Finalmente, depois de ter ficado preso no Chile, eu estava embarcando num busão rumo à belÃssima Mendoza , na Argentina. Conhecer um novo sotaque e novas pessoas, estar em um novo paÃs, beber muito vinho, pedalar, praticar rafting. Tudo isso me esperava.
Faltava apenas uma travessia dos Andes. Nada de mais. Seis, sete horas de belÃssimas paisagens. Ou pelo menos era o que eu pensava.

Com essa vista, a viagem não poderia ser ruim.
Logo ao embarcar, ganhei um exemplar do jornal El Mercurio. Sim, esse fato é muito relevante!
Para servir de distração, ligaram um DVD. Infelizmente, era Carga Explosiva , que eu já estava enjoado de ver. Aliás, nada de “infelizmente”! Na verdade, ainda bem que era um filme que eu não queria ver, já que minha colega de viagem era uma senhora argentina de 86 anos, louca por viagens e por bater um papo, e bater papo com alguém com tanta experiência era mais interessante.
O café foi servido, bem completo, como é costume nas loucas empresas argentinas de ônibus , com um belo alfajor, sanduÃche, biscoitos. E café, que poucos tomaram. A maioria dos passageiros era composta por argentinos, então para eles bastava uma água quente para tomar um mate – tal qual os gaúchos no Brasil. Ajudei a senhora argentina com seu café, e nisso iniciamos nossa conversa de louco.
Fora muito difÃcil para mim entender os chilenos, mas já foi bem mais tranquilo entender o que a argentina dizia. Só que a recÃproca não foi verdadeira. Mesmo! Ela não entendia nada do que eu falava!
O que mais sofri foi pra explicar o que eu faço da vida. Quanto mais eu explicava, mais longe da minha real profissão ela entendia. Quando ela achou que eu tinha meu próprio negócio sei lá do que, decidi parar antes que ela entendesse algo pior.
Mas ela era um grande exemplo de vida ativa. Eu jamais diria que ela tinha 86 anos se ela não me contasse. Conhece toda a América do Sul, incluindo boa parte do Brasil, e conta suas aventuras com uma alegria contagiante.
Mas, claro, ela não conseguiu esconder uma certa rivalidade com a amiga que viajava com ela.
- Ela é bem mais moça que eu, mas nem parece, não é mesmo? Quem mandou ela não se manter ativa como eu?
Eu concordei. Não só para agradá-la, mas porque realmente não dava para acreditar que a outra senhora tinha uma década a menos de vida.
E assim, a viagem corria bem tranquila, até a saÃda de Los Andes (onde há o incrÃvel Campeonato de Cueca).
Nessa hora, um certo mal-estar me revelou que a chorrillana do dia anterior não passaria impune. Nem as pipocas no cinema. Nem o buffet de comida italiana. Nem o fato de eu ter ignorado os avisos de minha amiga chilena:
- Gump, não tome água da torneira aqui em Santiago! Eu tomo, mas eu estou acostumada com a água que vem da cordilheira. Todo brasileiro vem aqui e passa mal.
Eu, que já tinha tomado um copo de suco feito com água da torneira (que aliás foi minha amiga que fez) sem que nada tivesse me acontecido, achei que estava acima dessas coisas intestinais de meros mortais. Na sede extrema, e sem água mineral em casa, tomei um belo copo de água torneiral . O que uns mineraizinhos a mais na água poderiam fazer comigo?
A cordilheira, em sua imponência, resolveria então se vingar da minha prepotência.
Quando estávamos no inÃcio da subida, eu já me sentia muito mal. Suava. Vagamente ouvia palavras em espanhol ao meu lado, mas já não prestava atenção. Sei que era alguma coisa sobre uma viagem ao Peru. Eu só pensava numa magnÃfica viagem ao toalete mais próximo.
Pedi licença. Saà dali. Fui sentar no fundo, sozinho. Andava de um lado para o outro no fundão vazio do busão. Entrava e saÃa do banheiro. Não me atrevia a usá-lo para o fim que eu necessitava, pelo bem dos demais passageiros.
