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Arquivo de December de 2008

Monday
22/Dec/2008

knittednightmares

Não entendi por que disseram que esses graciosos bichinhos de pelúcia da imagem acima são a minha cara. Mas, de qualquer forma, taí minha dica pra me dar de presente no meu aniversário, já que o natal está em cima e eu não quero dar trabalho! Mesmo sabendo que você está morrendo de vontade de sair para comprar um presente para o Gump.

Monday
22/Dec/2008

Em Valparaíso, no Chile, há muitos restaurantes, lanchonetes e bares bem diferentes do que estamos acostumados aqui no Brasil. E era tudo o que eu queria: experimentar novos sabores.

Depois de muito andar pela cidade, escolhi um local que me pareceu bem aconchegante: ambiente meio escuro, estilo bar, muito bem arrumado, com um telão passando DVD de um show de uma banda chilena/argentina/whatever que eu não faço idéia qual era (mas tinha um som legal), e o principal: cardápio ilustrado na porta, cheio de comidas apetitosíssimas!

Pedi um prato da parte ilustrada do cardápio. Afinal, algo com aparência tão bonita não poderia ser ruim. E foi gostoso, realmente.

Mas, como a grama é sempre mais verde do lado do vizinho, vi o garçom chegando em outra mesa com uma verdadeira montanha de coisas extremamente gordurosas, engordativas e que fazem muito mal gostosas! Não tinha foto daquela preciosidade no lado ilustrado do cardápio. Tive que perguntar o que era aquilo!

Descobri que aquilo era uma chorrillana!

chorrillana grande

Isso é uma Chorrillana. Individual!

Eu tinha visto uma monstruosa chorrillana para duas pessoas, e mesmo já com a pança cheia, fiquei salivando. Os garçons explicavam, orgulhosos, como era feita, e qual a tradição. Contavam que o bom mesmo era comer chorrillana tomando cerveja e assistindo futebol. Convidaram para voltar no dia seguinte, quando passariam Colo-Colo x Cobresal.

É claro que eu voltei. Descobri que os chilenos também são fanáticos por futebol, e ficaram orgulhosos de saber que eu conhecia times menos conhecidos internacionalmente, como o Cobreloa, do qual havia um torcedor fanático no bar. Futebol me rendeu muito assunto e foi uma noite muito calórica divertida.

Por alguns momentos meu coração patinou na gordura, mas logo ela foi alojada em minha camada adiposa e tudo ficou bem!

Por fim, ganhei uma receita de chorrillana como eles fazem por lá, naquele bar, que vai ser devidamente publicada na seção “A não tão maravilhosa cozinha do Gump”. Ganhei, também, pedidos de que escreva para algum jornal brasileiro, pedindo pela preservação da amazônia…

Ah sim, não sou mais capaz de comer qualquer coisa sem passar mal, então aquela noite foi meio complicada.

Se bem que toda a vodka que tomei depois com os gringos no hostel pode ter contribuído um pouquinho para meu mal-estar…

Veja também:

Friday
19/Dec/2008

Não! Não é um post sobre O Albergue, aquele filme sangrento produzido pelo Tarantino. Trata-se de uma “homenagem” ao primeiro hostel em que eu me hospedei na viagem ao Chile.

bandeiradochilenajanela

O Hostel não tinha cortina, mas nem precisava: uma bandeira do Chile serve direitinho.

Um grande problema de uma viagem sem grandes preocupações com tempos de permanência em cada cidade é fazer reserva nos hotéis ou albergues mais concorridos. Quando você decide uma data para estar em um local, costuma ser tarde.

E descobri que os hostels têm uma forma peculiar de lhe informar que não há vagas: eles lhe ignoram!

Para confirmar isso, usam outra forma peculiar: riem da sua cara!

Descobri isso num hostel de São Paulo. Fiz a reserva no site e depois de alguns dias não obtive resposta. Liguei e o atendente riu:

- Para sábado? hahaha! Por isso que ninguém respondeu. Não tem vaga.

sabado

“Para sábado????”

