Você está em casa, no seu conforto, vendo TV, navegando na internet, tomando uma cerveja gelada, comendo alguma comida quente. Whatever! No momento seguinte, acaba a energia e você percebe que o gás acabou.
Já era a sua TV, a sua internet, sua cerveja gelada e sua comidinha quente. Você se sente um nada! Pela primeira vez, você tem um auto-conhecimento.
Nessas horas você percebe que há coisas sem as quais você não vive – ou vive muito mal.
São as grandes invenções da humanidade!

- Ohhhhhhh!!
Mas elas não são as mesmas para cada um. O que é importante para você pode não ser importante para mim.
Assim, dane-se a roda! Rede de esgoto? É uma grande merda. E não fique chocado por eu também não falar de eletricidade.
Não quero falar de unanimidades. Nem fazer trocadilhos sem graça. Então, vou listar aqui, “As grandes invenções da humanidade segundo o Gump“. Hoje começando com…
A região do meu corpo em que supostamente há um cérebro sempre foi muito resistente. Quando criança, brincando em cima de um muro, despenquei de cabeça em cima de uma calçada novinha de cimento. A calçada rachou, e eu fui tranquilamente assistir “Domingo no Parque“(1).
Alguns minutos depois meu avô adentrou o recinto, com toda a imponência de um senhor alemão brabo(2) (existe alemão não-brabo?), e gritou:
- Kaiserslautern Rammstein Bayer Volkswagen Frankfurt Monchengladbach! Porra!(3)
Traduzindo:
- Por que é que você jogou pedra na calçada? Agora vou ter que fazer tudo de novo! Porra!
Ele jamais acreditou que eu tinha jogado a minha cabeça ali, e não uma pedra.
Mas apesar de não ter sentido nada nessa queda – ou talvez por isso mesmo. Será? – eu sempre tive problemas crônicos de dor de cabeça .

Minha criação natureba não permitia que eu tomasse remédio, exceto em caso em caso de emergência, sob o pretexto de que se eu tomasse “por qualquer coisinha”, quando eu realmente precisasse não faria efeito.
Então tinha que exercitar minha criatividade. Arrumava milhares de maneiras de tentar driblar a dor. Até que descobri que comprimir a cabeça ajudava um pouco.
Uma vez por semana, no mÃnimo, lá estava eu em meu quarto com uma faixa amarrada com força na cabeça.

Milenar técnica tibetana para aliviar a dor de cabeça
Quando caà no mundo saà da casa da minha mãe, já podia finalmente comprar aquelas coisinhas milagrosas que você toma e a dor some. Mas, para minha decepção, não fazia efeito! Acredite, conheço cada um desses remedinhos inúteis (para mim, pelo menos) terminados em ina e il.
Tive contato então com outras técnicas – provavelmente descobertas por pessoas tão desesperadas quanto eu – como colocar fatias de batata ao redor da testa. Enquanto a batata estava geladinha, era uma maravilha. Mas não funcionava por mais que alguns minutos.
As melhores técnicas eram mesmo usar gelo ou a faixa na cabeça. Para sair de casa, um boné bem apertado ajudava.
E assim, fui levando a minha vida, com a companhia semanal da dor de cabeça. Qualquer probleminha postural, dormir na posição errada ou situação estressante, já iniciava a dor. Só dormindo para passar – se passar!
Nada pior que você dormir pra esquecer que está com dor, e sonhar que está com dor de cabeça. E sentir realmente a dor de cabeça no sonho! Já tive altos pesadelos em que eu estava para cair da ponte metálica da cidade onde cresci, e a cabeça latejava enquanto eu me segurava para salvar minha vida.
Até que um belo dia recebi uma visita de um amigo que trouxe amostras do AAS famoso, só que na versão “cafi“. Parecia um comprimido de AAS bombadão, gordão. Só de saber que tinha cafeÃna, eu já quis! Achei que não ia surtir efeito contra a dor da mesma maneira, mas ao menos teria uma dose para sustentar meu vÃcio em cafeÃna.
O fato é que a cafeÃna atua como agente acordador potencializador. Na dor de cabeça daquela semana, eu tomei uma Cafi(4) (somos Ãntimos!). E funcionou!
Foi amor à primeira vista! Nunca mais faltou Cafi em casa.
Depois, descobri que todos os analgésicos que não funcionavam pra mim na versão normal (paracetamol, por exemplo), eram tiro e queda na versão com cafeÃna!
Então, alguns dias atrás, veio a dorzinha chata, já tarde da noite. Nada a temer. Fui assobiando até a gaveta onde eu guardo minha dose de milagre, e…