Por um momento achei ter melhorado. Voltei para o meu lugar. Não disse meu real problema para a senhora argentina, disse que era enjoo. Ouvi a tÃpica bronca de avó, dizendo que se eu tinha esse problema, de enjoar na viagem, não deveria comer no ônibus. Com mais ênfase, ela disse que eu deveria ter dado meu alfajor para ela!
Depois de não muito tempo, mas muuuuito sofrimento, chegamos aos famosos caracoles chilenos (veja um vÃdeo de alguém que fez uma descida neles aqui.) Ainda bem que já havia passado por lá antes e apreciado a vista. Porque desta vez não deu nem para sentir medo nem ficar maravilhado com o visual. A única coisa que eu sentia era uma pontinha de esperança: o posto de fronteira ficava logo acima daquelas curvas todas, e com sorte subirÃamos rápido. Lá eu acharia um tão sonhado banheiro.
Mas lá no topo, eu descobri por que a esperança é a última que morre: é ela que mata todo mundo!
De cara já estranhei que não havia o esperado engarrafamento após 2 dias de fronteiras fechadas. Só então caiu a ficha: o ônibus não pararia na aduana chilena, e sim na da Argentina. Vários quilômetros para frente!!
Nem preciso descrever o tamanho do meu sofrimento nesses quilômetros, preciso? Imagine. Lembre-se de alguma situação parecida. Aumente. Você vai saber o que eu senti!
Finalmente, engarrafamento. Era chegado o posto de fronteira. Catei um pedaço do meu Mercurio (não disse que ter recebido um jornal no embarque era uma informação relevante?), e mal o busão parou eu desci apressado.
A cena seguinte foi patética. A alva montanha de pano de fundo. O ar gelado. Um grande número de veÃculos parados. Uma grotesca e gumpesca figura correndo pelas rochas ao lado da estrada.

“Você é tudo que eu quero!”
Para cada guardinha argentino que eu via eu perguntava, demonstrando todo o meu desespero, aonde ficava o banheiro mais próximo. Minutos pareceram eternidade, até o salvador encontro com o trono.
Depois, outro desespero. Eu demorara muito mais do que pretendia. Onde estaria o ônibus? Já teria ido sem mim? Não o vi na fila de veÃculos parados na estrada, nem dentro do posto de fronteira.
Eu havia chegado na hora certa. Meu busão era o primeiro veÃculo parado na entrada do posto. Mal cheguei e minha colega de viagem, em sua preocupação de avó, perguntou se eu tinha conseguido vomitar (lembre-se, eu não tive coragem de dizer qual havia sido o meu real problema), se estava melhor, essas coisas.
A seguir, um pouco de tranquilidade. Trâmites normais de fronteira, dar gorjeta “voluntária”, etc. Até consegui apreciar um pouco da viagem, apesar de ainda não estar me sentindo bem. Só consigo me lembrar de uma menininha argentina voltando da escola em um vilarejo de montanha, numa cena parecida com um quadro. Ou, numa versão moderna, um e-mail com power point com música emocionante de fundo. :p
Mas chegando aos arredores de Mendoza, o desespero recomeçou com os avisos do meu organismo de que eu iria perder mais alguns quilos no banheiro. E teria que ser logo! A cidade parecia nunca chegar. E o detalhe: eu não havia conseguido reservar nenhum hostel (como eu já contei, é difÃcil quando você não sabe com antecedência quando estará na cidade), então ainda tinha que descobrir onde ia ficar.
Nunca uma rodoviária me pareceu tão bonita quanto a de Mendoza. No estado em que eu estava, foi a segunda melhor visão que eu poderia ter!
Fui a primeira pessoa a descer do busão. É claro! Um jovem argentino, cheio de folhetos, me abordou perguntando se eu precisava de hotel. Isso é bem comum na Argentina, ajudar turistas perdidos a encontrar um dos hotéis que obviamente pagam para esses agentes.
- SÃ! SÃ! SÃ!
Já fui pegando uns folhetos, agoniado. Ele me mostrou o mapa da cidade, indicou alguns hotéis bons para mochileiros, falou tudo que eu poderia fazer em Mendoza, indicou onde conseguir contratar passeios e, ao saber que eu era brasileiro, quis puxar papo sobre futebol. Nessa hora eu tive que interromper e falar que estava mal e precisava ir para o hotel logo. E falei em inglês. Na real nem sabia bem em que lÃngua estava falando, só sabia que não era a minha.