Mas isso funcionou também em Viña del Mar, Mendoza, Cordoba e Buenos Aires. Sem resposta, sem vaga.

Como eu não sabia com tanta antecedência quando estaria em cada cidade – e a graça da viagem era justamente não ter uma programação fixa – acabava tendo que procurar um plano B em cada local.

Depois de não conseguir vaga em nenhum dos hostels que me foram indicados em Valparaíso, por acaso descobri um que era beeeem baratinho, o que me deixou empolgado. E de quebra era no alto de um morro. Eu teria que usar um dos famosos funiculares de Valparaíso. São uma mistura de trenzinho com elevador, e estão por toda a cidade.

funicular

Isso é um funicular.

Para começar, o ascensor (funicular) já me decepcionou. Fiquei esperando – tal qual criança esperando presente no natal – a chegada do meio de transporte mais típico de Valparaíso, e no fim ele era apenas um caixote com rodas, que sobe só um pouquinho e pára. Achei que era algo imprescindível, que não havia ruazinhas para chegar lá em cima. Mas na verdade é só um atalho, para as pessoas não terem que subir o morro a pé. Há, claro, outros ascensores bem maiores e mais úteis (como o da foto abaixo), e com lindas vistas para o porto, mas o que eu peguei era bem simples e subia pouco.

ascensor

Uma foto mais descritiva do que são os tais ascensores (funiculares). Foto: Hiru.com

Depois, o Hostel. A atendente só falava espanhol, e não era lá muito simpática. Fiquei num dos quartos coletivos, e não havia armário com tranca, para guardar a mochila com tranquilidade. Vi que havia várias outras mochilas sobre as camas. Tomei coragem e deixei a Dani lá também, e fui passear pela cidade.

À noite, usei o melhor do hostel: um computador extremamente velho, mas de uso gratuito, com acesso à internet. E resolvi pesquisar sobre o local onde eu me hospedara.

Foi aí que eu achei um site em havia um review do hostel feito por um inglês que se hospedara lá. O Título do artigo era: The Hostel from Hell. Poxa, eu nem estava achando tão ruim (ainda não tinha conhecido os maravilhosos hostels de Cordoba e Buenos Aires). Mas realmente procedia: cozinha de hóspedes caindo aos pedaços e com pratos sujos, e um único banheiro para todo o hostel. Na verdade, havia dois, mas um estava todo quebrado. Com avisos em inglês do que não se devia usar.

dontnotuse

Aviso em “bom” inglês

Aliás, os avisos eram as únicas palavras em inglês vindas do staff. Apesar de divulgarem atendimento bilíngue, a atendente só falava espanhol. Quando uma alemã chegou para o café da manhã, a moça do hostel indicou o caminho e pediu para ela sentar-se. Tudo em espanhol. Antes que ela repetisse pela terceira vez, eu (que na verdade não falo nem espanhol nem inglês direito) resolvi bancar o tradutor. Um jovem casal californiano pegou o embalo e me usou para perguntar coisas sobre a cidade.

Por fim, o pessoal do hostel omite informações. Depois que eu já havia ido embora de Valparaíso, descobri que eles ofereciam translado do terminal rodoviário para o hostel e vice-versa. Nem na hora da reserva, nem no checkout me avisaram disso. Além de pagar táxi na ida, tive que pagar o mico de tentar pronunciar o nome do lugar onde eu ia descer: “Reloj Turri“. O motorista só entendeu na terceira vez.

turri

Reloj Turri. Meu ponto de referência em Valpo. E um nomezinho difícil de pronunciar.

Mas uma coisa eu digo: eu posso ter estado no Hostel dos infernos, mas eu gostei! Foi bem interessante o convívio com alemães, franceses e californianos, principalmente na segunda noite. Intrigante como o acompanhamento de muita vodka faz parecer que todos falam a mesma língua!

bikenajanela

Da janela do Hostel, vê-se uma solução chilena para a falta de espaço para guardar uma bicicleta dentro do apartamento.