- Cadê!?!?!?!?!?!?!?
Tinha acabado! Passava das 23 horas, e isso em Goiânia. A farmácia 24 horas mais próxima (ou única, talvez), estava a uma boa distância! Tive que me virar sem minha amada cafi.
Tentei dormir. Acordei com dor de cabeça no meio da noite. Dormi. Acordei com dor de cabeça pela manhã.
Corri para a farmácia, finalmente aberta.
Enfim, alÃvio!
Então, analgésicos com cafeÃna são, para mim, a maior invenção da humanidade!
1. Domingo no Parque, pirralho, era o programa infantil do SÃlvio Santos. Aquele em que a menina soltou a piada do bambu.
2. Toda vez que alguém escreve “brabo”, chovem crÃticas pelo “erro” que se deixou passar. Brabo está correto e em alguns meios é até recomendado, para assim usar “bravo” apenas quando se referir a “bravura”. :p
3. Estou brincando. Nunca ouvi meu avô falar palavrões (ao menos em português).
4. Procure um médico. Auto-medicar-se é errado.
Ok. O tÃtulo a rigor está errado. Workaholic, por definição, é um viciado. Não em álcool nem em cocaÃna, mas em trabalho. E, como todo vÃcio, acaba trazendo malefÃcios. Acredite. Tem gente que faz tratamento até por vÃcio em sexo! Ou seja, vÃcio nunca é uma coisa boa.
Mas eu normalmente me refiro a workaholic como aquele que ama trabalhar. Normalmente essas pessoas são também viciadas no trabalho e, assim, o termo passa a estar certo.

Apesar de frequentemente elogiarmos aqueles que trabalham muito, é comum que o cara que trabalhe mais do que os outros e viva para trabalhar seja odiado por todos.
Afinal, se você trabalha com alguém assim, por mais que você faça o seu trabalho, parece que você é vagabundo, porque enquanto você vai pra um happy hour ou pra casa cuidar da vida, seu colega está lá trabalhando e produzindo. Ele também faz muitas coisas que nem são sua atribuição – o que muitas vezes até atrapalha seu próprio desempenho -, e assim muita gente folgada acha que, se ele fez, você tem que fazer também.
Isso é muito comum se você trabalha com TI. Não interessa se você é um Programador, Analista ou DBA, para todo mundo na empresa você é um cara que mexe com computador . Então sempre tem alguém que pede (ou exige ) que você arrume a impressora dele ou veja por que o computador está tão lento ou, até, que ajude a colocar uma foto no Orkut. Um trabalhador normal explicaria, polidamente, que é outra pessoa que tem essa atribuição. Mas não adianta muita coisa, pois sempre tem o workaholic que não nega trabalho algum, e passa a tarde inteira ensinando o usuário a mexer no word, deixando-o mal-acostumado.
Mas não é só por isso que o workaholic é odiado. Esse cara está sempre pronto para criticar quem tem desempenho de ser humano normal; só fala de trabalho em qualquer evento social a que compareça; e frequentemente vira um chefe carrasco .
Diz a lenda que as empresas atualmente estão procurando orientar os workaholics a buscarem equilÃbrio entre a vida profissional e a pessoal. A não se sobrecarregarem de trabalho, para assim se concentrarem mais no que fazem e, portanto, produzirem mais.
No entanto, eu não sei onde estão essas empresas. Acredito que estejam no mesmo local em que aquelas com horário flexÃvel, investimento na formação do funcionário, atividades recreativas, trabalho à distância, todas essas coisas que tanto se fala que estão na moda. Na prática, a esmagadora maioria das empresas quer mesmo é que todo mundo trabalhe 12 horas por dia sem pedir hora extra, e por vontade própria.