Achei um hotel não muito caro. Dessa vez não quis ficar em hostel. Precisaria de privacidade. E de um banheiro só para mim!
O rapaz informou que o transporte que a agência dele fornecia chegaria logo, mas decidi ir de táxi. O taxista foi bem gente boa e atuou como guia turÃstico enquanto passávamos pelos lugares. Pena que eu não estava em condições de absorver nenhuma informação.
Tudo se resolveu minutos depois. Fiz o que tinha que fazer, tomei um banho e descansei. Em uma horinha eu já estava animado para uma rápida caminhada pela cidade.
Cidade, aliás, que viria a ser o ponto alto da minha mochilada. Seria tudo muito bom!
Depois de tanta bizarrice, eu estava merecendo.
Ontem foi o Dia do Orgulho Nerd .
Muito se falou sobre isso, saiu até matéria no Fantástico do último domingo.
Mas na real, não é só um dia que os nerds têm. Todo dia é dia do nerd.
Sabe o MSN que você está usando enquanto lê esse blog? Foi um nerd, como aquele que você sacaneou no colégio, que fez! Deu pau no sistema? Provavelmente é a vingança daquele nerd que você zoou na aula de educação fÃsica! Seu lindo computador novo deu pau? Você vai ter que dar o braço a torcer e chamar aquele nerd esquisito que você passou a vida inteira evitando.

“Pode deixar que eu arrumo!”
Não é exagero o que disseram no Fantástico. Os nerds vão dominar o mundo. Ou já estão.
Mas sinto uma certa desunião nos nerds.
Todos foram excluÃdos do cÃrculo social do colégio, na adolescência. Inaptos socialmente, só lhes restava conviver entre si, marcando de estudar, jogar ou assistir filmes no final de semana, enquanto os demais adolescentes faziam coisas tÃpicas de adolescente.
E nerd, a princÃpio, era isso: quem pertencia a essa tribo de desajustados, estranhos, inteligentes, estudiosos e cultos. Com grande aptidão para matérias cuja simples menção causava arrepios na grande massa estudantil: matemática, fÃsica, quÃmica. E com aptidão nula para educação fÃsica.
Era muito fácil saber quem era nerd e quem não era.
Reparando nos nerds, notou-se que havia caracterÃsticas muito presentes em muitos espécimes da tribo: ser fissurado em Star Wars, games, RPG, computadores, quadrinhos e dispositivos eletrônicos. As pessoas eram nerds e frequentemente gostavam dessas coisas.
Aà ocorreu a inversão que se disseminou de tal forma que até apareceu no Fantástico como sendo a realidade. Quem gosta dessas coisas é que passou a ser nerd. E só quem gosta dessas coisas é que é considerado nerd. É aà que reside a tal desunião que eu falei acima.
- Eu comprei um boneco do Darth Vader. Eu sim sou nerd. Você não é!
Eu trabalhei em uma empresa que, eu seus anos áureos, foi talvez a maior concentração de nerds por metro quadrado do Brasil. Era gente que ia para a empresa durante todos os dias das férias para ajudar os colegas fazendo testes em diversos equipamentos, sem pressão. Diversão pura! Outros, esqueciam de ir embora e ficavam até à meia noite programando. Vários participavam de olimpÃadas de matemática e informática. E a lista segue assustadora.
Um colega recusou, no auge dos 19 anos, a ir com os demais colegas de faculdade a uma casa noturna daquelas em que as mulheres presentes estão, hum, a trabalho. O motivo? Queria ficar em casa programando, pois estava no meio de um código muito interessante. O cúmulo da nerdice até para os demais nerds!
Esse mesmo fulano lamenta-se até hoje, em partes, de ter arrumado uma namorada no meio da faculdade. Isso roubou tempo que ele pretendia dedicar ao desenvolvimento de um projeto para uma disciplina. O projeto acabou ficando, segundo ele, muito meia-boca. Detalhe: ele ganhou nota 10 na disciplina.
O melhor amigo do Fulano acima – chamemos de Ciclano, já que eu sou criativo – era praticamente o cara do filme Uma Mente Brilhante. Na parte da genialidade, não da loucura. Não que fosse são, mas tinha distúrbios diferentes, que não vêm ao caso.