A convivência tornou a experiência inesquecível. Rendeu lembranças boas, e uma nem tanto: acordei com roncos tratorescos de um cara que eu não sei de onde é. Chegou quando eu dormia e dormia quando eu fui embora, então não deu pra perguntar.

Ele dormia espalhado em sua cama, de roupa e meia. E algo se mexia num cantinho ao lado dele. Olhei melhor, e tinha uma moça lá! Também de roupa e meias.

Friday
12/Dec/2008

Quando estava na fronteira da Argentina com o Chile, todas as bagagens foram retiradas do ônibus, cheiradas por cães, e algumas chegaram a ser revistadas. Trâmites normais.

O que eu não havia entendido no momento era por que o cara que colocava as bagagens de volta estava passando com um copo, com cara de mau, falando alguma coisa enrolada que eu não entendia, e o povo ia colocando dinheiro dentro do copo. Foi de um em um mas acabou me esquecendo, e eu deixei pra lá, até porque dinheiro miúdo eu só tinha em reais.

Quando cheguei em Santiago e fui retirar a mochila no bagageiro, o carregador já exigiu: “¡Propina!“.

Tentei explicar que não tinha pesos, e ele começou a gritar, para todos os outros passageiros ouvirem, que aceitava dólar, euro, real, peso e mais outras tantas moedas. Seu jeitão era cômico mas seu olhar na hora de cobrar a gorjeta era severo. Deixei 2 reais, a grana mais miúda que eu tinha.

Era só o começo. Descobri que no Chile e na Argentina é tão comum dar gorjeta, que quem presta serviço já sente que é sua obrigação pagar.

Vai guardar as malas? “¡Dame una propina!” Experimente não dar e ter a surpresa de que sua bagagem “extraviou”.

Vai pegar as malas? “¡Una propina!

Vai à padaria? Esperam que você deixe uma gorjeta.

propina

“Pedir gorjeta dá trabalho demais, vamos deixar escrito.” (Sim, deixei gorjeta para tirar a foto)

O pior foi quando fiz Mountain Bike em Mendoza, na Argentina. O guia foi muito gente boa, além de um verdadeiro companheiro de pedalada. A bike era boa e local, de tirar o fôlego! Mas eu havia pago bem carinho para percorrer aquelas trilhas. E não tive os melhores equipamentos de segurança – só um capacete, e de rafting! -, o que seria importante para alguém sem muita técnica numa trilha daquelas.

Mas enfim, quando voltávamos para a base após a pedalada, o guia comentou as suas 4 regras para considerá-la um sucesso. Que o contratante:

  1. desfrute de uma bela paisagem;
  2. tire muitas fotos;
  3. comemore ao final com uma boa cerveja com o guia e os demais participantes;
  4. deixe “una muy buena propina”!

Acho que o ato de cobrar gorjeta a torna uma verdadeira “propina” – usando o termo em português, tão desgastado pela corrupção. Tenho que dar gorjeta para receber o serviço, quando deveria ser um adicional por um bom serviço prestado.

Claro que eu deixei uma boa gorjeta pro cara – até porque todos os gringos estavam deixando também, e porque tinha sido uma pedalada fantástica. Mas realmente ficou a impressão que toda aquela aura de amizade, que o guia tanto fez questão de exaltar durante a cerveja após o passeio (“Agora, vocês têm um amigo na Argentina!”), era só para a gorjeta; recebida a propina, o guia sumiu e nem se despediu de ninguém.

Já nos restaurantes em Buenos Aires o atendimento era impecável. E não pediam “propina”.

Aí era eu quem fazia questão da gorjeta.

Friday
12/Dec/2008

Essa é a Telepizza. A pizza onipresente de Santiago.

pizzachilena

Até que é boazinha. E você encontra também nos Shoppings, em combos estilo McDonald’s: pizza individual com batatas fritas e copo de refrigerante.

Mas esse slogan da pizza XL realmente não soa muito bem…