Já falei disso no artigo sobre as 150 supostas melhores empresas para se trabalhar . Já trabalhei em uma dessas empresas, e tive contato com algumas outras. São simplesmente um inferno! Têm regras rÃgidas, muito stress, muito trabalho e cobrança, e muita, mas muita puxação de tapete.
No artigo, eu listei algumas hipóteses para empresas tão ruins de se trabalhar estarem listadas entre as melhores. Mas na real eu acho que elas estão lá na listinha simplesmente porque há muita gente que realmente gosta delas. Gosta de stress. Gosta de resolver coisas. Gosta de produzir. Gosta da disputa por uma vaga na gerência, da puxar tapete, da concorrência.
Isso soa mal? Nem tanto. Pessoas assim são extremamente elogiadas por sua determinação e esforço. Claro que elas acabam virando pais/maridos/esposas/filhos ausentes, tendo problemas de saúde relacionados ao stress, etc. Mas de maneira geral, são essas as pessoas que obtêm sucesso.
Esse artigo todo é para dizer que eu mudei de opinião sobre os workaholics.
Eu sempre odiei workaholics. Eu tinha raiva de ver algumas pessoas twittando sobre linguagens de programação em plena noite de sábado. Outras, na mesma noite, twittando maravilhadas sobre as soluções que estudavam para aplicar no trabalho na segunda-feira.
Tive uma namorada que só falava de trabalho. Desmarcava inúmeros encontros pra virar a noite fazendo o trabalho que outras pessoas não terminaram pelo absurdo de irem embora no fim do expediente. Deixava-me vendo Gugu enquanto lutava com pilhas de relatórios que levava para fazer no domingo em casa. Quando não estava trabalhando, estava cansada demais para fazer qualquer coisa – qualquer coisa.
Mas ela é que era feliz. Ela acordava pela manhã, e ia fazer o que lhe dava prazer! Passava o final de semana fazendo o mesmo que fazia nos dias úteis, porque isso que era importante para ela. Quantas pessoas você conhece que, na segunda-feira, já estão contando as horas para o fim-de-semana? Já essa moça não. Quanto mais demorar para chegar sexta, melhor. Dá para produzir mais.
Essas pessoas ganham dinheiro para fazer o que gostam. E o melhor: o que gostam de fazer dá dinheiro!

Já eu amo viajar. Gosto de escrever. Sou apaixonado por filmes. Na prática, eu gasto (e muito) para fazer o que eu gosto.
Veja os grandes executivos, donos de grandes corporações. Os investidores, os empresários. Todos queremos ter a grana deles. Mas quantos de nós gostaria de ter a rotina de vida deles? Eles gostam ! Não é que sejam só mais esforçados que a gente. Eles são, mas também porque eles sentem prazer em fazer esse esforço. Não fazem por dinheiro. Dinheiro é consequência.
Tem muita gente esforçada, que rala, rala e rala, mas não sente prazer naquilo. Faz por obrigação. Esse tipo não consegue o mesmo sucesso do grupo anterior, porque o gosto pelo que faz é determinante para o sucesso.
E talvez a maioria das pessoas faça parte desse grupo. São aquelas que acham que gostam de trabalhar, porque são cristãs, porque não são vagabundas, porque “o trabalho enobrece o homem”, ou simplesmente porque aceitaram uma existência normal, sem grandes anseios, sem desejo de viver plenamente. A prova de que essas pessoas tentam enganar a si mesmas é que elas odeiam as segundas-feiras e amam as sextas.

Eu sempre fui desse grupo. Sempre fiz o meu trabalho. Mas no fundo sempre senti que eram oito horas disperdiçadas por dia. Não que eu odeie o meu trabalho – até acho legalzinho – mas gosto mesmo é quando o relógio marca 17h na sexta-feira. Legalzinho não basta. Não é aproveitar a vida ao extremo.
Hoje, meu trabalho não é minha vida. Minha vida é fora dali. Um dia espero fundir trabalho e vida em uma única coisa boa. Por enquanto, vou procurando ter uma vida perfeita fora do trabalho, para compensar as horas que perco com ele.
Ah, mas que eu invejo quem realmente gosta de acordar pra ir trabalhar, eu invejo.
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Logo que comecei a exercer meu cargo atual, um colega de trabalho fez uma brincadeira, espalhando uma pequena mentira a meu respeito, como se fosse verdade. Como eu não gosto nada que tenham uma impressão errada sobre mim, eu deixei escapar a preocupação em desmentir. Ele percebeu meu desconforto, e passou meses repetindo a brincadeira e me chamando por um apelido relacionado com a brincadeira. Nem os demais colegas aguentavam mais ouvÃ-lo sempre falando a mesma coisa, 10 vezes por dia.
Claro que eu devolvia. Antes de ele abrir a boca, eu já sacaneava as combinações bizarras de roupas que ele faz. Um dia ele apareceu com uma corrente no pescoço, grossa, bizarra, uma camisa verde e um tênis alaranjado. Zoei bastante e provoquei boas gargalhadas na hora do café. Mas isso não impediu que o momento em que ele se defendeu, fazendo pela milésima vez a mesma brincadeira, fosse menos irritante.
Mas um dia isso mudou. Um colega percebeu uma extrema semelhança entre o Astrobaldo (nome fictÃcio para preservar a privacidade de meu colega) e um personagem chileno de quadrinhos e desenhos animados, o Condorito.