Taà uma boa ilustração, bem próxima da realidade, para representar meu colega Ciclano
Eu posso passar o dia inteiro descrevendo nerds e mais nerds que conheci em minha nerd vida. Mas vou finalmente ao motivo de citar esses exemplos.
Esses dois em especÃfico não são fanáticos por Star Wars – assistiram uma vez ou duas no máximo, e já tem muito tempo; não gostam de quadrinhos e não têm o menor interesse por RPG.
Isso se repetia dentro da empresa anterioriormente citada. Nerds clássicos, com cara de nerds clássicos, sem o menor interesse obsessivo por Star Wars. Alguns nem são lá muito fãs de cinema.
Aliás, muitos não têm blogs, pois não gostam de escrever nada que não seja código.
Acho absurdo não serem considerados nerds.
E ainda por gente que não tem o menor perfil nerd clássico. Popular na escola, bom em esportes, com boa sociabilidade em diversos grupos – e não só de nerds. Uma pessoa com todas essas caracterÃsticas, mas que seja cinéfilo e colecionador de bonecos de seus filmes/séries favoritos, bate no peito e diz que só ele é nerd.
É a desunião. Um cara com as caracterÃsticas acima é nerd sim – só sendo nerd para, já adulto, comprar um brinquedo para si próprio e ficar puto se disserem que é um brinquedo. Mas daà a querer negar que um cara como meus colegas Fulano e Ciclano, que não fazem isso, são nerds?
Na real, há uma discussão quanto a nomenclaturas. Nerd, Geek, CDF, Cult. Há quem afirme que o nerd é aquele cara como o Fulano e o Ciclano, enquanto o geek é esse neo-nerd, um nerd com aptidões sociais. Há quem diga que isso é balela e todos são nerds. Esse texto sobre o Dia do Orgulho Nerd tenta esclarecer. As definições encontradas lá não seriam as minhas, mas é uma das correntes.
Faz diferença?
Baseado na nomenclatura atual, há um teste no site do Fantástico , para você ver se é nerd ou não.
Eu fiz e ele disse que eu não sou nerd. Tudo bem. Já me considerava apenas “seminerd”. Estou longe de fanatismo por Star Wars e afins, e não sou muito chegado em vÃdeo-games e essas coisas que definem um nerd atualmente.
Então não é por mim que digo que esse teste é furado.
Mas definitivamente não dá para levar a sério um teste que diz que o Gobr não é nerd.
Temos, no trabalho, uma rotina nas manhãs de sexta-feira: comer pão-de-queijo azedo recheado.

- O quêêêêê??? Pão-de-queijo Azeeeeedo?
Você sabe: quanto mais fresca é a pessoa, maior a chance de ela encontrar algo na comida, como um fio de cabelo – ou outro pelo de qualquer outra parte do corpo. Isso acontece porque as nojeiras são atraÃdas por pessoas frescas. Ou então é porque os frescos reparam nessas coisas, enquanto todas as outras pessoas são vÃtimas da máxima “o que os olhos não vêem, o coração não sente“.
Então. Um colega meu é uma dessas pessoas agraciadas com todas as nojeiras em todos os restaurantes. E um dia ele (e só ele) foi brindado com um pão-de-queijo supostamente azedo naquela lanchonete – junto com um suco de laranja com gosto de sabão em pó, segundo ele.
Isso bastou para ele nunca mais comer pão-de-queijo quando vai lá (nem tomar suco de laranja). Mas serviu principalmente para o lugar ser chamado carinhosamente por nós de “Azedo”.
- Vamos lá no Azedo amanhã?
- Vamos! E eu vou comer dois azedos!
Mas, claro, lá nós não pedimos “azedos recheados”. A não ser que alguém faça Gumpice. E é aà que eu entro na história, é claro.
Eu e um dos colegas fomos primeiro ao Azedo, e eu liguei para avisar aos demais que já estávamos lá. Dei aquela levantada de voz caracterÃstica de quem fala ao telefone e soltei:
- Cara, já estamos aqui no Azedo!
Só com o constrangimento do meu amigo olhando a cara dos funcionários do local é que percebi a gumpice.
