
É o caso de São Bento do Sul, em Santa Catarina. Por lá, asseio é tão importante que a falta dele é motivo para a primeira página do jornal local:

Dois ficaram fedidos.
É o fedor, tratado com a devida importância.
É bom ver o jornal dando a volta por cima, após ter ficado tão famoso por conta de uma gafe cometida há alguns anos:

Colocar só a véia!
Segunda-feira, 17h50. Depois de um dia intenso, já com os olhos sem conseguir firmar na tela do computador, por algum motivo ainda estou no trabalho. Meu horário de ir embora é às 17h.
O telefone toca. Todos na sala estão ocupados e eu resolvo ser gente boa e atender o telefone.
Gente boa não! Gente bonÃssima. Eu odeio atender telefone no trabalho.
A mulher do outro lado da linha diz que quer justamente falar comigo. Afirma, com grosserias, ter passado o dia à minha procura, e solta dúzias de pepinos para eu resolver. Reclama. Lança dúvidas quanto à minha competência. Fala as palavras mais certeiras possÃveis para me atingir e me fazer sentir um lixo.
Funciona. Eu me sinto um lixo. E então acordo.
Estava em casa, eram 19 horas e eu não lembrava de ter deitado.
O grande problema é que acordar não traz alÃvio. Há pesadelos com tortura psicológica com a capacidade de nos deixar deprimidos mesmo depois de cientes de que tudo não passou de um sonho.

Eu, ao acordar de um sonho desses.
Com muito custo, fiz uma dura escolha, entre me matar e sair para treinar (ok, um pouquinho de muito exagero nessa parte). Escolhi o treino, e voltei mais animado, pronto para mais uma noite tranquila de sono.
Que foi recheada de sonhos sobre trabalho.
Acho que ando trabalhando demais…
Mas eu tenho uma dúvida. Se eu continuo depressivo após um sonho ruim, por que eu não continuo rico ao sonhar que ganhei na mega-sena?
Essa já tem alguns anos. Saà do trabalho e tinha que comprar suprimentos para um programa de Ãndio uma viagem. Sem tempo de ir ao supermercado, passei na loja de conveniência pertinho de casa.
Porém, estava distraÃdo (isso era para ser alguma novidade?). Aliás, distraÃdo não! Eu estava extremamente concentrado! Na coisa errada! Esse é, aliás, o meu conceito de distração.
Vinha pensando no depoimento que iria escrever para uma grande amiga. Ela havia deixado um tão bonito e bem escrito, tão do jeito que nossa amizade merecia, que eu na hora soube que seria muito difÃcil retribuir à altura. Já tinha algum tempo que eu vinha pensando no que escrever e naquele dia resolvi levar a sério.
Enquanto pensava, ia escolhendo mecanicamente os suprimentos.
Quando voltei para a Terra, vi que estava guardando tudo na minha mochila! No meio da loja!
Minha inexperiente mente criminosa não sabia o que fazer. Instintivamente olhei para o atendente. Ele olhava para mim fixamente, com um misto de raiva e incredulidade. “Que cara-de-pau!!“, deve ter pensado.
Cheguei até ele, pedi desculpas e expliquei que estava distraÃdo. Ele visivelmente não acreditou mas não queria encrenca. Deixou-me ir embora.
E quando não é a distração, é a força do hábito. Apenas dois dias antes, eu saà de uma padaria sem pagar. Só percebi quando cheguei em casa e vi o papelzinho com o valor que eu deveria ter pago.
É que a rotina na padaria era “pedir->pagar->pegar os produtos“. Naquele dia, eu pedi e a balconista me deu os produtos antes de eu ir pagar. Meu cérebro pouco privilegiado fez a seguinte sequência de processamento:

Após descobrir meu furto involuntário, voltei correndo. Afinal, eu ia lá todo dia e não queria que pensassem que eu estava tentando ser malandrão.
Pior. Um malandrão burro.
Eles nem tinham percebido, ficaram felizes com a minha honestidade, mas inevitavelmente riram da minha cara. Polidamente.
Mas por que eu lembrei do primeiro roubo hoje?
- Hummmm! Pizza!
Quieto, cérebro!
É que eu acabei de lembrar que, passados uns 4 ou 5 anos, eu não escrevi o depoimento sobre minha grande amiga até hoje…