Meu colega de trabalho, Astrobaldo
As roupas coladas ao corpo, a postura, uma leve barriguinha, os sapatos vermelhos (sim, Astrobaldo não gosta só de laranja; tem um tênis verde e outro vermelho), e até mesmo o nariz em forma de bico de condor (estou maldoso hoje). Tudo condiz perfeitamente!
Comecei a chamá-lo de Condorito. Fiz imagens estilos “separados no nascimento” e coloquei nos murais. Algo bem tÃpico de um cara maduro, sabe? E ele, que odeia o apelido (apesar de nunca admitir publicamente), bufa, mas tenta fazer a mesma piadinha novamente, como se não se importasse.
Mas eu gostei da sensação de vingança. Cheguei até a dar uma bela volta em Santiago do Chile só para tirar foto de uma estátua do Condorito que há na Gran Avenida.

Estátua em homenagem ao meu amigo Astrobaldo, em Santiago.
Hoje, a vida é divertida lá no trabalho. Já de longe o vejo fazendo peripécias para me evitar, até o desespero estampado no rosto na hora em que vê que não tem como fugir.
Então, a receita para evitar os chatos que decidem lhe encher o saco, é mandar a sua maturidade às favas e revidar, achando o ponto fraco do mané.
E se você é um desses chatos, e passa meses repetindo a mesma piadinha, tome cuidado. Na primeira oportunidade, tem troco!
Principalmente se você faz algo tão estranho quanto usar tênis vermelho.

Chorrillana é essa maravilha calórica da foto acima. É um prato muito comum no Chile. Os chilenos adoram comê-la assistindo futebol e bebendo cerveja. Já falei sobre ela em um post anterior.
Ensinaram-me mais ou menos como fazer, mas o álcool, somado ao medo de ter uma parada cardÃaca depois de uma mega-chorrillana, fez com que eu não conseguisse gravar bem todos os passos. Então essa receita é de Chorrillana Gumpesca, é claro. Mas fica bom. E faz mal , como a original.

Se você achar que tem fritura demais, você pode cometer o sacrilégio de preparar as batatas no forno. Não fica a mesma coisa.
Se você quer entrar no espÃrito, pode agregar champignon. Frito na manteiga, é claro.
Vi também uma chorrillana em que a camada de cebola não tinha ovo, só a cebola, muito bem preparada – acho que levava açúcar (não, essa coluna aqui não é precisa!). Então, por cima da carne, colocou-se dois ovos fritos com gema mole, que despencava sobre o resto do conteúdo quando você cortava.
E, por fim, nada precisa limitar sua criatividade. Você pode empilhar qualquer coisa em cima das batatas fritas que vai ficar bom. A gordura garante o sabor. Veja na imagem abaixo uma prova disso.

Em cima do ovo e da cebola, a sua imaginação manda!
Divirta-se. Mas eu não me responsabilizo por nenhuma doença ou quilos acumulados ao seguir-se essa receita.
Veja a imagem acima. Sim, divirta-se! Pode clicar nela para ver maior. Quando cansar de saborear com os olhos, tente descobrir um detalhezinho e um erro.
É uma propaganda da Brahva, como você já identificou sem querer com a vista periférica enquanto olhava os peitos da moça da esquerda.
E não, eu não errei. É Brahva mesmo, com v. Na Guatemala, o termo “brama” é bem pejorativo, significando “cadela no cio“. A saÃda da Ambev para não prejudicar a marca foi fazer várias opções de nomes parecidos e botar os guatemaltecos para escolher uma delas, e assim Brahma virou Brahva.
E esse era o detalhezinho que eu avisei que havia na imagem, e você nunca ia perceber!
Agora, faça um esforço e repare no canto direito superior da imagem. Veja o nome na geladeira. (Ok, vou ajudar).

Passou batida a marca da grande rival da Brahva na Guatemala, a Cerveja Gallo.
Cá pra nós, um erro fácil de cometer.
Vi no guatemalteco blog dumitraqui, mas não sei como ele conseguiu perceber isso…