Bem caracterÃstica, por sinal. Existe um restaurante cujo dono eu chamava mentalmente de seu Noé. Mas é claro que eu não poderia chamá-lo assim na vida real. Então eu precisava ficar mais atento que de costume – não é difÃcil, em teoria, já que eu não sou um cara nada atento, naturalmente.

Seu Noé, o dono do restaurante
Eu resisti por muitos meses! Mas um dia a gumpice, inevitavelmente, saiu.
- E aÃ, Seu Noé?
Por sorte, poucos goianos entendem o que eu falo. Um pouco por causa do sotaque, e o resto por culpa da minha má dicção mesmo. Seu Noé parece não ter entendido bem o que eu falei. Ao menos espero que tenha sido assim.
E essa questão das gumpices me fez ressuscitar um antigo contador que eu tinha, semelhante à queles das fábricas. Ele dizia: “O Gump está há x dias sem sem dar mancada, cometer gafe ou pagar mico“. Agora faço esse contador no Twitter.
O problema é que parece que ando fazendo ainda mais gumpice que o natural.
Melhor esquecer o contador. Ele só oscila entre 0 e 1.
Má-fé, esperteza ou simplesmente estratégia comercial? Existem muitas “promoções” por aÃ. Você até pode se beneficiar de algumas delas, desde que fique atento e lembre-se do básico: ninguém dá nada de graça, como nos exemplos abaixo:
Uau! As revendas das operadoras de celular são tão boazinhas, né? Elas querem te dar a chance de ter um magnÃfico aparelho cheio de funções, sem que você tenha que pagar nada por ele! Tudo que elas pedem em troca é que você contrate um plano com elas.
Nada com que você tenha que se preocupar. Uns 300 a 700 reais por mês já está bom.
A grande jogada dessa promoção é que, de 10.000 livros, 9.980 já custam perto dos 10 reais . Então você tem que fuçar muito para conseguir encontrar algum que realmente esteja barato. Com isso, a livraria acaba vendendo muitos outros tÃtulos de pouco valor, que normalmente passariam batidos.

Promoção! De R$ 9,80 por R$ 10,00!
Outra vantagem para a loja é a enorme publicidade. Muita gente passa a visitar o site e aproveita que está comprando algo na promoção e compra outra coisa junto.
E ainda há mais uma, que eu só percebi depois de efetuar uma compra. Misteriosamente, depois que o pagamento é efetuado, ao menos um dos livros deixa de existir em estoque. Pode-se pedir um estorno ou trocar por um vale-compras. Estorno de 10 reais quase não vale a pena, e vale-compra de 10 reais não compra nada. Na prática, você vai acabar comprando outro produto usando o vale e completando o valor.
Mesmo assim, com paciência para garimpar, dá para encontrar algumas obras que valham a pena.
Dependendo da sorte de cada um, dá pra aproveitar, realmente, para viajar pagando bem pouco.
PeraÃ, eu disse que precisa de sorte? Então está explicado por que eu nunca consigo aproveitar quando o preço está baixo!
Mas enfim, as empresas aéreas não fazem isso porque querem dar chance para que todos possam viajar. Essas promoções servem para vender lugares que estariam desocupados nos vôos, além de serem uma bela publicidade.
Então você precisa ficar atento à s regrinhas: a promoção fica vinculada à disponibilidade de assentos, e você tem que ficar ao menos duas noites no destino. Isso praticamente exclui os feriados e os finais de semana. Serve só para viajar nas férias, ou se você tem horários flexÃveis de trabalho.
Exceções apenas para pessoas muito filhas da puta, nojentas, desprezÃveis e das quais morro de inveja sortudas. Só sei de um caso, o de uma amiga que conseguiu Goiânia-Rio-Goiânia em pleno feriadão por uns 200 e poucos reais.
Eu tive a idéia desse post quando estava num hipermercado tentando comprar um eletrodoméstico. Ia pagar à vista, mas só encontrava o valor da prestação. Isso se dá porque a loja vai ganhar mais se você comprar à prazo.
O objetivo é lhe seduzir com um valor mensal que parece caber tranquilamente no seu orçamento. Acontece também de, sem olhar o valor real, você ser levado a comprar um produto muito mais caro que outro, apenas porque a prestação é de “só” uns 30 reais a mais.
Sempre que o valor da parcela for destacado demais, procure atentar para o valor à vista, e comparar bastante. No meu caso, comprei meu eletrodoméstico em outra loja. No hipermercado, estava muito caro – apesar das supostamente baixas prestações.
Você é convidado para um jantar num restaurante chique, para coroar a campanha de um candidato ou o lançamento de um produto. É a sua oportunidade para comer bem, bastante, e não pagar nada por isso, certo?
Mais ou menos… Você paga um preço sim.

Fonte: Desopilando
Fui convidado para vários eventos assim e, em um deles, a vinheta da campanha ficou tocando como música ambiente. Ininterruptamente! Isso depois de duas horas de discurso do candidato. Esse foi o preço.
Em todos os eventos de graça, alguma coisa querem de você. Quando eu dava suporte a um sistema, a empresa que o desenvolvia me chamava com muita frequência para eventos e até mesmo festas de lançamento de novos produtos ou versões do sistema. Não faziam isso por causa do meu sorriso contagiante, da minha incontestável simpatia, da minha infinita sociabilidade ou da beleza dos meus músculos bem trabalhados. Os planos malignos da empresa eram de me seduzir, de me deixar convencido de que seria muito melhor trabalhar com os novos sistemas. Assim, eu iria tentar convencer a minha empresa a adquirÃ-los.
E quase funcionava. Ao menos eu ficava realmente seduzido. Dê-me comida e bebida que eu fico facinho! Mas a minha empresa era pão-dura. Não comprava nada.
Enfim, normalmente é a chance de ir a um lugar onde você jamais iria se tivesse que pagar o valor. Pode não ser totalmente de graça, mas costuma valer a pena!
Letras miúdas, meu caro. Esse é o segredo desses combos milagrosos. Essas letrinhas quase escondidas nos outdoors, propagandas de TV e contratos normalmente se referem ao perÃodo em que você pagará o valor promocional. Geralmente de 1 a 3 meses. E também citam o perÃodo de fidelidade. Querendo cancelar antes do fim do perÃodo, você paga uma pequena multa. Que em alguns casos é de um valor mais alto do que simplesmente ficar pagando mensalidade mesmo sem usar o serviço.
A maioria das promoções acima é legÃtima. A empresa dá alguma coisa, e recebe outra coisa em troca. Não há nada de errado nisso.
Ok, às vezes tentam lográ-lo um pouquinho, mas sem fazer nada ilegal.
No entanto, há casos que flertam com a desonestidade.
Um exemplo é uma loja de calçados no centro de Goiânia que, em sua vitrine, tem produtos com preços assustadoramente baixos. Por exemplo, um tênis que você sabe que custa R$ 199,00 ali custa menos de R$ 100,00!
Você fica seduzido e entra na loja. Não consegue esconder a satisfação de fazer tamanha economia. Em meio a tanta emoção, balbucia para o vendedor qual o produto que você quer. Ele responde:
- Você pode procurar ali na prateleira. Tudo que temos está ali.
Ele aponta para várias prateleiras, estilo de supermercado, cheias de calçados, ordenados por número.
Mesmo achando meio estranho, você vai lá procurar o modelo lá na sua numeração. Não tem.
- Poxa, que pena, logo o meu número não tem – você pensa, ingenuamente.
Pois experimente procurar nas outras numerações. Não existe tal modelo! Eu já comprovei!
E fiz mais: procurei todos os modelos que estavam incrivelmente baratos na vitrine. Eles simplesmente não existiam dentro da loja. Na verdade, só havia modelos feios e de marcas desconhecidas. De baixo custo, mas de nÃvel equivalente ao preço.
Ainda tentei conversar com um vendedor e pedir o tênis que estava na vitrine, já que ele parecia ser o meu número. Ele retrucou que os que estavam na vitrine não poderiam ser vendidos.
Resumindo: pura enganação. A vitrine é um mero chamariz para que o consumidor desatento entre e acabe levando alguma coisa.
Tem loja que vive em promoção. Todos os seus produtos custam dezenas de reais a menos que custariam normalmente. É comum ver pessoas dando gritinhos de euforia em lojas dessas:
- Geeenntiiii! De 500 reais por 199,99!! Tenho que aproveitar!
Será que normalmente o produto custaria 500 reais mesmo? Não raro o preço normal é exatamente o preço anunciado como sendo promocional. Ou às vezes estão vendendo o produto por mais do que ele efetivamente vale.
Uma simples comparação com outra loja que tenha o mesmo produto já confirma ou desmascara a “promoção”.
Essa acontece comigo o tempo todo. Mas me causa o efeito contrário. Se o vendedor tem jeitão de malandrão eu já desconfio. Se pergunto o preço e ele diz “pra você é 100,00“, eu já emendo: “e se não fosse pra mim, seria quanto? 50,00?“.
Desconfie de “promoções” criadas na hora, especificamente para você. Melhor: desconfie sempre que um produto não tiver um preço escrito em algum lugar. Provavelmente esse preço será estabelecido de acordo com a cara do cliente. Inclusive já testei isso numa barraquinha de frutas: para mim, o preço era 2 reais mais caro que para uma amiga que perguntara 2 minutos antes.
Eu acredito que quando aliens forem invadir a Terra, vão usar a TV como instrumento para hipnotizar as massas.
Não, não vão usar Twitter, Blogs. Nem mesmo Orkut. A TV ainda é tão forte que até mesmo dois blogueiros muito inteligentes e de respeito foram flagrados comentando no Twitter a participação da banda Pedra LetÃcia no Faustão!
Sim. Faustão!
Por mais que alguém diga que não vê TV, todo mundo sempre tem uma desculpa para ter visto “de relance” o gordo das tardes da Globo.
Como eu moro sozinho, não vejo nada nem de relance. TV é pra ver filme ou futebol. E eu já nem gosto mais tanto de futebol.
Fico puto quando digo que não vi algum filme e as pessoas fazem cara de indignação:

- Como assim não viu?? Já passou na Globo!
Veja bem. Ter passado na Globo significa que você tem que ter assistido. Quem em sã consciência não teria uma TV sintonizada na Globo?
Então, em caso de uma invasão extra-terrestre, eu seria um dos poucos humanos livres da lavagem cerebral alienÃgena! Só não sei se isso é bom ou não.
E, sério, teve uma vez que eu achei que isso tinha acontecido. Que eles estavam entre nós e somente eu poderia salvar a humanidade – ou seja, a humanidade estava f*dida!
Afinal, o que mais poderia explicar o bizarro comportamento que meus colegas terráqueos começaram a ter de uma hora pra outra?
Foi lá pelos idos de 2002, 2003. No trabalho, na rua, no elevador, todo mundo entoava o mesmo mantra:
- Guerá-pááá!
- Guerá-pááá!
- Guerá-pááá!
- Guerá-pááá!
Mas que raios é Guerá-pá? Seria uma palavra em dialeto alien? Ou talvez fosse um nome, tal qual Imhotep . Seria eu sacrificado por não ter louvado o grandioso Guerá-pá como os demais?
Extremamente intrigado, mas um pouco amedrontado, resolvi perguntar. A resposta me deixou um pouco aliviado. Mas não tanto!
Tratava-se de um comercial que provavelmente todas as pessoas não gumpescas da Terra viram dezenas de vezes.
Creio que é este aqui:
Cadáver quando se levanta só sabe falar “Miooooolos!” Já quem via esse comercial na TV, por algum motivo obscuro, só conseguia falar “guerá-pááá!”
E eu, sem entender a nova lÃngua que as pessoas falavam, sentia-me um alien em meu próprio planeta.
Hoje, isso vem acontecendo de novo.
Não me preocupo com a gripe suÃna, pois estou mais assustado com uma nova epidemia de “zumbizismo”! Nos blogs, nas ruas, no MSN, no twitter, ela está se alastrando em ritmo extremamente alarmante.
Ninguém consegue comentar, responder, falar ou balbuciar nada que não seja a palavra “Ronaldo”.
- Ronaldo!
- Ronaldo!
- Ronaldo!
- Ronaldo!
É uma praga, uma epidemia!

Dizem que é por causa do cara da imagem acima. Alguma coisa relacionada com o Pânico na TV.
Eu sinceramente não entendo. Isso nem mesmo tem graça!
Só consigo acreditar numa coisa: é culpa dos aliens e sua lavagem cerebral.
Em bom tiopês: “corrão!“